Uma Menina Simplesmente Apaixonada

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O segredo de Uma Alma


"...E de quem eu deveria esquecer…
lembrei ainda mais.
A solidão me leva por outros caminhos,
onde só me faz sentir errada.
Não entendo o que o destino está fazendo…
e isso me assusta."

É preciso ser feliz!

Olho para o passado
e vejo tristeza, desprezo e tormento.
E, mais uma vez,
isso me faz sofrer.

É preciso esquecer o passado,
olhar para frente
e viver, simplesmente,
o meu presente.

Esse presente
que não sei ao certo
quanto tempo vai durar,
pois também, um dia, passado se tornará.

Não sei se sonhar é possível.
Não sei que futuro me espera.
Mas sei que, antes de tudo,
é preciso ser feliz!

Saudade x Saudade


Acabei de vê-lo,
mas uma saudade
invade o meu peito…
como se algo fosse
sugado de dentro para fora,
se quebrando em mil pedaços.


Me pergunto
se ele sente o mesmo.
Nem sei se é isso que desejo,
pois não lhe quero mal algum.


E o que sinto agora
é quase inexplicável
de tão dolorido.


Quando estamos por perto,
nos completamos.
A falta dá lugar ao desejo,
e dele nasce o desespero.

Seu filho - em outra família


A vida espiritual não tem volta.
Uma vez sentida…
você nunca mais é a mesma.


Talvez você não entenda agora —
mas o que é seu… encontra um caminho.
Sempre encontra.


O texto diz que volta como neto.
Mas eu sinto que pode vir antes…
em qualquer rosto,
em qualquer criança que cruza o seu caminho.


Sem anúncio.
Sem milagre visível.
Só presença.


E, ainda assim…
você reconhece.


No meio de mil,
é aquela.


Algo chama.
Algo pulsa.
Algo sussurra: é ela.


E você escolhe…
de novo,
e de novo,
mil vezes, se for preciso.


Porque o amor —
quando é de verdade —
não precisa de explicação.
Nem de forma.


Pode vir em
uma criança especial ou
de outras maneiras
não convencionais.


Você vê traços,
marcas,
gestos…
um pedaço seu
em alguém que não te pertence.


E, mesmo assim… é.


Vem uma paz estranha,
dessas que abraçam por dentro.


Até que, um dia,
distraída,
ela te chama de “mãe”…


tão natural
que o mundo para por um segundo.


E a lágrima vem —
não de tristeza,
mas de reconhecimento.


Eu não sei se isso é bênção
ou prova.


Ver de longe…
amar em silêncio…
esperar.


Mas, no fundo,
fica a certeza quieta:


o amor não se perde.
Ele só muda de caminho…


até voltar pra casa.🌞🌜

Feliz Páscoa!!!
(Somos tudo e nada)


Mais uma data especial para agradecer pela saúde,
pelas pessoas e por cada momento vivido…
por tudo.


É o universo deixando claro o quanto somos frágeis e
o quanto a vida pode ser imprevisível.


O que se quebra é para sempre…
Mas não precisamos colar os pedaços.
Com os cacos, podemos fazer algo novo.


Uma nova amizade, um novo conceito…
A partir de uma mesma pessoa, de uma mesma situação.


Pegar o que for bom:
as experiências, as expectativas, as oportunidades…
E construir, juntos, um novo caminho a seguir.


Não reconstruir — porque buscamos o novo todos os dias.
Recomeçar, também não… começar.


Não “renascer”, e sim nascer.
Nascer a cada dia, depois de cada batalha.


Veja as alegrias do outro,
mas nunca queira estar no mesmo lugar,
porque ninguém sabe o custo de cada sorriso.


Cada um carrega a cruz e os calos que conquistou,
assim como a dor e o peso de suportá-los.


Somos tudo e nada…
Hoje podemos ser tudo,
e amanhã, nada.

O menino e o furacão


Diziam, em silêncio:


"É só uma criança com atraso…
lá no fundo da sala,
com uma folha branca nas mãos."


