Veneno
"(...)Nada me restou a não ser degustar o veneno das estrelas, o que a noite oculta entre os becos.Ah já se fazia tarde este drama, esta melodia.Os sinos e os fogos prestes a ecoarem sobre as almas ocas e sem cores.Que sorte seria os olhos e os ouvidos fecharem diante desta multidão de cegos.O coração se tornou uma máquina programada por homens sem escrúpulos...e o amor, apenas mas um produto em um açougue dependurado já as moscas."
Usei como antídoto para o seu veneno a sinceridade.
Não tenho culpa se meu antídoto é para naja,sendo vc uma jararaca.
Mesmo se fosse aquilo que me faz mal,
ou qualquer tipo de veneno letal,
que ao proferir já até sinto o sabor,
sendo assim o último esse doce amor.
E poder concentrar em mim essas doses exageradas do teu beijo,
saberia que de ti é real esse meu imenso desejo.
"Entre tantos medos que me afligem nenhum deles compara-se ao pânico do passado. Aquele veneno doce, sublime e passageiro. Ah o passado. Quem me dera repetir momentos que nunca tornarão a suceder. Quem dera não tornar-me o que sou hoje. Ah lembranças. Que tanto machucam, que tanto ardem. Passado é aquela música chata que não sai da cabeça, é aquele zumbido pertinente no ouvido. Uma luz no fim do túnel que nunca parece chegar.
Ah os ecos derradeiros do pensamento. Esse aperto no coração que não decide em ser certo ou errado. Ah essas palavras soltas em frases imprudentes cercadas de intenções fúteis, entretanto tão confortáveis quanto um manto quente no inverno. Ah essa tristeza que me consome e me atormenta, mudando minha percepção de "tempo e espaço", difundindo minha personalidade e desencadeando detalhes antigos até então nunca observados. Ah aquele último abraço que não parecia ser definitivo. Talvez nossa almas fossem como aquele whisky envelhecido que melhora ao longo dos anos, distinto, raro e melhor avulso. Ah bebida. Meu estado de tristeza era basicamente como ir à festa e beber socialmente, eu escondia meus piores vícios numa máscara de porcelana. Sorriso no rosto, vestida com a audácia de um lobo, coberta por um manto de individualismo e de expressão tendenciosa. Escrúpulos não me moviam mais, contudo sempre era capaz de esquecer o esquecimento e afundar-me aquele mar de desalento inebriante. Ah o dom da memória seletiva. Amnésia nunca fora tão bem-vinda, dei dois tapinhas em seu ombro e a convidei para beber comigo.
Eu gostava de sentar na mesa de bar e observar o gelo do copo derreter, o que constatava minha teoria de que tudo que é sólido pode deformar-se e deixar de existir, que nada dura.. Gostava também de ouvir de estranhos histórias de amor que não deram certo. Era engraçado, as pessoas que quase nunca sabiam ser sinceras, quando baixavam a guarda, raramente dialogavam olhando nos olhos. Ah o corpo que tanto fala, sinais tão imperceptíveis que fazem toda a diferença. Toque no seu local mais sensível e descubra que o ponto G está nos ouvidos. Você também adquire conhecimento ficando de boca fechada e prestando atenção nos erros dos outros para não cometê-los futuramente. Mas sempre os comete.. Os contos são sempre os mesmos, porém com personagens diferentes que já tentaram alguma vez criar um mundo perfeito e esporadicamente o conseguia. Assista de camarote essa estrutura se romper e sinta o sentimento de viver de ruínas antigas. Ah esse labirinto inacabável de rancor e felicidade, onde o paradoxo é visível e a utopia é um quadro bonito e intocável. Ah essa loucura de não conseguir desvencilhar-se dos trilhos do sentimento, dos mapas desse sorriso traiçoeiro, de um olhar incisivo e vazio. Amor é tudo o que não é. Amor é só uma palavra que, dependendo das escolhas, altera o sentido da vida. São as palavras que machucam, as suposições que agonizam, que colocadas de má vontade acarretam lembranças com o dobro da vivacidade com que aconteceram. A memória, essa sim, inimiga frequente que te encara com um sorriso malévolo no rosto. Quero desatar todos os nós que nos prende, assim como aquelas manias já irrevogáveis. Vontade de queimar aquele colchão que ainda traz teu cheiro, me desfazer do passado que insiste em aparecer por aqui de vez em quando. Devolva-me, me quero de volta. Eu só não preciso de maus conselhos. Assim como qualquer ato que conecta minha linha de pensamentos com a tua teia imaginária de falsas ilusões não existe mais. Não posso mais ser aquela menina má que quebra as barreiras do esforço involuntário para visitar-te nos teus sonhos quando você bem quer. Tenho que me comportar. O inferno ficaria pequeno demais para nós dois..."
Quando você menos espera ela silenciosa e sorrateira te da o bote, te enche do seu maior veneno e você já em transe se rende a paixão.
Eu sou um perigo quando quero, um doce de pessoa com quem merece e um poço de veneno com quem tenta me fazer de boba!
Veneno, placebo ou remedio;
Se desalenta ou exorta,
Tudo pouco importa,
Se os versos são de amor
ou contemplação,
Todos Alimentam o coração,
Até curar o seu tédio
A desconfiança é pior que o veneno da serpente, ela corrói os ossos, necrosa o coração e envenena a alma.
E.L
“Essa corrupção causa fadiga e irrita como veneno de urtiga. Uma hora a gente se cansa desse país de larápio e foge pra Tangamandápio. “
Quem diria, aqui estou, me enchendo de veneno e pintando o meu céu de vermelho. Talvez não seja um conto de fadas, e nem tenha final feliz.
Amor de verdade é livre
Não fica tentando cercar
A diferença entre o remédio e o veneno
É a dose que se usar
Ainda mais quando se tem afeto
Quando se quer junto, perto
Mesmo se o caminho é incerto
Decerto que vale apostar
