Vinho: textos e poesias que celebram sua essência
A garrafa
De vinho
Daquela noite
Do seu aniversário
Com a sobra
E as lembranças
O seu cheiro
Na garrafa
E a saudade
De outra pessoa
As músicas
Da Amy
Com recordações
De outra noite
Com outra mulher
O seu cheiro
No quarto
Com o vinho
Amy
E um coquetel de sentimentos
Um turbilhão
Caos
Olhos cheios de areia
Areia do mar
E Ana
Olhos
Mar
E
Ana
Labirintos
Só experimentaremos a água transformada em vinho se tivermos quem nos ajude a carregar as talhas de pedra.
Promitente como o vinho
ao exalar o saber contido diante seus dizeres;
Entre o âmago do oeste ao coração presente,
ostentam os prantearem,
sem as chuvas, caírem entre nós.
Pra suportar os rigores da vida, é necessário que estejamos sempre embriagados, seja de vinho, arte ou de amor.
MAIS UM VINHO
Quando sento a mesa de um bar em mais um por do sol de boemia, nunca imagino o que vai acontecer naquela noite. Peço meu vinho predileto, começo a observar os mínimos detalhes pareço um fotografo ao invés de escritor só que as imagens que congelo guardo-as em minha mente.
Esqueço dos meus problemas e começo a adentrar no pensamento alheio, vejo aquela menina que senta no banco da praça com seu livro nas mãos dando comida aos pombos, a criança que corre, a mãe que grita, a senhora com seu andar cansado e seu ar flutuante. Diante desses simples acontecimento, retiro da bolsa minha maior arma.
Hoje não veio nenhum conto baseado em um ser imaginário tirado daquelas imagens, o personagem principal se tornou, eu mesmo. Nu e cru! Poucas vezes escrevo sobre mim é estranho me ver em algum tão meu.
Me deixei levar, saiu isso aqui, triste... Nem pareci que sou eu, este ser constante e preso a coisa alguma. Pedi mais uma garrafa de vinho, passei da minha conta, mas quero tomá-la quero me descobrir mais... Acabei confessando alguns segredos que escondia de mim mesmo, essas paginas tão particulares nunca serão publicadas, ao menos que seja sem minha permissão.
Entenda que de nada adianta tratar a base de caviá e vinho importado quem nunca passou por períodos regados a feijão com farinha e água de poço. Essa pessoa, certamente não saberá valorizar o que está sendo oferecido. Traga isso para todos os aspectos de sua vida, e isso inclui o afetivo.
Deixa-me só!
Deixa-me só com meu copo de vinho.
Caminhando nesta rua cinza.
Me larga quieto com a penumbra de minha mente.
Quero entender esta lógica doentia.
Chorar quieto com minha raiva comprimida.
Poder notar a eloqüência nas vozes distantes.
Hoje eu não quero uma palavra de consolo.
Quero apenas desfrutar minhas derrotas.
As mesmas que me trarão risadas no futuro.
Desfrutar deste vento que é pressagio de tempestade.
Desfrutar desta neblina que contem o sol.
Olhar as águas do rio e ver meu rosto turvo.
Quero ficar em silencio para ouvir minha turbulência.
Sentir o gosto de cascalho em minha garganta.
Deixa-me só.
Quieto com o rosto da mulher que amo.
Que, apesar dela não voltar amanha. Isto passa.
Mas hoje minha solidão é tudo que preciso.
Quantas vezes bebeu vinho procurando encontrar conselhos sóbrios, mas não encontrava porque dentro de ti só tinha escuridão.
Amor a luz de velas
Amor secreto a velas acesas
Romances cristalinos de copos de vinho
Um brinde ao cálice do prazer
Pratos de desejos, um sabor da vontade
Escurinho de segredos revelados no ser
Silêncio da melodia em sussurros
Gritos que se calam com prazer
Pétalas de rosas em lençol desforrado
Quatro paredes entre mim e você
Velas ao final de uma jornada
Palavras resumidas num gemer
Tradução de um jantar em malícias
Carícias que não se podiam prever
Mentes entorpecidas pelo vinho
Taças derramadas entre sexos
Deliciando-se do meu eu e você
Jantar ao convite do amor meu e dela
Degustação em forma de orgasmos
Satisfazendo desejos marcados
Pela realização do amor a luz de velas.
