Viver Nao e Tarefa Facil e ser Feliz menos ainda
Eu só queria ser eu mesma quando não tenho mais nada para ser. E ainda que eu não seja, continuo sendo sem querer.
O passado não pode
ser mudado, o futuro
ainda não existe, mas
o agora é todo seu:
é nele que você
constrói o amanhã.
Porque aparecer o não sou se ainda sou...
Porque clamar se ainda vou ser o sou...
Para que vou ouvi se ainda sou
Se um dia pudesses ser
aquilo que um dia imaginei,
ainda assim não serias tu,
serias apenas o sonho
que antes de ti inventei.
Porque o que imaginei
cabia inteiro nos meus pensamentos,
mas tu chegaste sem caber
em nenhuma medida,
em nenhum desejo,
em nenhum dos meus intentos.
Se fosses exatamente
aquilo que um dia sonhei,
talvez eu te admirasse,
talvez até te amasse,
mas jamais te reconheceria
como única e especial.
Pois foi justamente o inesperado,
o que não previ,
o que não desenhei,
que fez de ti alguém
que nenhum sonho meu
jamais conseguiria ser.
E talvez seja essa a beleza:
não seres aquilo que imaginei,
mas aquilo que jamais soube imaginar e, ainda assim,
a única pessoa
que meu coração escolheu reconhecer.
PRESENÇA ADVAITA
A travessia do ser que deixa de lutar contra si
A cidade ainda não dormiu.
O ar tem cheiro de chuva e café esquecido.
Há buzinas, passos apressados, vozes cansadas atravessando a noite.
Aqui dentro, a casa fecha as pálpebras e o corpo desaperta os ombros.
A respiração desacelera, como se o tempo, por um instante, perdesse a pressa.
Não é iluminação, é pausa.
Não é milagre, é o cansaço que aprende a sentar.
No intervalo entre o que se esgota e o que começa, algo desperta.
É mais sopro que ideia, mais pele que palavra.
Viver é sentir.
Sentir é o único gesto que não mente.
É quando você acontece.
Não chega, se revela.
Nada em você exige lugar, mas tudo muda à sua volta.
O ar fica mais leve, as sombras perdem pressa.
O silêncio ao seu lado tem temperatura.
Parece uma mesa posta no meio da alma.
Você toca o lugar em mim que sempre esperou,
e algo, enfim, consente.
Ainda com medo, eu consinto.
Não há urgência, há respeito.
A ternura não anuncia sua entrada,
ela simplesmente chega e fica.
O medo, visto de perto, se torna pequeno.
A dúvida, cansada, adormece na varanda do peito.
O que antes era abismo agora é chão molhado,
com marcas de quem passou e ficou.
O ser é o campo onde o medo e o amor se escutam.
Ali, o humano e o eterno se olham sem querer vencer.
Quando há escuta, o silêncio deixa de ser muro e vira ponte.
Antes da calma houve deserto.
Antes da ternura, ferida.
Já temi o que mais amava,
já fugi do que me curaria.
Até que o orgulho se desfez,
e a suavidade entrou pela fresta da noite.
Nem tudo em mim é paz.
Ainda há grito guardado,
e o eco às vezes volta sem aviso.
Mas ele já não fere, apenas me devolve à carne.
O amor que prende é medo disfarçado de zelo.
O amor que acolhe tem mãos abertas e chão firme.
Nele, dois seres se olham sem truques.
Ambos feridos, ambos atentos.
Sabem que o outro teme, e ainda assim permanecem.
Eu tropeço.
Duvido.
Às vezes quero trancar a porta e esquecer o mundo.
Mas é a dúvida que me devolve à fé,
essa fé pequena, feita de respiração e paciência.
Só quem sente profundamente aceita não entender tudo.
Com você, o tempo não desaparece, ele respira.
A casa continua casa, o mundo continua áspero.
Há contas, filas, injustiças e gente que carrega o dia nas costas.
Mesmo assim, algo em nós encontra um ritmo bom,
um espaço simples onde a ternura sobrevive.
Não busco eternidade, busco verdade.
Prefiro o instante vivido à promessa que não cumpre calor.
O que é real não morre, apenas muda de rosto.
A presença é o milagre discreto que sustenta o mundo enquanto ninguém vê.
Não há promessa, há encontro.
Não há destino, há travessia.
Você não chega, acontece,
como chuva breve em tarde quente,
lavando o pó do que restou.
