Vou embora
Despeço-me agora...
vou embora.
Em boa hora dirão alguns
não vá embora dirão outros.
Degradada, desamparada
aniquilada... não sou mais nada.
Entristecida com o que me presenteou a vida
magoada com quem me tirou a vida.
Despedida...
é de lágrimas e dores
que são feitas as partidas.
Eu vou embora...
Vou me despregar de tudo que me fez mal... Me desprender de tudo que passei e que só me fez chorar.... Eu vou embora....
Vou cortar laços, vou esvaziar minha alma de pessoas e sentimentos ruins e rasos... Que só me destruíram por dentro e por anos...
Eu vou embora... Vou retirar toda bagunça, toda tranqueiras entulhadas e guardadas de lembranças que eu achava que eram essenciais mas no fundo no fundo só me faziam piorar...
Eu vou embora e vou me distanciar do que me dói, do que me aprisiona, do que me corta o coração , do que me sufoca... Eu vou embora pra sempre...da tua história, da tua vida, das tuas lembranças e memórias ..eu vou embora do teu hoje, do teu agora....
Em cada canto do coração
Está o teu cheiro - especiaria,
Vou embora para João Pessoa
Que é a Capital da Paraíba,
Tenho o Rio Sanhauá,
Já não morro mais de sede,
Tenho o teu corpo
Para me alimentar,
Já não morro mais de fome,
- tenho o teu coração
Para me guardar,
Protegida para sempre vou ficar.
Porque há uma confluência
Entre os nossos rios e rendas,
- tramas da vida e nas fazendas
Tecidas em fios de puro algodão.
Bate um coração por ti Paraíba
Aqui em Santa Catarina,
- não resistimos o chamado
Da quadrilha,
Sabemos que a maior ficar lá
Em Campina Grande,
Não há ninguém que resista
Ao toque do baião,
- por isso sou a tua amante
És a minha Paraíba amada,
Escrita nas estrelas
E no meu coração...
Existem mistérios
Que ninguém explica,
Assim nasceu o meu amor
Pela Paraíba,
Provocado pela majestade da
Princesa do Sertão.
Porque lá mora a dor
De um povo e uma poesia
Que Ariano me ensinou a amar!
Paraíba também é a terra
Do mar bem bordada em finas
Linhas de algodão que me cativaram,
Vou deixar esse amor me levar...
Divida essa sua juventude estúpida com a gatinha ali do lado, meu bem. Eu vou embora sozinha. Eu tenho um sonho, eu tenho um destino, e se bater o carro e arrebentar a cara toda saindo daqui, continua tudo certo. Fora da roda, montada na minha loucura. Parada pateta ridícula porra-louca solitária venenosa. Pós-tudo, sabe como? Darkérrima, modernésima, puro simulacro. Dá minha jaqueta, boy, que faz um puta frio lá fora e quando chega essa hora da noite eu me desencanto. Viro outra vez aquilo que sou todo dia, fechada sozinha perdida no meu quarto, longe da roda e de tudo: uma criança assustada.
