As unhas da infância Conversando com... Edineurai SaMarSi

As unhas da infância

Conversando com uma das minhas afilhadas Babys, de 9 anos, enquanto fazíamos pipoca, convidei-a para pintar as unhas com a minha filha.

Ela me disse que não tinha unhas. Explicou que as deixava crescer, mas elas não cresciam.

Então, perguntei:

— Por que não crescem?

E ela respondeu:

— Porque eu como!

Comecei a rir enquanto tentava explicar que suas unhas ficariam lindas, bem coloridas; que seria apenas uma brincadeira, muito divertida, e que não precisava se preocupar, pois, com o tempo, deixaria essa mania.

Expliquei também que tudo isso fazia parte do seu desenvolvimento e que cada pessoa tem seu próprio jeito de crescer.

E fiquei pensando...

Quantas vezes esperamos que as coisas aconteçam no tempo que consideramos certo, esquecendo que cada pessoa tem seu próprio ritmo?

Na infância, existem pequenas manias, descobertas, medos e comportamentos que, aos olhos dos adultos, podem parecer bobos, mas que fazem parte de um mundo que a criança ainda está aprendendo a compreender.

Talvez crescer seja justamente isso: aprender, aos poucos, a lidar com as próprias vontades, descobrir novos caminhos e abandonar, no seu devido tempo, aquilo que já não faz sentido.

Afinal, nem todas as unhas crescem no mesmo ritmo, assim como nem todas as crianças aprendem da mesma maneira.

O importante é não tentar apressar a infância, mas oferecer carinho, paciência e compreensão para que cada criança possa crescer no seu próprio tempo.

Porque a infância passa depressa, mas a maneira como acolhemos uma criança pode acompanhá-la por toda a vida.