Um Estranho Impar Poesia
Clair de Lune
(Paul Verlaine)
Tua alma é um jardim escolhido
onde andam mascarados e bergamascos
tocando alaúdes e dançando,
meio tristes sob seus disfarces.
Cantando ao tom menor do amor vitorioso
e da vida em tom maior,
eles não parecem crer em sua própria felicidade,
e suas canções se misturam com o luar,
com o tranquilo luar triste e belo,
que faz sonhar os pássaros nas árvores
e chorar de êxtase os jatos d’água,
os grandes jatos d’água esguios entre as mármores.
Sou um renascentista
Talvez eu tenha nascido fora do tempo,
mas minha alma caminha pelas ruas de Paris.
Não as ruas apressadas do turismo,
mas aquelas onde a madrugada ainda cheira a vinho, tinta e papel.
Onde os músicos tocam como se o destino dependesse de um acorde
e os poetas bebem a lua em silêncio.
É ali que existo — entre o som e a palavra,
entre o piano e o abismo.
Sou um renascentista: músico, poeta, pianista.
Vivo entre o sagrado e o profano, entre o vinho e o verbo.
Cada nota que toco é um pedaço de mim tentando renascer,
cada verso, uma confissão que o tempo não conseguiu apagar.
Não bebo para esquecer, bebo para lembrar —
que a vida, como a arte, é feita de breves eternidades.
Quando sento ao piano, sinto Paris me ouvir.
Os fantasmas de Debussy e Ravel espiam por sobre meu ombro,
e o Sena, lá fora, parece repetir minhas notas nas águas.
O poeta em mim escreve o que o músico sente;
o músico traduz o que o poeta pressente.
É uma comunhão silenciosa entre o som e o pensamento —
a forma mais bela de loucura.
Ser renascentista é não aceitar a indiferença dos tempos modernos.
É crer que a beleza ainda pode salvar,
que o corpo é templo e o amor é arte.
É brindar com o vinho e com o caos,
com a esperança e o desespero,
porque tudo o que é humano é divino quando há música no coração.
Sou um renascentista.
Poeta, músico, homem que vive nas ruas de Paris —
onde o tempo se curva diante de um piano,
e o vinho se torna prece nas mãos de quem ainda acredita
que a vida é, acima de tudo, uma sinfonia inacabada.
Às vezes é bom cancelar algum compromisso,
relaxar a gravata, dar folga ao ofício.
Ser um homem comum,
que não raro se passa por outro
neste teatro do absurdo,
como personagem de um drama fictício.
Às vezes é bom calar a voz,
segurar a pressa, suspender o vício.
Ficar sozinho, sem ser solitário,
num pacto mudo como um sacrifício.
Às vezes é bom cancelar algum compromisso,
relaxar a gravata, dar folga ao ofício.
Andar nas nuvens, dançar na chuva
e aprender o caminho do vento.
Saber que tudo passa
e que a vida cobra o tempo esquecido
no porão da memória.
CLARIDADE DO INDIZÍVEL
Tua alma é um pátio antigo onde o silêncio respira,
e por onde passam figuras que não sabemos nomear,
ecos de vidas que ficaram presas na memória,
sussurros que dançam entre luz e penumbra.
Ali, o homem que és se desfaz do mundo,
larga o peso, a pressa, o roteiro imposto,
e caminha como quem toca na própria sombra
com a delicadeza de quem sabe que tudo pode ruir.
O vento te ensina gestos que esqueceste,
a chuva te devolve a inocência da água,
e a noite te veste com a claridade que não fere,
essa luz que não ilumina, mas revela.
E no fundo desse jardim escondido,
onde nenhum ruído do mundo te alcança,
há uma fonte que insiste em murmurar verdades —
verdades que não se dizem,
mas que o teu silêncio entende.
É ali que te reencontras:
entre o eco do que foste
e o lampejo do que ainda virá,
sob o luar que não consola,
mas que te devolve a ti mesmo.
