Um Poema para as Maes Drummond

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Das sete faces do desprezo
A Carlos Drummond de Andrade

Quando eu nasci, não teve sequer um anjo torto
Que me dissesse que a vida não é
Tão fácil o quanto parece ser
Disse: Vai, Valter, ser baiano na vida.

Ladeiras faz bem ao coração
Jovens apaixonados na esquina
Dizendo que não se apega a ninguém.
A tarde de puro sol, o perigo
É imprevisível mesmo que o dia
Seja azul.

O ser vestido de uniforme
Vai trabalhar no ônibus lotado
Sequer sabe se vai ser assaltado,
Acha que tem muitos amigos
No fim de semana.
O ser vestido de uniforme,
Mal sabe quando vai quebrar a cara.

Meu Deus, que sociedade de muita fé,
Que muito chama pelo Senhor,
Pessoas de muita fé e pouco amor.

Mundo mundo vasto mundo
Se eu me chamasse Carlos,
Eu seria outro poeta (?)
Nesse mundo vasto
Que maltrata meu coração.
Mundo mundo vasto mundo
Chega de ilusão?

Eu bem que vou dizer,
Esse mundo cheio de gente eu solitário
Em meu ego e vaidade
Vou me afogando
Sem sequer um abraço!

Valter Bitencourt Júnior
LiteraLivre, São Paulo, v. 4, n. 21, p. 215, mai./jun. 2020.

Cinema
(Victor Bhering Drummond)

Sim, eu vi a luz
Como o reflexo de um prisma
Ela invadiu a sala
Tocou minhas retinas
Como um toque de cura
Hipnotizou meus sentidos
Calou a plateia
E foi aos poucos projetando
Romance, drama, comédia
Aventura, ficção, ação
Semanalmente para
O roteiro real da vida de cada um
Que precisa de pausas eventuais
Para encontrar com ela,
A majestosa luz
Que projeta sonhos dos outros
Alimentados por nossa imaginação

Aquele projetor mágico
Transforma a cidade pequena
Num grande cenário de hollywood
Nem que seja por uns instantes
E leva Brigittes, Audreys, James, Leonardos, Elvys para quase sentarem-se ao lado
Do pobre cavalheiro abandonado
Ou beijar os lábios da dama
À espera de seu príncipe encantado

Ah! A luz! A luz do cinema
Me faz fazer poema
Como se ele tivesse o mesmo fôlego
De um roteiro.
Meus pobres atores
Não podem competir
Com essa luz poderosa
Da Mulher-Maravilha.
Vamos deixar que essa luz que me enfeitiça
Siga sua trilha
E inspire mais poetas encantados
Com seu furor que nos
Paralisa e atiça.

Inserida por victordrummond

SOB ESCOMBROS

Um tempo houve em que,
de tão próximo, quase podias ouvir
o silêncio do mundo pulsando
onde também tu eras mundo, coisa pulsante.

Extinguiu-se esse canto
não na morte
mas na vida excluída
da clarividência da infância

e de tudo o que pulsa,
fins e começos,
e corrompida pela estridência
e pela heterogeneidade.

Agora respondes por nomes supostos,
habitante de países hábeis e reais,
e precisas de ajuda para as coisas mais simples,
o pensamento, o sofrimento, a solidão.

A música, só voltarás a escutá-la
numa noite lívida,
uma noite mais vulnerável do que todas
(o presente desvanecendo-se, o passado cada vez mais lento)
um pouco antes de adormeceres
sob escombros.

Urbanização

Tudo o que vivêramos
um dia fundiu-se
com o que estava
a ser vivido.
Não na memória
mas no puro espaço
dos cinco sentidos.
Havíamos estado no mundo, raso,
um campo vazio de tojo seco.

Depois, alguém
urbanizou o vazio,
e havia casas e habitantes
sobre o tojo. E eu,
que estivera sempre presente,
vi a dupla configuração de um campo,
ou a sós em silêncio
ou narrando esse meu ver.

Jake: Pensava que você tinha um encontro esta noite?
Charlie: Não era um encontro. Uma experiência de encontro.
Megan: Qual é a diferença?
Charlie: Cerca de R$1500.

Encontro-me de pé sob um céu estrelado
E sinto como o mundo rasteja
no meu sobretudo, para fora e para dentro,
qual um formigueiro

Cada Um

Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,
E deseja o destino que deseja;
Nem cumpre o que deseja,
Nem deseja o que cumpre.

