Voce foi meu Pecado
Te convencer de que o nosso amor é imortal em outra dimensão foi loucura, mas quando os teus olhos se abriram para essa realidade foi mágico.
Dois atos
Um caminho terrível,
Dois atos sinceros,
Um pedido de tempo foi feito,
Um sorriso sarcástico foi dado,
Um presente foi revelado,
A distância e o esquecimento vieram embalados com um laço.
Peso certo
Nada foi tão bom quanto a intensidade apresentada,
Nos gestos grandiosos ou nos suficientes, nas declarações ao grande público ou nas falas ao pé do ouvido,
Se nestes atos vierem acompanhados a atenção aos detalhes e a consideração aquilo que realmente importa, posso garantir que vai ficar tudo bem.
Um instante e...
Basta um instante para tudo mudar,
A crise foi interna, os pontos foram extensos,
As paredes foram levantadas rapidamente, o teto não existia, pois o principal a ser visto durante a noite brilhava sem interrupção,
O sol bate forte no deserto e bateu tão forte aquele dia que a areia virou vidro e dele se fez um espelho que iluminou o cenário reproduzindo várias miragens e em todas elas tinha uma rosa vermelha perdida aos ventos e ao tempo, em todas elas eu vi você,
No fechar e abrir dos olhos a respiração do sonhador se revela mostrando a realidade e o imaginário no seu limite,
Um raio, um cometa e um instante tem suas semelhanças, mas não são iguais,
Num instante sou rei, no outro posso ser apenas um duende na corrida atrás do pote de ouro logo ali no pé do arco-íris,
O amor tem raízes e ele não nasce do vazio, assim como não vira pó à toa.
Te conhecer foi um privilégio,
Te possuir é um luxo,
Te viver todos os dias é sonhar sem querer abrir os olhos.
Atos...
Te encontrar dentre tantas pessoas foi o primeiro ato e o mais misterioso,
Te receber com todo o teu poder de hipnotizar e me confundir foi o meu segundo ato,
Aprender a olhar para o céu com paixão ou entender a paisagem de um belo horizonte é o ato que me deixa fora do compasso todos os dias,
Guardar o segredo de que somos para sempre sem te contar é o ato que mais me emociona.
O violino toca...
Inquieta diante do que lhes foi prometido,
Decidiu interromper os sonhos de outra pessoa que não merecia o seu amor,
Alguns destinos não tem pressa, apesar disso inevitavelmente eles chegam,
O rio segue o seu próprio curso em meio a descidas ou elevações, em meio a muitas curvas e braços muito curtos em sua extensão, no entanto em um dado momento da sua jornada, ele consegue se encontrar com o mar,
O que hoje pode ser considerado um atraso, amanhã pode ser entendido como o ritmo certo para, para o lugar certo,
A constância, o percurso e as pedras deixadas pelo caminho, são obras do destino,
O violino toca no alto das montanhas, as mãos acariciam suavemente os campos verdejantes, o encontro está muito próximo.
Coloquei um ponto final em tudo que um dia foi uma distração ou que foi um prazer temporário,
Acordei para um jeito melhor de viver, e nele só cabe nós dois, nossos cachorros, a nossa ilha imaginária de lazer e convivência e os dois novos herdeiros que hão de vir.
Esquecer o que foi ruim é uma capacidade valiosa para se carregar,
Se inspirar e acreditar é fundamental para se enxergar a própria luz,
Cuidar da mente e reconhecer o seu real valor é essencial para celebrar as conquistas de sua história.
Contentamento
Uma ferida foi recém curada, inseguranças,
Um novo acesso aos sentimentos foi sentido, a chance,
O novo quadro está sendo pintado nos detalhes, esperanças,
A ponte terminou de ser construída, colo.
Acho que a pior coisa que aconteceu quando eu estava me descobrindo não foi o medo de não me aceitarem, mas o fato de eu não ter me aceitado.
Sou eu quem te ama
Uma gota atrás da outra, foi ouvida em meio a escuridão,
Os teus passos foram se afastando, o calor dos teus dedos antes colados nos meus foram se esfriando,
A nossa história é um romance real, vou até o fim na busca de escrever um final feliz,
As duas alianças estão penduradas no meu pescoço, prometo te devolver, eu juro!
Como vou deixar você, se sou eu quem te ama?
No café da manhã
O café da manhã de hoje foi decisivo para ressuscitar o nosso quase fim,
Com certezas e verdades a coragem vêm na mesma proporção de quando o sol nasce, ou seja, não é uma escolha entre o silêncio e o barulho, na realidade é como deve ser,
A questão entre ser vulnerável e insistir naquilo que faz arder a alma é uma velha confusão que mistura a resiliência com aquilo que nos faz marejar os olhos soluçando,
Não adianta manter distante o que está dentro do coração, o que vale é a crença de que você não receberá favores ou trocas enquanto estive se sentindo uma pessoa especial,
Tal qual em algumas espécies do reino animal buscamos pelo menos viver essa sombra da lealdade de um casal.