Eu sei — é o que todos pensam,
mas não dizem.


Estão mais preocupados em embelezar os títulos da deficiência do que em trabalhar,
na prática, a inclusão.


Decoram nomes,
enfeitam diagnósticos,
mas esquecem do essencial:
ver.


Eu nunca tive alunos,
e sim histórias com nome:
Antônio. Bernardo. Daniel. Fernanda. Gabriela…
cada um era único — uma pessoa, uma personalidade, uma habilidade,


mesmo quando o mundo insistia em reduzi-los.


E ele…


O menino da cadeira de rodas,
de movimentos curtos, quase ausentes,
fazia desenhos incríveis que ninguém via —
porque queria a perfeição
e, quando não saía em total sintonia,
por cima do desenho criava um furacão.


Rasgava o próprio céu,
girava sobre o que tinha criado,
cobria tudo —
como se dissesse, sem voz:
“Se não for inteiro, ninguém vai ver.”


E ninguém via mesmo.


Mas eu vi — vi além.


Tentei falar, e ninguém se importou…


Para que dar trabalho,
se ele já estava quieto, ocupado,
com uma folha na mão?


Era apenas um estágio.


E, no fim do dia, havia sempre duas almas frustradas:


A dele —
gritando por reconhecimento.


E a minha —
aprendendo o peso de não ser ouvida.

Deus se revela...


Terminei de crescer perto de uma cidade rica...


Logo aprendi sobre as diferenças sociais...


Não entendia por que alguns tinham tanto, enquanto outros tinham tão pouco...


Hoje vivo exatamente desse jeito...


Se acredito em Deus?


Sim...


Plenamente...


Mas, pelas inconstâncias da vida, às vezes duvidei e acreditei que
Ele não morava aqui na Terra...


Que Ele morava em outro lugar,
lá na cidade rica...


Que estávamos sozinhos aqui...


Que, na verdade, já estávamos no inferno e não sabíamos...


Mas Ele veio e me mostrou os Seus passos na areia,
enquanto, tantas vezes, me carregou no colo,
lá na cidade pobre.

E Mãe Brinca?


Passei uma semana em um resort e, no penúltimo dia, vivi uma conversa muito especial.


Havia um tipo curioso de pessoas que permanecia à beira da piscina, quase imóvel.


Não podiam molhar o cabelo, mantinham sempre um penteado impecável, óculos de sol e chapéu.


Reclamavam da água quando estava quente e também quando estava fria.


Reclamavam do sol e, curiosamente, da sua ausência.


Pareciam seguir um mesmo padrão social e filosófico,como se existisse uma maneira correta de aproveitar a vida.


Eu percebia muitos olhares sobre mim, mas um deles chamou minha atenção.


Aproximei-me e disse:


— Oi!


Nenhuma resposta.


Ela me observava.
Às vezes com admiração, às vezes como quem observa algo completamente fora do comum.


Perguntei seu nome, mas não obtive resposta.


Ela me seguia com os olhos, aproximava-se e se afastava, até que finalmente criou coragem e perguntou:


— Você trabalha com o quê?


— Sou professora.


Ela pareceu surpresa.


— E professora brinca?


— Brinca.


— E professora nada?


— Nada.


— Quem é esse menino?


— É meu filho.


Então vieram as perguntas que mais me marcaram:


— E mãe brinca?


— Sim.


— Mãe nada?


— Sim.


— E mãe mergulha?


— Eu mergulho.


— E mãe usa o espaguete para nadar?


— Eu uso.


Sorri e perguntei:


— A sua mãe não faz essas coisas?


Ela respondeu com toda a sinceridade:


— Não. Nem meu pai.
Eles só sentam, conversam, me olham e depois subimos.


Fiquei em silêncio por alguns segundos.


— Entendi. Mas você pode brincar com a gente.
Quantos anos você tem?


— Tenho quatro anos.


Naquele instante, percebi que, para algumas crianças, o mais extraordinário não é um brinquedo novo, uma piscina enorme ou uma viagem inesquecível.