Filosofia: pensar é um ato perigoso
Pensar até o fim sempre flerta com a loucura. Friedrich Nietzsche foi chamado de insano não por ter perdido a razão, mas por tê-la levado longe demais — a um ponto onde as convenções morais desmoronam. O pensamento radical assusta porque dissolve as narrativas que sustentam o poder, a religião, a moral de rebanho.
O mundo prefere a razão morna, funcional, administrável. A lucidez verdadeira é incômoda: ela revela o vazio por trás dos discursos, a fragilidade das verdades oficiais, a teatralidade das instituições.
Acredito que o bom escritor, o poeta, o artista como um todo, precisa ter vivido uma outra realidade. A realidade dura da vida, da busca pelo sustento, o sofrimento, a tragédia, a pobreza, sim, necessariamente a pobreza. Observando os grandes espíritos, as grandes personalidades, percebe-se que todos aqueles que conseguiram chegar a um patamar alto no que diz respeito à sutileza, à beleza, à singeleza, à sublimidade da arte em sua essência, são pessoas desse tipo.
Fernando Pessoa carrega uma tragédia pessoal, uma esquizofrenia consciente. José Saramago traz a luta ideológica, o contexto social de pobreza, a perseguição e a fuga.
No meu caso, a tese não é teórica. Perdi meu pai aos onze anos e fui trabalhar como pedreiro com um tio, na Bahia. Isso não é metáfora, é biografia. Está contado em dois livros meus, Eis um Homem e A Morte do Meu Pai, sendo este o mais recente.
Observando o outro lado, o contraste se impõe. Oscar Wilde viveu na orgia intelectual, cercado de conforto, exagero e facilidades próprias de uma elite privilegiada. Enquanto viveu nesse ambiente, não produziu nada de essencial. Foi apenas quando foi preso que escreveu seu verdadeiro livro, A Balada do Cárcere de Reading.
Artistas atuais, não me venham com o argumento de que é o dom que faz a arte. É a existência que faz o artista e, consequentemente, o artista produz a arte
Não sou um livro aberto
Não sou uma ilha
Sou terra habitada
Por hábito e mobília.
Sou feito de barro
Que chora e se humilha
Que sofre e tem medo
Da sombra da noite
Que guarda o segredo
Do eterno retorno
Que traz recomeço
Do trágico querer
Me perco no sonho
Do dia futuro
Construindo um muro
Em volta de mim, para permanecer.
A carne se esgaça como roupa velha
A alma se estica pra não se perder
Um amor impossível.
Uma taça de fel.
Um amargo destino.
Um abrigo no céu.
Um desejo etéreo.
Uma dura sentença.
A ausência do mundo.
Uma vida em vão.
Um poeta.
Uma musa.
Divina ilusão.
Foram dados um ao outro
em tempos diferentes:
um viverá na morte,
o outro na inconsciência.
— Evan do Carmo
Os lábios que um dia beijavas,
hoje tornaram-se marcas de pneus,
poças de lama numa estrada abandonada.
O amor que um dia existiu
e a doçura do mel de nossas lágrimas,
hoje são desertos,
campos sombrios,
o tenebroso rio de mágoas.
Vivemos o êxtase da primavera,
semeamos esperança
e colhemos flores.
Chegou o inverno,
superamos.
Mas, no outono onde estamos,
vivemos sós,
como folhas mortas carregadas ao vento,
separados por abismos silenciosos
que as repetições das ofensas constroem.
Então nos perguntamos:
qual foi a causa?
Onde foi que erramos?
Erramos, talvez,
por persistir em mudar,
mudar a si próprio
e mudar o outro,
para pertencer ao grupo dos normais.
Mas somos pessoas,
somos humanos,
seres distintos,
pobres mortais.
O desejo é um romancista genial.
Ele recebe duas ou três informações incompletas e constrói
um universo inteiro.
A vida é feita de recomeços.Cada fim prepara um novo início,e cada passo dado com esperançanos aproxima de um novo sorriso.