O sol invadiu a janela e iluminou minha xícara de café, é hora de agir.
Do fundo de uma prateleira, numa despensa escura e cheia de mofo, foi encontrada essa conserva rançosa e malcheirosa, que causou enjoo nos fortes e infectou os fracos!
Ecos de Outra Era
Não foi um encontro. Foi um resgate.
Quando os teus olhos tocaram os meus, a minha pele não descobriu o teu calor—ela apenas lembrou.
Há no teu toque uma febre antiga,
um incêndio suave que a razão não explica,
como se as nossas almas já tivessem queimado juntas
em noites esquecidas pelo tempo.
Gostar de ti não é aprendizado, é memória.
A curva do teu pescoço é um mapa que as minhas mãos
já decoraram em séculos passados;
a tua respiração contra a minha pele
é o sopro daquela mesma tempestade que nos uniu outrora.
Obrigado pela oportunidade de te viver de novo.
Por me permitires reabrir o livro que o destino deixou rasurado,
por deixares que o meu corpo reconheça o teu
com a urgência de quem esperou eras para voltar a casa.
O poema “O Momento que Não Foi” fala sobre o luto por uma experiência que existiu primeiro na imaginação, mas que não pôde ser vivida da maneira esperada.
O eu lírico havia guardado um instante especial: não apenas um acontecimento, mas um começo carregado de significado. Ele já imaginava o primeiro toque, o olhar, a sensação de entrar naquele espaço. Essa expectativa não vinha de ansiedade ou posse, mas de cuidado e envolvimento emocional.
Quando diz:
“Quando eu cheguei,
o momento já tinha passado por ali”
o poema revela que outra pessoa ou outra circunstância viveu antes aquilo que o eu lírico desejava experimentar como algo inaugural. Por isso, mesmo que externamente tudo continuasse disponível, internamente algo havia mudado. O lugar, o encontro ou a situação ainda existiam, mas já não possuíam o mesmo significado.
A frase “Não é sobre quem esteve, nunca foi” é fundamental. Ela afasta a ideia de ciúme ou competição. A dor não está propriamente na presença de outra pessoa, mas na perda do simbolismo: o desejo de participar daquele primeiro momento, de construir uma memória única e compartilhada.
O “vazio manso” representa uma tristeza silenciosa. Não é uma dor explosiva, que provoca brigas ou acusações. É uma ausência que permanece, porque não há como voltar no tempo e reconstruir exatamente o começo imaginado.
No final, o poema chega à aceitação:
“Porque nem todo começo
a gente consegue viver…”
Há maturidade nessa conclusão. O eu lírico reconhece que algumas experiências não acontecem como sonhamos e que certos momentos perdidos não podem ser substituídos. Mesmo assim, o sentimento que existia era verdadeiro e continua tendo valor.
Em essência, o poema fala sobre a perda de uma expectativa afetiva, sobre chegar tarde demais para viver um começo e sobre aprender a seguir sem negar o significado daquilo que se sentiu. Não é o luto por uma pessoa, necessariamente, mas pelo instante simbólico que poderia ter sido — e não foi.
O Acaso
Nos conhecemos por acaso.
Ou pelo menos
foi assim que chamamos
aquilo que jamais conseguimos explicar.
Havia algo no ar.
A natureza parecia conversar conosco,
as folhas dançavam com o vento,
e a paz reinava
como se o tempo
tivesse escolhido repousar ali.
Foi um daqueles instantes
que não pedem sentido,
porque a beleza
nunca precisou de explicação.
É difícil compreender
as maluquices
que o universo insiste em nos preparar.
Mas talvez
essa seja a graça da vida:
não entender absolutamente nada,
e ainda assim,
aceitar o convite
para viver.
Porque alguns encontros
não acontecem para serem decifrados.
Acontecem apenas
para lembrar
que o acaso,
às vezes,
é o jeito mais bonito
que o destino encontra
de escrever uma história.
Talvez
o universo já soubesse
o que nós ainda desconhecíamos.
Talvez
cada folha que dançava,
cada sopro de vento
e cada raio de sol
fossem apenas testemunhas
de um encontro
que já existia
muito antes de nós.
Há momentos
que chegam sem pedir licença
e permanecem
mesmo quando o tempo passa.
Não porque entendemos
o motivo de terem acontecido,
mas porque a alma
reconhece aquilo
que a razão jamais será capaz de explicar.
E, no fim,
talvez o acaso
seja apenas o nome
que damos aos encontros
que o coração
sempre soube
que aconteceriam.
A nossa ligação é de outro mundo. Não foi o acaso que nos uniu; foi a vida nos lembrando de que algumas almas estão destinadas a se encontrar, a caminhar juntas e a permanecer uma na história da outra.
Há encontros que o tempo explica, mas o nosso pertence à eternidade do coração.
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