Use o Silencio quando Ouvir
As falas do silêncio
O silêncio também fala,
E fala muito mais alto.
Se grita e não se cala
Não pára! Dá um salto.
O silêncio como resposta
Não precisa ser expresso,
É uma forma de proposta
Para algo em excesso.
O silêncio frente ao errado,
Segue livre em seu caminho.
Transita solto no tablado,
Corre muito e não anda sozinho.
Muitos preferem o silêncio
A se envolver com o problema
Pois a força desse incêndio
Consome por trás do esquema.
A tendência é se afastar de conflitos,
Pois são complexos e até destrutivos.
A escolha de não tomar partido
Se deve ao fato de não ser positivo.
Raimundo Nonato Ferreira
Julho/2026
O silêncio que o homem busca está oculto no Himalaia, um espelho estéril onde o topo do mundo descobre que, para tocar o céu, é preciso dar as costas à própria terra.
Reno Fioraso
No Baú, onde a névoa desenha o silêncio repousa como o último enigma de pedra que o horizonte insiste em contemplar, mas jamais ousará decifrar.
Reno Fioraso
Não escuto pregadores que não falam da Cruz.
O silêncio do Calvário em seus sermões denuncia quem você é no altar.
"Dança comigo"
Dança comigo como quem encontra abrigo no silêncio entre uma música e outra.
Vem sem medo, deixa o mundo lá fora e pisa leve dentro do meu peito.
Dança comigo
até o relógio esquecer das horas, até a lua cansar de nos olhar pela janela da
madrugada.
Segura minha mão
como se fosse possível
não cair nunca mais.
E se a vida desafinar,
a gente inventa outro ritmo,
outro passo, outra canção.
Só não solta de mim
quando o som diminuir.
Porque há amores
que começam com palavras,
mas existem os mais bonitos… que começam dançando.
*“No Inverno, Café e Você”*
O inverno chegou devagar,
vestindo a cidade de silêncio
e as janelas de saudade.
Lá fora, o vento desenhava frio nas ruas, mas aqui dentro
existia você.
O café fumegava entre nossas mãos, como um pequeno sol tentando aquecer o mundo.
E eu observava teus olhos
com a mesma calma
de quem encontra abrigo
num fim de tarde chuvoso.
Você sorria baixo,
enquanto o aroma do café
misturava memória e desejo
no mesmo instante.
Há amores que queimam como incêndio.
O nosso não.
O nosso aquece devagar,
como coberta em noite gelada, como música antiga tocando ao fundo, como dois corações aprendendo a morar no mesmo inverno.
E desde então,
toda vez que o frio retorna,
o café perde um pouco do gosto… se você não está aqui.
Minha Noruega 🇧🇻
Minha Noruega mora no silêncio branco das montanhas que conversam com o céu.
Nos fiordes profundos onde o vento antigo guarda segredos que ninguém esqueceu.
Minha Noruega tem cheiro de pinho, de neve caindo sem fazer ruído, de noites longas bordadas de estrelas e um coração calmo, quase infinito.
Vejo auroras dançando no inverno, rios de luz sobre a escuridão, como se o universo escrevesse poemas
direto nas paredes do coração.
Minha Noruega é barco e horizonte, é mar que abraça pedra e solidão, é o frio que ensina delicadeza e transforma saudade em canção.
Nas pequenas casas de luz amarela, há café quente e histórias no olhar; cada janela acesa na distância parece um convite para sonhar.
Minha Noruega não cabe no mapa, porque vive além de qualquer lugar.
Ela existe onde a alma encontra paz e aprende, devagar, a respirar.
E quando o mundo pesa em meus ombros, fecho os olhos sem medo algum: escuto neve caindo ao longe e volto inteiro para o Norte azul.
Estou dando uma Pausa.
Por um tempo, escolho o silêncio.
Longe dos holofotes. Longe da correria. Longe de tudo aquilo que, aos poucos, foi consumindo minhas forças sem que eu percebesse.
Não é desistência. Não é fuga. Não é falta de amor pelo que faço.
