Vento
Ondulante
O vento que nos permeia
Balança as águas
Ondula as areias.
Desafiante entra pelas janelas
Sacode as cortinas
Bate nas telhas.
Apaga-me a voz
Grita-me zunindo levemente
Esvoaça grisalho a cabeleira.
Vá ser feliz,
Por favor, vá-se embora
Vai ventar lá fora.
Tantas flores,
Tantas dores,
amores que se vão ao vento,
São como a aguá ,
tão bela, cheia de vida,
não tem gosto, mas gosto e necessito,
não a homem que viva sem ela,
em sua falta desespera,
busca toca-la, mas se vai dentre os dedos,
não toque a, beije a, beba a,
o corpo necessita de aguá,
o coração de amor,
tantas dores.
O Sudoeste e a Casuarina
Entre a fuga do vento Nordeste e o primeiro sopro frio do Sudoeste, há um instante vazio e ansioso: as cigarras calam, se eriçam as águas da lagoa e as casuarinas, que se balançavam indolentes, imobilizam-se na rigidez morta e reta dos ciprestes. Os urubus debandam das palmeiras, os pescadores recolhem as velas, e daqui da varanda vejo os lagartos procurarem medrosos os seus esconderijos. “É o sudoeste”, penso, e logo ele chega carpindo penas e desgraças que não são suas.
“Estou vindo do mar alto, trago histórias”, diz ele com a sua voz agourenta. Ao que responde, enfastiada, a Casuarina:
“Detesto as tuas histórias”.
Também eu, porque sei o que significa pra mim o pranto desatado e frio. Logo esta varanda, que o Nordeste amornara para o meu sono, estará tomada por tudo o que o vento ruim traz consigo: a baba do oceano doente, a escuma amarela e pútrida, o calhau sangrento, o grito derradeiro dos náufragos, os olhos esbugalhados das crianças afogadas que não entenderam o último instante, o hálito pesado do marinheiro que morreu bêbado e blasfemo, o lamento do grumete que o mastaréu partido matou e atirou ao mar.
Assim são as histórias do Sudoeste. Ouvindo-as (e tenho de ouvi-las, como se elas viessem de dentro de mim, como se por dentro eu tivesse mil frinchas por entre as quais o Sudoeste passa e geme) ressuscito os meus mortos e minhas tristezas e a eles incorporo a amargura dos incertos e a angústia sobressaltada dos que têm medo – tão minhas agora. E vejo, destacada na escuridão como uma medusa no mar, a mão lívida do meu pai morto, imobilizada no gesto, talvez amigo, que não chegou a ser feito; e os pequenos dentes do meu irmão Francisco, que morreu sorrindo; e escuto, nos soluços do vento, aquele terrível convulso regougar de Maria que a morte levou num mar de sangue e vômito; e tremo e me apavoro, não por receio de não ter enterrado para sempre meus mortos, mas por medo de tê-los enterrado antes de ter pago tudo o que lhes devia.
Poeiras ao vento...
Quando os olhos do tempo cerrarem a minha existência, nada lamentarei. Vivi todos os tormentos das minhas indecisões. As dores e os prazeres de ser o que se é. Se falei o que não era necessário, também ouvi muitas injustiças. Não quero nem guardo para amanhã qualquer desejo. Até os meus sonhos são os de agora. Já não há mais motivos para postergar os meus desejos. Da vida só quis o amor... E no amor construí o meu breve existir.
Em busca por ti andei e andei, em nada encontrei, um triste vento solene em mim se fez repouso e tudo aquilo que era busca se transforma em angústia, por mais que o tempo passe no tempo repassa meus pensamentos em ti, na noite do nosso encontro se transformando em encanto secreto eu me perdi, perdida de amor nesse espaço de tempo nem esse tal sujeito será capaz de me fazer esquecer você; dose de lembranças me fez novamente amar você
Chegou como o vento e sem bater, adentrou e fez morada...no meu peito, na minha cama! Colou no meu corpo... calado, não pediu licença, não esperou respostas ! E eu, sem defesa cair no teu jogo, joguei tua trama !
06/05/2017
A musica me move,
O vento nos cabelos me fortalece,
Para sermos humanos temos que ser irracionais,
Para vivermos felizes só basta um pequeno momento em cada noite de luar,
Um pequeno momento...