Helaine machado
Ação Silenciosa
Fazer o bem ao próximo é um exercício diário de sensibilidade e desprendimento. Não se trata de dar o que nos sobra, mas de doar um pedaço do nosso tempo, do nosso respeito e do nosso carinho. A alma humana se enobrece quando aprende a se colocar no lugar do outro, compreendendo que todos nós estamos interligados e que o sofrimento alheio também nos diz respeito. É nessa união de sentimentos, onde o amor se transforma em ação silenciosa, que encontramos o verdadeiro sentido de uma vida espiritualizada, plena e em perfeita harmonia com o bem.
Futebol pode ser um analgésico ou uma terrível dor cabeça; Mas acabou tudo bem, o Timão é Campeão Brasileiro de 2017.
Vai Corinthians.
Igual poema do Bandeira
Demétrio Sena - Magé
Depois de um enfarto quase fulminante, a senhorinha deu entrada em estado grave, na sala vermelha. Em dois dias, lúcida e falante, já estava na sala amarela, onde aguardava um cateterismo.
Feliz da vida, e obviamente sem o consentimento do pessoal da enfermagem, teve acesso secreto a salgadinhos e doces, na enfermaria. Fez um piquenique altamente calórico, às escondidas, com a pessoa irresponsável que foi visitá-la.
Na madrugada seguinte, voltou à sala vermelha, em estado crítico, aos gritos e com extrema dificuldade para respirar. Era um novo enfarto. Não tivemos mais notícias suas, até o dia em que deixamos aquela unidade de saúde, para o cateterismo que ela faria antes de minha esposa.
Esse episódio me lembrou o poeminha Notícia de jornal, do Manuel Bandeira. Espero que depois de toda a farra ela não tenha, metaforicamente, mergulhado na Lagoa Rodrigo de Freitas.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
Cada ano da vida de um ser humano é um tom uma nota
E quando se entrega a vida se termina pronta a sua canção.
“Anne Gabriella Souza Santos Cassule“
Que tipo de monstro criaria um universo como o nosso só pra ver as pessoas sendo dilaceradas pela vida e pelas próprias emoções?
- Marcela Lobato
A cada ano se joga um pouquinho de migalhas aos ratinhos de laboratório,
O suficiente para que não morram de fome, e para garantir que permaneçam em eterna pobreza.
Faça o bem sempre que poder, porque Deus tende a abençoar,
não como uma barganha, mas
como um modo de dizer, quem
prática o bem, me tem dentro de si"
"Eita Macapá, eis a capital do meio do mundo, tu te revelas como um tesouro amazônico de belezas singulares. Mais do que uma cidade, é um convite a sentir a grandiosidade da natureza que a abraça. Seu litoral, surpreendentemente banhado pelas águas doces e imponentes do rio Amazonas, é um espetáculo à parte. Não são ondas salgadas que beijam a areia, mas sim a força e a vida do maior rio do planeta, trazendo consigo a energia da floresta, tenho que falar que temos um nascer do sol de tirar o fôlego, pintando o céu com tons vibrantes que só a Amazônia pode oferecer. Macapá tu és a fusão perfeita entre a urbanidade e o coração pulsante da floresta, onde a cultura e a natureza dançam em perfeita harmonia, como eu te ano Macapá."
Feliz aniversário
Fábio Alexandre
Estaudando
"O momentos felizes
um dia serão saudades
mas, o maus momentos
serão tristes lembranças
Criem bons momentos"
- Relacionados
- Poesia de amigas para sempre
- Poemas de aniversário: versos para iluminar um novo ciclo
- Poesia Felicidade de Fernando Pessoa
- Poemas de amizade verdadeira que falam dessa união de almas
- Frases de Raul Seixas para quem ama rock e poesia
- Frases de efeito que vão te fazer olhar para a vida de um novo jeito
- Frases para falsos amigos: palavras para se expressar e mandar um recado
