Voce esta Mudando minha Vida

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DELAÇÃO PREMIADA não é solução! Na minha opinião, é mais uma vantagem concedida a um privilegiado que abusou da liberdade!

O Presente de Natal

Num Natal, eu botei na cabeça que ia dar um presente para minha mãe.

Nessa época, eu era engraxate. Lembrei-me disso hoje porque aquele Natal também caiu num domingo.

Na rodoviária de Santa Mariana havia um bazar. Certa vez, eu tinha visto ali uma xícara com uma paisagem de neve. Era aquela xícara que eu queria dar para minha mãe.

Só havia uma.

E eu corria o risco de ela ser vendida.

Pedi ao dono do bazar que a reservasse para mim. Ele sorriu e respondeu:

— Quem chegar primeiro, leva.

Isso foi de manhã, por volta das nove horas. E eu não tinha um único centavo no bolso do calção. Meu calção tinha um bolso, mas naquele momento ele estava vazio.

O dia foi passando e nada de conseguir o dinheiro.

De repente, começaram a aparecer alguns dos meus fregueses tradicionais. Um aqui, outro ali, e algum dinheirinho começou a entrar. Mas ainda era pouco para comprar o presente.

Eu engraxava um par de sapatos e, assim que terminava, ia até o bazar para ver se a xícara ainda estava lá.

Nem fui almoçar naquele dia.

À tarde, eu já tinha conseguido boa parte do dinheiro, mas ainda não era suficiente. Continuava trabalhando e, de vez em quando, passava pelo bazar para pedir ao dono que, por favor, não vendesse a xícara.

No fim do dia, quase na hora de fechar o bazar, eu ainda não tinha conseguido juntar o valor necessário.

Então tomei coragem e pedi:

— O senhor não poderia deixar eu pagar o que falta na próxima semana? Eu engraxaria seus sapatos sem cobrar até completar o dinheiro.

Ele nem pensou.

— Nem pensar — respondeu. — E tem mais: já vendi a xícara.

Fiquei olhando para o chão, com os olhos cheios de lágrimas.

Naquele momento, pensei:

Como é difícil a vida de engraxate.

Se eu tivesse guardado o dinheiro dos outros dias...

Mas aquele dinheiro dos outros dias também fazia parte da receita da família. Vez ou outra, eu comprava carne ou alguma outra coisa para comer e levava para casa.

O que fazer?

Eu tinha chegado tão perto de conseguir comprar aquele presente.

Era para ser uma surpresa para minha mãe. Eu queria que ela ficasse feliz naquele dia de Natal.

Peguei minha caixa de engraxar, que havia deixado do lado de fora do bazar, e levantei-a para colocá-la no ombro.

Foi então que alguma coisa me chamou a atenção.

Havia dentro da caixa um embrulho de papel de presente.

E, pelo formato, parecia uma xícara.

Fiquei sem entender.

Hoje, penso que, enquanto eu estava ali, tentando negociar a compra da xícara, em algum momento aquele homem, Vitor, colocou o pacote dentro da minha caixa de engraxar.

Olhei para ele.

Ele me olhou de volta, com os olhos cheios de lágrimas.

Sorriu.

E me desejou:

— Feliz Natal.

Naquele dia, eu não consegui comprar a xícara.

Mas ganhei algo muito maior.

Ganhei a certeza de que, mesmo quando a vida parece dura demais, ainda existem pessoas capazes de enxergar o coração de um menino.

E aquele menino, que só queria fazer sua mãe feliz, voltou para casa carregando, no ombro, sua velha caixa de engraxate.

Dentro dela, além das escovas e da graxa, levava o mais bonito presente daquele Natal:

um gesto de amor.

Quem me conhece realmente sabe da minha história e do meu coração. Nunca precisei refutar discussões com quem nunca me estendeu a mão, ou quem me julga sem conhecer o fato e a verdade.

⁠Mesmo que a minha razão diga que é impossível, eu vou crer; pois Deus não é apenas Soberano, Ele é Muito Bom, e mais ainda, Ele é Amor.

