Viver em Sociedade
Dentro de uma sociedade de desiguais
não há mudanças sem conscientização
da existência da desigualdade,
pois a necessidade de transformação
só pode originar de uma massa explorada
que seja capaz de enxergar a exploração,
do contrário, o que existe é apenas
um aglomerado de homens
com a mentalidade de gado.
Quando a escola incorporou a ideologia neoliberal, que transformou as instituições da sociedade em empresa, ela passou a agir com tal, logo o desenvolvimento pleno do aluno deixou de ser seu objetivo, passando a focar na obtenção de resultados positivos em avaliações externas, como parâmetro de eficiência da sua ação.
Enquanto o homem acreditar que o poder é o sentido da vida, não teremos uma sociedade harmonioso, pois a ideia do poder está atrelado a "ter influência", logo há o que influencia e o influenciado, dessa forma, sempre haverá o que pode e os que são submetidos a esse poder.
Quando o indivíduo é incapaz de perceber a interferência da sociedade sobre os seus desejos, ele deixa de agir como um sujeito de possibilidades, para se comportar como prisioneiro da realidade social a qual ele está inserido, logo, a maioria de suas decisões é apenas uma resposta condicionada.
A sociedade denomina de louco, quem em estado de virgília sonha e transforma seus sonhos em sua realidade, mas como ela poderia denominar as pessoas que precisam da aceitação dos outros para legitimar suas realidades?
O modelo de educação atual não educa
apenas condiciona
para uma sociedade pensada e estruturada
para homens obedientes e afônicos.
É de pura infantilidade acreditar
que em uma sociedade capitalista
seja possível encontrar políticos
capazes de agirem em prol do
proletariado, pois o capital
é quem os governam.
Não há sociedade capitalista sem exploração, sem desigualdade social, portanto, não tem como pensar em mudanças sem a luta de classes.
Em uma sociedade capitalista,
os chefes das administrações diretas municipal, estadual e federal são apenas colaboradores do capital.
A inclusão na escola é uma tentativa de resposta da sociedade ao grito dos que se sentem excluídos por um modelo educacional que não enxerga as particularidades do aprender que é singular a cada ser, mas ela não se concretiza com eficiência porque esse mesmo modelo não é capaz de atender, com qualidade, nem mesmo os que ficam calados.
Na sociedade frivola, o sujeito ativo do sentimento, só se concretiza com a ostentação do prazer sentido, pois para ele, uma conquista só é plena, se a mesma for do conhecimento dos outros.
Não permita que a sociedade dite o seu desejo, deseje apenas o que seu eu encontre sentido desejar.
Quem realiza o desejo imposto pela sociedade, necessita dela para validar-lo, pois sem a validação da mesma, não há prazer em apenas conquistar.
Poema - Carta para Sociedade
O erro de vários
É pensar que somos otários
Carta para sociedade
Respeito é uma qualidade
Que muitos não tem
Acha que está por cima de alguém
A vida é uma roda gigante
Pode girar em qualquer instante
Hoje está por cima
Autoestima
Amanhã pode descer
E fazer o mesmo com você
Cada um que escolhe
Quem planta, colhe
Então planta o bem
Para receber também
Faz a escolha certa
Essa é a meta
Porque todos tem potencial
De fazer o bem, e também de fazer o mal.
"Em uma sociedade onde a fé se torna escassa,
meu sorriso desafia as certezas impostas,
transformando-se, aos olhos alheios, em ameaça."
Numa sociedade
onde a corrupção e a trapaça,
respingam imaculadosares
de naturalidade,
quem recusa corromper-se
é acusado de trapaceiro
e corrupto!
Aquilo
que muitos vulgarizam como
princípios morais da sociedade humana,
na verdade, são arremedos transitórios
de um fundamento maior ora esquecido;
ou, inadvertidamente desprezado,
que em tempos de tresloucadas
'vias tortas', sobrevém para
nos relembrar e corrigir:
a Ética!
... numa
sociedade em que
a corrupção e a trapaça
alegremente respingam seus
imaculados ares de normalidade,
quem recusa corromper-se
é acusado de corrupto
e trapaceiro!
