A Minha Versão sobre Jó, da Bíblia, e... Edineurai SaMarSi
A Minha Versão sobre Jó, da Bíblia, e o Despertar
A minha versão...
Esta é uma interpretação livre, inspirada em personagens, histórias e ensinamentos que marcaram a humanidade.
Não pretende substituir o texto original, nem reproduzi-lo fielmente. É apenas um convite à reflexão, sob um novo olhar, onde a literatura, a imaginação e a espiritualidade se encontram.
Cada leitor é livre para concordar, discordar ou encontrar novos significados, pois toda grande história continua viva quando desperta perguntas em nossa própria alma.
A Minha Versão sobre Jó, da Bíblia, e o Despertar
Jó vivia plenamente, em total sintonia. Acreditava em Deus e em Seus ensinamentos.
A tranquilidade reinava em sua vida. Tinha tudo de que precisava e acreditava que era feliz.
Mas aquela não era a sua verdadeira vida, nem aquele era o seu destino. Havia chegado a hora da mudança divina.
Quando Deus nos toma nos braços para restaurar a nossa vida.
Jó havia sido um bom homem durante toda a sua existência, cheio de fé, e merecia algo grandioso.
Ele tinha um propósito. Precisava estar seguro, protegido da maldade e de todas as más influências.
Vivia em um castelo de areia. Seu telhado era de vidro e até a própria vida corria perigo.
Seria difícil, mas a verdade lhe seria revelada. A máscara cairia, o véu da ilusão seria retirado e, mesmo através da dor, ele enxergaria a vida como ela realmente era.
Tudo era uma mentira: os amigos, a família...
Nada daquilo existia de verdade.
Era o seu despertar. Deus precisava trazer Seu amado filho para mais perto, para os Seus braços.
E assim foi feito.
Durante toda a vida, Jó foi preparado. Desde o nascimento, passou por inúmeras provas e, pouco a pouco, venceu cada uma delas com bondade, humildade e fé.
Sem perceber, com o passar dos anos, foi morar com a família em um lugar distante e isolado, onde os longos momentos de contemplação da natureza e da simplicidade da vida eram inevitáveis.
Durante muito tempo, não percebeu que vivia praticamente só. Quase não tinha amigos. Apesar de ser muito rico, possuir terras imensas, filhos, esposa e trabalhadores, era como se governasse uma pequena colônia. Aquilo era o seu reino, e ele era o rei.
As amizades haviam ficado no passado. Ninguém o procurava, ninguém voltava. Então compreendeu que apenas os verdadeiros permaneceram.
Mas agora tudo seria colocado à prova. Havia chegado a hora. Jó precisava ser curado de qualquer fantasia.
Precisava alcançar a plenitude, um estado de iluminação, pureza e aprimoramento moral e espiritual.
Aparentemente, possuía tudo, mas nada o completava.
Muitas vezes sentia um vazio que não conseguia explicar. Achava injusto sentir-se assim diante de tantas bênçãos.
Então Deus segurou sua mão.
Mostrou-lhe todos os dias de sua vida: as alegrias, as dores e todos os momentos em que jamais esteve sozinho.
Mostrou também que o havia afastado de tudo aquilo que poderia lhe fazer mal. Aquele reino era uma proteção, mas já não bastava.
Avisou que seria doloroso. Que abalaria tudo em que acreditava. Mas, ao final, tudo seria esclarecido e ele contemplaria a verdade com os próprios olhos.
E assim começou.
Vieram a seca, as pragas e outros fenômenos da natureza. Ele perdeu grande parte de suas riquezas e, junto delas, os poucos amigos que ainda restavam.
A situação apenas piorava, e já não havia ninguém com quem pudesse contar.
Fornecedores e compradores lhe fechavam as portas, impedindo até mesmo que se aproximasse.
Ainda lhe restavam o reino e a família.
Mas, conforme a riqueza diminuía, seus trabalhadores também partiam.
Seus filhos começaram a disputar os bens. Cada um queria garantir sua parte antes que tudo fosse perdido.
Alguns passaram a beber, a provocar confusões e até a desejar a morte do próprio pai, pois o consideravam um obstáculo.
As filhas também passaram a buscar casamentos ou qualquer forma de manter o padrão de vida que o dinheiro lhes proporcionava.
Sem se importar com a própria segurança ou dignidade, entregavam-se a qualquer pessoa.
Tudo isso aconteceu aos poucos.
E Jó percebia tudo com enorme clareza.
Via como sua vida era instável.
As pessoas ao seu redor amavam mais o patrimônio do que o próprio homem.
Sempre agradeceu por tudo o que possuía, mas valorizava as pessoas por sua essência. Amava a natureza, a simplicidade e a própria vida.
A indiferença dos filhos o assustava. Havia algo em seus olhares que já não reconhecia.
Compreendeu que vivia apenas em uma zona de conforto. O amor que recebia nunca existira de verdade.
Cada acontecimento presente o levava a uma lembrança do passado. Tudo estava interligado.
Agora entendia muitas coisas.
Nada mais o atingia da mesma maneira.
Sabia que possuía um propósito e que Deus o protegia.
Alguns de seus filhos morreram em consequência de brigas, doenças e da própria ganância.
As filhas, que haviam vendido seus sonhos por uma vida aparentemente melhor, também tiveram finais trágicos. Casaram-se sem amor e foram morrendo aos poucos, vítimas da violência, de partos difíceis e de escolhas equivocadas.
