Um Estranho Impar Poesia
Surgiu na multidão
Furtivo olhar, paixão
Céu negro se encheu de cor
E a lua acendeu o farol
Chama é de queimar
Brilha um pavio
Vela pra saldar
Feitio de oração
Basta a faísca de um só olhar
Queima como veneno
É o que encandeia o nosso altar
Que se revela sereno
Brilho transcendental
A duras penas
Arranco minhas penas
Asas rasas apenas
E peno o penar
Retiro o pano
Planejo pleno
É plano
Plaino
Companheira
Penso em partir
Parte à parte
Há toda parte
Aparte minha parte
Como o parto
Parte a arte
Dá a luz
Em paz o caos
Há paz
Ah a paz...
Quando ela fala
Meu corpo se balança
Até o ouvido dança
Arrepia por inteiro
Pois o tempero
Causador do piripaque
Desse seu belo sotaque
É o bão jeitin mineiro
Lamento na presença do luar.
Por intermédio da ansiedade
meus, uivos poéticos ao sereno
Na companhia do Anseio carnívoro De um lobo sedento e lascivo Observando-o com avidez!
Ao Frenesi exalado por tua epiderme.
O som orquestrado por violinos fúnebres.
Colocará um encerramento ao vosso sofrimento.
Tudo se renova ao passar das manhãs
e ha esperança de acordo, como queiras
Ao rever o hoje e se atrever e desafiar
a poesia não sabe a quem toca
nem espera sentimento, passa leve e sutil
Penetra como a água que é
repleta de vida, toca na alma
Sem explicar, afinal não ha ninguém
e alheia, anonima, vibra na pele em arrepios
E com tanto desafiá, pode te lembrar o delicado caminho
encontrar o teu mesmo pensar
Que guardas com bastante desatento
errante e imprevisível nada o define
mais simples é se dar e viver.
Para uma vida feliz
O segredo para uma vida feliz
é essencialmente simples:
consiste em compreender o fato
de que as tartarugas nascem
e caminham para o mar.
“Ah, mas eu sou pássaro e quero voar!”
Há muitas metáforas para a vida,
veste a tua fantasia e voa, ela é real;
veste a tua fantasia e voa, ela cheira a cetim
e brilha como estrelas;
veste a tua fantasia e voa,
como só tu podes voar.
Mas quando vier a noite
e ela trouxer a tempestade,
não bate as asas,
lembra-te: os teus pés estão na areia
e tu caminhas para o mar.
Jovem, como uma flor,
ela disse palavras lindas,
fez coisas maravilhosas,
escolheu coisas erradas,
imperfeitamente perfeita,
ela queria chorar,
ela queria amar,
e com as lágrimas que lhe caiam dos olhos,
ela era linda,
poeticamente linda,
brilhante e misteriosa como as noites,
era a velocidade do meu coração
na presença dela,
como podia amar algo tão selvagem e delicado
com as minhas mãos e coração no fogo por ela,
congelei numa destas noites,
sem o calor desta peculiar flor.
"Sorrio contido,
ignorando a certeza,
que se mudam as perguntas,
nada é certo,
exceto,
o ponto final."
"Não me pertence o que está no outro,
tampouco o que dele esteja em mim,
exceto o quanto me dou ao outro,
e quanto há dele compartilhado em mim."
"Qual não é a ironia,
constatar o advento do fim,
ao ver realizado o desejo,
no outro,
parcela de mim."
Quando foi que me perdi?
Que me deixei de lado?
Pensar nisso me causa náusea de mim mesmo.
Permiti que os outros
Que as circunstâncias
Que a vontade de sempre estar disponível para ajudar
Moldassem a minha vida.
Agora, sem os outros
Em circunstâncias desfavoráveis
Precisando da reciprocidade prometida
Porém negada
Me moldo sob alta pressão.
"Se ódio 'e o que sente agora, então ore para que venha o amor.
O tempo... ah!. O tempo sempre e' o melhor professor."
Cicatrizes
Parada diante de ti percebo-me estática.
