Use o Silencio quando Ouvir
Perguntaram-me o que é arte. Ouviu-se de mim silêncio; não um, mas o silêncio, do tipo que tanto tememos, mas que, por vezes, é a única resposta que temos.
O mesmo silêncio que preenche o universo em que vivemos, que se esconde nas palavras que não dissemos, que, como um véu, cobre a pureza das estrelas. Sim, foi este o meu silêncio.
O mesmo silêncio de uma árvore que tomba no deserto, sem ninguém para escutá-la; o silêncio que faz da arte, arte para nossas almas.
A arte não pode ser definida, deve-se ser contemplada. Por isso, ouviu-se de mim o silêncio, pois...
Como hei de explicar a arte?
Continue agradecendo a Deus em silêncio; sua evolução será a resposta mais barulhenta para quem quis te ver cair.
"No mais alto e imponderável silêncio das nossas consciências, escutamos a voz lacônica Deus, a nos anunciar o enigma
impronunciável da eternidade!."
Manifesto da Raiva
Não é a raiva histérica que me move,
mas a que nasce do abuso,
do silêncio imposto aos que ainda têm alma.
Raiva de ver os bons engolidos
por um sistema que premia a mentira,
que coroa o disfarce,
que veste a hipocrisia como traje de gala.
A indignação é meu sangue,
me desperta, me obriga a escrever.
Não busco paz interior,
não preciso de frases que anestesiam.
Escrevo para rasgar,
para devolver em fogo
o que tentaram me enfiar goela abaixo.
Minha arte não é gentil,
é necessária.
Porque se eu calar,
se eu aceitar,
se eu sorrir junto,
aí sim estarei perdido.
A raiva me lembra que existo.
A indignação me prova que ainda sinto.
E enquanto isso durar,
ninguém, nunca,
vai me domesticar.
CLARIDADE DO INDIZÍVEL
Tua alma é um pátio antigo onde o silêncio respira,
e por onde passam figuras que não sabemos nomear,
ecos de vidas que ficaram presas na memória,
sussurros que dançam entre luz e penumbra.
Ali, o homem que és se desfaz do mundo,
larga o peso, a pressa, o roteiro imposto,
e caminha como quem toca na própria sombra
com a delicadeza de quem sabe que tudo pode ruir.
O vento te ensina gestos que esqueceste,
a chuva te devolve a inocência da água,
e a noite te veste com a claridade que não fere,
essa luz que não ilumina, mas revela.
E no fundo desse jardim escondido,
onde nenhum ruído do mundo te alcança,
há uma fonte que insiste em murmurar verdades —
verdades que não se dizem,
mas que o teu silêncio entende.
É ali que te reencontras:
entre o eco do que foste
e o lampejo do que ainda virá,
sob o luar que não consola,
mas que te devolve a ti mesmo.
Valores nobres não se compram nem se negociam; cultivam-se no silêncio do dever cumprido e no respeito sagrado ao próximo.
No silêncio da noite serena, o vento murmua, suave e pequeno.
E as estrelas brilham intensamente, o céu é tomado pelo seu brilho, que mostra os segredos mudos guardados por elas.
O tempo passa carregando com elas a força de quem acredita, que a vida, embora aflita, vai sempre florescendo uma nova estação, como esperança no coração.
No silêncio do meu quarto
É no silêncio do meu quarto que me transformo em palavras.
Às vezes, meu caro amigo, meu desejo não passa de aspirações literárias, poéticas talvez, românticas sempre.
Sou um romantismo em botão.
Tenho alma de poeta clássico e coração de donzela sonhadora.
Conheço os doces e amargos do sentimentalismo nato, e já fui provedora de todos eles.
E também, vez ou outra, quando me abasta a solidão cabível ao pungente e lascivo transcorrer do tempo, eu me ponho a combinar palavras,
formar versos, montar textos que quiçá traduzam o que sinto.
Tenho no papel um confidente perfeito, com quem compartilho angústias e alegrias sem medo de ser subjugada.
Ele apenas retém os meus sentidos, e isso já me basta.
Quero fazer conhecer a quem, um dia, porventura, venha ser leitor de meus escritos, que sou a mais sensível e suave das mulheres, me desmancho pelo toque, me recomponho pelo olhar, sou artista e plateia ao mesmo tempo; amante e amada.
Recebi do Criador a aflitiva missão de apenas amar, e dela não me queixo, nem me seria digno apontar um quê de reclamação.
É doce morrer de amor.
Imprevisível
No silêncio da redoma deste quarto
Contemplo os jornais sobre a parede
As caixas espalhadas pelo chão
Valeu a pena mergulhar nesse feitiço?
A resposta da pergunta é quase um parto
Eu bebo pra aplacar a minha sede
Camuflando as ilusões do coração
Valeu a pena desejar um compromisso?
Você é a solidão que eu descarto
A lágrima que cai do olho verde
O beijo desprovido de paixão
Valeu a pena aceitar o seu sumiço?
O passado chegou como um infarto
Rompendo as fortalezas dessa rede
Fazendo-me soltar a tua mão
Valeu a pena me perder por causa disso?
No fim de contas, o silêncio e o tempo dão um simples passo para cada um ver onde realmente quer estar.
No silêncio do campo, a brisa e o canto dos pássaros convidam à reflexão profunda, onde cada plantio e irrigação moldam a história que culminará em frutos maduros e na poesia da vida.
"Dois Mundos...
"Não te esqueça que vivo
No silêncio que me toma
Meu universo é só meu
E você, o sonho que aconteceu
Uma presença amada
Que me abriu horizontes
Que não trás a ansiedades
Dos aventureiros viajantes
Me tirando das mesmices
Que as rotinas de meus dias
Vindos e se apresentando sem modéstia
Vezes em tristezas... ou alegrias
Ser mouco não é nenhum castigo
Não machuca e nem altera realidades
Trás quereres e desejos de viver
Pois é no silêncio que ouço tuas verdades
A VOZ DO CAOS
(Fé na travessia)
Às vezes, é no silêncio ensurdecedor do caos que a alma esbraveja e grita — e as ondas gigantescas do Mar Vermelho se abrem para a sua travessia.
Lu Lena / 2026
Escolha o silêncio em vez da ofensa e a bondade em vez da grosseria, porque o amor se espalha muito mais quando decidimos ser luz na vida dos outros.
Uns mostram alegrias, outros tristezas, durante o silêncio e a perseverança das obras empreendedoras de Jesus.
“Há sentimentos que não têm nome, mas têm raiz na eternidade. São feitos de silêncio, de presença invisível e de um amor que a alma reconhece mesmo sem entender. É assim que a fé começa — onde as palavras não chegam, mas o coração permanece.”
Roberto Ikeda
Citação do Livro: Tobias: O Elo Invisível - por Roberto Ikeda
Capítulo 18.
“Ao deitar, deixo que a noite embale minha consciência. Entre o silêncio e as estrelas, encontro gratidão pelo dia que vivi e serenidade para o amanhã que virá.”
Roberto Ikeda
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