⁠Ainda que a minha razão não consiga entender, eu creio e eu sei que meu Deus não é apenas Soberano, Ele é bom. Ele é o bom Deus.

⁠Foi uma verdadeira misericórdia Deus não ter ouvido a minha oração. John Wesley, carta a sua mãe em Março de 1727.

⁠Toda minha gratidão e adoração pertencem a Aquele que me amou primeiro (1º João 4.19)!

⁠Eu vejo todo o mundo todo como minha paróquia; desse modo eu acho, que em qualquer parte dele que eu estiver, julgo correto, próprio e meu sagrado dever proclamar, para todos os quiserem ouvir, as boas novas da salvação.

John Wesley
POTTS, J. M. Seleção das cartas de João Wesley. São Bernardo do Campo: Imprensa Metodista, 1991.

Nota: Carta para James Hervey.

...Mais

⁠Eu quero Cristo por completo como meu Salvador, toda a Bíblia como meu livro, a Igreja como minha comunhão e o mundo inteiro como meu campo missionário.

Quando me pedem provas da existência de Deus minha resposta é: Para o coração blindado pela incredulidade, até os milagres mais retumbantes viram mera coincidência. Nenhuma prova convence a carne. Por outro lado, para alguém que foi vivificado pelo Evangelho, a busca por provas perde o sentido. Quem tem o testemunho do Espírito em si mesmo dispensa os silogismos dos homens.

Há dores que não se resolvem; apenas se carregam na suficiência da graça. Minha graça te basta.

Muitos calvinistas afirmam que Adão antes da queda tinha livre-arbítrio, então minha pergunta é: "Deus era menos soberano quando Adão tinha o livre-arbítrio?"

Ainda que minha alma caminhe por temporadas de aridez e aparente silêncio do Alto, meu coração permanece constrangido por um amor incomensurável, resgatado pela efusão de sangue e graça no Calvário.

Era eu o sol da minha própria existência.
Era minha dor tão profunda quanto o oceano,
e minha insegurança tão vasta quanto o céu.


Mas tornaste tudo isso pequeno.


Chamam de corajoso o poeta que despiu
sua alma e conseguiu expor algo formoso.


Eu o chamo de louco!
Se sou uma carta, prefiro
que minhas linhas permaneçam em anonimato;
afinal, conheço meus pecados.


Fui, no entanto, até em entrelinhas, lido pelo Senhor; versos que nem mesmo em um ímpeto de coragem haveria escrito, em seu coração se fizeram conhecidos.


Nem de tudo que leste te agradaste.
Encontraste falsidade, mentira, preguiça e ironia; ainda assim, destes garranchos que sou,


fez poesia.

⁠⁠O inspirador para mim, é ver pela manhã uma página em branco e o cursor intermitente na minha frente…

O Tatu Comedor de Defuntos

Eu tinha uns doze anos quando fui morar com minha irmã e meu cunhado em uma fazenda no Mato Grosso do Sul.

Era uma fazenda enorme de criação de gado. Tinha uma sede bonita, daquelas que impressionam qualquer menino do interior, mas não havia energia elétrica. Quando a noite chegava, a escuridão tomava conta de tudo.

Meu cunhado vivia aprontando comigo. Como sabia que eu tinha medo de fantasmas, inventava uma história diferente a cada noite.

Na fazenda havia um cemitério muito antigo. Segundo ele, era da época da Guerra do Paraguai. Sempre que passávamos por perto, surgia uma nova história de assombração.

Apesar disso, eu preferia ficar perto dele do que da minha irmã. Onde ele estava, eu estava por perto.

Numa noite, resolveu sair para caçar nas proximidades do velho cemitério. Antes de sairmos, contou mais uma de suas histórias.

Disse que naquele cemitério vivia um tatu gigante que havia comido todos os defuntos enterrados ali. Depois de se acostumar com carne humana, passou a procurar gente viva.

