Mais que destino, foi profecia Grande... Edineurai SaMarSi

Mais que destino, foi profecia

Grande demais para ter uma festa, pequena ainda para entender que ela é a homenageada, mas que a celebração é minha.

Aquele laudo inesperado, meses antes do casamento, dizendo que eu não seria mãe; as lágrimas secando, a cura e a volta da razão...

Aquilo tudo não era uma sentença, porque nada pode contra Deus, e Ele já tinha me mostrado o resultado final.

Era fé.
Era destino.
Era profecia.
Era amor.

E já estava escrito, lá nas estrelas e no meu caderno, quando eu era apenas uma adolescente.

Às minhas gêmeas, Iala e Isla, e ao caçula, Iarane Jr. Era como se o meu amigo imaginário saísse dos meus sonhos, das nossas conversas telepáticas intermináveis, e viesse ao meu encontro para ser o pai dos meus filhos. Sim, estava escrito. Eu mesma escrevi... porque Deus me permitiu.

Então, era apenas uma questão de tempo. Eu esperaria um ano, faria tratamentos, desceria qualquer escada de joelhos, não por duvidar Dele, mas porque acreditava que nada vem de graça; é preciso merecer.

Coloquei uma data, sem compreender o tempo divino. Não sabia que aquele sono inesperado durante o show do Cirque du Soleil, enquanto tentava assistir ao La Nouba, nem que o sono durante as apresentações da NASA, em Cabo Canaveral, e a fome constante no Magic Kingdom eram por acaso.

Ela era, realmente, uma princesa vivendo o seu primeiro drama: uma viagem clandestina de ida e volta, acompanhada da irmã.

Aquele teste de farmácia e o exame de sangue não eram as provas necessárias para um milagre. A confirmação viria no ultrassom. Mas a alegria e a dor, muitas vezes, moram juntas, e, naquele dia, apenas um coração batia.

Eu não estava errada. Ele não errou. Talvez fosse apenas o intervalo entre as linhas... Talvez, quando pensei que havia perdido, Deus apenas estivesse me conduzindo a um novo destino.

Logo entendi que o tempo e o espaço trabalham de maneira diferente no mundo divino. Nem toda alma gêmea chega junto, e nem todo gêmeo nasce ao mesmo tempo.

Eu iria até o infinito. Brigaria com o inimigo. Seria humilhada e viveria uma vida diferente daquela que imaginei... tudo para proteger, para vê-la feliz.

Existe algo muito maior, muito além daquilo que conseguimos compreender. É difícil explicar. Pequeno para mim e, ao mesmo tempo, grande demais para uma menina entender que tudo é uma questão de amor e fé...

Ou talvez de fé e amor.