A plenitude não está em domar os sentimentos,
mas em atravessá-los inteiros.
Quando compreendo o medo, o amor deixa de ser fuga
e vira casa com portas que abrem por dentro.
Nem tudo que acalma cura.
O silêncio também corta,
mas é corte que limpa,
como mar depois da tempestade.
Às vezes a luz arde antes de iluminar.
Às vezes o amor desmonta o que eu usava para me proteger.
Se o tempo nos afastar, a presença não parte.
O sentir muda de tom, como maré que recua
só para lembrar que voltará.
Você é travessia,
o agora entre duas incertezas,
a prova de que o amor pode existir sem fazer barulho.
Se o silêncio for tudo o que restar,
ainda assim haverá amor.
O que é verdadeiro não precisa ser dito.
O toque fica mesmo quando a mão já se foi.
A lembrança não pede voz,
a pele ainda sabe o caminho.
Ser forte não é erguer muralhas,
é continuar sensível quando o mundo pede dureza.
É olhar o outro e ver o mesmo espanto,
a mesma fome de não ferir.
Escolho te sentir.
Não para possuir, mas para reconhecer.
Não para vencer, mas para ser verdadeiro.
Se o sentir trouxer dúvida, que venha.
Que confunda e console.
Que assuste e cure.
Que desfaça o chão só para mostrar o céu que sempre esteve ali.
Entre nós talvez não haja nome,
e tudo bem.
O real prefere ser vivido a ser explicado.
O amor que nasce quieto é o que mais permanece.
Ele não disputa palco, respira.
É o som do ser se reconhecendo no outro.
Quando o ser se torna simples, o medo aprende a ouvir.
Nada precisa ser vencido quando é compreendido.
A sabedoria não nasce da força,
mas da entrega.
Do instante em que o ser para de fugir de si
e percebe que nunca houve vazio,
apenas verdade esperando espaço.
A cidade enfim silencia.
Uma janela apaga, outra acende.
O ar cheira a terra molhada.
E no reflexo do vidro, eu me reconheço.
O silêncio me olha,
e nele eu ainda vejo.
Por que a Sabedoria NÃO Viraliza e a Ignorância Domina o Mundo?
Porque o Ser Humano ainda guarda no seu DNA os tempos das cavernas, onde tinham que se proteger dos predadores em grupos!!!
Então até hoje estas pessoas se sentem protegidas quando estão em MANADAS e REBANHOS, mesmo que seja para seguir quem está ERRADO!!!
PS: Por estas e outras a ignorância domina o TicToc e as Redes Sociais, falou besteira VIRALIZA!!!
Apagar o brilho do outro por medo de ser ofuscado é o reflexo de uma alma que ainda não descobriu o seu próprio valor. 🌟🌱
Manual para perder o juízo
Primeiro, não apresse o desejo.
Ele gosta de ser cortejado, ainda
que finja o contrário
. Depois, escute o que não é dito: o suspiro que
muda de ritmo, o corpo que se aproxima, a mão que permanece.
Não confunda ousadia com descuido.
O verdadeiro libertino sabe
que a liberdade do outro é o que torna possível a sua própria.
Há mais prazer em conduzir uma chama que responde do que em
incendiar uma casa vazia.
Por fim, não peça desculpas por sentir.
Peça desculpas apenas se
ferir. O resto é vida ,e a vida, quando se despe, não costuma falar baixo.
Alzira Aquino Mendes.
O controle só pode ser exercido sobre o que ainda não é; por isso, o agora é incontrolável. Assim sendo, o que há de bom no agora se perde na tentativa de controlá-lo.
“Teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.”
Quem precisa ser visto ainda não aprendeu a descansar em Deus.
O desconhecido não é necessariamente uma ameaça; pode ser simplesmente uma realidade que ainda não entendemos.
Ser forte nunca foi sobre não cair, mas sobre levantar com o coração em pedaços e ainda assim acreditar que vale a pena continuar tentando.
Não tente ser a luz de ninguém se você ainda está tateando no escuro à procura do próprio interruptor, é justo e necessário cuidar da sua própria fogueira primeiro, para que o calor que você oferece não seja um sacrifício que te deixe em cinzas no final da noite.
Não procure agora pelas respostas que não podem ser dadas, porque ainda não poderia vivê-las. E trata-se aqui de viver tudo. Viva agora as dúvidas. Talvez aos poucos, em algum dia distante, sem perceber, vai acabar vivenciando as respostas.
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