Jó sofria a cada perda, mas compreendia que cada um havia feito as próprias escolhas.
Os últimos morreram disputando entre si a pequena herança de um pai que ainda estava vivo.
Jó passou a ser conhecido como o homem que tinha tudo e perdeu tudo.
Mas ele enxergava de outra forma.
Descobriu que, na verdade, nunca possuíra nada.
Quando mais precisou, percebeu que sempre esteve sozinho.
E agora, aparentemente sem nada, sentia-se mais forte do que nunca.
Algo poderoso nascia dentro dele.
Sua fé crescia a cada dia.
Talvez já nem fosse fé.
Porque fé é acreditar no invisível.
E ele já via.
A presença de Deus era nítida.
Jó havia alcançado outro nível de consciência.
Os incrédulos colocavam sua sanidade em dúvida. Diziam que o sofrimento pelas perdas financeiras e familiares o havia enlouquecido.
As pessoas costumam se defender daquilo que não compreendem. Criam histórias, inventam culpados e se isentam da própria responsabilidade.
Mas, pela primeira vez, Jó enxergava a realidade sem véus e sem máscaras.
Sofria, não pelas perdas em si, mas pelas circunstâncias que revelavam quem as pessoas realmente eram.
Ele via além.
Via aquilo que ninguém conseguia compreender.
Mas ainda havia aprendizado.
Jó amava intensamente.
Acreditava na família e no amor.
As revelações chegavam todos os dias, uma após a outra.
Cada ilusão desfeita era uma nova dor.
Tudo era pesado demais para um homem tão bondoso.
E essas verdades começaram a adoecê-lo.
O que mais o assustava era perceber que sua esposa não era digna da confiança que ele lhe dedicara.
Havia tudo naquela relação, menos amor.
Percebeu que amava sozinho.
Que havia se entregado por inteiro em vão.
Entendeu que, se adoecesse, não receberia os cuidados de que precisaria.
Morreria ali mesmo, abandonado ao chão.
De longe, todos admiravam aquele casal que havia sobrevivido a tantas perdas.
Mas Jó enxergava outra realidade.
Não compreendia por que ela permanecia ao seu lado.
Sua presença lhe fazia mal.
Seu olhar parecia atravessá-lo como uma lança.
Sentia-se tenso.
Seu corpo e sua sabedoria já não funcionavam como antes.
Havia algo sombrio naquele olhar, algo que apagava qualquer luz que ele tentasse irradiar.
Na ausência dela, sentia-se melhor.
Ao revisitar o passado, percebeu o quanto havia mudado ao seu lado.
Perdera, pouco a pouco, sua alegria e sua personalidade.
Aquilo que chamava de amor era tudo, menos amor.
Parecia até algo maligno.
Mas foi justamente nessa convivência que mais aprendeu sobre si mesmo e sobre o mundo.
Então compreendeu por que ela ainda fazia parte de sua história.
Era sua maior professora.
Aquela que acreditava amar.
Essa descoberta o fez adoecer ainda mais.
Muitos diziam que era um castigo divino.
Afinal, havia perdido tudo e apenas a esposa permanecera.
Mas Jó sabia.
Sua dor vinha de amar quem jamais o amou da mesma maneira.
E, como temia, no auge da doença, sem receber qualquer cuidado, ouviu apenas palavras que julgavam sua integridade, sua fé e até mesmo seu maior amigo: Deus.
Tentavam afastá-lo Daquele que lhe mostrara a verdade.
Daquele que o havia libertado de um mundo de ilusões, hipocrisia e falsidade.
Mas a verdade o libertava.
O engrandecia de uma forma que ninguém compreendia.
Agradecia por cada descoberta.
Tudo aquilo que possuíra era apenas material.
Nada preenchia sua alma.
Desejou recomeçar.
Se pudesse voltar, faria tudo diferente.
Valorizaria mais o essencial.
Ensinaria aos filhos aquilo que realmente importa.
Não permitiria ser manipulado pela esposa e jamais voltaria a ser submisso.
Então Deus lhe permitiu construir uma nova realidade.
Agora ele estava pronto.
Havia renascido da dor.
Quando se aproximava da morte, sua voz transformava-se em oração.
Não havia mágoa.
Nem solidão.
Deus estava ali.
E ele sentia paz.
Confiava plenamente no Senhor.
Percebia que vivera fingindo uma felicidade que nunca existiu.
E foi justamente à beira da morte que uma nova esperança nasceu.
Sua saúde foi restaurada.
Milagres aconteceram.
E, de uma forma ou de outra, toda a sua prosperidade lhe foi devolvida.
Vieram novos filhos.
Dessa vez, ele faria diferente.
Era tempo de colheita.
Era tempo de renascimento.
Achava estranho aquele novo modo de viver.
Pois, pela primeira vez, era verdadeiramente feliz.
Mas Deus ainda guardava o melhor.
Por causa de sua fé inabalável, de sua honestidade e de sua bondade, algo extraordinário ainda estava por vir.
E, como tantas vezes acontece após uma grande dor, veio a perda de sua esposa.
Mais tarde, ele compreenderia o porquê.
Enquanto vivia todas aquelas provações, em outro lugar alguém também atravessava dores semelhantes.
Dois destinos preparados por Deus.
Predestinados.
Escritos nas estrelas.
E, enfim, Jó conheceu o seu amor verdadeiro.
