Use o Silencio quando Ouvir
A HUMANIDADE MORRE EM SILÊNCIO: A INDIFERENÇA TEM MÃOS LIMPAS
A cidade fede.
Não por causa do esgoto.
É o cheiro da consciência apodrecendo devagar.
Você aprende isso quando passa dos sessenta.
Os anos deixam marcas onde antes havia certezas. O espelho passa a contar verdades que ninguém pediu para ouvir. Alguns amigos viram fotografias, outros apenas silêncio. Os cães que juravam amor eterno descansam sob a terra. Os balcões onde você gastou madrugadas cedem lugar a farmácias e franquias. Algumas mulheres levam consigo os planos que um dia pareciam indestrutíveis. E a vida, insolente, sequer diminui o passo. Amanhece do mesmo jeito, como se nenhuma ausência merecesse um minuto de luto.
O problema nunca foram os assassinos.
Eles são poucos.
O problema sempre foi essa multidão de gente decente.
Os que dizem:
"Não é comigo."
Essa frase matou mais gente do que qualquer exército.
Todo império foi construído sobre ela.
Toda cruz.
Toda bomba.
Toda criança enterrada antes do tempo.
Você quer encontrar o diabo?
Não procure chifres.
Procure conforto.
Ele mora ali.
Na poltrona.
No controle remoto.
No dedo que desliza pela tela para não olhar uma fotografia de guerra por mais de três segundos.
A alma não morre de uma vez.
Ela enferruja.
Primeiro deixa de sentir o mendigo.
Depois deixa de sentir o velho.
Depois a mulher espancada.
Depois a criança.
Quando percebe, já não sente nem a própria dor.
Só o vazio.
E chama isso de maturidade.
Que piada.
Passei tempo demais em bares para acreditar em gente iluminada.
Conheci bêbados mais honestos que muitos santos.
Pelo menos eles admitiam que estavam quebrados.
Os outros escondem a podridão atrás de sorrisos bem escovados e frases motivacionais.
A espiritualidade, se existe alguma, nunca esteve nos altares.
Ela aparece quando a dor de um desconhecido estraga o seu sono.
Quando você não consegue terminar o café porque uma notícia ficou presa na garganta.
Quando percebe que nenhuma fronteira impede um coração de reconhecer outro coração.
Nesse instante você entende uma coisa terrível.
Nunca existiram "eles".
Sempre fomos "nós".
E essa é a pior notícia que alguém pode receber.
Porque acaba a desculpa.
Acaba Deus levando a culpa.
Acaba o governo.
Acaba o destino.
Sobra você.
Você e a escolha ridiculamente simples que a maioria evita fazer.
Importar-se.
Não para parecer bom.
Não para ganhar o céu.
Nem para aliviar a consciência.
Importar-se porque, no dia em que a dor do outro deixar de atravessar o seu peito, você continuará andando, falando e pagando contas...
...mas a única coisa realmente viva dentro de você já terá ido embora.
A Face do Silêncio que Deve Ser Quebrado
O silêncio certamente tem mais de uma face: a tranquilidade distante dos conflitos, a omissão de um sofrimento, o desconhecimento de uma triste realidade, a melodia que a alma precisa ouvir em um determinado momento, uma zona de conforto atraente e inapropriada ou aquela sensação confortável que não deixa a mente ficar esgotada.
E quando uma paixão desenfreada toma conta, uma das consequências é a falta de amor-próprio — que pode resultar em uma prisão silenciosa devido a uma inconsistência de reciprocidade e uma frequência de angústia numa falsa tradução de felicidade, onde sempre apenas um dos lados luta e faz a sua parte.
Nesse caso tão danoso, o quanto antes, em alguma oportunidade, o silêncio tem que ser quebrado, o desgosto do desrespeito deve ser reconhecido e logo ser rejeitado, caso contrário, será cada vez mais destrutivo. Portanto, não deve permanecer camuflado debaixo de migalhas de afetos ou de sentimentos fingidos.
Não é nada fácil ter seus princípios e valores violentados, principalmente por quem tanto se ama, mas é exatamente isso que faz ser um privilégio encontrar paz na violência, enxergar o conforto verdadeiro: o reconhecimento da própria existência, da importância da mutualidade, que um laço sadio não tem prisioneiros e que os sinais estão nos detalhes.
A rocha que divide as águas do Tejo não guarda apenas o peso do castelo, mas o silêncio de homens que buscavam o céu cavando a terra, lembrando-nos de que toda fortaleza é uma tentativa sólida de eternizar o que o tempo, tal qual o rio, inevitavelmente arrasta.