Arte é um reflexo da sociedade em que é produzida, e tem o poder de influenciá-la e moldá-la. Comunica ideias e tem prazo de validade longo.
Exemplo: a tinta na tela, o lápis no papel, criam imagens figurativas ou abstratas que estimulam a criatividade, a coordenação motora, a percepção das cores, a comunicação, a sensibilidade, e a capacidade de concentração e expressão. Produtos economicamente viáveis são transformados em obras de arte, que estimulam habilidades, propósitos, ideias e que vão deixar um legado em diversas gerações.
A arte é cíclica, tem inúmeras informações, reflexões e transformações. É sustentável!
QUARTA-FEIRA DE CINZAS: DO ENTENDIMENTO ANTIGO À SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA.
A Quarta-Feira de Cinzas é uma data que integra o calendário religioso cristão ocidental como o início formal do período de Quaresma, e ocorre quarenta e seis dias antes da celebração da Páscoa, variando anualmente com base na data pascal.
DO QUE SÃO FEITAS AS CINZAS DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS?
A Igreja determina claramente que nem toda cinza pode ser utilizada no rito de imposição. A cinza da Quarta-Feira de Cinzas vem da queima dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior. Elas recebem a água benta e são aromatizadas com incenso.
Origem Histórica e Seu Contexto Religioso.
No seio da tradição cristã, especialmente na Igreja Católica, a Quarta-Feira de Cinzas inaugura uma fase de reflexão, penitência e jejum que prepara espiritualmente o fiel para a celebração da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo na Páscoa. Esse período de quarenta dias - a Quaresma - remete ao tempo de quarenta dias que, segundo a narrativa bíblica, Jesus passou em jejum e tentação no deserto antes de iniciar seu ministério público. ( Evangelho de Lucas 4,1-13 )
A prática de associar as cinzas à penitência remonta a tempos antigos, inclusive prévios ao cristianismo formal, sendo um símbolo de arrependimento, tristeza e reconhecimento da fragilidade humana nos relatos do Antigo Testamento.
Personagens como Jó, Daniel e a população de Nínive cobriram-se de cinzas e vestiram sacos de pano como gesto de contrição e súplica diante de Deus.
Na Bíblia, cobrir-se de cinzas (frequentemente acompanhado de vestir pano de saco) era um gesto cultural e religioso que simbolizava luto profundo, humilhação, arrependimento sincero ou desespero. Esse ato demonstrava a fragilidade humana e a dependência de Deus.
Aqui estão os principais personagens e grupos que se cobriram de cinzas:
Jó: Após perder seus filhos e bens, e ser afligido por doenças, Jó sentou-se no meio da cinza como sinal de luto e, posteriormente, declarou arrepender-se "no pó e na cinza" (Jó 2:8; 42:6).
Mardoqueu: Ao saber do decreto de Hamã para destruir os judeus na Pérsia, Mardoqueu rasgou suas vestes, vestiu-se de pano de saco e cobriu-se de cinzas em um ato de grande consternação e clamor (Ester 4:1).
O Rei de Nínive e o Povo: Após a pregação de Jonas, o rei de Nínive levantou-se do trono, tirou o manto, cobriu-se de pano de saco e sentou-se sobre cinzas, ordenando um jejum nacional como sinal de conversão (Jonas 3:5-6).
Daniel: O profeta Daniel relatou que se voltou ao Senhor Deus para buscá-lo com orações, jejuns, pano de saco e cinzas, ao interceder pelo seu povo (Daniel 9:3).
Rei Acabe: Após o profeta Elias condenar suas ações, o rei Acabe rasgou suas vestes, cobriu-se de pano de saco e jejuou, agindo com humildade (1 Reis 21:27).
Tamar: A filha do rei Davi, após ser violentada por seu meio-irmão Amnon, cobriu a cabeça com cinzas e rasgou a túnica como sinal de dor e desonra (2 Samuel 13:19).
Significado Bíblico:
O uso de cinzas era um reconhecimento visual de que o ser humano é "pó e ao pó voltará" (Gênesis 3:19), indicando a necessidade de purificação e conversão radical de vida.
