Vivo pra Mim
Queria saber como você está e quando essa amnésia vai passar e você vai olhar para mim e lembrar que me ama e que sempre me amou.Lembrar tudo o que planejamos e as juras de amor que trocamos.Lembrar daquela música especial e seu significado e de meus esforços para trazer você de volta.Porque no fundo eu sei que é apenas uma amnésia e que amanhã você vai acordar e lembrar de tudo,não é mesmo?
E um dia você ainda vai vir atrás de mim numa festa e eu vou olhar para você de cima de meu salto alto e dizer que não.E continuar feliz na pista de dança como se nada tivesse acontecido.Não vou dizer não com mil lágrimas se formando em meus olhos,nem te cumprimentar e logo em seguida enrubescer,nem querer desfalecer em seus braços toda vez que te vejo.Vou apenas dizer que não e continuar dançando.Seca.Fria.Direta.E de alguma forma,viva.
Eu te perdôo , mesmo você não merecendo . Te perdôo por mentir para mim, por fingir que me amava , por me ofender , por me fazer chorar , por me machucar , por não me ajudar quando eu mais precisava e por me humilhar . É inútil guardar rancor . Chico Buarque o teria perdoado mil vezes , Machado de Assis diria para eu não erguer uma espada diante de tua cabeça e Clarice Lispector já o teria perdoado há semanas.Talvez somente Jane Austen te odiasse para sempre . Mas não sou Jane Austen e estou , nesse momento me achando mais nobre que você por perdoar quem mais me feriu. E de agora em diante vou seguir minha vida e me focar em tudo menos em você.
Eu sou feita de amor em cada pedacinho de mim, cada átomo , partícula, ou como quer que vocês da área das exatas chame. Eu não sou nada exata, pelo contrário, sempre fui mais subjetiva, cheia de minuciosas entrelinhas que você não soube ler.
Na primeira semana só chovia, amor, dentro e fora de mim, com relâmpagos incessantes e trovões arrasadores; e eu não comia, não dormia, não conseguia respirar! Na segunda semana deixei a ansiedade e a agonia me roerem por dentro e por fora, e na terceira eu entrei em uma rotina exaustiva, tomando saudade de café da manhã, dor de almoço e agonia de jantar, levando para cama sua ausência, algumas lágrimas mal contidas e gotas e mais gotas de rivotril para conseguir dormir.Porém nessa quarta semana eu só sinto paz... Chame de conformismo se quiser, chame como preferir, mas eu chamo esse novo e elevado estado de espírito de paz.
Eu sou tão fria, tão centrada em mim mesma, focada em meus objetivos, séria, e aí chega essa pessoa que magicamente me faz meiga, me faz doce, quebra minhas barreiras,e isso tudo vindo me dar um simples "oi", vindo dar "oi" com o sorriso mais escandalosamente lindo do mundo.
Senti satisfação quando ele me chamou, uma espécie de orgulho de mim mesma por ter algum tipo de poder sobre ele , exercer sobre ele alguma espécie de atração. Contudo, em momento algum meu coração palpitou , minhas mãos suaram e meu corpo tremeu. Isso fez eu me sentir como uma árvore oca e seca judiada pela geada , como se meu coração tivesse secado e não houvesse deus ou homem que o fizesse florir de novo. Talvez não haja.
Então eu senti uma vontade súbita de alerta-lo, dizer para correr de mim , fugir para as colinas ,correr para bem longe porque eu sou louca , eu sou a rainha do gelo , eu talvez o magoe sem querer o deixando no vácuo por horas ou o prendendo na minha teia como se ele fosse um inseto. Queria dizer para ele se afastar pelo amor de Deus porque eu sou hipocondríaca , não sei dançar e falo sozinha na maior parte das vezes, como uma senhora caduca. Eu não consigo confiar em ninguém e não sei ser a garota fofa e carinhosa como as outras são , porque já pisotearam e escarraram na minha meiguice , me obrigando a ser fria ou morrer afogada pelas lágrimas. Queria dizer a ele que me deixasse em paz, que sou uma alma solitária e a solidão é minha absolvição e condenação neste mundo.
Ele acenou para Sílvia, que o cumprimentou de longe, e depois ele sorriu e acenou para mim. Sorri e acenei de volta e naquele momento a cena congelou como em um filme e a seguinte frase tomou conta de minha mente: "não é estranho...?" Talvez "estranho" não seja a palavra adequada e sim "curioso" ou ainda "espantoso". "Não é espantoso quando um grande amor se torna um estranho?". A cena voltou a rodar, assim como os ponteiros do relógio, meus saltos no chão e eu não senti nada. Ele ainda tinha aquele sorriso encantador do qual que me lembrava, os cabelos arrepiados e até vestia as mesmas roupas, mas algo estava diferente pois minhas pernas não amoleciam, meu coração não disparava e não havia um panapaná revoando meu estômago. Na verdade, tudo estava absolutamente igual; quem tinha mudado era eu; eu não o amava mais. Então volto ao meu raciocínio anterior: "Não é curioso quando um grande amor se torna um estranho?". É estranho...
