Viver Nao e Tarefa Facil e ser Feliz menos ainda

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Quando você finge ser algo apenas para ter a aprovação dos outros, você só atrai aqueles que aceitam aquilo que você não é.

Devo ser careta demais quando se trata de relacionamento, sou daqueles que gosta de cortejar, conversar, conhecer, conquista, não sou de chegar e ir pegando, sarrada como muitos fazem para não perder tempo nem a viagem e na maioria das vezes não passam de uma noite, de alguns meses. Quando você se dispõe a conhecer uma pessoas a saber do que ela gosta ou não gosta, do que a irrita ou não, você está disposto a viver parte de sua vida ou até mesmo a vida inteira do lado dela, conhecendo seus defeitos e qualidades você poderá se apaixonar por ela todos os dias como se fosse o primeiro dia em que se apaixonaram e que tiveram a certeza que deveriam ficar juntos, não ser invasivo, nao priva-lá de nada e não proibi-lá do que ela gosta de fazer também é uma forma de amor e se não for recíproco, continue a viver pois ha outros amores pra serem descobertos.

Os sentimentos são inexplicáveis independente do ser humano, cada um tem seu modo de sentir. Então viva cada minuto, porque, assim como um lindo rio se mostra tranquilo e seguro em dias ensolarados, ele também se mostra feio e inseguro em dias de tempestade. Meus momentos com você são assim, curtos e inexplicáveis, mas quem foi mesmo que pediu explicação? É por conta disso que eles se tornam inesquecíveis e únicos.

"Nas sombras da minha mente, habita um ser dividido. Uma parte se ergue plena e grata, enquanto a outra se encolhe, frágil e submissa ao destino. Ambas coexistem, travando uma batalha silenciosa, mas sei que apenas uma delas é o reflexo da minha verdadeira essência."


R.C.G.Medeiros

Foque e torne-se.
Incline-se para ser.

⁠A
maior pretensão
da
Mãe da Incoerência
é ser
Pai da Verdade.


Há algo de profundamente humano — e perigosamente confortável — em tentar vestir a verdade com as roupas da conveniência.


A incoerência, quando não confrontada, deixa de ser um deslize e passa a ser método.


Ela se reinventa, se justifica, se enfeita… até ousar reivindicar autoridade sobre aquilo que nunca gerou.


Ser Pai da Verdade exige muito mais do que discurso: exige compromisso com o que permanece de pé mesmo quando nos desmonta.


Já a incoerência, essa mãe indulgente, aceita qualquer versão de nós mesmos — inclusive aquelas que negam o que defendíamos ontem com fervor.


O problema maior não é errar.


É construir narrativas para transformar o erro em razão, o tropeço em caminho e a contradição em identidade.


Nesse ponto, já não buscamos a verdade — buscamos apenas a validação de uma versão confortável de nós mesmos.


E talvez seja aí que tudo se perde.


Porque a verdade não precisa de herdeiros, nem de títulos.


Ela não implora reconhecimento, nem aceita ser adotada por quem a distorce.


A verdade simplesmente é — firme, incômoda e, muitas vezes, solitária.


Cabe a nós decidirmos: queremos ser filhos da verdade, com toda a humildade que isso exige…
ou continuar alimentando a ilusão de que podemos gerá-la a partir das nossas próprias incoerências?

⁠Na Solitude, se experimenta a graça de se escutar; na Solidão, o drama de implorar para ser escutado.


Há uma diferença muito sutil, mas também muito decisiva, entre estar só e sentir-se só.


A Solitude é uma escolha muito inteligente — um território íntimo onde o Silêncio não pesa, mas acolhe.


Nela, o mundo desacelera o suficiente para podermos ouvir aquilo que, no ruído cotidiano, insistimos em ignorar: nossas dúvidas mais honestas, nossos desejos menos admitidos e as nossas contradições mais humanas.


A solitude não isola — ela nos reconecta.


Já a solidão é outra matéria…


Normalmente, não nasce da ausência de gente, mas da ausência de sentido no encontro.


É possível estar cercado por muitas vozes, mensagens, notificações, e ainda assim experimentar o vazio de não ser realmente percebido.


Na solidão, a escuta vira moeda escassa, e o sujeito se vê quase mendigando atenção, tentando transformar qualquer eco em resposta.


