Versos de Clarice Lispector
Não se pode dar uma prova da existência do que é mais verdadeiro, o jeito é acreditar. Acreditar chorando.
Como vale a pena! A menor tentativa vale a pena.
Nota: Trecho de carta para Fernando Sabino, escrita em 11 de dezembro de 1956.
...MaisMinha liberdade então se intensificou um pouco mais, sem deixar de ser liberdade.
Se fosse dado às fêmeas cantar, ela não cantaria mas ficaria muito mais contente.
Tinha vontade de fazer um embrulho de mim, com papel de seda, lacinho de fita, e mandá-lo pra você. Aceita?
Nota: Trecho de carta para Maury Gurgel Valente, escrita em 6 de janeiro de 1942.
...MaisQuando a gente se revela, os outros começam a nos desconhecer.
Ela nascera com maus antecedentes e agora parecia uma filha de um não-sei-o-quê com ar de se desculpar por ocupar espaço.
Não esquecer que a estrutura do átomo não é vista mas sabe-se dela. Sei de muita coisa que não vi. E vós também. Não se pode dar uma prova da existência do que é mais verdadeiro, o jeito é acreditar. Acreditar chorando.
Estava quieta, grande, despenteada, limpa. Fora feliz inutilmente.
A experiência vale a pena.
O que tem me perturbado intimamente é que as coisas do mundo chegaram para mim a um certo ponto em que eu tenho que saber como encará-las, quero dizer, a situação de guerra, a situação das pessoas, essas tragédias. Sempre encarei com revolta. Mas ao mesmo tempo que sinto necessidade de fazer alguma coisa, sinto que não tenho meios. Você diria que eu tenho, através do meu trabalho. Eu tenho pensado muito nisso e não vejo caminho, quer dizer, um caminho verdadeiro.
Nota: Trecho de carta para Tania Kaufmann, de 8 de maio de 1946.
...MaisPorque eu me imaginava mais forte.
Eu escrevo para nada e para ninguém. Se alguém me ler será por conta própria e auto-risco.
Eu sou um bocado sensível demais.
Nota: Trecho de carta para Mafalda Verissimo, escrita em 7 de novembro de 1976.
...MaisNunca houve – em todo o passado do mundo – alguém que fosse como ela. E depois, em três trilhões de trilhões de ano – não haveria uma moça exatamente como ela.
Nota: Trecho do conto A bela e a fera ou A ferida grande demais.
...MaisIr para o sono se parece tanto com o modo como agora tenho de ir para a minha liberdade. Entregar-me ao que não entendo será pôr-me à beira do nada.
(...) mas agora, por desprezo pela palavra, talvez enfim eu possa começar a falar.