— Deu moleza, o tatuzão traça mesmo! — garantiu ele.

Mesmo assustado, escolhi acompanhá-lo. Entre ficar sozinho na sede e sair para caçar, achei que a segunda opção era menos perigosa.

No caminho passamos perto do cemitério. Era possível ver os túmulos no escuro. Dali até o local da caça, rezei todas as orações que conhecia e inventei mais algumas. Proteção nunca é demais.

Chegamos a uma árvore onde ele havia construído um girau, uma espécie de plataforma entre os galhos. Subimos e ficamos esperando algum bicho aparecer.

As horas foram passando. Encostei-me num galho e acabei pegando no sono.

Foi então que aconteceu.

Comecei a ouvir uma voz estranha me chamando. Como ainda estava meio dormindo, parecia vir de muito longe.

Era uma voz chorosa, vindo da direção do cemitério.

Assustado e confuso, procurei meu cunhado ao meu lado.

Nada.

Ele havia desaparecido.

A voz chamou meu nome outra vez. Dessa vez veio acompanhada de grunhidos estranhos, parecidos com os de um animal.

Na mesma hora tive certeza:

Era o tatu comedor de gente.

Como desci daquela árvore eu não sei explicar. Só sei que, em questão de segundos, eu estava dentro do jipe. O veículo havia ficado estacionado bem distante por causa do cheiro da gasolina, que poderia espantar a caça.

Até hoje desconfio que naquela noite eu voei.

Mas o pior ainda estava por vir.

De repente ouvi novamente o grito.

Agora bem ao meu lado.

Quase morri de susto.

Era meu cunhado.

Ele ria tanto que mal conseguia falar.

Na volta para a sede da fazenda, ainda havia várias porteiras de arame pelo caminho. Em cada uma delas eu precisava descer para abrir e fechar a passagem.

E toda vez acontecia a mesma coisa.

Ele me deixava para trás no escuro e saía gritando:

— Corre, que o tatu está vindo!

Eu nunca vi o tal tatu.

Mas tenho certeza de que naquela noite ele correu atrás de mim mais do que qualquer bicho daquela fazenda.

Quando nasci, minha mãe disse que pensou que eu fosse um menino. Meu pai reclamava de ter fêmeas em casa. Passei a vida tentando provar que eu não fui um erro.

ALÉM DA ETERNIDADE

Fique ao meu lado, segure minha mão,
e vamos caminhar sem medo de errar;
que o amor seja a nossa direção,
e o destino nos ensine a sonhar.
Se o mundo mudar de repente,
que eu tenha você junto a mim,
pois amor que é verdadeiro e presente
não conhece começo, nem fim.

Quero andar contigo pela estrada,
sob o sol, sob a chuva e sob o luar;
ter sua presença em minha jornada,
e em cada silêncio, poder te abraçar.
Se houver pedras no nosso caminho,
juntos saberemos como seguir;
pois nenhum coração fica sozinho
quando encontra outro para dividir.

Fique ao meu lado, não solte a mão,
deixe o tempo passar devagar;
que cada batida do meu coração
seja uma promessa de sempre te amar.
E quando a vida perder sua voz,
quando o tempo deixar de existir,
ainda haverá um caminho para nós,
onde o amor continuará a florir.

Fique ao meu lado, segure minha mão
e vamos caminhar além da eternidade.
Porque se o amor for nossa canção,
seremos para sempre uma só saudade
que nem o tempo conseguirá apagar,
nem a distância poderá separar:
dois corações que escolheram caminhar
juntos... além da eternidade.

Eternamente eu irei para o banho e o shampoo estará no fim. Então escreverei sobre a minha desgraça, e, depois, escreverei sobre os meus escritos, eternamente. É a tirania do momento. Este instante foi, é, será toda a minha vida. É a consciência do limite, que não pode ser ultrapassado. O momento não termina nunca, por isso é muito difícil de ser percebido.

O amor, o tempo, o nada, não podem ser medidos, dissecados. A Verdade é a minha percepção, agora.