Reno Fioraso
Kauã Elias 3:1
"O homem que domina o silêncio de uma mesa vazia jamais pagará o preço de tê-la cheia de oportunistas."
SUBLIME POEMA AO AMOR.
Autor: Escritor:Marcelo Caetano Monteiro.
Amor, silêncio em veste de agonia,
Relíquia acesa em pálida amplidão;
És flor que nasce à sombra mais sombria,
E morre cedo dentro do coração.
Teu beijo traz o gosto da saudade,
Teu riso é véu de oculta solidão;
Prometes sempre a eterna claridade,
Mas deixas noite em cada despedida, então.
Há sinos mudos sobre os cemitérios,
Cantando preces para quem partiu;
E os ventos, como monges funerários,
Guardam o nome de quem já dormiu.
A lua, em seu sudário prateado,
Embala as cinzas de um jardim sem cor;
O céu contempla, imóvel e calado,
A lenta procissão de cada amor.
Quem ama aprende o idioma das ruínas,
O peso amargo de esperar em vão;
Colhe espinhos onde havia boninas,
E faz do pranto a própria oração.
Contudo, amor, mistério inesgotável,
Mesmo vestido em luto e escuridão,
És o mais doce e o mais inevitável
Fantasma a visitar o coração.
Pois toda vida curva-se ao teu fado,
Toda esperança busca teu calor;
E até a morte, em seu silêncio alado,
Ajoelha-se, vencida, ante o Amor.
EIS A FRIA.
Eis aqui a fria, já morta, curvada sobre o teu cadáver. Silêncio. Nem a noite ousa respirar.
As mãos que outrora acariciaram o mundo agora repousam sobre a matéria vencida, como se a morte aprendesse, pela primeira vez, o peso da eternidade.
Mas quem morreu? A carne... ou o sonho que nela habitava?
Os astros prosseguem o seu caminho, indiferentes ao pranto dos homens, e, no entanto, há uma estrela que parece deter- separa contemplar teu último repouso.
E será ela, agora, o deslumbre do universo?
Talvez a morte não seja o apagar da luz, mas o instante em que o infinito abre, silenciosamente, os seus olhos sobre nós.
Porque toda sepultura é apenas uma porta para aqueles que aprenderam a escutar o invisível.
Hermínio Corrêa de Miranda.
A PERENIDADE DE UMA OBRA RESGATADA DO SILÊNCIO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro
Reencarnações de Hermínio Corrêa de Miranda.
Transcrição e organização a partir de obra publicada pela “Editora Lachâtre”, no livro “Os Senhores do Mundo”.
Durante longos anos, o manuscrito datilografado desta obra, concebida em 1964 e figurando entre as primeiras elaborações intelectuais de Hermínio Corrêa de Miranda, foi tido como definitivamente perdido pelo próprio autor. Acreditava-se que o tempo, em sua marcha inexorável, o houvesse relegado ao esquecimento dos arquivos dispersos e das memórias fragmentadas.
Todavia, no ano de 2012, em um gesto aparentemente simples, porém providencial, ao reorganizar antigos documentos, Hermínio Miranda deparou-se com uma cópia em papel carbono de seu texto original. Este cuidado pretérito, fruto de uma prudência quase intuitiva, revelou-se decisivo para a preservação da obra. Assim, aquilo que outrora se julgava irremediavelmente ausente ressurgiu, oferecendo à posteridade a oportunidade de reencontro com um pensamento ainda em estado nascente, porém já impregnado de densidade filosófica e rigor investigativo.
O processo de restauração do texto apresentou-se como tarefa exigente e meticulosa. A precariedade da cópia original, somada à ausência de algumas páginas, impôs à editora um labor paciente, quase arqueológico, no intuito de recompor a integridade do conteúdo. Após a digitalização e uma primeira revisão técnica, o material foi devolvido ao autor, que, com zelo e dedicação, empreendeu uma revisão parcial e comprometeu-se a reconstituir os trechos desaparecidos.
Entretanto, a desencarnação de Hermínio Corrêa de Miranda interrompeu este trabalho, deixando na obra uma lacuna significativa, cuja ausência exigia solução à altura de sua relevância intelectual. Diante deste desafio, a editora, movida pelo compromisso com a fidelidade doutrinária e literária, convidou Lygia Barbiére Amaral, reconhecida escritora espírita, amiga próxima e profunda conhecedora do pensamento do autor.