Vivemos um tempo tão difícil quanto curioso: nunca estivemos tão conectados e, paradoxalmente, tão expostos à solidão.


Talvez porque confundimos presença com proximidade, interação com vínculo, e audiência com escuta.


A consequência disso é um cansaço emocional muito difuso — o desgaste de falar muito e ser pouco ouvido, de se mostrar constantemente sem, de fato, ser visto ou lembrado.


Cultivar a Solitude, portanto, é um gesto quase subversivo.


É recusar a dependência do olhar alheio como única validação possível.


É aprender a habitar o próprio silêncio sem deixá-lo soar como abandono.


Porque quem aprende a se escutar com verdade, dificilmente aceita qualquer escuta superficial como suficiente.


No fim, a questão não é evitar estar só, mas evitar perder-se de si mesmo em seus próprios labirintos.


Pois entre a Solitude que nos Fortalece e a Solidão que nos Esvazia, a diferença está menos no mundo ao redor, e mais na qualidade do encontro que conseguimos sustentar com aquilo que somos quando ninguém está por perto ou nos olhando.


Que todos consigam sentir-se bem acompanhados, estando a sós consigo mesmos!


Amém!

⁠Ninguém vive Só, mas ninguém sobrevive mais Sozinho do que quem vive querendo ser Amigo de
todo mundo.


Há uma diferença bastante silenciosa — e muitas vezes ignorada — entre estar cercado e estar acompanhado.


Quem tenta caber em todos os círculos acaba se diluindo em cada um deles.


Vai se moldando tanto ao gosto alheio que, no fim, já não sabe mais qual é o próprio sabor.


E assim, na ânsia de pertencer a todos, deixa de pertencer a si mesmo.


A necessidade de agradar indiscriminadamente costuma nascer de um medo antigo: o da rejeição.


Mas há um preço muito alto em trocar autenticidade por aceitação.


Relações construídas sobre concessões constantes não criam raízes, apenas vínculos frágeis que dependem de manutenção exaustiva.


E o mais curioso é que, mesmo rodeado de gente, esse esforço contínuo é raramente recompensado com profundidade.


Amizade de verdade não exige ubiquidade, exige verdade.


Não se trata de quantos cabem à mesa, mas de quem permanece quando a mesa já não oferece nada além de silêncio — ainda que agridoce.


Quem tenta ser amigo de todo mundo, no fundo, vive evitando o risco essencial de qualquer relação genuína: o de não ser aceito por alguns para ser verdadeiramente reconhecido por muito poucos.


Há uma solidão deveras peculiar em nunca poder ser inteiro.


E talvez a nossa Verdadeira Liberdade comece justamente quando aceitamos que não é preciso sermos tudo para todos — porque, ao fim, é isso que finalmente nos permite ser algo bem real para alguém.

⁠O Bandido Assumido consegue ser muito mais Honesto do que qualquer Covarde sob a segunda pele do Braço Armado
do Estado.


É uma verdade que incomoda — e talvez deva mesmo incomodar.


Porque ela não exalta o crime, mas expõe uma ferida mais profunda: a da confiança traída por quem deveria, por princípio, protegê-la.


O bandido declarado não esconde suas intenções.


Ele não se disfarça de virtude, não se abriga na legitimidade de um uniforme, não reivindica para si a autoridade moral de agir em nome da lei.


Seu erro é explícito — e, por isso mesmo, enfrentado como tal.


Há clareza no confronto.


Já o covarde que veste o poder como fantasia opera num terreno muito mais perigoso.


Ele não apenas erra; ele distorce.


Usa a força que lhe foi confiada como escudo para suas fraquezas, como instrumento para seus desvios, como licença para ultrapassar limites que deveria defender.


E, ao fazer isso, não fere apenas uma vítima — corrói a própria ideia de justiça.


Porque quando a violência vem de onde se esperava proteção, ela não é só agressão: é Desilusão.


E desilusão, quando se instala, é mais devastadora do que o medo.


O medo nos alerta.


A desilusão nos paralisa.


Não se trata de romantizar quem vive à Margem da Lei, mas de reconhecer que a hipocrisia tem um peso moral diferente.


O erro de quem nunca prometeu ser correto é Gravíssimo.


Mas o erro de quem jurou ser justo — e falha por conveniência, abuso ou covardia — é uma quebra de pacto que não merece perdão.


