Vento
A ventania move as flores, e o tempo, a nós.
Lembro, como ontem, cada memória.
O vento moveu o ondulado do seu cabelo, e o amor, os nossos passos.
Seu olhar me afogava; a sombra dos seus olhos me prendia,
e o afiado do seu delineado me nocauteava.
Apesar de nunca ter acontecido,
eu sentia nossas mãos interligadas,
e os nossos corações andavam como João e Maria.
Hoje, saio à noite.
A lua me lembra o pálido da sua pele,
as estrelas, o brilho dos seus olhos;
já o espaço me lembra o atual abismo entre nós.
O sol caindo à tarde me lembra o castanho dos seus olhos,
mas também que já é tarde,
e que você está se pondo, indo iluminar o céu de outro,
e me deixar à mercê da escura noite.
A criança que em mim definha ainda luta para agarrar sua mão.
O homem em mim deseja correr para as coxas de outras.
E o amante em mim, correr aos seus braços.
E rompeu as fronteiras do silêncio,
para buscar palavras ao vento,
que, sem noção, foram lançadas,
como lâminas invisíveis,
para causar sofrimento.
A relatividade do status pessoal
afoga qualquer paridade,
pois a coroa que pesa na cabeça da rainha
não pode repousar no plebeu.
E assim, a majestade se ergue,
mas não impera nos meros humanos,
que, despidos de títulos e tronos,
carregam dores mais pesadas
do que qualquer coroa poderia suportar.
O tempo, imparcial em sua essência,
não curva joelhos diante de castelos,
nem poupa o mendigo na calçada fria.
Todos sangram sob o mesmo céu,
e todos partem sob o mesmo silêncio.
As palavras, outrora armas,
podem também ser pontes,
mas quem se ergue para usá-las assim?
A vaidade arranca raízes da compaixão,
e o orgulho apaga a luz da igualdade.
Pois no fim, a grandeza que resta
não está no ouro, nem nos títulos,
mas na capacidade de tocar o outro
sem ferir, sem pesar,
com a leveza de um gesto humano.
O sorriso torto, foi o vento quem fez. As marcas no rosto, também. As pessoas que estão aqui hoje, todas, eu as fiz. Sejam os filhos, netos, bisnetos, sejam os irmãos, os amigos. Todos os que me mantêm viva, em lembranças, pensamentos, no DNA. São todos parte minha, e eu, agora, sou parte de tudo.
“Entre vitórias e derrotas, aprendi que até nas turbulências o vento pode ensinar o rumo certo para voar mais alto.
Foi nas quedas que descobri a força das minhas asas, e nas tempestades que percebi que o céu nunca deixa de existir apenas muda de cor.”
Deus em tudo
(Eliza Yaman)
Está no vento, na raiz da terra,
no canto que não cessa em minha alma.
É Ele quem me guia e quem me encerra,
no tempo que me fere e que me acalma.
Não é preciso vê-Lo com os olhos,
basta sentir que tudo é Seu sinal.
Até o pranto traz os Seus escolhos,
e a fé me ergue em graça celestial.
Te vi passar cabelos ao vento
Sandálias nas mãos
Lindos pés descalços
A pele cor de jambo
Lábios de maçã
Olhos jabuticabados
Seja a Colombina desse Arlequim
Subir Santa Teresa atrás das Carmelitas
Ver a Portela passar com emoção na Avenida
Viver a Vida…Viver a Vida…
O sol se pôs quando você partiu
A noite chegou
Meu peito caiu
Adormeci com o vento a sussurrar
Você foi
Sem promessas
Sem um olhar
Eu fiquei
No silêncio
Sem respirar…
O vento, o ar: a atmosfera
O atma: O sopro da vida
Nos trás de outros continentes
A respiração dos nossos irmãos
Nos trás os pensamentos
As vibrações
As energias internas
A consciência universal
Trono de areia
Dizem que um homem ergueu torres de vento,
coroou-se com ouro que cega o próprio sol,
e acreditou que as marés lhe obedeciam
como cães adestrados na praia.
Ele marcha sobre desertos férteis,
semeando cinzas como se fossem trigo,
e chama isso de vitória.
Enquanto isso, os rios sussurram em segredo:
“a água não bebe mentira,
a justiça sempre chega até o mar.”
O céu, paciente, ri em trovões contidos,
porque sabe que nenhuma coroa de barro
sobrevive ao sopro que molda tempestades.
Ele, vaidoso, conversa com seu reflexo,
e o espelho, cansado, quebra-se em silêncio.
As estrelas, de tão antigas,
olham para sua altivez como se fosse brinquedo
de criança distraída.
Pois quem pensa mover o mundo
com os punhos fechados,
acaba esmagado pela própria sombra.
E no tribunal secreto das montanhas,
onde a neve é juíza e o tempo é escriba,
ficará registrado:
nenhum homem jamais dançou acima da Verdade,
pois a Criação não se curva
a quem acredita ser maior que o Criador.
Vai sentir a vida um pouquinho hoje
O sol esquentando seu corpo
O vento no seu cabelo
As flores pelo caminho
A vida colorida e linda.
Gosto de me inspirar em pequenas grandes belezas. Qualquer singela flor é minha musa, o vento soprando me encanta. Como amar o muito, sem valorizar cada parte do todo?
Substituindo para quê?
Cada flor da idade
Cada caridade
Cada tempo
Cada vento
Nada substitui você.
Você imperceptível
Nada substituível
Você é amor e vida
Você é canção ouvida
Substituir pra quê?
Substituir por quê?
Sem você eu não vivo,
Sem você eu não respiro
Sem você eu desvio.
Das forças do mar os amores,
vento levar cheiro de flores.
no que tem no inconsciente,
frações do que vem à mente.
lições de vida de suas razões,
formam as histórias e paixões.
Falar é como pensar,
Surge mas não sai
E se não sair,
Se vai com o vento
Que sopra arrastando a voz de quem quer falar,
No meio dos outros
Enquanto um se perde com sua voz,
Os outros falam e falam
Confundindo cada vez mais,
Quem não consegue falar
Fazendo com que trema, pense e reflita: "Sou um mudinho"
Quem me dera que o mudinho pudesse ter sua voz de volta,
Para falar sem medo enfim
- Mudinho
Vento de Esperança
O mundo rugindo, furioso,
Carrega em si o peso da dor,
Dentro de cada ser, uma tempestade,
Violência, medo e rancor.
Nas ruas, nos lares, nos silêncios abafados,
A cada canto, a fúria se acende,
Homens e mulheres se perdem em si mesmos,
E as crianças, com olhos tristes, ainda aguardam.
O que se perdeu?
O que restou de humanidade?
Tantas mãos levantadas, mas poucas para amar,
Somos todos um grão de areia, frágil e passageiro,
E amanhã, quem seremos, se a raiva não cessar?
A arrogância é o manto que muitos vestem,
Esquecem que viemos nus, e nus, partiremos,
Mas no fundo da alma, no fundo da dor,
É o amor que deve ser a razão de tudo, o que devemos carregar.
É ele que apaga o fogo da fúria,
Que renova os corações cansados,
Afinal, tudo passa, até o mais forte dos ventos,
E só o amor, eterno e imortal, será o que restará.
CONCEIÇÃO PEARCE
Deus é tudo que você vê...
A água na torneira
O vento
O Sol e o calor
O frio e a Chuva
As árvores e os animais
As coisas mais simples da vida vem dele porque Deus é simples...
