Um Estranho Impar Poesia

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Eu sei que tudo entre a gente acabou e que cada um segue a sua vida, mas o que eu sinto por você nada mudou. Continuo amando você; é difícil te esquecer, pois um grande amor a gente nunca esquece. Eu entendo que o que passamos foi passageiro, mas, para mim, foi como se eu te conhecesse de outras vidas. Nunca conheci uma mulher como você.
​Se eu fechar os olhos por alguns minutos, ainda consigo lembrar de cada detalhe seu: da sua linda voz, do seu sorriso encantador e do brilho dos seus olhos. O gosto do seu beijo eu ainda sinto, como se tivesse sido ontem. Dizem que o tempo cura tudo, mas esqueceram de avisar que o tempo corre diferente para quem ainda ama. É impressionante como certas conexões ignoram a lógica; a nossa intensidade fez com que alguns meses parecessem décadas.
​Às vezes me pego procurando o teu rosto na multidão ou esperando uma notificação que eu sei que não vai chegar. É um vazio que não se preenche, porque você não foi apenas uma 'passagem' na minha vida, você foi um anjo que me ensinou o verdadeiro significado de amar.
​Mesmo que o destino tenha decidido nos separar, uma parte de mim sempre pertencerá a você. Guardar você comigo não é uma escolha, é a única forma que encontrei de não perder o que tivemos de mais bonito.

Hoje acordei com o sol batendo nos meus ombros e, por um instante, a sensação de calor me fez sorrir sozinho. Senti aquela felicidade simples e desarmada que, honestamente, eu só costumava sentir quando era criança — ou agora, quando estou com você.
Sabe, se eu tivesse o poder de embrulhar um dia e te dar de presente, seria um dia exatamente como o de hoje. Um dia onde o céu não tem pressa e a luz faz tudo parecer mais bonito, desde o reflexo na água até o brilho nos seus olhos (mesmo que esse brilho às vezes nos faça lacrimejar um pouco pela intensidade).
Se eu pudesse te contar uma história agora, ela seria curta, sem grandes dramas, mas com um final que te faria sorrir daquele jeito que só você sabe. E se eu tivesse direito a apenas um desejo para a sua vida, eu pediria que o sol brilhasse sobre você o tempo todo. Não só o sol do céu, mas esse calor que você traz para os meus dias e que eu espero conseguir retribuir à altura.
Obrigado por me fazer sentir tão bem quase o tempo todo — e, nos dias em que não sinto, é só lembrar de você que o tempo abre.

Às vezes, a vida parece nos colocar em uma 'contramão' — um desencontro de horários e rotinas. Mas a verdade é que, desde que nossos olhares se cruzaram pela primeira vez, senti que uma força maior começou a desenhar o nosso caminho.
Dizem que o amor é algo que se inventa enquanto se vive, e eu quero inventar o meu com você. Não quero apenas alguém para caminhar ao lado; eu busco aquela conexão que a música descreve: onde o calor de uma mulher encontra a força de um homem e cria algo que o tempo não consegue apagar.
Estou aqui, parado na estação, esperando o trem que traz você de volta. Mas não é uma espera passiva. É uma espera de quem está disposto a abrir a porta, a atravessar o espaço vazio e a tocar as estrelas, se for preciso, só para alcançar o seu 'coração infinito'.
Não há mais nada a perder. Quando a gente decide se deixar levar, viver se torna mais fácil, mais leve e muito mais real.
Espero por você, no final dessa rua de mão única, deixar eu ser o seu destino.

Olhando para nós, entendi que o amor não é apenas um sentimento que a gente guarda, mas algo que a gente constrói e protege. Hoje, quero reafirmar o que sinto e o que pretendo ser na sua vida.
Serei sua rocha: onde você puder construir seus sonhos sem medo de que o chão ceda.
Serei seu muro: para te proteger do vento, da chuva e de qualquer dor que tente atravessar o nosso caminho.
Serei seu fogo: para aquecer suas noites e iluminar os dias em que tudo parecer incerto.
Prometo estar ao seu lado não apenas quando o sol brilhar, mas principalmente quando você envelhecer e precisar de uma mão firme para segurar. Para mim, não existem "eu" ou "você" separados; escolhi viver só com você, onde o seu bem-estar é a minha prioridade e a nossa união é a minha maior força.
Você é o que eu tenho de mais precioso. O que eu quero é segurar sua mão para sempre. Guardo o nosso futuro com todo o cuidado do mundo, sabendo que, enquanto houver amor, nada poderá nos separar.
Eu te amo, hoje e em todos os amanhãs que virão.