*É cuidado*
É o reconhecimento de que existe algo mais importante do que continuar correndo: Cuidar da alma.
Passei anos vivendo para tantas responsabilidades, carregando pesos, enfrentando batalhas e tentando permanecer forte. *Sorri quando estava quebrado. Caminhei quando estava ferido. Permaneci de pé quando tudo dentro de mim queria desabar*
Travei guerras silenciosas que quase ninguém viu. E algumas delas ainda estou lutando.
Mas até os guerreiros se cansam.
Até os mais fortes precisam parar para respirar, se curar e se reencontrar.
A caminhada deixou marcas. Algumas profundas. Mas, pela graça de Deus, continuo de pé.
Não sustentado pela minha força.Não pela minha capacidade. Mas pela graça que me alcançou quando eu já não tinha forças para continuar.
Por isso, escolho parar.👇
Parar para orar mais. Parar para jejuar mais. Parar para ouvir mais a voz de Deus. Parar para voltar ao lugar onde tudo faz sentido: A Sua presença.
Porque ministério sem intimidade vira ativismo. Serviço sem descanso vira exaustão. E uma alma vazia não pode oferecer aquilo que ela mesma não possui.
Jesus também se retirava para lugares solitários e orava. Se o Mestre precisou parar, quem sou eu para achar que não preciso?
Então, esta não é uma despedida.
É apenas uma pausa de tudo o que me fez cansar em minha jornada. Agora, inicia-se um novo tempo. Quero ser usado e cheio da graça para apresentar Cristo ao mundo. Agora é tempo de ter mais intimidade com Ele, porque foi Deus quem me chamou e tem me cobrado sobre isso!
Uma pausa para reabastecer.Uma pausa para restaurar.Uma pausa para voltar mais forte, mais inteiro e mais perto de Cristo.
Às vezes, a maior demonstração de fé não é continuar correndo.
É ter coragem de parar nas mãos de Deus.
"Ele, porém, se retirava para lugares solitários e orava." — Lucas 5:16
O primeiro som que sucede o silêncio não deve ser um estrondo, mas uma pulsação. A verdadeira paz não exige a imobilidade de quem respira; ela apenas pede que o movimento não seja uma fuga, mas um ancorar contínuo. Ao atravessar as cortinas recém-abertas, o cenário que se revela não nos apressa. Ele exige presença. É na cadência minuciosa dos passos, no atrito suave da sola contra o cascalho da própria jornada, que a identidade deixa de ser uma ideia no espelho e passa a ser o chão que pisamos. O silêncio nos ensinou a olhar para o centro; agora, o ritmo nos ensinará a caminhar a partir dele.
Impermanência
Ó Ausência! Ó Silêncio!
Minhas palavras, lançadas ao vento, dissipam-se no invisível,
e meu coração dissolve-se em ambiguidades.
A ti pertence o futuro incerto;
e cá estou eu:
um vaso vazio,
mas repleto de possibilidades.
Transitória e efêmera
é esta casca que me reveste.
Do pó eu vim,
e ao pó hei de retornar.
Cada segundo se extingue,
cada instante sepulta a si mesmo.
Também eu caminho para esse ocaso.
Serei terra,
serei húmus,
o adubo silencioso
de onde brotará um novo fruto.
Que o verme faça de mim o seu banquete,
que a chuva desfaça meu nome,
que o tempo me esqueça.
Pois não há derrota
em tornar-se semente
daquilo que ainda florescerá.
Há dias em que a alma não precisa de respostas. Precisa apenas de silêncio.
Silêncio para aquietar o coração, desacelerar os pensamentos e lembrar que nem toda tempestade permanece para sempre.
Permita que a serenidade caminhe ao seu lado. Ela não faz barulho, não exige pressa, não disputa espaço. Apenas chega devagar e transforma o que antes parecia impossível suportar.
Respire profundamente. Solte o peso que você insiste em carregar sozinho. Nem tudo depende das suas mãos; algumas batalhas se resolvem quando aprendemos a confiar no tempo.