Às vezes, o que mais desperta encantamento é descobrir que os adultos ainda sabem brincar.


Que mães mergulham.


Que professoras nadam.


Que pais podem rir sem motivo.


E que crescer não deveria significar abandonar a alegria de viver.

Não preciso mexer nas obras de Deus.
Elas são perfeitas.
Até uma flor que se arranca precisa de um motivo, uma razão, uma circunstância;
caso contrário, é matar em vão.

Mais que destino, foi profecia

Grande demais para ter uma festa, pequena ainda para entender que ela é a homenageada, mas que a celebração é minha.

Aquele laudo inesperado, meses antes do casamento, dizendo que eu não seria mãe; as lágrimas secando, a cura e a volta da razão...

Aquilo tudo não era uma sentença, porque nada pode contra Deus, e Ele já tinha me mostrado o resultado final.

Era fé.
Era destino.
Era profecia.
Era amor.

E já estava escrito, lá nas estrelas e no meu caderno, quando eu era apenas uma adolescente.

Às minhas gêmeas, Iala e Isla, e ao caçula, Iarane Jr. Era como se o meu amigo imaginário saísse dos meus sonhos, das nossas conversas telepáticas intermináveis, e viesse ao meu encontro para ser o pai dos meus filhos. Sim, estava escrito. Eu mesma escrevi... porque Deus me permitiu.

Então, era apenas uma questão de tempo. Eu esperaria um ano, faria tratamentos, desceria qualquer escada de joelhos, não por duvidar Dele, mas porque acreditava que nada vem de graça; é preciso merecer.

Coloquei uma data, sem compreender o tempo divino. Não sabia que aquele sono inesperado durante o show do Cirque du Soleil, enquanto tentava assistir ao La Nouba, nem que o sono durante as apresentações da NASA, em Cabo Canaveral, e a fome constante no Magic Kingdom eram por acaso.

Ela era, realmente, uma princesa vivendo o seu primeiro drama: uma viagem clandestina de ida e volta, acompanhada da irmã.

Aquele teste de farmácia e o exame de sangue não eram as provas necessárias para um milagre. A confirmação viria no ultrassom. Mas a alegria e a dor, muitas vezes, moram juntas, e, naquele dia, apenas um coração batia.

Eu não estava errada. Ele não errou. Talvez fosse apenas o intervalo entre as linhas... Talvez, quando pensei que havia perdido, Deus apenas estivesse me conduzindo a um novo destino.

Logo entendi que o tempo e o espaço trabalham de maneira diferente no mundo divino. Nem toda alma gêmea chega junto, e nem todo gêmeo nasce ao mesmo tempo.

Eu iria até o infinito. Brigaria com o inimigo. Seria humilhada e viveria uma vida diferente daquela que imaginei... tudo para proteger, para vê-la feliz.

Existe algo muito maior, muito além daquilo que conseguimos compreender. É difícil explicar. Pequeno para mim e, ao mesmo tempo, grande demais para uma menina entender que tudo é uma questão de amor e fé...

Ou talvez de fé e amor.

A Minha Versão sobre Jó, da Bíblia, e o Despertar
A minha versão...

Esta é uma interpretação livre, inspirada em personagens, histórias e ensinamentos que marcaram a humanidade.

Não pretende substituir o texto original, nem reproduzi-lo fielmente. É apenas um convite à reflexão, sob um novo olhar, onde a literatura, a imaginação e a espiritualidade se encontram.

Cada leitor é livre para concordar, discordar ou encontrar novos significados, pois toda grande história continua viva quando desperta perguntas em nossa própria alma.

A Minha Versão sobre Jó, da Bíblia, e o Despertar

Jó vivia plenamente, em total sintonia. Acreditava em Deus e em Seus ensinamentos.

A tranquilidade reinava em sua vida. Tinha tudo de que precisava e acreditava que era feliz.

Mas aquela não era a sua verdadeira vida, nem aquele era o seu destino. Havia chegado a hora da mudança divina.

