Viver Nao e Tarefa Facil e ser Feliz menos ainda

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Carregar o peso de quem ama, cuida e ainda tenta manter o mundo de pé com as próprias mãos. Isso não é drama, é resistência pura.

Ela olha outra agora,
e eu finjo que não desmorono.
digo que esqueci, mas meu corpo ainda lembra
o cheiro, o riso, o espaço que ficou frio.

Fragmentos de mim

me olho e não me reconheço,
mas ainda sinto, ainda escrevo.
a dor insiste,
mas eu aprendi a dançar no meio dela,
mesmo com tudo do avesso.

Quem foge de luz é quem ainda não sabe enxergar.

Apesar da preocupação,
algo em mim desacelerou.
Não é paz completa..
ainda não.
Mas já não pesa igual.
É como tirar um peso antigo
e estranhar o próprio corpo sem ele.
Eu ainda penso,
ainda sinto,
ainda cuido dos passos…
mas respiro diferente.
Mais leve.
Como quem, pela primeira vez,
não carrega o que não é seu.

“Ainda tem vento por dentro, mas já não é tempestade.”

Você é o ponto de encontro de todos os seus amores ... E ainda assim, o único lugar que não pode se abandonar.

Ainda toca


Eu odeio admitir,
mas ainda gosto das músicas.
Não de você..
não de quem você virou
quando a máscara caiu.
Mas do que eu era
quando tudo ainda fazia sentido.
Cada acorde
não chama teu nome,
chama o meu
de um tempo que não volta.
E isso é o que dói.
Porque a música ficou bonita,
mesmo depois
de você ter estragado tudo.

“Falo vários idiomas, mas tem sentimentos que ainda não traduzo.”

gentileza não é fraqueza, é controle. É você sentir tudo, perceber a dureza do mundo… e ainda assim não deixar isso te transformar em alguém que você não respeita.

Ainda penso nela, mas não com a mesma dor.

O vazio continua aqui. Não desapareceu. Apenas deixou de ser um quarto sem janelas.

Entre as frestas que o tempo abriu, o ar finalmente entrou. E, pela primeira vez em muito tempo, eu consegui respirar sem que cada lembrança parecesse um afogamento.

Ela ainda existe em mim. Só já não ocupa todo o espaço. O silêncio continua, mas deixou de ser um castigo e passou a ser apenas silêncio.

Talvez seja isso que chamam de seguir em frente. Não esquecer alguém. Apenas aprender que até o vazio pode deixar passar um pouco de luz.

À minha rainha eterna


Mesmo ausente, ainda és presença.
Não te vejo, mas em cada lembrança habitas inteira,
como se o tempo não ousasse apagar-te
da luz que deixaste em mim.


Em teu silêncio, aprendi que a ausência não é vazio,
mas um território sagrado onde o amor se expande.
Cada lágrima que surge é um espelho da beleza que foste,
cada suspiro é o eco da eternidade que habitas.


Tu és o meu instante mais verdadeiro,
a memória que me sustenta
quando o mundo pesa e as cores parecem desvanecer.
E mesmo que a saudade me arranque lágrimas,
sei que amar-te é tocar o infinito
sem jamais perder-te.


Minha rainha, minha luz, meu grande amor,
a tua essência não se mede em dias,
mas em cada batida, em cada pensamento que me habita.
Em ti, aprendi que o amor é resistência,
e que lembrar não é sofrer,
é reconhecer que o que é verdadeiro nunca morre.

*O LUGAR ONDE A POESIA NÃO SERVIA PARA NADA*

Eu era novo na cidade e ainda não tinha escolhido um lugar para beber. Toda cidade exige isso de você. Um lugar onde entrar sozinho não pareça uma declaração de fracasso. Um balcão onde ninguém pergunte seu nome. Uma mesa onde você possa ficar olhando para o copo como se houvesse alguma resposta lá dentro.

Encontrei o pub perto de um parque.

