Versos de Silêncio
a rua em silêncio!
a anestesia da dor
que não existe.
a lembrança que não volta
a saudade apertando
coração-solidão.
A mente vazia
Sem poesia
Sem alegria
Sem nada
No silêncio da madrugada
Viaja no passado
Revivendo o que ficou marcado
E a saudade chega causando agitação
Dentro do coração.
Em determinadas ocasiões
A melhor resposta é o silêncio.
Aprender escutar
E toda situação, interpretar.
Em dadas situações
O refúgio de paz é o silêncio.
Na calmaria da solidão
Aceito o silêncio
E escuto minha alma
Que chora copiosamente
Por saudade
Do barulho que você
Causava em meu coração.
Paixão é o grito aflito num silêncio profundo;
Amor é o silêncio aterrador daqueles que jamais emudeceram
No silêncio do fim do dia
Silenciosamente o sol desaparece numa fenda no horizonte
Tento...não consigo... não consigo meu amor confessar
parece que só o silêncio torna possível,
possível exprimir....
só o silêncio consegue esse amor traduzir.
É tão difícil...
Vencer o silêncio?
Não... não é um silêncio pra ser vencido...
O silêncio entre nós é audível,
é todo o nosso dizível....
é visível e todo colorido.
É tão silencioso....
Entre nós tudo,
tudo é tão intensamente silencioso.
Sabe o que é tão difícil?
... a tristeza que o fim do silêncio pode causar,
estou achando mais fácil
suportar um silêncio que não para de falar...
um silêncio que não cala
porque tem medo de ouvir e não suportar.
só pra me alegrar....
Quem sabe?! No silêncio do fim do dia ouço você me dizer que pra sempre irá me amar?
... e todo meu medo dessa escuridão apagar?
Silêncio e Destino
Basta-me um olhar furtivo,
um suspiro, um eco distante,
para que sigas meus passos
e eu te guarde além do instante…
— Mas esse olhar, eu não darei.
Uma sílaba perdida
nos abismos da memória
poderia erguer impérios,
desfazer o tempo e a história…
— Mas essa voz, eu calarei.
Para que me desvendes,
sou neblina sobre o abismo,
sou um traço na alvorada,
sou mistério e exorcismo…
— Máscaras que eu mesmo fiz.
E enquanto não me percebes,
as marés dançam sozinhas,
os relógios perdem as horas,
os ventos rasgam as linhas…
— Até que eu desapareça.
O Silêncio da Noite e o Grito do Universo
A escuridão que cobre o céu noturno nunca me pareceu banal. Sempre vi nela um sinal, um código cósmico a ser decifrado. O paradoxo de Olbers, formulado há séculos, perguntava: se existem infinitas estrelas, por que a noite não é uma explosão de luz? A resposta, que parecia escapar aos antigos, hoje grita diante de nós: a noite é escura porque o universo é jovem, finito e está em expansão.
A luz de muitas estrelas ainda não chegou até nós. Estamos cercados por bilhões de sóis, mas a distância e o tempo nos separam de suas histórias. A radiação cósmica de fundo — o eco do nascimento do cosmos — ainda reverbera, lembrando-nos que houve um início, e que estamos em movimento.
O universo se expande como nossos sonhos: sempre além, sempre além...
🌙 Entre o Silêncio e a Seiva 🌿
No véu da noite, escuto o vento,
como um sussurro vindo da raiz.
A terra pulsa em tom lento,
onde a alma das folhas repousa e diz:
Sou o canto do que cresce em segredo,
sou perfume do que morre em flor.
Sou lágrima de um tempo sem medo,
sou memória do primeiro amor.
No orvalho, vejo espelhos da infância,
nas pétalas, promessas não ditas.
O mundo gira com leve constância,
mas as plantas, ah… são infinitas.
Entre o átomo e o aroma, medito,
cada broto é um verso escondido.
Há um poema em cada grão bendito,
e um Deus em cada caule erguido.
Oh botânica, ciência do sentir,
ensina-me a brotar sem ferir.
Que eu seja flor antes de partir,
e raiz quando não mais existir.
Poema de Um Deus Cansado
Se Deus mora em mim,
às vezes o ouço bater na porta pedindo silêncio.
Cansado das preces vazias,
das promessas que não fizemos,
do amor que juramos sem sentir.
Ser divino é carregar o peso de um céu inventado
pelos que têm medo da liberdade de ser terra.
Quer me calar?
Ô, meu bem, vou te contar:
O gesto do silêncio é o mesmo do beijo.
Pra quê odiar quando se pode amar?
Ignorar, até.
Beijo, falo e silencio também
Entre os três, se puder escolher,
Beijo.
Sempre.
NAPOLEÃO
Psiuuu! O gato repousa...