Eu aprendi que deixar ir não significa esquecer, mas sim guardar o que vivemos em um lugar onde o tempo não alcança.
​Quero que você saiba que, não importa para onde seus passos a levem, você nunca estará realmente longe de mim. Você se tornou como a luz de uma estrela: mesmo que o sol apareça ou que as nuvens cubram o céu, eu sei que o seu brilho continua lá, iluminando o meu coração.
​Por que não choro agora? Não é por falta de sentimento, mas porque descobri que o que construímos é verdadeiro. E o que é verdadeiro não morre; permanece vivo, vibrando em cada lembrança. O tempo pode levar os dias, mas não consegue apagar o que temos.
​Você pode até pensar que o nosso ciclo terminou, mas a verdade é que:
​Você está aqui, em cada pensamento meu.
​Você está aqui, nas batidas do meu coração.
​Nenhuma distância é capaz de nos separar de verdade, pois você faz parte de quem eu sou. Siga o seu caminho com a certeza de que você estará bem. E eu? Eu estarei aqui, guardando o nosso amor com todo o carinho do mundo. Até que a vida nos traga um novo capítulo, meu amor e meu respeito por você continuam intactos.

Ela possui um olhar que diz tudo sem precisar de uma única palavra; um mistério que a gente não quer resolver, apenas admirar. É aquele tipo de poesia delicada nos gestos, mas com uma profundidade que nos faz querer mergulhar.
​Tem a calma de um fim de tarde, mas carrega nos olhos a imensidão de um céu estrelado. Seu jeito meigo desarma qualquer pressa e seu sorriso é capaz de iluminar até os dias mais cinzentos.
​Ela transborda uma leveza rara, transformando pequenos momentos em memórias inesquecíveis. É a combinação perfeita entre a pureza de um anjo e a força de quem sabe exatamente o fascínio que exerce.

A vida nos cruzou de um jeito que lógica nenhuma explica: um fio de voz no rádio e um coração do outro lado pronto para escutar. Foi o encontro de dois corações machucados que, de repente, sintonizaram na mesma dor e na mesma esperança.
Não foi um simples "oi", não foi um esbarrão qualquer e, muito menos, a carência que os juízes de plantão adoram apontar. É engraçado como o julgamento funciona: tem gente que não acredita no destino cruzando almas, mas acredita piamente em um livro que tem cobra falante.
Dizem que o nosso encontro foi "momento", enquanto se escondem atrás das paredes de igrejas que usam a carência como isca para atrair fiéis. Vivem de aparência, postando fotos de "casais perfeitos" e famílias intocáveis, quando a realidade entre quatro paredes é de silêncio e amargura.
A diferença é simples: eu prefiro a verdade de quem já sofreu e se reconheceu num rádio, do que o teatro de quem precisa de um altar como vitrine para esconder uma vida vazia.
Podem rir, podem duvidar e podem seguir com suas fábulas. O que foi real entre nós, nenhum sermão apaga e nenhuma hipocrisia desmente. Contra fatos — e encontros de alma — não há argumento que vença.