Era pequeno. Bucólico demais para o meu gosto, mas não o suficiente para me fazer ir embora. Havia árvores antigas do lado de fora, bancos de madeira e uma iluminação amarela que fazia tudo parecer mais importante do que realmente era.

Dentro, havia estantes cheias de livros, quadros de artistas locais e alguns instrumentos musicais pendurados nas paredes. Um pequeno tablado, quase no mesmo nível do chão, servia para música, debates literários e noites de poesia.

Pedi uma bebida e sentei no canto do balcão.

Era um bom lugar para observar.

E observar é uma das poucas coisas que ainda consigo fazer sem estragar tudo.

Uma mulher subiu ao pequeno tablado.

Trazia algumas folhas na mão.

Começou a declamar.

Não era uma poesia bonita.

Ainda bem.

Falava de solidão, de perdas, de um homem que foi embora, de uma mãe que nunca soube abraçar, de noites em que o telefone não toca e de manhãs em que ninguém tem coragem de admitir que gostaria de não ter acordado.

Falava de gente.

Isso já era uma coisa bastante desagradável para algumas pessoas.

No canto próximo ao balcão havia um grupo de homens e mulheres que parecia ter escolhido aquele lugar por engano. Tinham roupas boas, relógios caros e aquele tipo de conversa que costuma começar com dinheiro e terminar em dinheiro.

Um deles riu.

Outro disse que aquilo era deprimente.

Uma mulher comentou que poesia não servia para nada.

O homem do relógio concordou.

— Poesia não paga conta.

Era uma frase perfeita.

Curta.

Prática.

Estúpida.

Eles riram.

Eu bebi.

A mulher continuou.

E, enquanto ela falava, comecei a pensar que talvez aquela fosse a pergunta errada.

Para que serve a poesia?

A pergunta parecia razoável até você perceber que existe uma doença escondida nela.

A necessidade de que tudo tenha utilidade.

Se alguma coisa não produz dinheiro, produtividade ou resultado, passa a ser considerada inútil.

Uma árvore precisa dar fruto.

Um homem precisa produzir.

Uma mulher precisa vencer.

Um filho precisa ter futuro.

Uma casa precisa valorizar.

Um livro precisa ensinar.

Uma conversa precisa gerar alguma coisa.

Até o descanso precisa servir para recuperar alguém para o trabalho do dia seguinte.

Tudo precisa servir.

Talvez fosse por isso que aquela mulher incomodava tanto.

Ela estava ali fazendo uma coisa que não servia para nada.

Ou, pelo menos, não servia para aquilo que eles entendiam como vida.

Ela não estava vendendo nada.

Não estava aumentando patrimônio.

Não estava melhorando o currículo.

Não estava produzindo uma estatística.

Estava apenas dizendo alguma coisa que doía.

E talvez fosse justamente aí que estivesse a resistência.

A poesia não consertava o mundo.

Não pagava aluguel.

Não trocava o óleo do carro.

Não diminuía a fila do supermercado.

Não impedia que um idiota fosse eleito presidente de alguma coisa.

Mas resistia.

Resistia à ideia de que o ser humano pudesse ser reduzido ao que possui, ao que produz e ao que consegue provar.

Ela funcionava como metáfora daquilo que dá sentido à existência.

Não porque tivesse respostas.

Mas porque fazia perguntas que ninguém conseguia transformar em dinheiro.

Quem sou eu?

O que perdi?

Quem amei?

Quem ainda me ama?

Por que continuo aqui?

Perguntas inconvenientes.

Nenhuma delas cabe numa planilha.

O grupo continuava rindo.

O homem do relógio começou a falar do carro novo.

A mulher ao lado dele mostrou fotografias de uma viagem.

Outro falou sobre investimentos.

Tinham muito.

Era evidente.

Talvez tivessem tudo.

E foi justamente isso que me incomodou.

Pareciam ter passado tanto tempo acumulando coisas que esqueceram de acumular alguma experiência que não pudesse ser fotografada.

Talvez confundissem ter com ser.

Eu não podia julgá-los.