E talvez seja isso que mais nos inquieta: perceber que o problema não está apenas na existência do mal declarado, mas na infiltração silenciosa do desvio dentro das estruturas que deveriam contê-lo.


No fim, a sociedade não se sustenta apenas por leis, mas pela confiança de que aqueles que as aplicam não as dobrarão ao sabor de seus próprios interesses.


Quando essa confiança se rompe, o que sobra não é apenas insegurança — é um vazio ético onde qualquer narrativa pode se impor.


E é nesse vazio que a verdade mais incômoda ecoa: não é a presença do Bandido Assumido que mais ameaça a ordem, mas a perda da integridade de quem deveria garanti-la.

⁠Até os Monstros precisam ser protegidos da Monstruosa sede de justiça
de parte do povo.


Há uma perversidade silenciosa que se instala quando a justiça deixa de ser um princípio e passa a ser um espetáculo.


Nesse instante, já não importa a gravidade do crime, a complexidade dos fatos ou os limites civilizatórios que deveriam nos conter.


O que passa a seduzir muita gente é o prazer de assistir à queda, ao sofrimento, à humilhação daquele que foi eleito como a encarnação do mal.


E é justamente aí que mora um dos principais perigos: quando a repulsa ao monstruoso nos autoriza a flertar com a própria monstruosidade.


Proteger até mesmo os monstros não é um gesto de ingenuidade, cumplicidade ou fraqueza moral.


É, antes de tudo, uma declaração de compromisso com aquilo que nos separa do abismo.


Porque uma sociedade que só respeita direitos quando simpatiza com quem os possui não acredita, de fato, em direito algum — acredita apenas em preferência, vingança e conveniência.


Hoje, o alvo pode parecer merecedor de todo suplício; amanhã, bastará mudar o humor das massas, a narrativa dominante ou o interesse dos que manipulam a indignação coletiva.


A sede de justiça, quando se desfigura em desejo de punição exemplar a qualquer custo, costuma se apresentar com vestes nobres.


Fala em defesa da moral, em proteção dos inocentes, em resposta à dor social.


Mas nem sempre quer justiça: muitas vezes quer catarse.


Quer sangue simbólico e/ou literal.


Quer a delícia primitiva de ver alguém reduzido à condição de coisa descartável.


E quando isso acontece, pouco importa se o condenado é culpado ou inocente, porque o que satisfaz não é a verdade, mas a sensação de poder exercida sobre um corpo odiado.


É fácil defender garantias, dignidade e direitos quando se trata de alguém com rosto humano aos nossos olhos.


O teste real da civilização, porém, começa quando o acusado desperta em nós asco, medo ou fúria.


É nesse ponto que se decide se a justiça será um freio contra a barbárie ou apenas sua versão institucionalmente aplaudida.


Porque, se até os Monstros não forem protegidos contra os excessos do ódio coletivo, então não restará proteção confiável para ninguém.


Toda vez que o povo se apaixona pela crueldade em nome do bem, uma rachadura se abre na ideia de humanidade.


A punição deixa de cumprir sua função ética e jurídica para servir ao apetite emocional de uma multidão ferida, manipulada ou ressentida.


E multidões, quando intoxicadas por certezas morais absolutas, percebem raramente o quanto podem se tornar semelhantes àquilo que dizem combater.


O monstro de fora se torna álibi para alimentar o monstro de dentro.


Talvez uma das verdades mais duras de aceitar seja esta: o valor da justiça não se mede apenas pela firmeza com que pune, mas pelo limite que impõe a si mesma ao punir.


Uma justiça sem freio, sem forma, sem critério e sem humanidade deixa de ser justiça — vira revanche com linguagem jurídica, linchamento com aplauso cívico e selvageria fantasiada de virtude.


Por isso, até os monstros precisam ser protegidos.


Não por merecimento afetivo, mas por necessidade moral de quem julga.


Nem para aliviar seus horrores, mas para impedir que o horror deles contamine, normalize e conduza o nosso.


No fim, a maneira como tratamos aqueles que mais odiamos revela, com uma sinceridade brutal, o que realmente somos quando nada nem ninguém mais nos obriga a parecer justos.

⁠O Bandido Assumido consegue ser muito mais Honesto do que qualquer covarde que se esconda sob a segunda pele do Braço Armado do Estado.