Desejos ao vento
Inconscientemente, o meu eu
Conscientemente te abraça
Mesmo que com com braços
E toques, que não te trazem
Para perto de mim;
Permanentemente, minh'alma voa
Para lugares, onde o Ser,
Pode não apenas ser,
Mas tudo o que quiser, sentir
Flutuar, imaginar, desfrutar, viver;
Como a noite amanhecendo ao entardecer,
Como a madrugada anoitecendo ao amanhecer,
Como inúmeros desejos lançados ao vento do destino;
Meu único, é acordar e avistar ao lado, meu sonho.
Ando só, mas sou pó, vou sem vento, não tenho tempo, o mundo segue, me persegue, mas eu luto, sem luto, a vida é dura, mas aturo, a dor é triste, mas sigo firme, em riste, porque também sou alma, inquieta, esperta, e espio a eternidade por uma fresta.
Vi um pássaro
Tinha mel
Vi as águas
Tinha flores
Vi o vento
Tinha estrelas
Senti a lua
Vi o mar
Tinha rosas
Vi os sonhos
Ouvi teus olhos...
Dancei !
11/05/2017
Atrás da porta
O vento tocou-me suavemente
E disse-me sem pestanejar
Sou moldável conforme convier
E me transformo em que você quiser.
Posso ser o abraço que conforta
O sorriso que ilumina o olhar
A surpresa aguardando atrás da porta
A espera desejada que veio para ficar.
Posso ser a ternura a te envolver
O entardecer de um dia de calor
Posso ser o caminho a percorrer
Ou um lindo hino de louvor.
Posso ser um sonho de amor
Não duvides de mim.
Só não me peças para ser a dor
Não foi para isso que vim
►Logo Pela Manhã
Logo pela manhã, eu escuto as flores acordando
O vento se esgueirando, procurando aberturas
O Sol ainda está se alongando, se preparando para um novo dia
Eu falei das flores? Ah, são tão lindas
E as nuvens? Tão limpas, branquinhas, não vejo nenhuma cinza
Algumas das estrelas da noite ainda podem ser vistas,
Ainda há outras, maiores, a procura de suas filhas
Logo pela manhã, eu escuto o nascer de uma nova sinfonia
Ah que maravilha, quanta maestria.
E começa a caminhada do vento,
Que friamente passa acompanhado pelo tempo,
Que, ao abrir das janelas, nos provoca aquele arrepio
Não me lembrava que ele era tão frio
Sem falar dos bocejos contínuos,
Que nos fazem assumir a forma de leões, rugindo
Não esquecendo do bom dia aos vizinhos,
E também a orquestra de latidos matutinos,
Dando início a rotina canina.
Um café da manhã reforçado,
Para prevenir a fome em um dia agitado
Desejar um bom dia para quem estiver ao lado
E logo ao nascer do Sol, já queremos a vinda da noite
Mesmo acabando de acordar, nossos corpos não querem levantar
Talvez eles devem pensar,
"Calma aí, vamos ficar mais um pouquinho aqui"
Algumas vezes é até triste levantar, mas tempos que avançar
O tempo não nos concederá descanso.
Vamos então começar tomando o café
Usando o adoçante, ou uma colher para misturar o açúcar
E aquele vaporzinho que sai do copo?
Dá água na boca? Eu concordo
Há quem gosta de comer pão com manteiga,
Ou pão com queijo
Afinal, cada um tem o seu "menu perfeito".
Ah, olha lá o céu, vejam como ele está
Ele mal acordou, mas já está começando a clarear
Talvez as seis ele já esteja totalmente azul,
Acompanhado pela luz,
Tão belo, que me seduz.
E quando olho para o céu vejo borboletas, mas não vejo mais as estrelas,
Elas se foram, então vejo outras belezas
A natureza não dorme, ela me envolve
Sou apenas sua presa, disso tenho plena certeza,
E não possuo defesa que a detenha, não consigo resistir,
Então quando acordo, eu fico ali, na janela
Olhando bem reservado, do outro lado da rua, aqueles pássaros
Com plumas amarelas, cheias com o espírito da primavera
E as pessoas, atarefadas feito escravas, não notam essas paisagens belas
Mas talvez quando ficarem bem mais velhas,
Elas passem a apreciar, e perceber o que perderam.
Logo pela manhã, eu vejo os morros despertando
Logo pela manhã, eu sinto a vida me abraçando.
O trabalhar de Deus
é como o vento!
Não vemos, mas podemos
sentir o sobrenatural
acontecendo em
nossa vida.