No contexto cristão primitivo, penitentes públicos e pecadores graves eram submetidos a ritos de expiação que incluíam a cobertura com cinzas e a separação da comunidade até a reconciliação final. Com o tempo essas práticas de penitência pública evoluíram para um rito comunitário mais inclusivo, de forma que, desde aproximadamente o século XI, a imposição de cinzas passou a ser uma cerimônia litúrgica regular em toda a cristandade ocidental.O que ocorre no século XI é a universalização e regulamentação desse gesto no âmbito da liturgia oficial da Igreja Latina. O contexto é o das reformas eclesiásticas associadas à chamada Reforma Gregoriana, ligada ao pontificado de Papa Gregório VII. Nesse período, buscou-se maior uniformidade ritual e disciplina clerical. A imposição das cinzas deixa de ser um ato restrito aos penitentes públicos e passa a ser aplicada a todos os fiéis no início da Quaresma.
Um marco importante nesse processo foi o Concílio de Benevento, realizado em 1091 sob o pontificado de Papa Urbano II, o mesmo pontífice que convocaria a Primeira Cruzada em 1095. Esse concílio recomendou que todos os cristãos recebessem as cinzas na Quarta Feira de Cinzas, consolidando o rito como parte integrante do calendário litúrgico.
O Porquê das Cinzas: Significados Simbólicos e Antropológicos
As cinzas, como elemento, carregam uma potente carga simbólica. Antropologicamente, elas representam aquilo que resta do que foi consumido pelo fogo - morte, efemeridade, purificação e renovação. Em muitas culturas antigas, o uso de cinzas em rituais estava associado a tristeza e arrependimento profundo, um gesto de humildade diante dos deuses ou diante da própria condição humana.
Para a Igreja, esse ritual assume essas mesmas conotações, lembrando o fiel de sua mortalidade e da necessidade de conversão. Ao ser feita a imponência das cinzas na testa dos participantes geralmente em forma de cruz, pronuncia-se uma formulação tradicional que ecoa o relato do livro de Gênesis: “Lembra-te de que és pó e ao pó hás de voltar.” Essa frase retoma a ideia de que a existência terrestre é provisória e suscetível ao arrependimento e à transformação espiritual.
Nesse sentido, as cinzas funcionam como um memento mori - um chamado humano e universal à consciência da finitude e à busca de um sentido além do imediato. O antropólogo e historiador das religiões reconhece que tais símbolos, embora incorporados a práticas específicas como as da Igreja, dialogam com estruturas cognitivas universais: o fogo purifica, o pó remete à origem e à dissolução da forma, e o ritualiza-se como mediação entre o humano e o sagrado.
Sociedade e Transformações da Tradição.
A Quarta-Feira de Cinzas também marca uma fronteira cultural: o fim das festividades do Carnaval, festa popular de exuberância coletiva marcada por danças, folias e excessos, e o começo de um período mais contido e introspectivo. Historicamente, o Carnaval evoluiu de celebrações mais antigas de despedida das festas de inverno e de libertação social antes do período de abstinência quaresmal. Em muitas sociedades cristãs, essa transição representava tanto um encerramento de libertinagem quanto uma preparação moral e religiosa para o tempo de penitência.
No Brasil, essa encenação cultural e religiosa ainda é manifesto vivo - as ruas vibram intensamente até a madrugada da Quarta-Feira de Cinzas, quando então os espaços festivos cedem lugar a um silêncio ritualizado, simbólico de introspecção, autocrítica e reintegração à ordem social cotidiana.
Fontes Fidedignas para Estudo
Para compreender em profundidade a Quarta-Feira de Cinzas e seus significados:
A enciclopédia Britannica oferece uma visão concisa e historicamente ancorada da origem cristã e da evolução litúrgica da data.
Conclusão.
A Quarta-Feira de Cinzas é, portanto, uma celebração ritual que sintetiza a memória cultural, a simbolização religiosa e a consciência antropológica da mortalidade humana, funcionando como um ponto de inflexão entre a festa popular e a reflexão espiritual, entre o corpo e o espírito. Ela nos lembra que qualquer jornada de sentido exige reconhecimento de nossas limitações e, ao mesmo tempo, uma busca consciente de transformação.