Houve um momento em que ele subiu em uma árvore e ficou olhando para mim. Seus olhos castanhos se fixaram em mim como se quisessem me puxar para ele, como se ele fosse uma espécie de imã e eu de repente sentia que o frio em minha barriga aumentava a ponto de eu sufocar e não lembrar mais de como se respirava. Ele olhou bem para mim, só para mim, diário, eu tenho certeza disso porque virei para trás nessa hora para verificar se ele não estava olhando para outra pessoa, mas não havia ninguém ali. Ele vestia uma blusa rosa, eu acho, não lembro ao certo, talvez fosse branca, ou até azul, mas para mim pareceu cor-de-rosa, mas quem sabe nem fosse, e era somente eu que via tudo cor-de-rosa naquele momento de tontura.
Eu tive um sobressalto ao ouvir a música pois ela parecia ter sido feita para mim. Parecia ter sido feita para mim pois durante as aulas eu me sentia queimar e parecia que eu estava em brasa, em fogo e ardia e me consumia em mim mesma e Josh... Josh só estava lá no canto dele olhando para mim como se nada tivesse acontecido nunca, como se ele nunca tivesse me beijado, como se nunca tivesse causado uma erupção dentro de mim, uma explosão que destruiria continentes com a intensidade que é o meu amor por ele. O pior era que eu gostava de tudo isso como se eu fosse uma espécie de pessoa doente e masoquista que gostasse da dor que ele me causava pois se eu nunca tivesse o beijado eu jamais teria sentido a intensidade avassaladora do amor. Por isso eu não, não me arrependendo nenhum pouco de ter ficado com ele, mesmo que isso estivesse me destruindo agora. Ele tinha me visto chorar aquele dia e nem tinha se abalado como se para ele estivesse tudo bem, como se ele gostasse de me ver chorar e sangrar por ele constantemente com o se eu fosse uma espécie de diversão para ele, um ratinho que ele pudesse torturar. Meu Deus, a música era tão minha, tão minha e nada da Rihanna no final das contas pois eu o amava, amava o jeito que ele mentiu que me amava para ficar comigo, pois se ele tivesse sido sincero desde o início eu teria me sentido ofendida e não teria ficado com ele. Eu amo o jeito que ele mentiu para mim e que me deixou tão vulnerável a ele. Eu gostava do jeito que o amor dele doía em mim como um corte aberto ainda sangrando. Gostava de toda dor que acompanhava o amor como se eu soubesse que o amor nunca vem só, sendo sempre acompanhado da dor, sendo grata pela dor pois sem ela não haveria o amor.
A mensagem dele me fragilizou e eu quase pude ouvir os bloquinhos de gelo dentro de mim derretendo e parte de mim pareceu ter virado gelatina. Eu quis dizer que também acordei pensando nele e sentindo falta dos abraços e beijos e quis dizer que ele conseguiu tornar o final de semana maravilhoso e que ele fez meu mundo ganhar cores mais brilhantes por um dia. Claro que eu não disse isso a ele, limitando-me a dizer que sento falta dos beijos dele. Para que eu iria dizer tudo isso? Para ele ficar convencido? Para ele se gabar para os amigos dele? Para ele me jogar na lata de lixo? Não, obrigada.
Construção, desconstrução, reconstrução. Partes de mim foram se modificando com o passar do tempo, outras partes eu nem reconhecia e outras haviam sido quebradas, espalhadas, como louça quebrada cujos cacos se espalham pelo chão. Havia partes de mim que eu procurei e não achei e coisas que eu jurava que eram tão importantes e se mostraram não ser tão importantes assim. Pessoas que eu não achei que me apoiariam nos momentos de crise foram aquelas que me seguraram para não cair. Depois de Samhain vem Yule. Para todo fim há um recomeço e a roda começa de novo a girar. O sul ressurge, fraco, mas anuncia a chegada de um novo tempo.
Centelha
"Minha vontade flerta com
aquela que tenho para mim
no meu segredo.
Se te conto,
não te iludas...,
ela é e será sempre,
ainda que não deseje,
Minha musa inspiradora
em dois períodos predefinidos;
a outrora e o contemporâneo,
Cito a vida!"
Jorge B Silva
Fantasia
Tudo que lembro de bonito não cabe
dentro de mim, então expando -me
e banho o céu com estrelas.
Márcia A. Prazeres
A capacidade de ouvir a mim mesmo nunca deve se tornar em incapacidade de ouvir críticas a meu respeito.
Eu mesmo não sei nada de mim, mas a historia poderia bem contar, cade os nossos registros, cade nosso museu onde se conta a nossa historia, precisamos de uma sala cultural, onde as fotografias, objeto e utensilio de nossos ancestrais que ao longo do tempo foram esquecidos por nos. Vamos resgatar a nossa historia e contar ao jovem com palestras e visitas a essa sala cultural, quem sabe algum jovem se interessa em não deixar morrer nossa historia...(Patife)
A festa ainda nem tinha começado, e para mim já se agonizava, ver casais dançando e ela nos braços de um outro a rodar pelo salão, e eu tentando esconder a tristeza com aquele sorriso debochado, e no meu canto já preparando a partida, mesmo sem saber que rumo tomar...(Mario Valen - Patife)
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