Vivo pra Mim

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Cinco coisas que a morte não terá de mim:


Minha presença,
Meus pêsames,
Minhas lágrimas,
Meu luto,
Meu adeus.


Afinal, a morte é pura ilusão.

Corri atrás dela e perdi o orgulho, mas encontrei a mim mesmo.
Querer ser escolhido é descobrir a própria vulnerabilidade.
Às vezes, amar ensina mais sobre nós do que sobre o outro.

Lembre-se: eu não me importo se você gosta de mim ou não. O que importa para mim é saber se você realmente merece que eu me importe com você. Afinal, se eu próprio às vezes nem gosto de mim, imagine eu querer te obrigar a gostar de mim.

Em cada um há sombra e luz, cabe a você escolher qual delas quer enxergar em mim.

"O Desejo De Amar, é Maior Do Que Deixar Você Partir De Perto De Mim. Há Saudade é Infinita Para Estar Com Você."

"A cada golpe das sombras aumenta o som do aço sobre mim. A lâmina que me corta, me afia mais e mais."


- Insistência, Vida e Poesia

Sou uma fonte que transborda.
O problema é que, de tanto receberem de mim, muitos se esquecem de que até uma fonte seca, quando ninguém a alimenta.

(A)mar
os males
que vem
pra bem,
sei de mim agora
que toda perplexidade possível
não seria suficiente
para expressar
por mim
o mais dócil
dos sentimentos
e a voz
que grita
na maioria
das vezes
pede socorro
de forma sutil.⁠

Para qualquer outra pessoa, é lixo; para mim, era a prova material de que o que eu vivi não foi um delírio da minha cabeça.

A arte não é obra de mim mesmo, mas obra da criação Divina.

Machuquei quem eu mais amava… e perdi o melhor de mim junto.

Alguma coisa dentro de mim diz que tudo isso irá passar.

Sou sempre dentro de mim, um pequeno Eu acertando pouco, aprendendo muito e em constante formação. Com sorte, transformação.

Sou um personagem criado por mim mesmo pelas tantas coisas que digo mas sou verdadeiramente sem disfarces e essencialmente eu, pelas coisas e assuntos que eu não digo.

Para mim o crime é um movimento antinatural, um desvio do comportamento social no desespero de ser, ter e usurpar a vida e os bens que não lhe pertencem. Sendo assim, sempre fui a favor de colônias agrícolas penais bem afastadas dos grandes centros urbanos. Um lugar onde os detentos possam reaprender com o trabalho da terra, entender a função do dia e da noite, semeando e colhendo frutos com as próprias mãos, não falo de trabalho escravo mas dignamente se alimentarem em grande parte do que cultivam e o excedente vender por preço bem abaixo do mercado a toda estrutura penitenciaria.

O Que Restou


Perdi muito nessa vida. Perdi o medo de perder pessoas, perdi a mim mesmo... perdi a minha liberdade! Perdi tudo, menos uma coisa: a vontade de viver. Mas viver assim dói. É um pulsar cego no escuro, entre os escombros do que fui, no silêncio de uma cela vazia. Essa vontade é a única coisa que restou, uma chama teimosa que queima no frio.

Tenho visto em mim mais das pessoas que por aqui passaram, me pergunto se o passado me prende por maldade ou por medo e vaidade de me esquecer completamente do estrago, que por mas vezes vivi e que também me causaram!

Os golpes e murros da vida?!
Perdi a conta, mas...
Eles floresceram poesia em mim...


Os golpes e murros da vida
feriram minha carne,
rasgaram meus silêncios,
fizeram da minha alma
um campo de cicatrizes...


Mas...
no mesmo chão árido
onde chorei minhas perdas
brotaram flores indomáveis...


E cada pétala,
ensanguentada e viva,
não é apenas lembrança da dor,
mas a prova ardente
de que a poesia floresceu em mim...


