Vento
Meu vício
Não jogo fumaça ao vento
Não vivo cagando regras
Não jogo farinha pra dentro
Mas uma cervejinha me pega
Nos murmúrios do vento, domino o silêncio,
Ecoa a brisa da saudade no meu peito. Trago comigo das eras a missão do poema, a urgência grávida de erguer pirâmides no teu ventre.
Anseio salivar a tua doce presença,
Entre ruínas de versos e desejos insatisfeitos.
Ninguém me ensinou a ser tolo, a girar como uma roda de um moinho, mas espreito pelas costuras da vida, à procura dos peixes, dos arco-íris que brilham nas tuas pálpebras, como uma criança abandonada.
Tenho asas e não voo, guelras e só respiro por meio das palavras, dos verbos.
Nos teus peitos cravei estacas para marcar os campos da fome, os limites das baías tristes dos teus cabelos, onde naufrago como um cacto no deserto.
E nas falésias, uno-me às marés e aos ventos, como as antigas caravelas extintas do meu país.
Nem sereias, nem canções, nem moradas, nem lamentações.
Ser poeta é definhar a cada dia, envenenado como um gato vadio que se espuma pelas ondas.
Quem nunca...
Ele me olha como se fossemos estranhos se você esqueceu , eu não,ainda lembro até do vento que passava quando você me tocava, a cada segundo prevalece na minha cabeça.
Demônio da frieza ...
Procure ser leve, tão leve quanto a semente que na coreografia do vento é levada para além do próprio tempo para florir em outros espaços.
Rosa ao Vento -
Há uma ansiedade efémera que te habita,
um vazio estranho e proibido,
uma voz, uma ausência, alguém que grita:
saudade, amor - silêncio! - É perigo!
Ansiedade que te consome sem razão,
sombra triste que te fala sem palavras ...
Por quem bate o teu cansado coração,
rosa branca, ao vento, triste, desfolhada?!
Que o destino assim te fez!
Solidão, não é, por certo,
é distancia, amor, talvez ...
Esperar alguém é dor cansada,
amar alguém, recorda, só de perto,
rosa branca, ao vento, triste, desfolhada ...
Senti no rosto o frescor do fim do dia
Através de um vento lento e leve do começo da noite.
Retratava-me em memórias, no calor do dia
Um desejo inalcançável na espera da morte
Mas não sei se alcancei o inicio ou o fim da linha
Só sei que agora, somente agora
Sinto a vida nas minhas narinas.
Toques
Agora, eu queria dizer que TE AMO apenas
num toque leve como os sussurros do vento
trazendo surpresa de palavras inesperadas
que chegam mansamente mas a gente sente
sabendo ser um recado enviado pelo outro.
Como sei ?!
É quando nós sabemos ler os silêncios
de quem amamos...
As emoções deixadas livres, soltas aí pelo ar.
Nelas, sentimos-nos abraçados pelo amor.
Nós, amamos nos AMAR.
Somos toques, cheiros, versos e rimas.
Somos a poesia um do outro.
A verdade é como o vento a chocar num castelo; a inverdade é um castelo de vento, que chega a todo o lugar.
A areia escorre as confidências do mar, deambula no clarão da lua, esconde o rosto no vento e em seguida desagua no Deserto.
Calafetado Poema
Os cílios cerrados do agudo penhasco
derramam lágrimas de vento e granizo
no terreno arborizado dos cinco sentidos
antes do combate entre a fecunda existência
e a íntima e persistente irrealidade.
O declive inalterável das horas abana os dias
onde os vagos versos caídos no calafetado poema
não dizem uma sílaba: escorrem as dores mudas do Amor.
No leito fundo do meu coração de carne
Navega, à bolina, a intrépida canção da sereia.
Quando as tuas mãos tocam nas minhas mãos, o mar fica calmo, os rios soletram primaveras, o vento sopra melodias estivais e o Universo diz que os nossos corações são a melhor versão do Amor.