O silencio é sagrado
Tudo que foi dito pela madrugada
Sobre a inabalável reputação de Lili
Fica esquecido
Toda algazarra no telhado,
O escândalo do bife roubado,
Os arranhões no leão,
Tudo põe-se de lado,
Napoleão dorme,
Provavelmente sonha
com batalhas consagradoras,
Um império grandioso,
Um exército irreparável
Infalíveis estratégias felinas...
NOVA FACE
Houve um tempo que este silêncio me incomodava,
O passado desfilava belo e elegante,
Diante de sintomas, que desfaleciam o meu presente,
Pensei que isso era ficar velho;
Pensei que este era o pensamento de quem envelhece.
Olho a lua tranqüila, entre nuvens que passam...
O silêncio hoje é meu aliado;
A noite tem segredos inconfessáveis
E o silencio conspira de uma forma misteriosa
Para esse momento lúdico e profícuo
Houve um tempo que, o silêncio gania como uma alcatéia
E eu me encolhia num momento qualquer da infância,
A procura do Batman e do Robin, para um tipo qualquer de defesa...
hoje o silêncio chega vertiginoso,
E eu me equilibro a mil metros de altura,
Numa espécie de slack line emocional,
Há um eclipse meu, comigo mesmo
Onde surge uma nova face,
calma e insensata, cúmplice de todos os silêncios...
Cecilia
Nesse oceano veleja a poesia
O mistério das palavras
O silencio da solidão,
Vagas imensas,
Imensidão...
Arquipélago em mim,
Ilha na sua solidão
A NOITE PASSA
O chato é que a noite passa
e o sorriso vira eco num silencio sem graça...
o chato que a noite passa
e a ausência se faz presente
e o presente se ressente
e a bebida traz a ressaca
um gosto amargo de um ontem doce
o chato é que a noite passa
e a praça fica deserta
e o fato vira lembrança
e a lembrança traz a saudade
e a tristeza se faz de fato
o chato é que a noite passa
a música cessa e a dança acaba
e a festa termina e o silencio pesa
como crimes na madrugada
o chato é que a noite passa
e a bebida pega e a gente se embriaga
e vem a despedida e vai a namorada
o chato é que a noite passa
e o sorriso vira eco num silencio sem graça...
ESCOMBROS
De qualquer murmuro
eu faço um poema,
De qualquer silêncio
Eu faço um sussurro,
Nenhuma dúvida
Me deixa em cima do muro
E se tudo for quebrado
Nem tudo será escombros,
Carregarei sobre os ombros
O que restar do meu mundo;
Agora me escuta silenciar,
Me ver sumir,
Aquece o que eu tiver de sol
Porque nada é mais solitário do que ser sol
E a solidão é fria.
De qualquer mentira eu faço um poema
E a mentira sempre me deseja felicidade
Antes de me dar seu beijo de boa noite...
Pelos contos que eu não conto
Dá um desconto ao meu silencio
Não conto dos versos tristes
Não conto da estrela cadente,
Dos girassóis reluzentes
Que reluzem nos meus contos,
Não conto do meu silencio
Pois assim não o seria,
Não conto da minha alegria,
Que não valem nem um conto,
Pelos contos que eu não conto,
Conto pelos e apelos
Só não conto meus segredos
Pelos contos que eu não conto
PROCISSÃO
Quando eu não tiver nada ainda terei as palavras
Terei o silencio e a virtude de saber não possuir
E as minhas palavras dar-se-ão as mãos
Numa ciranda a cantar poemas a edificar a solidão
E a minha solidão povoa,
Pavão, pavoa, encantos, penas e cantos
Leitos, lagoas, embarcação, canoas
Uma procissão, uma novena,
Meu verso vai de Tóquio a Cartagena
Porque minhalma não é pequena,
Minha estrofe é forte e minha verdade serena
E o meu silencio não dói; não dói quando passa a tarde
Quando passa o rio, quando passa o vento,
O meu silencio só dói quando passa o sentimento
O SUSSURRAR DA BRISA
O silencio é tranquilizante
E conduz a tarde com o sussurrar da brisa
Não chove meteoros, não há nada apocalíptico
Mas a ansiedade ocupa a tua ausência ;
Um dia o mundo será mais belo
Que a beleza propriamente dita;
Mas tua presença é mais serena que as acácias
E propõe mais cores que a primavera,
Se eu pudesse entender esses tons
E os sons dos teus passos ao compasso do meu coração...
Plutão morrerá de frio com a tua ausência
Mas o que será de mim?
O SILENCIO
O silencio se impõe
Quando as palavras pensam que foram sucintas
E os sentimentos que fonemas não traduzem,
O silencio conserva...
Os poemas das dores dormem durante os olhares
Que buscam uma explicação para a emoção
Que as palavras não conseguem explicar,
O silencio conserva essa emoção silenciosamente;
Esse poema de vagalumes, grilos e brisas só a alma percebe;
Os montes se erguem majestosos para colherem ocasos
E o silencio está ali divino e materializado...
É este poema que inspira a todos os poetas: o silêncio.
