Poemas de reflexão curtos que dizem muito em poucos versos
Mordida de Cobras
estou cansada
desse buraco
de cobras
Porque a cada mordida
não sou eu mesma,
fico confusa
não consigo subir
Eu serei
salva,
não sei
Vou morre, talvez
não vejo mais a luz
se ainda houve,
luz
se ainda houve, salvação
desse buraco de cobras.
Linhas Paralelas
Nunca fomos um
Mas nunca fomos dois,
Nunca estivemos juntos
Mas nunca nos separamos.
S
Solo o sentimento sóbrio.
Solto sobe solitário.
Sabe, não existe sedimentos.
Se sozinho sempre sigo,
são fatos consentidos.
Sem pressa, estou saindo.
Sim você, me trás sentido!
É tempo de agradecer...
Tire um tempo sem hora,
acorde e sinta o seu tempo,
o tempo que traz presente,
uma luz que não se vê
apenas se senti.
O melhor tempo de se viver!
Então desfrute este tempo,
o tempo que se vive intensamente,
e entenda que a todo tempo,
se pode agradecer.
O tempo sem gratidão,
não compõe poema,
nem história que se queira ler!
"[...] Pra quem de muito, entende um pouco
E de nada, entende coisa alguma
Até que esta vida oportuna
De vez em quando
Entre o riso e o pranto
Te faz suspirar"
(Homem do mar, p. 62)
Olha a sorte que eu tive
Tanta gente sem sentimento
Um mundo tão turbulento
E você apareceu
Veja que sorte, menina
Ou talvez se chame de sina
Tu chegou florindo um deserto
Que antes só tinha eu
Agora, tendo você comigo
Me sinto mais protegido
Sem medo dessa gente ou do mundo
Guardado nos olhos teus
"Decepção tem nome e sobrenome
É ausência do que não foi vivido
Visto, sentido, ouvido, tocado...
Recitado, lambido ou acariciado.
Enfim...
É lembrança ruim do que não se teve
E, no campo da eternidade,
Nunca mais retornará"
(Homem do mar, p. 55)
SÃO JOÃO
É noite de São João,
no pátio tem atração,
simbora forrozar/
Tem quadrilha à noite inteira,
o povo acende a fogueira,
come milho e munguzá/
Gibão e mandacaru,
Petrolina e Caruaru,
eu tenho que visitar/
Muito amor no coração,
essa é minha região,
o Nordeste é meu lugar.
Para a grama verde lá fora
Virei cenário
Agora é ela que me observa
Presa aqui, na moldura da janela
É que a gente temos que entender
Que todos nós também representa
O palhaço
Já da pra ver no rosto, o sorriso
Estampado, sorrindo especificamente
Por fora e as lágrimas escorrendo
Por dentro.
Te vi na vitrine ao cruzar a rua
A beleza de tal me fez querer ser tua
Me dei conta que o lugar era errado
Vitrine certa, saldo findado
Insensatez cruzar tal rua
Insensatez querer rimar com ser tua
Cada um com seu sofrimento, só que
De uma forma diferente, só quem sente
Sabe, só quem sabe sente, ninguém é mais
Inocente.
O mundo tá cheio de covardia, te apunhalam
Pelas costas e ainda com ironia, tudo começa
Quando se fecha as cortinas.
Ninguém confia mais em ninguém, nem mesmo na
Própria sombra
Nem o espelho tá mais servindo, quando fui me olhar
Até me assustei com meu semblante destruído, geral
Corrompido, o amor tá frio, eu também já enfriei.
No calor do ódio e da intolerância, todo mundo quer
Ser rei, me desculpe se eu errei, é que eu já não sei
Mais pra onde eu vou, aonde vou parar, será que da pra
Raciocinar?
O que é certo ficou errado, e o que é errado ficou certo
Meu papo é reto, nem sei mais quem sou, às vezes me sinto que
Estou em um deserto querendo desabafar com tanto glamour .
Muitos rir pra não chorar, diz que tá tudo bem, más eu sei que
No fundo não tá, é só pra agradar né? esse filme eu já conheço
Porque temos sempre algo em comum, isso ai eu já desmereço.
Choramos todos os dias, mesmo sentindo alegria, a tristeza sempre
Tá perto, vejo agonia, não da pra entender, só quem não quer ver, aonde
O bem tá, o mal também tá próximo, é tóxico pra quem tá de plantão, mas
Também vejo muitos pregando o amor e outros religião.
Ai vem me falar, o que é que tem haver? é preciso dizer? que ninguém se importa
Com você, só você pode e tem a chave secreta, na calada na madruga o coração
Acelera à mil por hora, porque a gente chora? em silêncio, dia após dia, querendo
Colocar pra fora toda essa patifaria.