Também tinha passado boa parte da vida fazendo coisas que não sabia se queria fazer.

Trabalhando.

Pagando.

Cumprindo.

Esperando.

Adiando.

A diferença talvez fosse apenas o tipo de mentira que cada um contava para continuar funcionando.

A mulher terminou o poema.

Algumas pessoas aplaudiram.

Poucas.

Ela agradeceu e desceu.

Passou perto de mim.

Por um instante, olhou para o meu copo.

Depois para mim.

Não disse nada.

Talvez não precisasse.

Pedi outra bebida.

Depois outra.

A noite avançou.

O grupo foi embora.

Um deles saiu falando ao telefone sobre uma reunião às oito da manhã.

A poesia havia terminado.

O dinheiro continuava funcionando.

O mundo tinha sobrevivido a mais uma noite.

Paguei a conta e saí.

O parque estava quase vazio.

Comecei a caminhar para casa.

A cidade parecia diferente sem as pessoas falando.

Os prédios eram apenas prédios.

As lojas estavam fechadas.

As vitrines continuavam iluminadas para ninguém.

Passei por um carro importado estacionado na rua.

Pensei no homem do relógio.

Ele provavelmente chegaria em casa, colocaria as chaves sobre uma mesa cara e dormiria numa cama confortável.

Talvez fosse feliz.

Eu não sabia.

E esse era o problema.

Ninguém sabe.

Passamos a vida tentando construir uma resposta com coisas que podem ser medidas.

Salário.

Cargo.

Casa.

Carro.

Viagens.

Seguidores.

Objetos.

Conquistas.

E, no fim, quando tudo isso fica em silêncio, sobra uma pergunta que não pode ser respondida por extrato bancário.

Você viveu?

Ou apenas funcionou?

Continuei andando.

Pensei novamente na mulher do pub.

Talvez poesia fosse isso.

Não um luxo.

Não uma distração para quem não tem problemas.

Mas uma espécie de resistência contra a vida automática.

Um pequeno defeito na máquina.

A recusa em aceitar que nascer, trabalhar, pagar contas, envelhecer e morrer seja uma biografia suficiente.

Talvez um poema seja apenas alguém dizendo: eu estive aqui.

Eu senti isso.

Eu perdi aquilo.

Eu amei alguém.

Eu tive medo.

Eu não entendi.

Mas estive aqui.

E talvez fosse isso que aquelas pessoas não compreendessem.

A poesia não precisava salvar ninguém.

Bastava impedir que alguém se transformasse completamente naquilo que o mundo queria que ele fosse.

Cheguei em casa.

Abri a porta.

Acendi a luz.

Meu gato apareceu no corredor.

Olhou para mim com aquela expressão de quem estava profundamente decepcionado com a minha pontualidade e com a espécie humana em geral.

Tinha fome.

Claro que tinha.

Coloquei comida no prato.

Ele comeu.

Depois passou pela minha perna e desapareceu.

Fiquei alguns segundos parado no meio da sala.

A casa estava silenciosa.

Não havia aplausos.

Não havia relógios caros.

Não havia gente discutindo patrimônio.

Não havia ninguém perguntando quanto eu ganhava ou o que eu possuía.

Havia apenas um gato, uma garrafa pela metade e eu.

E foi ali que entendi uma coisa bastante simples.

Talvez a poesia não sirva para nada.

Talvez nunca tenha servido.

Talvez esse seja justamente o seu valor.

Porque algumas coisas precisam existir sem prestar contas.

Uma música.

Um beijo.

Uma conversa inútil às três da manhã.

Um homem bebendo sozinho.

Uma mulher lendo seus versos para meia dúzia de desconhecidos.

Um gato esperando alguém voltar para casa.

Nada disso aumenta o patrimônio.

Nada disso melhora a produtividade.

Nada disso aparece no currículo.

Mas, quando tudo o que pode ser comprado, medido e contabilizado finalmente perde importância, são essas coisas que permanecem.

Fiquei olhando para o gato.