Com notável sensibilidade e competência, Lygia assumiu a responsabilidade de pesquisar, interpretar e reescrever, à maneira herminiana, o primeiro capítulo da obra, bem como as oito páginas iniciais do segundo capítulo. Seu trabalho não se limitou à mera reconstrução textual, mas constituiu um verdadeiro exercício de sintonia intelectual, preservando o estilo, a coerência e a essência reflexiva do autor.
Todo o restante da obra, a partir da página 61, com exceção das notas editoriais devidamente identificadas, permanece integralmente como produção original de Hermínio Corrêa de Miranda. À editora coube apenas a inserção de breves esclarecimentos, destinados a elucidar passagens específicas e facilitar a compreensão do leitor contemporâneo.
Esta obra, portanto, não é apenas um livro restaurado. É um testemunho vivo da persistência da ideia sobre a matéria, da memória sobre o esquecimento e da verdade sobre o silêncio. Sua existência reafirma que aquilo que é concebido sob o impulso da investigação sincera e da elevação espiritual jamais se perde completamente, aguardando, no tempo oportuno, o reencontro com aqueles que buscam compreender.
E assim, entre fragmentos resgatados e páginas reconstruídas, ergue-se novamente a voz de um pensador, convidando o espírito humano a prosseguir, sem temor, na inquebrantável jornada do conhecimento e da consciência.
SOB O SILÊNCIO DAS CONSTELAÇÕES.
Do livro: O Silêncio De Deus.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Amávamos em desmedida desigual.
Como dois céus que jamais se alinham.
Um ardia em oferenda constante.
Outro apenas refletia a luz alheia.
Dividíamos o universo.
Mas não o peso da eternidade íntima.
Havia em ti o repouso sereno.
E em mim a febre de permanecer.
Quando as estrelas ainda nos reconheciam.
Eram cúmplices do que não ousávamos dizer.
Agora, elas se dispersam.
Como se também recusassem testemunhar o fim.
Olho o firmamento e me perco.
Não pela vastidão.
Mas pela ausência que o torna infinito demais.
Teus olhos foram mar.
E no último instante.
Afoguei-me sem resistência.
As lágrimas não descem mais.
Elas doem.
Como se cada uma soubesse.
Que só há um coração a suporta-las em tudo.
O que fui.
Entreguei-te inteiro.
O que restou.
É apenas o eco do que nunca foi recíproco.
E assim.
Enquanto o céu se despede em silêncio.
Eu permaneço ajoelhado no altar da dor, olhando as estrelas embaçadas.
E guardião de um amor que não morreu.
Apenas foi condenado a existir dentro do abandono da solidão.
A GRAVIDADE DO SILÊNCIO INTERIOR.
Existem momentos em que a vida se recolhe em um estado quase espectral, como se tudo ao redor perdesse a densidade e restasse apenas o peso da própria consciência. Não é o mundo que se torna vazio, mas o olhar que, fatigado, já não encontra repouso nas superfícies. É nesse território silencioso que se revelam as mais profundas batalhas, aquelas que não se travam contra circunstâncias externas, mas contra a própria erosão do sentido.
A existência impõe ao espírito uma travessia que não se anuncia com clareza. Caminha-se entre expectativas desfeitas, afetos incompletos e sonhos que, por vezes, se dissipam antes mesmo de se consolidarem. E ainda assim, há algo que insiste em permanecer. Uma centelha discreta, quase imperceptível, que não se deixa extinguir, mesmo sob o peso das desilusões mais densas.
Há uma dignidade austera em continuar quando tudo sugere o abandono. Não se trata de esperança ingênua, mas de uma resistência lúcida. Permanecer não porque se ignora a dor, mas porque se compreende que ela não é a totalidade da realidade. A alma que suporta, que observa, que silencia e segue, desenvolve uma profundidade que nenhuma facilidade poderia conceder.
O sofrimento, quando não embrutece, refina. Ele desnuda ilusões, separa o essencial do supérfluo e revela a verdadeira estrutura do ser. Aqueles que atravessam esse vale sombrio e não se perdem, retornam com uma consciência ampliada, ainda que marcada por uma melancolia serena. Não é tristeza estéril, mas uma forma elevada de compreensão.
E assim, mesmo quando tudo parece suspenso em um tempo sem direção, há um movimento invisível acontecendo. Cada instante suportado, cada pensamento reorganizado, cada emoção que se aquieta, constitui uma vitória que não se anuncia, mas que edifica silenciosamente a própria existência.