⁠No Apogeu da Infodemia, talvez nada nos iluda mais do que a sede por Viés de Confirmação ser infinitamente maior que a de Informação.


Vivemos um tempo em que saber deixou de ser um exercício de abertura e passou a ser, muitas vezes, um ritual de reafirmação.


Já não buscamos a verdade como quem atravessa um território desconhecido, mas como quem procura espelhos cuidadosamente posicionados para nos devolver apenas aquilo que nos conforta.


A informação, vasta e abundante, tornou-se muito menos valiosa que a sensação de estar certo.


Nesse cenário, o Pensamento Crítico perde espaço para o Pensamento Conveniente.


A Dúvida, que deveria ser uma Virtude Intelectual, é tratada como Fraqueza — e a Convicção, mesmo quando frágil, é exibida como Força.


Não é a escassez de dados que nos limita, mas a recusa silenciosa em confrontar aquilo que ameaça nossas certezas mais queridas.


A Enxurrada de Informações não nos afoga apenas em conteúdos, mas em versões editadas da realidade, moldadas sob medida para nossas crenças.


E quanto mais nos alimentamos delas, menos toleramos o desconforto do contraditório.


Assim, criamos bolhas de eco onde o mundo parece simples, previsível e, sobretudo, alinhado conosco — ainda que isso custe a complexidade dos fatos.


Talvez o maior desafio do nosso tempo não seja acessar a informação, mas reaprender a desejá-la de verdade.


Isso exige coragem: a coragem de estar errado, de revisar ideias, de abandonar certezas que já não se sustentam.


Porque, no fim, a busca honesta por compreensão nunca foi sobre vencer argumentos — mas sobre ampliar horizontes.


E isso, inevitavelmente, começa quando trocamos a pressa de confirmar pelo raro gesto de escutar.

⁠O Bandido Assumido consegue ser muito mais Honesto do que qualquer covarde que se esconda sob a segunda pele do Braço Armado do Estado.


É uma verdade que incomoda — especialmente aos apaixonados —, e talvez deva incomodar mesmo.


Porque ela não tem a menor pretensão de absolver o crime, nem romantizar a violência, mas expõe uma contradição moral que quase sempre preferimos ignorar: a diferença entre assumir o que se é e se esconder atrás de um papel, de um uniforme, de uma autorização institucional.


O bandido assumido não pede aplausos.


Ele não mascara sua natureza, não constrói um discurso para justificar seus atos como sendo “necessários” ou “pelo bem maior”.


Há, paradoxalmente, uma crueldade honesta nisso — uma exposição sem verniz.


Ele não exige confiança, nem reivindica moralidade.


Já o covarde que se esconde atrás do poder institucional carrega algo muito mais perigoso: a ilusão de legitimidade.


Seus atos, por mais violentos, ardilosos e injustos que sejam, são muitas vezes protegidos por narrativas, por discursos oficiais, por estruturas que o blindam da responsabilidade individual.


Ele não apenas age — ele se esconde enquanto age.


E nisso reside a sua desonestidade mais profunda.


O problema não é a existência da autoridade em si, mas o uso dela como máscara.


Quando o poder deixa de ser instrumento de justiça e passa a ser escudo para abusos, ele corrompe não só quem o exerce, mas também a confiança de toda uma sociedade desapaixonada.


Porque o dano causado por quem deveria proteger é sempre mais corrosivo do que o dano causado por quem nunca prometeu fazê-lo.


No fim, a reflexão não é sobre quem é “melhor”, mas sobre o peso da verdade.


Assumir a própria natureza, ainda que condenável, exige um tipo de coragem bruta.


Já esconder-se atrás de uma aparência de virtude, enquanto se pratica o oposto, exige apenas conveniência — e isso, talvez, seja o que mais nos ameaça.


Porque o mundo não se destrói apenas pela violência explícita, mas também — e talvez principalmente — pela hipocrisia silenciosa que a justifica.

⁠Quase todos querem ser autossuficientes, mas quase ninguém se banca quando a chapa esquenta.


Muitos gostam da ideia de serem autossuficientes.


Ela soa bonita, forte, admirável…


Dá a sensação de controle, de interdependência, de não dever nada a ninguém.


Mas a verdade aparece quando a chapa esquenta.


E ela esquenta!


Sempre esquenta.


Ser autossuficiente não é só pagar as próprias contas ou tomar decisões sozinho quando tudo está calmo.