Quando Deus nos toma nos braços para restaurar a nossa vida.

Jó havia sido um bom homem durante toda a sua existência, cheio de fé, e merecia algo grandioso.

Ele tinha um propósito. Precisava estar seguro, protegido da maldade e de todas as más influências.

Vivia em um castelo de areia. Seu telhado era de vidro e até a própria vida corria perigo.

Seria difícil, mas a verdade lhe seria revelada. A máscara cairia, o véu da ilusão seria retirado e, mesmo através da dor, ele enxergaria a vida como ela realmente era.

Tudo era uma mentira: os amigos, a família...

Nada daquilo existia de verdade.

Era o seu despertar. Deus precisava trazer Seu amado filho para mais perto, para os Seus braços.

E assim foi feito.

Durante toda a vida, Jó foi preparado. Desde o nascimento, passou por inúmeras provas e, pouco a pouco, venceu cada uma delas com bondade, humildade e fé.

Sem perceber, com o passar dos anos, foi morar com a família em um lugar distante e isolado, onde os longos momentos de contemplação da natureza e da simplicidade da vida eram inevitáveis.

Durante muito tempo, não percebeu que vivia praticamente só. Quase não tinha amigos. Apesar de ser muito rico, possuir terras imensas, filhos, esposa e trabalhadores, era como se governasse uma pequena colônia. Aquilo era o seu reino, e ele era o rei.

As amizades haviam ficado no passado. Ninguém o procurava, ninguém voltava. Então compreendeu que apenas os verdadeiros permaneceram.

Mas agora tudo seria colocado à prova. Havia chegado a hora. Jó precisava ser curado de qualquer fantasia.

Precisava alcançar a plenitude, um estado de iluminação, pureza e aprimoramento moral e espiritual.

Aparentemente, possuía tudo, mas nada o completava.

Muitas vezes sentia um vazio que não conseguia explicar. Achava injusto sentir-se assim diante de tantas bênçãos.

Então Deus segurou sua mão.

Mostrou-lhe todos os dias de sua vida: as alegrias, as dores e todos os momentos em que jamais esteve sozinho.

Mostrou também que o havia afastado de tudo aquilo que poderia lhe fazer mal. Aquele reino era uma proteção, mas já não bastava.

Avisou que seria doloroso. Que abalaria tudo em que acreditava. Mas, ao final, tudo seria esclarecido e ele contemplaria a verdade com os próprios olhos.

E assim começou.

Vieram a seca, as pragas e outros fenômenos da natureza. Ele perdeu grande parte de suas riquezas e, junto delas, os poucos amigos que ainda restavam.

A situação apenas piorava, e já não havia ninguém com quem pudesse contar.

Fornecedores e compradores lhe fechavam as portas, impedindo até mesmo que se aproximasse.

Ainda lhe restavam o reino e a família.

Mas, conforme a riqueza diminuía, seus trabalhadores também partiam.

Seus filhos começaram a disputar os bens. Cada um queria garantir sua parte antes que tudo fosse perdido.

Alguns passaram a beber, a provocar confusões e até a desejar a morte do próprio pai, pois o consideravam um obstáculo.

As filhas também passaram a buscar casamentos ou qualquer forma de manter o padrão de vida que o dinheiro lhes proporcionava.

Sem se importar com a própria segurança ou dignidade, entregavam-se a qualquer pessoa.

Tudo isso aconteceu aos poucos.

E Jó percebia tudo com enorme clareza.

Via como sua vida era instável.

As pessoas ao seu redor amavam mais o patrimônio do que o próprio homem.

Sempre agradeceu por tudo o que possuía, mas valorizava as pessoas por sua essência. Amava a natureza, a simplicidade e a própria vida.

A indiferença dos filhos o assustava. Havia algo em seus olhares que já não reconhecia.

Compreendeu que vivia apenas em uma zona de conforto. O amor que recebia nunca existira de verdade.

Cada acontecimento presente o levava a uma lembrança do passado. Tudo estava interligado.

