Versos de Fernando Pessoa
Pensar incomoda como andar à chuva.
Nota: Trecho do poema O guardador de rebanhos, de Fernando Pessoa.
...MaisO homem é um cadáver adiado!
Nota: Trecho adaptado do poema Quinta: D. Sebastião, Rei de Portugal.
...MaisNinguém compreende o outro. Somos, como disse o poeta, ilhas no mar da vida; corre entre nós o mar que nos define e separa. Por mais que uma alma se esforce por saber o que é outra alma, não saberá senão o que lhe diga uma palavra – sombra disforme no chão do seu entendimento.
Os meus sonhos são um refúgio estúpido, como um guarda chuva contra um raio. Sou tão inerte, tão pobrezinho, tão falho de gestos e atos. Por mais que por mim me embrenhe, todos os atalhos do meu sonho vão dar a clareiras de angústia.
Pedi tão pouco à vida e esse mesmo pouco a vida me negou.
Sou pelo combate, sempre e em toda parte, dos três assassinos: a ignorância, o fanatismo e a tirania.
Querer entender o que o outro sente é discordar dele,sentir o que o outro sente,é ser o outro...E ser o outro é de grande importância metafísica .
[...] não me recordo de nenhum livro que tenha lido, a tal ponto eram minhas leituras estados de minha própria mente [...].
Pode alguma coisa ser mais imunda, mais suja do que um porco? Se estivermos a falar de coisas externas, não.
Não haja medo que a sociedade se desmorone sob um excesso de altruísmo. Não há perigo desse excesso.
O misticismo é apenas a forma mais complexa de se ser efeminado e decadente. O único lado útil da inutilidade.
Isto está tudo decadente: já nem decadentes há.
O maior erro que os homens podem cometer é tentarem saltar por cima da gradualidade e da evolução da natureza e realizar hoje aquilo que a natureza previu para amanhã.
O que há de bom ou mau em qualquer crença, qualquer, é o modo como se crê. O bem ou o mal estão no psiquismo do crente, não na crença.
Os espíritos altamente analíticos vêem quase que só defeitos: quanto mais forte a lente mais imperfeita se mostra a cousa observada. O detalhe é sempre mau.