É sustentar escolhas quando elas custam muito caro.


É bancar o silêncio após o que precisava ser dito.


É segurar as consequências quando não há aplauso, colo ou atalho.


É sobreviver às tempestades.


Mas muita gente confunde autossuficiência com orgulho.


Diz que não precisa de ninguém, mas desmorona quando não recebe a simples validação do outro.


Diz que aguenta, mas terceiriza a culpa quando algo dá errado.


Quer a liberdade das escolhas, mas foge das responsabilidades que vem junto ou depois dela.


Quando a pressão aumenta, quando o conforto acaba, quando não há ninguém para salvar — é aí que se descobre quem realmente se banca.


Porque independência não é ausência de apoio, é presença de coragem.


É saber pedir ajuda sem se abandonar.


É continuar inteiro mesmo tremendo.


No fim, ser autossuficiente não é nunca cair.


É cair, levantar, olhar para o próprio reflexo e dizer: fui eu que escolhi assim — e eu fico.


Fico com o bônus e com o ônus.


Para sermos bons donos do próprio nariz, é preciso ter consciência de que ele também pode sangrar.

⁠A inquietação das almas carentes costuma ser muito mais barulhenta do que qualquer diagnóstico.


Há inquietações que gritam, mesmo quando não dizem nada com clareza.


São almas carentes tentando preencher vazios que nenhum laudo consegue medir.


Enquanto o diagnóstico procura nomear a dor, a carência apenas a expõe — sem filtro, sem pudor, sem silêncio.


Por isso, faz barulho: não para ser compreendida, mas para ser percebida.


A inquietação da alma não pede rótulos, pede presença.


Não exige explicações, clama por sentido.


Talvez por isso incomode tanto: porque revela que há dores que não são patológicas,
são existenciais.


E estas, por mais incômodas que sejam, só se aquietam quando alguém aprende a escutar —
não o ruído,
mas o vazio que o produz.


Que o Médico dos médicos tenha misericórdia de todas as almas carentes!


Amém!

⁠Só tropecei no infortúnio de tentar ser normal — e tropecei feio — até descobrir que o novo normal é se esvaziar de si mesmo.


Passei anos aparando arestas, baixando o tom das minhas convicções, suavizando minhas inquietações, rindo do que não tinha graça e silenciando o que ainda queimava por dentro.


Tudo para caber…


Caber nas expectativas.


Caber nas rodas.


Caber nos moldes invisíveis que alguém decidiu chamar de “normalidade”.


Mas há um preço alto demais em caber.


Descobri, tarde o bastante para doer e cedo o bastante para salvar, que o tal “novo normal” não é sobre equilíbrio, nem sobre convivência, nem sobre maturidade.


É sobre esvaziamento.


Esvaziar a autenticidade para evitar conflito.


Esvaziar a coragem para não incomodar.


Esvaziar a própria essência para não parecer excessivo.


E quando a gente se esvazia de si, sobra o quê?


Um corpo funcional.


Um discurso ensaiado.


Uma presença aceitável.


Mas não sobra alma.


Ser normal, nesse tempo apressado e ruidoso, parece significar ser diluído — sem arestas, sem profundidade, sem identidade que incomode.


Só que viver diluído é viver pela metade.


E ninguém nasceu para ser metade de si mesmo.


Talvez o verdadeiro infortúnio não tenha sido tropeçar.


Talvez tenha sido acreditar que a queda era culpa da minha diferença — quando, na verdade, era o chão que estava torto.


Hoje sei: não há nada de anormal em preservar quem se é.


Anormal é abdicar da própria essência para ser aplaudido por quem jamais suportaria a sua verdade inteiramente nua e crua.


Se for para tropeçar de novo, que seja tentando ser inteiro.


Porque o mundo já tem gente demais vazias de si — e cada vez menos pessoas dispostas a sustentar a própria alma.

⁠Saudade dos bons e velhos tempos em que quase todos queriam — e se atreviam — a ser diferentes uns dos outros.


Havia uma coragem deveras silenciosa em não caber nos moldes.


As pessoas ousavam ter opiniões impopulares, gostos estranhos, sonhos improváveis.


Erravam com a própria assinatura.


Discordavam sem medo e sem culpa — olhando nos olhos.


Não precisavam de plateia para existir, nem de aplausos para sustentar suas convicções.