A vida nos cruzou de um jeito que lógica nenhuma explica: uma voz no rádio e um coração do outro lado pronto para escutar. Foi o encontro de dois corações machucados que, de repente, sintonizaram na mesma dor e na mesma esperança. Não foi um simples "oi", nem um esbarrão; foi um começo. Antes de tudo, éramos amigos. Conversávamos sobre tudo, ríamos de qualquer coisa e varávamos a noite falando. Naquela época, ninguém sabia a aparência do outro e ninguém ligava para julgamentos.
Claro que o preconceito de idade veio dos outros, mas, quando a gente ama, a gente não escuta o barulho do mundo. Hoje as coisas mudaram e os "moralistas" querem dar pitaco em tudo. É curioso ver como a régua deles muda: para o pastor ou o membro da igreja que é ex-presidiário, ex-traficante ou assaltante, o discurso é o do perdão. Para quem tem "passagem pela polícia", dizem que não podemos julgar, que o passado ficou para trás e que o amor cristão tudo suporta.
Mas para dois corações que se encontraram com sinceridade, a moralidade deles vira pedra.
A diferença é clara: eu prefiro a verdade da nossa história, que começou sem máscaras e sem vitrines, do que a hipocrisia de quem usa a Bíblia para perdoar o crime, mas a usa como arma para condenar um encontro de almas. Podem rir, podem sentir pena ou dizer que é inveja; podem seguir com suas fábulas de cobras falantes. O que foi real entre nós, nenhum sermão apaga. Contra fatos — e conexões que nasceram no espírito — não há argumento religioso que vença.

​O sol da promessa era quente e tão breve,
Um mapa de sorrisos que a vida nos deve.
Acreditamos na dança, na mão a segurar,
Que o amor seria um porto, o doce lugar.
​Mas o porto virou farol, a luz é um espinho,
E a mão que me guiava desfez o caminho.
Não há conto de fadas, não há doce canção,
A não ser a memória de uma falsa paixão.
​Eu não sou mais criança, já vi a verdade,
A alma está marcada pela tempestade.
E a dor que prometem que cura com o tempo,
É a mesma que pulsa em cada mau momento.
​O amor é como o vidro: lindo até quebrar,
E cada fragmento só serve para sangrar.
Não há cura ou abrigo, é um veneno lento,
O amor não é bom, é só sofrimento.
​E agora, a lição na voz rouca da razão:
É melhor estar só que dar o coração.

Nascidos fomos, sob um céu de cinza e bruma,
Com a exata medida para a dor sem fim.
Duas metades buscando a mesma espuma,
Um laço trágico tecido em linho carmim.
​Desde o primeiro olhar, a alma reconheceu
O espelho partido, a sua parte ausente.
Mas o destino, em escárnio, interveio,
Deixando a chama acesa, mas fria e renitente.
​És meu avesso, a chave que a dor contém,
A prova viva de um amor que não se finda,
Mas entre nós, a sombra, o que convém,
O grito mudo de uma estrada que se cinda.
​Melancolia em cada suspiro teu que ouço,
Tristeza funda em cada passo meu que dou.
Somos a tragédia do mais puro poço,
Onde a água clara nunca se encontrou.
​Ah, esta união de almas, dramática e amarga,
Que nos condena ao longe, ao eterno anseio.
Uma febre que arde e que a vida embarga,
Um abraço negado, morrendo em meio ao meio.
​E assim seguimos, dois espectros em conflito,
Ligados pela dor, não pelo doce intento.
Um poema de pranto que jamais foi dito,
O eco que restou de um amor sem sustento.

Antes de você, eu era apenas um mapa esperando por um destino. Você chegou e me trouxe a alegria de quem finalmente encontra o lar.
​Você me completa na alma, e cada dia ao seu lado é um verso lindo que Deus escreveu.
​Seja qual for o tempo que nos espera, saiba: minha promessa é te amar com a mesma alegria de hoje, por toda a nossa eternidade.

Juro que não vou mais chorar,
Embora a dor ainda seja um mar.
Guardo o que foi no peito apertado,
Um amor lindo, hoje, passado.
​Teu nome é um espinho a ferir,
No silêncio que escolhi para seguir.
Mas cada lágrima que agora seco,
É um adeus que à saudade ofereço.
​O palco da vida precisa de sol,
Não desta peça fria, sem farol.
Juro, de novo, que não vou mais ceder,
Vou aprender a ser, sem você.