A paz não está na ausência de problemas, mas na certeza de que nenhuma dificuldade é maior do que a força que nasce dentro de um coração tranquilo.
Hoje, escolha cuidar da sua alma. Escolha a calma. E permita que a serenidade conduza seus passos, um de cada vez.
Ela é feita de um silêncio que não está vazio.
O silêncio dela é uma semente enterrada, esperando a chuva certa, a chuva que não vem para molhar a superfície, mas para descer fundo, até o lugar onde as coisas realmente crescem.
Ela escreve poemas em cadernos que ninguém vê. E, neles, ela não escreve sobre o amor. Ela escreve dentro do amor. Como quem escreve dentro de uma caverna, à luz de uma vela, escutando o eco das próprias palavras.
Ela tem o dom terrível de saber o que sente. E o fardo de ter que traduzir esse saber para quem não fala a mesma língua.
Ela é a terra. Não a terra que se pisa. A terra que se cultiva. A que devolve o que recebe, multiplicado. Ela recebeu gestos práticos e devolveu poesia. Recebeu presença e devolveu significado. Recebeu desejo e devolveu alma.
Mas a terra também cansa.
Cansa de explicar por que precisa de chuva. Cansa de ensinar que o sol, sozinho, não faz florir. Cansa de ser olhada como paisagem, quando o que ela quer é ser o lugar onde alguém escolhe morar.
Ela quer ser descoberta. Não explorada, não mapeada, não resolvida. Descoberta como se descobre um caminho que não estava no mapa: sem pressa, com os olhos, com os pés descalços, com a curiosidade de quem não tem medo de se perder.
Ela gosta do fogo. Ah, como ela gosta do fogo! Ela se aquece nele, se encanta com ele, se entrega a ele. Mas ela sabe que o fogo que não respeita a terra a transforma em cinza.
Ela quer um fogo que seja cúmplice. Que entenda que a terra precisa de tempo para absorver o calor. Que saiba queimar devagar, sem pressa de incendiar.
Ela já cansou de partir. Por isso, ela fica. Mesmo quando o silêncio aperta, ela fica. Porque ela acredita que o amor é uma construção lenta, como as raízes que abrem a pedra sem fazer barulho.
Ela acredita que o amor não é o que se fala. É o que se lembra. É o que se sente falta. É o que permanece mesmo quando a pessoa não está.
Ela é uma mulher que aprendeu a ser inteira sozinha. Mas ela quer, um dia, ser inteira acompanhada.
Ela não quer um herói. Ela quer um parceiro de silêncio. Alguém que sente com ela, não só ao lado dela. Alguém que não tenha medo de olhar para o fundo do poço e ver que, lá no fundo, não há monstro.
Há apenas mais ela. Esperando. Plantada. Viva.
Seu nome, em latim, significa "vazia". Mas que ironia. Porque ela é tudo o que há de mais cheio. Cheia de palavras não ditas, cheia de histórias não contadas, cheia de um amor que ainda espera ser alcançado.
E, enquanto espera, ela escreve.
Porque escrever, para ela, é o jeito de não secar. É o jeito de continuar sendo terra, mesmo quando a chuva demora.
... coisas sobre Ela
Câncer de próstata
Helaine Machado
No silêncio que muitos guardam,
existe um cuidado que precisa nascer.
Não é fraqueza olhar pra si—
é coragem de viver.
Entre medos e preconceitos,
há um corpo pedindo atenção,
um sinal que não deve ser calado,
um gesto simples de prevenção.
Ser forte também é se cuidar,
é quebrar o silêncio, falar,
é entender que o tempo é precioso
e a vida merece continuar.
Porque o verdadeiro homem
não foge do que precisa enfrentar—
ele se escolhe, se protege
e aprende também a se amar.
Helaine Machado
Me blindei, me calei,
engoli o que era meu por direito dizer.
Aprendi a sorrir em silêncio
pra não ter que me explicar pra ninguém.
Helaine Machado
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