Poemas curtos de Clarice Lispector
Me incomoda um trabalho parado; é como se me impedisse de ir adiante.
Nota: Trecho de carta para Lúcio Cardoso, escrita em setembro de 1944.
...MaisEu queria fazer uma história cheia de todos os instantes, mas isso sufocava o próprio personagem. Acho mesmo que meu mal é querer ter todos os instantes.
Nota: Trecho de carta para Lúcio Cardoso, escrita em novembro de 1944.
...MaisEstou tão burrinha hoje, quanto mais eu escrever mais bobagens digo.
Nota: Trecho de carta para Lúcio Cardoso, escrita em 7 de fevereiro de 1945.
...MaisResolvi não falar hoje em saudade, nem dar a entender “saudade” por carinhos... Senão me derramaria demais e perderia o equilíbrio que é tão necessário pelo menos para se dormir de noite.
Nota: Trecho de carta para Elisa Lispector e Tania Kaufmann, escrita em 9 de maio de 1945.
...MaisTudo o que eu tenho é a nostalgia que vem de uma vida errada, de um temperamento excessivamente sensível, de talvez uma vocação errada ou forçada etc.
Nota: Trecho de carta para Tania Kaufmann, escrita em 1 de setembro de 1945.
...MaisMeus problemas são os de uma pessoa de alma doente e não podem ser compreendidos por pessoas, graças a Deus, sãs.
Nota: Trecho de carta para Tania Kaufmann, escrita em 1 de setembro de 1945.
...MaisÀs três horas da tarde sou a mulher mais exigente do mundo. Fico às vezes reduzida ao essencial, quer dizer, só meu coração bate.
Nota: Trecho de carta para Fernando Sabino, escrita em 19 de junho de 1946.
...MaisNão se pode fazer arte só porque se tem um temperamento infeliz e doidinho.
Nota: Trecho de carta para Fernando Sabino, escrita em 19 de junho de 1946.
...MaisPensei que só não deixava de escrever porque trabalhar é a minha verdadeira moralidade.
Nota: Trecho de carta para Fernando Sabino, escrita em 19 de junho de 1946.
...MaisO problema para quem escreve é antes de tudo um problema literário – mas pergunto-lhe agora: é ainda um problema literário a falta de pés no chão ou é anterior a ele?
Nota: Trecho de carta para Fernando Sabino, escrita em 13 de outubro de 1946.
...MaisDepois que uma pessoa perder o respeito de si mesma e o respeito de suas próprias necessidades – depois disso fica-se um pouco um trapo.
Nota: Trecho de carta para Tania Kaufmann, escrita em 6 de janeiro de 1948.
...MaisHá certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo.
Nota: Trecho de carta para Tania Kaufmann, escrita em 6 de janeiro de 1948.
...MaisFora as vezes que vi por televisão, só assisti a um jogo de futebol na vida, quero dizer, de corpo presente. Sinto que isso é tão errado como se eu fosse uma brasileira errada.
Nota: Trecho da crônica Armando Nogueira, futebol e eu, coitada.
...MaisO futebol tem uma beleza própria de movimentos que não precisa de comparações.
Nota: Trecho da crônica Armando Nogueira, futebol e eu, coitada.
...MaisEu não queria só ter um passado: queria sempre estar tendo um presente, e alguma partezinha de futuro.
Nota: Trecho da crônica Armando Nogueira, futebol e eu, coitada.
...MaisSe seu time é Botafogo, não posso perdoar que você trocasse, mesmo por brincadeira, uma vitória dele nem por um meu romance inteiro sobre futebol.
Nota: Trecho da crônica Armando Nogueira, futebol e eu, coitada.
...MaisUma pergunta que me fez: o que mais me importava – se a maternidade ou a literatura. O modo imediato de saber a resposta foi eu me perguntar: se tivesse que escolher uma delas, que escolheria? A resposta era simples: eu desistiria da literatura. Nem tem dúvida que como mãe sou mais importante do que como escritora.
Nota: Trecho da crônica A entrevista alegre.
...MaisNão é o grau que separa a inteligência do gênio, mas a qualidade.
Sei que sou inteligente e que às vezes escondo isso para não ofender os outros com minha inteligência.
Nota: Trecho do conto A partida do trem.
...MaisDetesto que esperem por mim. Não é por delicadeza ou por medo de desapontar. É que alguém esperando por mim é um medo de não se estar só.