Ó meu ex-amor, o eco doce de um adeus.
Ainda sinto o frio em certas manhãs vazias,
Um véu de fumaça que paira entre os meus
Pensamentos, tecendo as velhas melancolias.
​Tu foste a forja cruel que me moldou, é certo.
Em cada cicatriz, levo um pouco do que fui.
Transformaste-me em alguém que hoje me é incerto,
Um novo ser nascido da dor que me construiu.
​Agradeço, sim, a pessoa que agora sou,
Mais forte, mais ciente, mas também mais calada.
Em cada passo novo, a ausência que restou,
Uma canção de ninar que a alma tem guardada.
​Obrigado por ter me transformado, mas a que custo?
Nesta jornada fria, onde o brilho se apagou.
Sou a estrela que renasceu, porém, com certo susto,
Pois a chama que tu foste jamais me abandonou.
​Eu sou o paradoxo do teu partir e do meu vir,
Uma obra de arte triste, pintada em tons pastéis.
Eu sou agora o silêncio que aprendi a seguir,
Um jardim de lembranças sob chuvas e sob céus.

Ó meu ex-amor, a sombra que já não me alcança,
Hoje a brisa que sopra é de um novo amanhã.
Houve dor, sim, mas nela encontrei a esperança,
A força que brotou de uma antiga manhã vã.
​Fui teu espelho quebrado, tua voz que silenciou,
Mas a poeira baixou, e a vista ficou clara.
Obrigado por ter me transformado, o que restou
Não é mágoa, é a coragem que em mim se declarou.
​Nesta pessoa que eu sou agora, não há vestígio
Daquelas amarras que um dia me prenderam.
O medo se foi, e cada antigo vestígio
De um tempo de trevas, meus olhos já não viram.
​Fui casulo em choro, hoje borboleta em voo,
Cruzando horizontes que jamais sonhei tocar.
A tua ausência, enfim, foi o vento que me impulsionou,
E o passado distante não mais me pode assombrar.
​Que a vida te siga e que o teu caminho seja,
Eu sigo o meu, com um brilho que só se acendeu.
Agradeço a lição que o teu adeus me legou e teja
A paz em meu peito, um amor que me renasceu.

É uma conveniência absurda. Enquanto o fiel comum que comete um deslize é julgado, afastado e exposto pela liderança, o jogador famoso recebe oração especial no altar e tapinha nas costas. O arrependimento das celebridades do futebol não precisa ser real; basta ser instagramável. Desde que o atleta traga engajamento para as redes do pastor ou doe uma parte do seu salário milionário, a igreja ignora a vida desregrada que ele leva fora dos campos.

Essa mistura de futebol, política e religião transformou a fé em um produto de massa. Usam a paixão do brasileiro pela seleção e pelo esporte como uma ferramenta de manipulação. No fundo, não se trata de espalhar o evangelho, mas de usar a influência de jogadores influentes para arrastar multidões, ganhar curtidas e manter o controle político sobre uma massa que aceita tudo sem questionar.

Jesus pregava a humildade, o desapego material e a atenção aos mais necessitados. Mas a igreja moderna prefere aplaudir a ostentação de jatinhos, festas luxuosas e o estilo de vida ostensivo de atletas que tratam as mulheres e as regras sociais com total desrespeito. A régua moral da igreja só funciona para quem é pobre e não tem como pagar pelo privilégio do perdão público.

Um amor inesquecível é aquele que permanece vivo na memória, mesmo quando o tempo passa e a distância cresce. É um sentimento tão profundo que, embora nunca tenha sido escrito em palavras, consegue tocar o coração de quem o lê, despertando emoções intensas e derramando lágrimas sinceras. Esse tipo de amor não se limita a gestos ou momentos, ele transcende, marcando para sempre a alma e transformando a vida de quem o vive.

É nesse amor que encontramos a verdadeira essência da emoção humana: a capacidade de sentir, de se entregar e de ser vulnerável. Ele faz com que cada lembrança se torne valiosa, cada instante ganhe significado e cada silêncio carregue uma história não contada. Um amor inesquecível é como uma poesia não escrita, mas sentida, um misto de saudade e esperança que emociona profundamente, tocando a sensibilidade de todos que o conhecem, mesmo que indiretamente.