Agora entendia muitas coisas.

Nada mais o atingia da mesma maneira.

Sabia que possuía um propósito e que Deus o protegia.

Alguns de seus filhos morreram em consequência de brigas, doenças e da própria ganância.

As filhas, que haviam vendido seus sonhos por uma vida aparentemente melhor, também tiveram finais trágicos. Casaram-se sem amor e foram morrendo aos poucos, vítimas da violência, de partos difíceis e de escolhas equivocadas.

Jó sofria a cada perda, mas compreendia que cada um havia feito as próprias escolhas.

Os últimos morreram disputando entre si a pequena herança de um pai que ainda estava vivo.

Jó passou a ser conhecido como o homem que tinha tudo e perdeu tudo.

Mas ele enxergava de outra forma.

Descobriu que, na verdade, nunca possuíra nada.

Quando mais precisou, percebeu que sempre esteve sozinho.

E agora, aparentemente sem nada, sentia-se mais forte do que nunca.

Algo poderoso nascia dentro dele.

Sua fé crescia a cada dia.

Talvez já nem fosse fé.

Porque fé é acreditar no invisível.

E ele já via.

A presença de Deus era nítida.

Jó havia alcançado outro nível de consciência.

Os incrédulos colocavam sua sanidade em dúvida. Diziam que o sofrimento pelas perdas financeiras e familiares o havia enlouquecido.

As pessoas costumam se defender daquilo que não compreendem. Criam histórias, inventam culpados e se isentam da própria responsabilidade.

Mas, pela primeira vez, Jó enxergava a realidade sem véus e sem máscaras.

Sofria, não pelas perdas em si, mas pelas circunstâncias que revelavam quem as pessoas realmente eram.

Ele via além.

Via aquilo que ninguém conseguia compreender.

Mas ainda havia aprendizado.

Jó amava intensamente.

Acreditava na família e no amor.

As revelações chegavam todos os dias, uma após a outra.

Cada ilusão desfeita era uma nova dor.

Tudo era pesado demais para um homem tão bondoso.

E essas verdades começaram a adoecê-lo.

O que mais o assustava era perceber que sua esposa não era digna da confiança que ele lhe dedicara.

Havia tudo naquela relação, menos amor.

Percebeu que amava sozinho.

Que havia se entregado por inteiro em vão.

Entendeu que, se adoecesse, não receberia os cuidados de que precisaria.

Morreria ali mesmo, abandonado ao chão.

De longe, todos admiravam aquele casal que havia sobrevivido a tantas perdas.

Mas Jó enxergava outra realidade.

Não compreendia por que ela permanecia ao seu lado.

Sua presença lhe fazia mal.

Seu olhar parecia atravessá-lo como uma lança.

Sentia-se tenso.

Seu corpo e sua sabedoria já não funcionavam como antes.

Havia algo sombrio naquele olhar, algo que apagava qualquer luz que ele tentasse irradiar.

Na ausência dela, sentia-se melhor.

Ao revisitar o passado, percebeu o quanto havia mudado ao seu lado.

Perdera, pouco a pouco, sua alegria e sua personalidade.

Aquilo que chamava de amor era tudo, menos amor.

Parecia até algo maligno.

Mas foi justamente nessa convivência que mais aprendeu sobre si mesmo e sobre o mundo.

Então compreendeu por que ela ainda fazia parte de sua história.

Era sua maior professora.

Aquela que acreditava amar.

Essa descoberta o fez adoecer ainda mais.

Muitos diziam que era um castigo divino.

Afinal, havia perdido tudo e apenas a esposa permanecera.

Mas Jó sabia.

Sua dor vinha de amar quem jamais o amou da mesma maneira.

E, como temia, no auge da doença, sem receber qualquer cuidado, ouviu apenas palavras que julgavam sua integridade, sua fé e até mesmo seu maior amigo: Deus.

Tentavam afastá-lo Daquele que lhe mostrara a verdade.

Daquele que o havia libertado de um mundo de ilusões, hipocrisia e falsidade.