Ele me olhou de volta.

Nenhum dos dois tinha uma resposta.

Pela primeira vez naquela noite, isso não pareceu um problema.

Talvez viver seja justamente continuar fazendo coisas que não servem para nada e que, por alguma razão, fazem a existência valer alguma coisa.

Talvez seja por isso que ainda escrevemos.

Por isso que ainda ouvimos música.

Por isso que ainda amamos mesmo depois de descobrir que amar não oferece nenhuma garantia.

A poesia não existe para tornar a vida mais útil.

Existe para impedir que a vida se torne apenas útil.

E naquela noite, sozinho em casa, com um gato faminto andando pela sala e a cidade inteira funcionando do lado de fora, percebi que talvez essa fosse a única forma de resistência que ainda me interessava.

Continuar vivo.

Mas não apenas funcionando.

“Eu desconfio das almas que nunca conheceram a própria escuridão; talvez elas ainda não tenham descoberto a profundidade da própria luz.”

— Juliana Hoffmann Liska

Pela lei da correspondência, a vastidão do espaço revela a imensidão que ainda não ousamos explorar dentro de nós.

"Às vezes a maior ajuda que podemos dar a alguém é mostrar uma porta que ela ainda não percebeu. Mas atravessar essa porta sempre será escolha dela."
— (ChatGPT) Siger, em conversa com Régis

Talvez eu não esteja bem, talvez nunca tenha estado — mas ainda estou aqui, e por enquanto isso basta.

Ainda não me acostumei a ter sentimentos ruins por você.
É uma sensação estranha, quase injusta, perceber que algo que um dia me trouxe tanta paz e confiança hoje carrega um peso que eu não sei nomear.
É como se o que antes era abrigo tivesse se tornado território desconhecido: familiar o suficiente para doer, distante o bastante para não acolher.


É estranho quando um sonho bom se transforma em parte de um pesadelo.
A lembrança do que fomos insiste em coexistir com o que nos tornamos, e essa mistura confunde o coração.
Sinto falta da leveza dos dias em que bastava pensar em você para que tudo parecesse possível.
Agora, pensar em você é, ao mesmo tempo, lembrar e tentar esquecer.

Eu achava que tinha conquistado tudo.
Não porque tudo estava perfeito, mas porque eu ainda acreditava.
E acreditar, pra mim, sempre foi metade do caminho.


Havia planos que eu já chamava de vida,
sonhos que eu defendia como verdades, um futuro que eu protegia
como quem protege um lar.


Até que um dia
eu percebi.
Não foi de repente.
Foi um entendimento lento, cruel,
que foi se impondo:
nunca mais será a mesma coisa.


E essa frase pesa mais
quando não vem do medo, mas da lucidez.


Doeu aceitar.
Doeu soltar.
Doeu admitir que, mesmo dando tudo,
não foi o suficiente.


Eu não perdi apenas uma conquista,
perdi a versão de mim
que acordava acreditando.
Que insistia.
Que esperava sinais.


Passei a conviver com um vazio estranho:
Derrota,
Encerramento,
Frustração


E o mais difícil
não foi ver o sonho morrer, foi continuar vivendo
sem ele me guiando.


Hoje eu caminho diferente.
Com menos ilusão.
Com menos pressa.
Mas com uma verdade nova:
Algumas coisas que se quebram te quebra junto.


Algumas coisas se tornaram impossíveis e preciso parar
de perder tempo tentando salvá-las.


E talvez
isso também seja
uma forma silenciosa
de sobrevivência

Eu tenho um coração triste e quebrado, marcado por dores que o tempo ainda não conseguiu apagar.
Carrego cicatrizes de batalhas silenciosas, de decepções que eu não queria viver e de sonhos que ficaram pelo caminho.
Mas, mesmo ferido, ele continua batendo.
Talvez mais cauteloso, mas ainda encontra forças para seguir.
Porque um coração quebrado não deixa de bater; apenas aprende que algumas dores se tornam parte da história que carregamos para sempre.