"Mensagem final"
Ainda que teus olhos se acostumem à penumbra, não te esqueças de que és tu quem sustenta a chama que não se apaga. Já atravessaste abismos que pareciam definitivos e, no entanto, permaneces. Há uma força em ti que não depende de aplausos nem de certezas. Continua. Pois é na persistência silenciosa que se revela a verdadeira estatura do espírito.
O SILÊNCIO NÃO TRANSMITE SOMBRAS.
Referente em apoio a questão 459 de O Livro Dos Espíritos
Dizem que o umbral infiltra-se nos fios invisíveis da tecnologia, que percorre o ar como um sussurro maligno, que atravessa o Wi-Fi como se este fosse um portal aberto às trevas. Mas tal ideia não resiste ao exame da razão serena.
O mal não necessita de antenas, tampouco de roteadores. Ele se aloja onde sempre habitou: na consciência indisciplinada, no pensamento viciado, na inclinação moral que se desvia de si mesma. Transferir à matéria o poder que pertence ao espírito é apenas um modo elegante de fugir à responsabilidade íntima.
O Wi-Fi transmite dados, não intenções. Propaga sinais, não consciências. Não há frequência tecnológica capaz de substituir a sintonia moral, pois esta não se mede em hertz, mas em escolhas.
Se algo atravessa o invisível, não são entidades conduzidas por ondas digitais, mas pensamentos que se afinam por afinidade. E essa lei não depende de dispositivos humanos, mas da estrutura profunda da própria alma.
Atribuir ao umbral o uso de ferramentas materiais é reduzir o espiritual ao mecânico, o que constitui um equívoco conceitual grave. O espírito não precisa de meios físicos para influenciar, assim como a luz não precisa pedir licença à escuridão para existir.
Portanto, não é o Wi-Fi que abre portas ao invisível, mas a mente que se abre ao que cultiva. Quem disciplina o pensamento não teme redes, sinais ou conexões. Pois a verdadeira conexão, esta sim inevitável, é aquela que cada ser estabelece com aquilo que escolhe sustentar dentro de si.
E é nessa soberania silenciosa da consciência que se decide, sem ruído e sem cabos, o destino das próprias influências.
ENTRE O MEDO E A VERDADE.
O ESPIRITISMO NÃO NASCEU PARA O SILÊNCIO.
Existe uma enfermidade silenciosa que atravessa parte do Movimento Espírita contemporâneo. Não se trata da ausência de estudo, nem da falta de obras, reuniões ou instituições. Trata-se do medo. Medo de investigar. Medo de questionar. Medo de evocar. Medo de ouvir. Medo até mesmo de aplicar integralmente o método que o próprio Allan Kardec estruturou.
Curiosamente, muitos homens afirmam defender a razão enquanto transformam prudência em interdição absoluta. E nisso nasce um paradoxo psicológico profundo. O mesmo Espiritismo que surgiu através do intercâmbio entre encarnados e desencarnados passa a ser defendido por pessoas que demonstram receio do próprio fenômeno mediúnico que lhe deu origem.
É necessário compreender algo fundamental. Kardec jamais proibiu evocação. Pelo contrário. O Livro dos Médiuns dedica capítulos inteiros ao estudo das evocações, dos métodos, das condições morais e dos perigos envolvidos. O codificador não construiu um sistema de silêncio espiritual. Construiu um método de discernimento.
A diferença é gigantesca.
O problema nunca esteve no ato de evocar. O problema sempre esteve na intenção moral do evocador.
Existe enorme distância entre evocação séria e curiosidade frívola. Entre investigação filosófica e espetáculo mediúnico. Entre estudo criterioso e dependência psicológica dos Espíritos.
Quando alguns afirmam que não se deve colher informações de Espíritos como André Luiz, Emmanuel ou Humberto de Campos, inevitavelmente acabam mergulhando numa contradição lógica. Porque grande parte da literatura espírita posterior à Codificação nasceu precisamente de comunicações espirituais.
Se toda comunicação posterior é automaticamente suspeita apenas por ser mediúnica, então muitos dos próprios pilares culturais do Movimento Espírita moderno seriam colocados sob desconfiança permanente.
Entretanto, também seria ingenuidade aceitar tudo indiscriminadamente. Kardec jamais ensinou credulidade cega. Ele advertiu severamente acerca da fascinação, da mistificação e do orgulho mediúnico. Eis o ponto frequentemente negligenciado. O Espiritismo não exige ingenuidade emocional. Exige análise racional aliada ao critério moral.