É uma das ironias mais devastadoras da vida: passamos os dias pedindo ao universo por um amor calmo, por alguém que cure nossos abismos, e, quando essa alma finalmente chega, nós a tratamos como se fosse um móvel na sala. A ingratidão não nasce da falta de amor; ela nasce da arrogância de achar que o outro estará lá para sempre. O ser humano tem uma urgência doentia pelo que é difícil e um desprezo pelo que é seguro. O carinho diário vira rotina; o cuidado constante vira obrigação. E, aos poucos, cegos pelo brilho falso de novidades baratas, deixamos de ver quem segura a nossa mão no escuro.
Dói perceber que você entregou o seu melhor para alguém que só sabia ler os seus defeitos. É uma dor que rasga o peito, que faz o travesseiro parecer pesado e o amanhecer parecer um castigo. Você se doa por inteiro, ajusta sua vida para caber nos dias do outro, engole o orgulho para salvar o relacionamento, e o troco é a indiferença. A pessoa ingrata consome a sua luz e depois reclama que você está apagado. Mas a grande lição de vida não está na ferida que nos abriu, e sim na nossa capacidade de recolher os próprios pedaços no chão, colá-los com a dignidade que nos resta e aprender a caminhar de novo.
A superação não acontece quando a dor some, mas quando você percebe que o seu amor era grande demais para ser desperdiçado com quem só queria migalhas. Quem não valoriza o sol que tem ao lado acaba implorando por calor na tempestade. Quando um coração generoso cansa de ser ferido, ele não briga, não grita e não cobra. Ele apenas recolhe o afeto que foi jogado fora e fecha a porta, sabendo que cumpriu o seu papel. Se você tem alguém que escolhe você todos os dias, que cuida dos seus medos e honra a sua presença, abra os olhos antes que o tempo transforme essa bênção em uma saudade incurável. Porque o amor sabe perdoar muitas coisas, mas a ausência de valor o mata um pouco mais a cada dia.

Estar "por baixo" não é o fundo de um poço; é o interior de uma semente enterrada.
A sociedade nos ensina a amar apenas o topo, a luz do sol, o fruto maduro. Mas a física da vida exige o escuro para iniciar a expansão.Quando você se sente invisível, soterrado pelas circunstâncias ou esmagado pelo peso dos dias, você não está desaparecendo.
Você está acumulando pressão interna. O erro comum é tentar recuperar a autoestima imitando a força dos outros. Mas a verdadeira dignidade nasce quando você aceita o seu próprio "estado de inverno".É no recolhimento da queda que o seu DNA espiritual se recalibra.
Você não precisa provar nada ao mundo hoje. A terra que hoje parece te sufocar é, na verdade, o único lugar onde suas novas raízes conseguem fixação. Você não está quebrado. Está em pousio. Respeite o seu tempo debaixo da terra, pois é lá que o seu próximo salto quântico está sendo desenhado.

Chuva na infância, sol no futuro



Em um dia de chuva fina e céu fechado,
fui deixada, sem aviso, sem abraço,
com os olhos marejados e o coração rasgado,
vi meus pais partirem… sem sequer olhar para trás.


Tinha três anos e uma camisa laranja,
uma saia jeans e a alma em pranto,
o mundo tão grande e eu tão pequena,
perdida no tempo, sem um canto.


Fui criada por vozes frias, mãos distantes,
que diziam cuidar por obrigação.
Erguemos o lar entre irmãos sobreviventes,
com amor inventado na força da união.


Dia dos pais era só mais uma dor,
um desenho vazio sem destinatário.
Guardei segredos que pesavam demais,
num peito sem colo, num lar temporário.


Procurei amor onde não havia,
em rostos estranhos e toques vazios.
Mas hoje, enfim, encontrei abrigo,
entre braços que secam meus desafios.


E agora, à beira de um novo caminho,
sonho com filhos, com festa, com lar.
Prometo a eles o que eu não tive:
amor de sobra para transbordar.

Entre o que tenho e o que me falta


Tenho um amor que me acolhe,
amizades que me sustentam,
caminhos que me fazem crescer…


E mesmo assim, sinto um vazio.
Não de coisas, mas de momentos,
de sensações que ainda não vivi,
de um brilho que não se compra.


A vida é essa dança silenciosa:
entre a gratidão pelo que construí
e a curiosidade pelo que ainda me chama.