Os golpes e murros da vida
não me pouparam a carne,
me deixaram roxa de silêncios,
com os ossos da alma estalando...


Eu gritei em silêncio
eu sangrei na alma
e até quis desaparecer
para não mais sangrar
e sofrer...


Mas da minha boca,
antes cheia de gritos mudos,
escorreu poesia...


Ela nasceu da ferida aberta,
da mão que não pude segurar,
do olhar que se foi do meu viver,
do vazio imenso
que tentou me levar ao abismo total...


Não foi escolha,
foi sobrevivência:
florescer poesia
ou apodrecer...
falecer por dentro...


E eu floresci,
mesmo entre meus cacos,
mesmo cuspindo lágrimas e dor,
mesmo sabendo
que cada verso meu
é também cicatriz...


Minhas cicatrizes
são canteiros floridos
de muita força, coragem
e poesia viva! ...


✍©️@MiriamDaCosta

"Vinde a mim as criançinhas "


Quando acordo
a luz me envolve
enquanto abraço o dia...


Carrego comigo
o raio da alegria
que se deixa ver
no olhar da menina
que habita em mim...


Agora eu sei,
acho que sei...
por que as crianças
sorriem para mim
estendendo suas mãozinhas
como fossem
pedidos de brinquedos,
orações pela paz e
presentes de amor ...


E eu,
como se ainda fosse criança ...
me deixo contagiar da euforia infantil
brincando com elas...


Meus sonhos me nutrem
e ainda me fazem
ver a beleza da humanidade
nesse mundo tão desumano
(sobretudo para os pequeninos)...


Pudera eu...
envolver e proteger
em meus braços
recheados de ternura
todas as crianças do mundo.
✍©️@MiriamDaCosta

Ode ao Cantor Milton Nascimento
(diagnosticado com demência)


A canção "Caçador de Mim",
eternizada em tua voz,
Milton,
não é apenas música,
é um chamado...


Cada nota tua
é um rio que corre
nas veias do tempo,
uma prece que me atravessa
sem pedir permissão....


Na tua garganta vive o mistério:
um canto que vem de longe,
das serras, das Minas Gerais,
da alma coletiva
de um povo inteiro...


Quando cantas,
as fronteiras desmoronam,
o silêncio se curva,
e o coração humano
descobre morada...


Tua voz não cabe no corpo:
ela é ponte,
ela é voo,
ela é chão fértil
onde a poesia floresce...


E eu, ouvinte pequena
diante de tua grandeza,
me deixo encontrar
pela canção que me encontra...


Sim, Milton,
tu és o eterno
Caçador de Mim...


Tua voz, Milton,
não canta:
rasga o silêncio.
É fogo e mar,
tempestade e ternura,
um trovão de Deus
no ventre da Terra....


Quando entoas "Caçador de Mim",
a alma é arrancada do peito,
o coração se ajoelha,
as feridas se abrem
e, ao mesmo tempo,
cicatrizam em tua canção...


Tu não pertences a ti,
tua garganta é território sagrado,
onde a dor e a esperança
se encontram sem máscara...


Teu canto é flecha certeira:
atravessa o corpo,
esfacela certezas,
recolhe os cacos,
e os transforma em oração...


Milton, tu és
mais que cantor:
és sopro de eternidade...


Milton,
ao ouvir tua voz,
sinto que algo dentro de mim
se abre como janela ao vento...


"Caçador de Mim"
não é só melodia:
é abraço invisível
que me encontrou
onde eu pensava estar só...


Teu canto traz lembranças
que nunca perdi
e saudades
de um tempo
que ainda não encontrei...


É como se tua voz
fosse colo de mãe,
regresso à infância,
promessa de futuro
e descanso no presente...


Quando cantas,
meu mundo se acalma,
o tempo desacelera,
e a alma se reconhece
em sua própria luz...


Milton,
tua canção é morada.
E nela,
meu coração aprende
a permanecer...


Gratidão por existir!
✍©️@MiriamDaCosta