Vivo pra Mim
Vivo de uma forma intensa e profunda. A sensibilidade me faz ser uma pessoa muito empática e emotiva, mas às vezes parece um fardo pesado demais ser assim.
Meu vício
Não jogo fumaça ao vento
Não vivo cagando regras
Não jogo farinha pra dentro
Mas uma cervejinha me pega
Vivo de uma forma intensa. A sensibilidade me faz ser uma pessoa muito empática e emotiva, mas, às vezes, parece um fardo pesado sentir tudo com tanta profundidade.
Somos dois universos de um universo ainda maior;
Um verso raro do mesmo poema;
Me lês, e eu te vivo;
Ao me tocares acendo todas as estrelas do teu lindo céu, para que notem a sua beleza;
In, magnata tocador de sinos
Faz valia viver como vivo:
Não encho o saco de ninguém,
Não sou forasteira,
Não ando me drogando,
Roubando ou me prostituindo …
Só ando vivendo...
abraçando a vida, andando com a Fé e cantando nas minhas orações.
Num mundo à parte -
Estou longe, à parte, neste mundo onde vivo,
num mundo de Poetas onde a vida é de sobejo!
Vivo noutro mundo, em palavras tão esquecido,
procurando em cada verso dar resposta ao meu desejo!
Desejo em vão perdido! Encontrar
uma casa, um caminho ou um abrigo
para a Alma que caminha devagar
procurando direcção p'ro seu caminho...
É à parte esta procura que me sangra,
é à parte o que escrevo e o que sinto,
é à parte, tudo é à parte, p'ra quem ama!
Porque tudo é vaidade e vai ao fundo,
tudo é vão e passageiro - sem abrigo -,
tudo morre p'ra quem vive neste mundo!
O homem, o ser vivo que criou um mundo aonde ele mesmo estando no seu apse não tem controle nem sobre a própria vontade.
O melhor sinônimo de viver é transformar-se, ninguém é vivo estagnado, não se pode ser sempre o mesmo de antes ou mesmo de agora no futuro e considera-se vivo.
Ainda estou vivo pra ver... fanáticos e oportunistas, reivindicando vitória sem causa. Ainda estou vivo pra ver... poderosos e pequenos seguidores, tentando massacrar um presidente eleito por mérito nacional. Ainda estou vivo pra ver... Uma falsa ideologia e pseudos conservadores em festas, e badernas. Não sei se estarei vivo pra ver, o futuro incerto deste país.
Chorão -
Ao pé daquela casa onde vivo
há uma árvore em vetusta solidão
da qual se escuta, ao passar, tanto gemido,
como se fora de um Poeta o coração...
Ninguém sabe de onde veio nem porquê!
O que faz ali num estático sossego?
Além da árvore que é árvore ninguém vê
que ela traz dentro de si a Poesia por apego.
Espalha pela rua a magia de um sorriso,
triste, só, ao vento, seja noite ou seja dia,
em diáfana presença procura alguém perdido
e seu corpo de silêncio embala tanta melodia.
E o que faz aquela árvore calada rodeada pela Era
no meio de uma rotunda ao pé da minha casa?!
Presença cinzelada que nada diz nem me revela,
que apenas sinto, na voz de um silêncio que me abraça ...
Que encanto dá à minha rua a alegria daquele mágico Chorão,
dança todo o dia, chora toda a noite e canta, canta e encanta ...
E minh'Alma, pejada de espanto, vê numa parede, alinhada com o chão
uma lápide de mármore que nos diz: Praceta Florbela Espanca!
É doloroso sentir a falta de alguém que já não está vivo.
E é muito escuro sentir a falta de quem está vivo.