Mas a verdade o libertava.

O engrandecia de uma forma que ninguém compreendia.

Agradecia por cada descoberta.

Tudo aquilo que possuíra era apenas material.

Nada preenchia sua alma.

Desejou recomeçar.

Se pudesse voltar, faria tudo diferente.

Valorizaria mais o essencial.

Ensinaria aos filhos aquilo que realmente importa.

Não permitiria ser manipulado pela esposa e jamais voltaria a ser submisso.

Então Deus lhe permitiu construir uma nova realidade.

Agora ele estava pronto.

Havia renascido da dor.

Quando se aproximava da morte, sua voz transformava-se em oração.

Não havia mágoa.

Nem solidão.

Deus estava ali.

E ele sentia paz.

Confiava plenamente no Senhor.

Percebia que vivera fingindo uma felicidade que nunca existiu.

E foi justamente à beira da morte que uma nova esperança nasceu.

Sua saúde foi restaurada.

Milagres aconteceram.

E, de uma forma ou de outra, toda a sua prosperidade lhe foi devolvida.

Vieram novos filhos.

Dessa vez, ele faria diferente.

Era tempo de colheita.

Era tempo de renascimento.

Achava estranho aquele novo modo de viver.

Pois, pela primeira vez, era verdadeiramente feliz.

Mas Deus ainda guardava o melhor.

Por causa de sua fé inabalável, de sua honestidade e de sua bondade, algo extraordinário ainda estava por vir.

E, como tantas vezes acontece após uma grande dor, veio a perda de sua esposa.

Mais tarde, ele compreenderia o porquê.

Enquanto vivia todas aquelas provações, em outro lugar alguém também atravessava dores semelhantes.

Dois destinos preparados por Deus.

Predestinados.

Escritos nas estrelas.

E, enfim, Jó conheceu o seu amor verdadeiro.

Pontes da liberdade


Me jogaram Pedras, construí uma ponte, assim, posso ir além, desafiar os meus limites e conquistar lugares inalcançáveis.
Quando você cria muros é você que fica preso.

O luto da “Vida” — 200 dias

Quando nasce uma criança especial, nasce um sentimento. Nasce a culpa, a revolta, nasce um luto. Aquela criança não é a que imaginaram, não é o que sempre sonharam. Mas nenhuma criança é exatamente aquilo que imaginamos ou sonhamos.

E, enquanto se sonha com uma criança que não existe, há uma ali, querendo abraços, querendo um olhar de amor, sorrindo sozinha...

Enquanto cresce, espera ser apreciada pelo que é, e não pelo que deveria ter sido.

Ainda não lhe deram a chance de aparecer, de mostrar para que veio.

E sua cabeça de “pai”, racional demais, não sabe o que pensar. E, baixinho, com medo de ser ouvida, pergunta:

— Para que nasceu? Por que ainda vive?

Enquanto isso, seu coração, acelerado como sempre, já ultrapassou o tempo e sofre calado, por medo de um dia vê-la partir ou de partir primeiro.

Quando alguém deixa ou se vai, não está abandonando aquele bebê, e sim a si mesmo. Está antecipando a própria dor, diminuindo o amor, protegendo-se de algo que acredita ser inevitável.

Mas quem sou eu para falar?

Não tenho filhos assim.

A vida, porém, me deu essa oportunidade.

Por impulsividade, troquei de escola e me tornei professora de dois adolescentes com deficiências múltiplas.

Para mim, era normal.

Eu simplesmente havia mudado de escola e tinha uma variedade de alunos.

Até começarem os comentários.

Comentários de lá, de todos os lugares... Gente dizendo que eu deveria desistir. Outros sofrendo por mim, lamentando a minha “falta de sorte”.

Eu não entendia.

Por que desistir?

Por que aquela seria uma escolha ruim?

Até que, cinco dias depois — no feriado prolongado de Carnaval —, aconteceu.

Era sábado.

De repente, senti o cheirinho de perfume de bebê de um deles.

Não quis acreditar.