Percebo-me petrificada, estou apática.
O sereno silêncio macula a minha memória
as ondas de pensamento rememoram
a minha história concebida por estesia.
A crua paixão me arrebatou
deixou-me obtusa, vulnerabilizada.
Buscar alento nos sonhos não materializados
Abastecer-me das palavras já não articuladas
Deixou-me miseravelmente indesejada.
Enquanto a alma adejava em sonhos
O amor envelheceu, caducou entre
as tantas noites mal dormidas,
as noites de inquietante espera,
o amor feneceu e jamais ressuscito
O tempo passou, mas não afugentou
os sinais de dor mascarados, as cicatrizes.
E por trás do indecifrável teorema do amor,
uma voz reconhecida me suplica
e a deslembrada esperança responde.
Umbelina Marçal Gadelha
Dentro de mim
Dentro de mim
Mora em mim uma menina
que revive com alegria
o frescor, a ousadia
e também a nostalgia
pela mocidade que findou.
Em mim mora uma moleca
sapeca que se esconde
que disfarça com astúcia
a imaturidade, apesar da idade
a abundante ingenuidade.
Dentro de mim mora uma senhora
que chora sua dor, seu dissabor
pelo que já lutou, mas não ganhou.
Já chorou, já pensou em desistir ,
mas lutou e segue em frente
seja lá para onde for.
Umbelina Marçal Gadelha
Dilaceração
Quando o espírito se dilacera para caber no mundo, dói a alma.
E quando a alma se aflige, as espadas laceram o seu coração.
Em sua face transparecem os vestígios de dor e prostração.
Por dentro as marcas da existência destorçam-lhe. Amargura-lhe
uma dor cruel, uma dor estranha, uma dor desmedida que se prefigura.
É uma dor que perdura porque veio para permanecer.
É anseio, é dor, é aflição, é tristeza... É martírio que faz desvanecer.
De onde vem tão profunda agonia que chamam de depressão?
Há algum remédio que a cure ou não?
Se para a dor da alma, o analgésico é o tempo
Que se esclareça ao sofrimento que o entorpecedor
chegou para sepultar a sua dor. Só que não.
Umbelina Marçal Gadelha
Não sei o que preciso fazer.
Não sei o que mais preciso dizer.
Eu sei onde errei, acreditei que poderia te curar.
Talvez lhe recuperar.
Para sempre a perdi, minha Rainha Estelar.
Saiba que irei lhe procurar.
Buscarei á ti, para o meu desejo realizar.
FUGAS
às vezes
saio de mim em segredo
e ando a esmo
são fugas estelares
momentos fugazes
em noites infinitas
procuro luas
impossíveis de achar
reviro o pó das estrelas
uso a luz dos cometas
danço com selenitas
e me perco entre os planetas
quando consigo voltar
trago o rastro da lua minguante
e o esplendor da lua cheia
trago promessas esquecidas
trago sonhos distantes
trago mil belezas não vistas
trago auroras douradas
e galáxias inventadas
Pat Andrade
APRENDIZ
Mãe, contigo aprendi
que levantar é preciso
toda vez que cair
que a gente pode chorar
mas é muito melhor sorrir
aprendi que adiar planos
não é igual a desistir
aprendi que a vida vale muito
e que é preciso ser forte pra resistir
aprendi que é necessário
superar a dor de existir
aprendi a lutar
pelos meus sonhos
até o sim
aprendi a cuidar
e proteger quem eu amo
sem esquecer de mim
sigo aprendendo contigo,
mãe... até o fim
PAT ANDRADE
O poeta e o amor
O poeta quando ama
Faz versos em árvores
faz versos-pétalas
Faz versos-flor
Poemas frágeis
O poeta quando ama
Faz versos com asas
Faz versos-pássaros
Faz versos-nuvens
Poemas leves
O poeta quando ama
Faz versos improváveis
Faz versos-noites
Faz versos-dias
Poemas suaves
O poeta quando ama
É todo ele desamparo
Faz amor com versos
Faz amor com frases
Poemas raros
PAT ANDRADE
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