Versos de Interesse para uma Mulher

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Neste país, refletir profundamente sobre a existência não é necessariamente uma escolha, mas uma condição humana que se divide entre o privilégio de alguns e a renúncia de outros.

Poucos podem se permitir tal experiência.
Alguns porque nasceram com acesso. Outros porque abriram mão de quase tudo para preservar a consciência de si.

E no meio disso tudo, há uma realidade silenciosa: muitos deixam de viver sem sequer saber que um dia existiram.

Os Tic-taques de nossos relógios, apenas acrescentaram uma fúnebre trilha sonora às nossas idas.
Sildácio Matos

⁠E eu,
o que farei com o tempo?
além do viver
o que mais terei?

Estamos sob
uma pena fina,
dou-lhe,
graças pelo receio

É o medo dos iguais,
que divide
o meu pensar

A tarde
é leve
O sol
é uma
Folha
De papel

Ao fim de tarde,
uma árvore, um sol sobre as casas
uma esperança do amanhã

O sol se pôs atrás dos prédios
Passou uma moça com tristeza nos olhos
Será que é o medo do futuro?
Ou será que é a esperança do presente?

O chão surgiu como uma necessidade!
Uma maneira invisível
de enxergar a humildade.
Pisar descanso no brilho do chão
e perguntar à estrada:
Onde é o fim do mundo?

— Eis o nutriente
para uma alma saudável
Pão e palavra!
Oração e trabalho.
Eis o teu caminho de eternidade.

Quantos recomeços cabem em uma vida?
E quantas vidas cabem num recomeço?

Sentimento que ninguém vê


Uma fase idiota que estou a Passar, não pense que me Ganhou.
Não estou apaixonada.


Não! não estou.
Então não se esqueça, você não Me Ganhou!


Sinto-me formigar, tremer, um Frio na barriga, sinto-me cheiro De café me esquentar pela Manhã.
Talvez ainda sinta algo por você.


Turbulenta mente, assim como Ondas, me deixam confusa sobre O que eu deveria dizer.
Isso não significa que eu ainda a Ame.


Escrava desta paixão, até penso Em lhe cantar belas canções, Porém sem saber quais versos Dedicar a ti.


Quando perguntam a mim sobre Ti, minto, eu lhes digo que Não me ganhaste.


Minto, digo que não sou mais a Escrava dessa nossa paixão.
Sinto-me em negação!

Minha Mãe, Mainha

Minha Mãe ou, de uma maneira bem nordestina, Mainha; mistura de adulta com criança, a precisão da responsabilidade com a ingenuidade da visão lúdica.

Um riso frouxo resiliente, passando por desafios e lutas; uma guerreira motivada por um amor que não pode ser explicado, que tem estado presente de várias formas.

Bem-humorada, muito teimosa, emotiva, bastante amorosa, uma força sem medida — o cuidado de Deus, certamente, na sua expressão física e majestosa.

Uma pessoa sem amigos!

É o mesmo olhar, que uma casa sem jardim
É o mesmo olhar, que um mar sem peixes
É o mesmo olhar, que um céu sem estrelas
É o mesmo olhar, que uma árvore sem frutos
É o mesmo olhar, que um filho sem mãe
É o mesmo olhar, que um domingo sem sol
É o mesmo olhar, que um mundo sem poesia
É o mesmo olhar, que Adão sem Eva.

Por muitos dias
Para uma pessoa
Você pode ser sol.
Mas se por um momento
No mundo dela
Você vier a virar lua.
Tua vida estará acabada!

Colocar uma cerca em um terreno baldio é estabelecer limites para um lugar onde antes havia livre acesso.

Obs.: Não estou falando de terreno!

A palavra “não” afastará muitas pessoas que estavam acostumadas a ter livre acesso à sua vida.

Riacho dos Choros


Nesta quinta-feira vazia, sinto-me uma criança sozinha, sentada à beira das margens do riacho, no Sítio São Sebastião, chorando ao som dos passarinhos que dançam uma triste canção.
Uma criança sozinha, sentada na varanda do Sítio São Sebastião, que chora isolada escutando as brigas dos seus heróis, que gritam sem parar, sem descansar, sem terminar, sem adiar, sem repousar.
Eu sou a criança sozinha à luz do luar, deitada na grama no Sítio São Sebastião, esperando a briga parar. Eu sou aquela menina sob a luz das estrelas que desejava chorar, sem queixar, sem clamar.


Autora: Priscila da Silva Oliveira Orphanides.

Face da existência


Cada rosto esconde uma história,
suas experiências de vida,
sua realidade, que é a sua verdade.
Rostos que sorriem,
mas que já se molharam em lágrimas;
rostos sisudos,
mas que já foram suaves;
rostos focados,
mas que já foram dispersos.
Rostos marcados por causas,
circunstâncias e pelo tempo.
Rostos experimentados.
Rostos humanos!

“Há uma parte de mim que ninguém conhece, porque ela vive escondida nas lembranças que eu não tive coragem de contar para o mundo — nem para mim mesmo.”
— Anderson Del Duque

" O Riso que Era Canção."

Nas memórias da infância, o seu riso era uma canção,
Com você, meu irmão Márcio, tudo era sempre bom.

Guardo a sua triste partida para Londrina com afeto,
A cor da mochila, o adeus, um vazio no peito.

O tempo passou, mas o amor de criança ficou,
no inconsciente guardado, a saudade não apagou.

Obrigada pelas melhores lembranças de infância,
Que ficará para sempre em minhas memórias.

Parabéns, Márcio! Que a vida te dê o melhor:
Saúde, alegria e amor, num laço de luz e de cor.
Hoje e sempre.

⁠EU ERA A PEDRA


"Tinha uma pedra no meio do caminho"
Essa pedra era fruto do espinho
Do vinho que bebi sozinho
Das lágrimas que chorei baixinho
Quando estava perdida no redemoinho


"No meio do caminho tinha uma pedra"
Que originou-se da espera
De um sentimento que um dia era
E principalmente do coração que acelera
Quando se depara com a fera


"Tinha uma pedra no meio do caminho"
Que por ser mesquinho
Desejei me sentir certinho
E fui pra casa rapidinho
A PEDRA CONTINOU NO CAMINHO

O bom caminhar
Nessa vida
Requer
Uma alma preparada.
Distante do ódio
Que sempre nos espreita
a jornada⁠.