Versos de Clarice Lispector
Uma verdade óbvia é esta: enquanto você lamenta o passado, o presente lhe foge das mãos.
Nota: Trecho da crônica Erros do passado.
...MaisNão há outro modo de viver senão o de errar e corrigir-se, e depois errar de novo e corrigir-se de novo. O que não chega a ser trágico: trata-se do jogo da vida, e todos nós jogamos o mesmo jogo.
Nota: Trecho da crônica Erros do passado.
...MaisMães e filhos se cansam mutuamente: vigiar e ser vigiado é relação que fatiga um pouco os nervos...
Nota: Trecho da crônica A medida das coisas.
...MaisPrecisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la.
A incomunicabilidade de si para si mesmo é o grande vórtice do nada. Se eu não acho um modo de falar a mim mesmo a palavra me sufoca a garganta atravessando-a como uma pedra não deglutida. Eu quero ter acesso a mim mesmo na hora em que eu quiser como quem abre as portas e entra. Não quero ser vítima do acaso libertador. Quero eu mesmo ter a chave do mundo e transpô-lo como quem se transpõe da vida para a morte e da morte para a vida.
Vida é o desejo de continuar vivendo e viva é aquela coisa que vai morrer. A vida serve é para se morrer dela.
É em mim que tenho de criar esse alguém que entenderá.
Eu queria uma liberdade olímpica. Mas essa liberdade só é concedida aos seres imateriais. Enquanto eu tiver corpo ele me submeterá às suas exigências. Vejo a liberdade como uma forma de beleza e essa beleza me falta.
A esperança era o meu pecado maior.
Nota: Trecho do conto Os desastres de Sofia.
...MaisSentimentos são água de um instante.
Nota: Trecho do conto A legião estrangeira.
...MaisA tímida e voraz curiosidade pela alegria.
Nota: Trecho da crônica O passeio da família.
...MaisDe algum modo já aprendera que cada dia nunca era comum, era sempre extraordinário. E que a ela cabia sofrer o dia ou ter prazer nele.
Um nome para o que eu sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser.
Nota: Trecho da crônica O que eu queria ter sido.
...MaisEsta noite – é difícil te explicar – esta noite sonhei que estava sonhando. Será que depois da morte é assim? O sonho de um sonho de um sonho?
Mau é não viver, só isso. Morrer já é outra coisa. Morrer é diferente do bom e do mau.