Como as pedras na orla dos canteiros
O Fado nos dispõe, e ali ficamos;
Que a Sorte nos fez postos
Onde houvemos de sê-lo.

Não tenhamos melhor conhecimento
Do que nos coube que de que nos coube.
Cumpramos o que somos.
Nada mais nos é dado.

Flores

De um pequeno degrau dourado -, entre os cordões
de seda, os cinzentos véus de gaze, os veludos verdes
e os discos de cristal que enegrecem como bronze
ao sol -, vejo a digital abrir-se sobre um tapete de filigranas
de prata, de olhos e de cabeleiras.

Peças de ouro amarelo espalhadas sobre a ágata, pilastras
de mogno sustentando uma cúpula de esmeraldas,
buquês de cetim branco e de finas varas de rubis
rodeiam a rosa d'água.

Como um deus de enormes olhos azuis e de formas
de neve, o mar e o céu atraem aos terraços de mármore
a multidão das rosas fortes e jovens.

O Cão Sem Plumas

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.

O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.

Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.

Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.

Nada Fica

Nada fica de nada. Nada somos.
Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos
Da irrespirável treva que nos pese
Da humilde terra imposta,
Cadáveres adiados que procriam.

Leis feitas, estátuas vistas, odes findas —
Tudo tem cova sua. Se nós, carnes
A que um íntimo sol dá sangue, temos
Poente, por que não elas?
Somos contos contando contos, nada.

DO MAR

Aqueles de um país costeiro, há séculos,
contêm no tórax a grandeza
sonora das marés vivas.
Em simples forma de barco,
as palmas das mãos. Os cabelos são banais
como algas finas. O mar
está em suas vidas de tal modo
que os embebe dos vapores do sal.
Não é fácil amá-los
de um amor igual à
benignidade do mar.

amor é ter alguém soprando primavera dentro de você enquanto o mundo arranca suas folhas, como um outono.

poderiam nos transportar pra um território em conflito no mesmo instante dos seus braços tocando minha costela e abraçando a minha desesperança que mesmo assim eu continuaria estagnado na sua clavícula.
na sua parte que ninguém mais tem.

Ela é como um gato de rua, vem e vai quando quer. Não fica presa a um lugar ou a uma pessoa.

O Paradoxo do Amor

⁠O amor é um labirinto sem fim,
Onde buscamos o sentido do ser,
Em cada olhar, uma pergunta sem resposta,
Em cada toque, o mistério de viver.

É como o vento que não se vê,
Mas que toca e molda a nossa alma,
Não se define, mas se sente,
Em silêncio, sua essência nos acalma.

Ele é o fogo que arde sem queimar,
A luz que nos guia no escuro,
É o eterno paradoxo, a verdade velada,
Que encontra no efêmero seu mais puro.

O amor não é posse, mas entrega,
Não é finito, mas infinito,
É a consciência do outro dentro de nós,
É o encontro do finito com o infinito.

Talvez seja a pergunta sem resposta,
O eterno questionamento da existência,
Mas quem sabe, seja a própria resposta,
A chave para a nossa transcendência.

Inserida por Caio_AS

Morena, toma esse poema...
Meu canto de seriema, meu doce de buriti...
Morena, minha vida é tua...
Prometo te dar a lua, se a lua tu me pedir...

⁠Um dia a gente percebe e sente que precisa crescer gigante




Que crescer pequeno já não rende mais como nossa história




Crescer gigante é comungar com sua essência sagrada, é um diálogo com quem você realmente é. Que nada mais é sobre ou para o outro, porque você é o outro

Que esse é um nível só seu, desses de verdade mesmo, porque é sua alma, sua chama sagrada externando o que ela sempre foi. Que ser rasa ou profunda leva aos mesmos questionamentos.



Cartas para Antônia

Inserida por AnnaAraujo3

Quem trabalha e mata a fome,
Não come o pão de ninguém.
Quem ganha mais do que come,
Sempre come o pão de alguém.
Quem não luta pelo que come,
Merece o salário que tem.

Poema dia das mães

Mamãe querida meu coração
Por ti bate, por amor
como por um doce de chocolate.
Te amo.

Inserida por josepha

Poema do dia das mães

Mãe, você é amor...
É meu exemplo na vida
Eu te ofereço um Poema
Com toda emoção.
Amo você!!

Acróstico com o nome da mãe

Maravilha
Alegre
Risonha
Talentosa
Amorosa

Inserida por josepha