E muito menos subir o tom para tentar sustentar uma ideia.


Hoje, a pressa por pertencimento parece ter substituído o desejo de identidade.


A originalidade virou risco; a repetição, estratégia.


Ser diferente, que antes era um ato quase instintivo de afirmação, passou a ser cuidadosamente calculado para não desagradar o rebanho — ainda que cada um jure ser pastor de si mesmo.


Talvez o medo de ficar só tenha nos ensinado a falar em coro.


Talvez a avalanche de vitrines e vozes tenha nos convencido de que é mais seguro ecoar do que criar.


Mas há um preço muito alto nessa homogeneização voluntária: quando todos repetem, ninguém realmente diz; quando todos performam, poucos vivem.


Sentir saudade daquele tempo é, no fundo, sentir saudade de uma liberdade mais bruta, menos polida e menos aprovada.


Uma liberdade que permitia ser estranho sem ter que pedir desculpas.


Que entendia que a verdadeira diversidade não nasce de discursos ensaiados, mas da coragem nua e crua de sustentar a própria diferença.


Porque, no fim, não há nada mais semelhante do que pessoas tentando, desesperadamente, parecer iguais.

⁠A mentira repetida só vira verdade por ser uma das moedas que custeiam o aluguel das cabeças desocupadas.


A verdade nunca dói, o que dói é o fato de ela diferir das nossas vontades.


E a mentira não cria raízes por força própria.

Ela precisa de solo fértil: mentes desocupadas, críticas adormecidas e consciências terceirizadas.


Repetida, não se transforma em verdade — apenas em hábito.


E hábito, quando não questionado, passa a ser confundido com realidade.


Há quem alugue a própria cabeça por conforto: pensar cansa, duvidar exige coragem e confrontar narrativas cobra um preço muito alto.


A mentira paga esse aluguel com promessas fáceis, inimigos prontos e explicações que dispensam reflexão.


Em troca, exige apenas silêncio interior e obediência ruidosa.


Mas a verdade nunca foi aceita como moeda corrente.


Ela às vezes pesa demais, incomoda, desalinha certezas e devolve ao indivíduo a responsabilidade de pensar.


Por isso, circula muito menos.


Não porque seja fraca, mas porque recusa ser aceita sem resistência.


No fim, a mentira só prospera onde o pensamento crítico tirou férias ou nem sequer existiu.


E talvez o maior ato de rebeldia hoje seja reocupar a própria mente — expulsar o inquilino confortável da repetição e devolver à verdade o espaço que sempre foi dela.

⁠⁠Reconhecer que precisamos de ajuda pode ser o pontapé que o problema precisa!


Precisar de ajuda não é um atestado de fraqueza; é, quase sempre, o primeiro gesto honesto de coragem.


Há problemas que não pedem força, pedem escuta.


Não exigem resistência, exigem cuidado.


E é justamente nesse ponto — quando o orgulho cansa e o silêncio pesa — que admitir a própria necessidade se torna o pontapé inicial para a mudança.


Durante muito tempo aprendemos a empurrar dores para debaixo do tapete da rotina, como se ignorá-las fosse sinônimo de maturidade.


Mas a saúde mental não aceita adiamentos indefinidos.


O que não é dito vira peso, o que não é cuidado vira ferida, e o que não é tratado acaba gritando de formas que já não controlamos.


O Janeiro Branco nos convida a limpar os excessos acumulados na alma, a revisar pensamentos, emoções e limites.


É um lembrete de que pedir ajuda não diminui ninguém — ao contrário, amplia as chances de seguir inteiro.


Cuidar da saúde mental é um compromisso diário, não um luxo reservado aos que “não aguentam mais”, mas um direito de quem deseja viver com mais lucidez, leveza e dignidade.


Reconhecer que precisamos de ajuda pode, sim, ser o pontapé que o problema precisa.


Porque todo processo de cura começa quando paramos de lutar sozinhos, e aceitamos caminhar acompanhados.

De repente os Direitos Humanos são necessários, a Saúde Mental importa e a Ciência deixa de ser negada…


Há uma irrisória esperança nisso…


Quando a palavra de Deus deixar de ser usada para se Esconder, Aparecer e se Promover e voltar ao propósito original — acender luzes, não ofuscar e confundir mentes e espíritos descuidados ou mal intencionados — talvez o mundo se reencontre.