Vou Morrer
E quando morrer ao menos deixarei o rastro de coragem de quem lutou do primeiro ao último suspiro de vida
MORRER É NORMAL
Uns morrem por armas, em chacinas;
outros em acidentes. uns morrem na água; outros, no fogo. Há quem morra por assumir um determinado cargo, e há quem morra por amor. Há quem poderá morrer por ter muita saúde e outros pela paz. Mas morrer é normal.
Quando você cuida de você, está cuidando também do seu bem querer, porque se você morrer, quem te ama é que vai sofrer.
A batalha entre a fé e a ciência costuma ser mortal! O primeiro a morrer é a razão! A lógica fica gravemente ferida e a esperança é perdida!
O capitalismo diminui o que tem valor e aumenta o que tem preço! Uns trabalham até morrer e outros morrem sem nunca trabalhar!
Dói porque o amor não sabe morrer; a gente é que fica aqui fora, com as mãos cheias de futuro, tentando explicar para o peito vazia que a saudade agora é a única forma de abraçar quem partiu.
Eu nunca desisti de você, mas assisti em silêncio enquanto você deixava o nosso amor morrer. Minha luta não foi suficiente para salvar o que você parou de regar.
O objetivo da guerra não é morrer pela pátria, mas fazer o inimigo morrer pela dele.
Como seria morrer sem conhecer nossa alma gêmea?! deve ser muito ruim, deixar a metade de nossa alma vagando uma vida inteira procurando alguém que ele nunca ira encontrar.
Sonhei que a minha avó paterna, tinha acabado de morrer e a minha tia, que é sua filha e irmã do meu pai, tinha vindo pegar as coisas dela, minha prima, filha da minha tia, estava chorando e ela era pequena e falava para mim, que a vó era chata, mas que iria lembrar das coisas boas, que ela fazia.
MAIO DE 2023
PS: ELA JÁ ERA FALECIDA
as vezes ficar louco é preciso
para arrancar o ciso que dói,
prefiro viver vilão
que morrer herói...
Um dia morri antes de morrer.
Não foi no corpo, foi no silêncio que me engoliu, foi quando o mundo pesou demais e eu deixei de caber dentro de mim.
Morri quando calaram minha voz, quando a vida me pediu mais força do que eu tinha, e eu me vi pequena, espremida entre o que senti e o que ninguém quis enxergar.
Morri quando esperaram que eu sorrisse enquanto meu peito gritava, quando o cansaço virou casa, e a espera virou esquina onde meus sonhos sentavam para descansar.
Um dia morri antes de morrer, e ninguém percebeu.
Porque a morte mais cruel é aquela que acontece em silêncio, por dentro, bem antes de qualquer adeus.
Mas também renasci. No instante em que recolhi meus pedaços, no momento em que decidi me mover mesmo ferida, mesmo frágil, mesmo sem aplausos.
Renasci quando entendi que sobreviver já é coragem, que respirar depois de uma dor profunda é milagre diário, e que viver, às vezes, é voltar do fundo trazendo luz.
Um dia morri antes de morrer, e foi justamente ali que descobri quem eu era: não a queda,mas a força que me levantou.
O estoicismo nunca me pareceu sobre ser forte. Sempre me pareceu sobre deixar morrer o que já não cabe. O ego resiste. A vida não. Ela tem gosto de instantes.
04/08/2026
Quando quem você despreza morrer...
será no silêncio da ausência que entenderá o valor de quem partiu.
Desenvolvimento para o morrer, é saudável, assim não precisamos fugir dela:
Se ocupando com várias coisas, para não ter espaço de 'lembrar' de nosso destino.
Isso é estressante, financeiramente caro, alienador e pode ocasionar ansiedade e depressão.
AS HORAS QUE SE RECUSAM A MORRER
Não durmo.
Não porque exista alguma coisa
que valha a pena vigiar,
mas porque até o sono
parece ter desistido de mim.
A madrugada é um animal velho
deitado sobre o peito.
Respira devagar.
E eu escuto.
03:12.
O relógio continua funcionando
com a obscena fidelidade
das coisas que não possuem alma.
Nós somos assim:
inventamos máquinas para medir o tempo
e depois descobrimos, tarde demais,
que era o tempo
que estava nos medindo.
03:47.
Penso na infância.
É estranho chamar aquilo de infância.
Havia paredes,
havia nomes,
havia pessoas que deveriam ter ficado.
Mas algumas ausências
nascem antes das pessoas morrerem.
Talvez essa seja
a primeira forma de abandono:
descobrir que alguém pode estar vivo
e ainda assim
já não existir para você.
04:06.
Acendo um cigarro.
A brasa ilumina meu rosto
por alguns segundos.
É quase uma oração.
Depois vira cinza.
Como tudo.
O amor também foi assim.
Primeiro, uma pequena chama
que prometia aquecer a casa.
Depois, fumaça.
Depois, cheiro.
Depois, nada.
Tenho uma coleção inteira
de coisas que acabaram
sem nunca terem começado direito.
Amores.
Amizades.
Promessas.
Versões de mim mesmo
que morreram sem funeral.
04:33.
A cidade permanece silenciosa.
Milhares de pessoas dormem
sem saber que existir
é apenas uma maneira elegante
de adiar a própria decomposição.
Talvez o sono seja misericórdia.
Talvez seja apenas
a morte ensaiando.
Eu nunca soube diferenciar.
04:51.
Há algo profundamente humilhante
em continuar.
Você acorda.
Come.
Trabalha.
Ama.
Perde.
Finge.
Repete.
E chama isso de vida
porque a palavra "prisão"
parece pessimista demais
para caber numa conversa civilizada.
05:17.
O céu começa a clarear.
Que ironia.
Até a luz parece cansada.
Ela atravessa as janelas
como um funcionário público
cumprindo uma obrigação antiga.
Nenhum milagre.
Nenhuma redenção.
Apenas mais uma manhã
chegando para cobrar
o preço de ontem.
Olho para minhas mãos.
Ainda estão aqui.
Essa é a única vitória
que consigo reconhecer.
Não sou feliz.
Não estou curado.
Não encontrei Deus,
nem sentido,
nem uma razão suficientemente bonita
para justificar tudo aquilo
que precisei perder.
Mas ainda estou aqui.
Talvez seja isso
o que mais incomoda o vazio.
Ele passou anos tentando me convencer
de que eu não significava nada.
E eu, miserável,
continuei respirando.
Não por esperança.
Esperança é uma palavra
que os desesperados inventaram
para tornar o sofrimento suportável.
Eu continuo
por uma razão muito mais simples:
ainda não terminei
de transformar minhas ruínas
em alguma coisa que se pareça comigo.
06:02.
O mundo acorda.
Eu permaneço sentado
entre a noite e o dia,
com os olhos vermelhos,
o coração em ferrugem
e a alma cheia
de quartos abandonados.
Não dormi.
Mas sobrevivi à madrugada.
E talvez seja isso
que ninguém nos conta:
às vezes, viver
não é encontrar uma razão para continuar.
É simplesmente olhar para o abismo
até que ele perceba
que você também
aprendeu a encará-lo.