Talvez fosse apenas uma lembrança.

Talvez fosse imaginação.

Mas aquele cheiro deixou uma lacuna em algum lugar aqui dentro.

Na terça-feira, senti falta do outro.

Talvez eu ainda estivesse em negação.

Talvez alguma coisa dentro de mim já soubesse, enquanto eu ainda tentava entender.

Era algo que gritava.

Algo intenso demais para passar despercebido.

E, então, pronto.

Não podia mais negar.

Eu estava apaixonada por eles.

E, naquele instante, tudo mudou.

Eu iria cuidar.

Iria protegê-los como pudesse.

Faria o meu melhor.

Quis devolver.

Mas, para esse tipo de coisa, não existe devolução.

Então, tive que usá-los.

Usei os outros 195 dias para brincar, cuidar, ensinar...

200 dias tinham sido muito.

Para que tanto?

Hoje eu sei.

Não precisei de 200 dias para amá-los.

Precisei de apenas cinco para descobrir que já os amava.

Realmente, 200 dias foram, exageradamente, bastante para alguém que não os teria; para alguém que estava apenas de passagem por suas vidas e que passaria o resto da vida sufocando a saudade.

Talvez os 200 dias não tenham sido dados para que eu aprendesse a amá-los.

Talvez tenham sido dados para que eu descobrisse que, depois de amar, não existe devolução.

Quando a Dor Pede Passagem


Uma história foi contada, e a pergunta veio ligeira,
como se já estivesse pronta para atacar.


Da boca de alguém que carregava a igreja no peito
e falava de Deus de boca cheia.


Perguntou-me, sem receio:


— E por que não com você?


— E... por que não comigo?


Foi tão inesperado que fiquei sem palavras.


Porque a resposta era simples e óbvia:


Nada daquilo deveria acontecer com ninguém.


Nem todas as minhas dores são minhas,
mas são pesadas demais para serem ignoradas.


Antes, eu achava que apenas fingia sentir a dor do outro,
como se fosse algo encenado dentro de mim,
algo que, aos poucos, mesmo no silêncio, ganhava forma.


Hoje, sei que não.


Não preciso encenar, porque essas dores realmente se tornam minhas.


Mesmo sem entender como, elas me alcançam.


Ultrapassam a realidade, ultrapassam a física...
e eu as sinto.


E, depois disso, torna-se impossível não fazer nada.
Impossível fingir ausência.


Porque a dor permanece aqui dentro, crescendo,
grande e intensa demais para que eu me faça invisível.


Então, eu vou.


Sem pensar muito, eu me entrego.


Coloco-me no lugar do outro.


Vou para a frente, para defender,
para que a justiça seja feita.


Existem situações que ninguém deveria viver.


E algumas pessoas passam pela vida apenas olhando.


Eu não consigo.


Quando a dor me encontra,
ela me pede passagem.


E, de alguma forma,
acaba me levando junto.


Edineurai SaMarSi

Parede de Vidro


Fico aqui imaginando uma vida sem você...
Uma realidade onde posso ser feliz,
sem precisar contar contigo...


Deixar de estar atrás dessa parede de vidro,
onde te vejo, mas não posso te tocar...


E te sentir é o que mais preciso...
Mas vou ficar bem...
Em um universo onde você não existe...


Fingindo que o meu coração
não estar acelerado...
Que a minha alma não está quebrada.....


Que o que mais queria
é voltar para a parede de vidro.


Porque eu sei quem você é...
Você é um estranho que me completa...


Que quero ter você sempre comigo,
mesmo que seja pela parede de vidro...


Porque chamam de doença,
dizem que é ansiedade...
Se o que eu sinto
é apenas um amor de verdade.


Faltou palavras para dizer -
O que sinto por você...


Faltou palavras agora eu sei...


É tarde demais...

As unhas da infância

Conversando com uma das minhas afilhadas Babys, de 9 anos, enquanto fazíamos pipoca, convidei-a para pintar as unhas com a minha filha.