A evocação não constitui pecado doutrinário. A irresponsabilidade moral, sim.
Quando Moisés proibiu práticas necromânticas em Israel, o contexto era profundamente sociológico e civilizatório. A humanidade antiga encontrava-se mergulhada em magia tribal, idolatria, manipulação sacerdotal e superstições violentas. A proibição mosaica possuía caráter disciplinador para uma sociedade ainda dominada pelo instinto coletivo.
O próprio Espiritismo reconhece o progresso gradual da Revelação divina. Kardec jamais tratou os textos mosaicos como congelamento eterno da compreensão espiritual humana.
Além disso, existe uma questão psicológica raramente discutida. Muitos homens não temem os Espíritos. Temem perder o controle interpretativo sobre a Doutrina. Temem o surgimento de novas análises, novos estudos, novas comunicações e novas perspectivas. O receio da fragmentação transforma-se então em centralização do pensamento.
E toda centralização excessiva produz muros intelectuais.
O chamado “controle universal dos ensinos dos Espíritos”, elaborado por Kardec, jamais foi concebido como mecanismo de censura doutrinária. Tratava-se de um método comparativo, racional e universalista para evitar personalismos mediúnicos e sistemas isolados de revelação.
Porém, quando homens emocionalmente inseguros se apropriam de princípios metodológicos, frequentemente transformam discernimento em policiamento ideológico.
Então surgem divisões.
Discussões intermináveis.
Disputas de autoridade.
Grupos que se observam mutuamente como se fossem guardiões exclusivos da legitimidade espírita.
Tudo isso enquanto o fator moral íntimo permanece relegado ao segundo plano.
O próprio Kardec advertiu que o verdadeiro espírita reconhece-se pela transformação moral e pelo esforço em domar suas más inclinações. Não pela quantidade de proibições que impõe aos outros.
Existe também um orgulho intelectual extremamente sofisticado dentro dos ambientes religiosos. Não é o orgulho agressivo e visível. É o orgulho da convicção absoluta. O orgulho de acreditar que somente determinado grupo possui capacidade legítima para validar comunicações espirituais.
E nisso reside uma tragédia silenciosa.
Porque nem mesmo uma eventual comunicação atribuída ao próprio Kardec seria unanimemente aceita hoje. Muitos a rejeitariam antes mesmo de analisá-la. Não por critério racional legítimo, mas porque o homem frequentemente teme aquilo que ameaça suas estruturas psicológicas de segurança doutrinária.
Enquanto isso, esquecem-se da essência.
O Espiritismo não nasceu para fabricar tribunais espirituais entre encarnados. Nasceu para iluminar consciências.
Se um homem evoca apenas por curiosidade vazia, colherá perturbação.
Se evoca com orgulho, encontrará Espíritos orgulhosos.
Se busca espetáculo, atrairá mistificação.
Mas se investiga com seriedade, humildade e equilíbrio moral, estará apenas utilizando um mecanismo que o próprio Espiritismo reconheceu como legítimo dentro de critérios elevados.
A pergunta mais importante nunca foi “podemos evocar”.
A pergunta correta sempre foi “com que finalidade moral desejamos fazê-lo”.
Porque nenhuma evocação será mais perigosa do que a própria inferioridade psicológica do evocador.
No fim, muitos discutem Espíritos enquanto negligenciam a própria alma. Debatem fenômenos enquanto ignoram a reforma íntima. Erguem muralhas doutrinárias enquanto o orgulho continua intacto no interior da consciência.
E talvez por isso exista tanta inquietação.
O homem teme ouvir os Espíritos porque ainda não aprendeu completamente a ouvir a própria consciência.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .
#geeff #cems #espiritismo #kardec #revistaespirita #vidaaposamorte #psicologiaespiritual #doutrinaespirita #mediunidade #filosofiaespiritual #consciencia #despertar #lei #moral #andreluiz #emmanuel #humbertodecampos #allankardec #evocacao #reformaintima #controleuniversal #movimentoespirita
- Relacionados
- Textos de aniversário para amiga que dizem tudo que ela merece ouvir
- Quando me Amei de Verdade
- Silêncio
- Fico feliz quando estou ao seu lado
- Às vezes quando tudo dá errado (mensagens de motivação)
- Frases de briga: quando tudo termina em paz
- Frases de combate à violência que rompem o silêncio e promovem mudança