Ela me disse que não tinha unhas. Explicou que as deixava crescer, mas elas não cresciam.

Então, perguntei:

— Por que não crescem?

E ela respondeu:

— Porque eu como!

Comecei a rir enquanto tentava explicar que suas unhas ficariam lindas, bem coloridas; que seria apenas uma brincadeira, muito divertida, e que não precisava se preocupar, pois, com o tempo, deixaria essa mania.

Expliquei também que tudo isso fazia parte do seu desenvolvimento e que cada pessoa tem seu próprio jeito de crescer.

E fiquei pensando...

Quantas vezes esperamos que as coisas aconteçam no tempo que consideramos certo, esquecendo que cada pessoa tem seu próprio ritmo?

Na infância, existem pequenas manias, descobertas, medos e comportamentos que, aos olhos dos adultos, podem parecer bobos, mas que fazem parte de um mundo que a criança ainda está aprendendo a compreender.

Talvez crescer seja justamente isso: aprender, aos poucos, a lidar com as próprias vontades, descobrir novos caminhos e abandonar, no seu devido tempo, aquilo que já não faz sentido.

Afinal, nem todas as unhas crescem no mesmo ritmo, assim como nem todas as crianças aprendem da mesma maneira.

O importante é não tentar apressar a infância, mas oferecer carinho, paciência e compreensão para que cada criança possa crescer no seu próprio tempo.

Porque a infância passa depressa, mas a maneira como acolhemos uma criança pode acompanhá-la por toda a vida.

Os ipês

Vejo o ipê amarelo
A minha alma se enche de
Uma alegria sem fim...

Me lembra do Sol
A imagem de Um lindo dia...
É a mais pura perfeição..

Olho para o outro lado
E vejo o ipê branco
É singelo, trás uma alegria plena...
Na medida certa
É uma beleza pura e verdadeira.

Me lembra a lua e o seu encantamento...
É a neve brasileira
É cinza, rosado
ou lilás.
É mágico...

Tem o ipê rosa
É amor perfeito...
Não pelo homem ou pela mulher
Mas pelo mundo inteiro.

É a natureza falando,
gritando por bondade
Por amizade, por respeito...

Então, vejo o ipê lilás
Ele é tudo isso...
É a noite
É o dia
É amor
É alegria

Se me perguntarem de qual gosto mais...

Não saberia explicar...

Gosto muito de todos...
gosto de todos um pouco...

Cada um tem um pedaço do outro...

Nenhum é um só...

Um trás a mensagem de todos...

Guarda a lembrança...
A beleza
Trás a esperança...
A força...

Guarda Deus!

Os meus tesouros


Um dia, voltando de uma viagem internacional, eu estava tomando todo cuidado com as minhas coisas especiais.


Enquanto organizava a mala, falei:


— Estou cuidando dos meus tesouros!


Ian me olhou e, com aquela sinceridade que só os filhos conseguem ter, respondeu:


— Nossa, mãe... se alguém ouvir isso e roubar sua mala, vai morrer de decepção quando abrir e descobrir que seus tesouros são balas, chocolates, brinquedinhos e bichinhos de pelúcia!


Eu ri.


Porque ele tinha razão.


Talvez um ladrão realmente esperasse encontrar ouro, joias ou dinheiro.


Mas encontraria os meus tesouros.


E talvez fosse justamente aí que estivesse a diferença.


Para ele, eram apenas balas, chocolates e brinquedos.
Para mim, eram lembranças.


E, afinal, não é isso que faz alguma coisa ser um tesouro?


O valor que ela tem para quem a guarda. 🥰🧸🍫🍬

Sobre a fidelidade: uma boa companhia é como um bom livro; não se consegue ler dois ao mesmo tempo, e nem sequer se deseja fazê-lo.

O ignorante discute política como se fosse dono da verdade. O sábio entende que, em uma democracia, respeitar a liberdade de escolha do outro é tão importante quanto defender a própria opinião. Quem não aceita opiniões diferentes não está defendendo a democracia, mas o próprio ego.