Um Estranho Impar Poesia
Na mesmice
Nada como pernoitar
Pra ter sonho vórtice
Pra gente sair do estar
Do estado de lerdice
Pra poder recomeçar
Mãe não morre, ausenta...
Partiste!
Ficou o seu abraço
Ensinamento, laço
Seu amparo maternal
Lembranças sem final
Um poema inacabado
Adormecidos em sonhos
E por teu valor adubado
Fieis momentos risonhos
Nossa vida, nossos acanhos
Fortalecendo nossos passos
Inspirando superar os fracassos
E assim, por nossa existência
É amor que sempre nos acalenta
Mãe não morre, ausenta...
Rio, 02 de maio de 2010
Domingo, 11”32”
Mulher... Mãe.
Mulher... Nos gera a vida
Nos alimenta precavida
Protege os nossos passos
Ampara os nossos fracassos
Nos acolhe em seus braços
Agasalhando nossa emoção
Afagando o nosso coração.
Neste seio de esposa, amiga,
Disposta a qualquer briga
Por nós. Defensora da cria
Incansável, selvagem, amável
Arrojada no ensinamento de amar
Especial na condução de se doar...
Esta mulher sem medo, em missão
É que chamamos de Mãe...
Em nossa existência eterna razão!
Rio, 30 de Março de 2010
08’03”
A minha mãe
Frase com essência não termina com reticência, e sim, ponto final na eloquência.
Maio, 2016
Cerrado goiano
SEU LADO AVESSO!
Gosto do seu lado avesso
até curto algumas manias suas
as vezes dou rizadas de suas teimosias
por outras enlouqueço...
Gosto de saber que você
pensa que me domina,
muitas vezes quero ser dominado
Gosto de te ver olhando pro nada
com a mão no queixo pensando arte.
Gosto quando vem como brisa toda
dengosa querendo...
Ou quando vem como furacão
derrubando tudo querendo...
É eu gosto de gostar de você!!
que trova há de trovar o desamor?
é cru na crueldade, dor com rancor
é debruçar sobre o merecer
sem ver e sem querer ter
amor é aliança
é esperança
é razão
é sangrar-se em gratidão...
Sinceras Verdades
Admiro pessoas sinceras, não porque elas
me fazem bem, mas sim porque me trazem verdades.
A verdade pode por vezes machucar e surpreender mas jamais nos ser indispensável.
Amor... Amor... Amor...
Chamo-te sem dor... Nada a interpor
Com emoção... paciência... paixão
Transcendendo a razão
Que seja eleito...
Escolhido, repartido, perfeito
Maiúsculo na dimensão
na manifestação...
Minúsculo na contramão
Desejado, esperado, clamado
Onde sempre estarei...
De prontidão ou adormecido
ali ficarei padecido
no torpor de sua existência
anestesiado pela permanência
De coração desprotegido
garrido... Serei alvo perdido
Se ferido que não seja sofrido
apenas compreendido...
De opinião... Tom maior... Valor
Chamo-te... Amor... Amor... Amor
Luciano Spagnol
Rio, 24/2010, Agosto
5’06”
Quantidade
Na busca de ser vários
e vários serem poucos
poucos vários são raros
e muitos são loucos
sou um desses caros
nos cascalhados cavoucos
do tempo, cheio de reparos
tampouco,
serei dos solitários
ou sequer um mouco
no amor
sou operário
aos vários de poucos
de ser trovador
Luciano Spagnol
19 de maio, 2016
Cerrado goiano
Não estou aqui para agradar,
acredita meu unico objetivo
é poder te orientar.
Segue em frente de cabeça erguida,
basta acreditares em ti,
e tudo dará certo nesta vida.
Enquanto tem quem se ache
num mundo dos apache,
eu apenas poeto.
Não sou objeto.
E nesta cena,
sinto.
Pena.
Luciano Spagnol
Maio, 2016
Cerrado goiano
Só sei que ao seu lado quero estar
Partir com você pra qualquer lugar
Viajar pelas nuvens ou nas ondas do mar.
Dividir os sentimentos que não posso mais guardar.
Vixi, é um sonho, acordei, é melhor deixar pra lá...
Ponto final
Nas decepções não use reticências
Nas intercalações separe com vírgulas
Tenha parênteses nas ruins aparências
Pois a oração da vida depende de ser leal
Interrogando, exclamando, nas eloquências
Para que não se tenha dúvida no ponto final...
Luciano Spagnol
2016, maio, 09
Cerrado goiano
E Lá Se Vai o Tempo
E lá se vai o tempo
Sem tempo de ir
Querendo ficar no tempo
Sentado no meio fio sem sair
E lá se vai o tempo
O tempo onde perdura o amor
No coração ao sol e ao relento
Em canção e nunca amador
E lá se vai o tempo
Com carapuça de sonhador
O tempo é todo o tempo
O meu e o teu tempo, inventor
E lá se vai o tempo
De fado, de dor, de felicidade
O tempo dono da vitalidade
O tempo dono da eternidade.
E lá se vai o tempo...
Luciano Spagnol
Anápolis, 27/02/2013
14’59”
"E lá se vai o tempo
com horas de sonhador
o tempo é todo o tempo
a quem tem tempo no amor,
e lá se vai o tempo"
(Luciano Spagnol
Poeta do cerrado)
Lamparina...
Tu, ateia luz à lembrança
Gerando cheiro de criança
E fuligem na nostalgia
Evolando memória e poesia
De um tempo que não volta mais
Sentado no silêncio do ontem, das gerais
Tão perto e tão longe, porém
Fazendo a existência ir além
De um dia ter dado partida
Na juventude já perdida
Entre ventos a soprar
A alma pôs-se a chorar
Esta solitária iniquidade
Que arde as cinzas da saudade
Na chama da lamparina
Onde não mais tange a rotina
Luciano Spagnol
Rio, 23/10/2010
19’29”
Versos Para Minha Morte
O tempo na hora, suponho
Traga condolência para o fim
E me cubra com filó e vigonho
Apaziguando os sonhos, enfim...
E nesta batalha vencida, de partida
Levarei os versos para minha morte
Desobrigarei lamentos na despedida
E os deixarei ao contento da sorte
A lágrima fica para os que orem
E os que com minha alma importe
Em cada conta do rosário roguem
Meus pecados, assim suporte
Deus, e que me possa perdoar
Com compaixão, e faça meu transporte
Se desacertei, sempre quis amar
Talvez nesta hora peça aporte
Para o silêncio, para me libertar...
E na rixa do fado, a sorte, da minha morte
Será sem saber como, fico a imaginar.
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
Data indeterminada
fodo da minha morte
o tempo na hora, suponho
me cubra com filó e vigonho
na partida,
desobrigo lamentos na despedida
levarei os versos para minha sorte
lágrimas, aos que comigo importe
e orem aos meus pecados perdoar
sem saber quando, fico a imaginar
o fado da minha morte...
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
Data indeterminada
Silêncio do Poeta
O poeta fala e a alma escuta
Teus versos de palavra bruta
Lapidados pelo sentido absoluto
Com as tuas rimas em tributo
Grifam a inspiração em poema
Nodoados de satisfação, dilema
Que teu silêncio inteiro trova
Teus amores, alegra, tua alcova
E quando emudece, se acoita
Nas sobras das estrelas afoita
Versejando os teus lamentos
Lamentando teus sentimentos
Com quimeras de um profeta
Nas falas do silêncio do poeta
E no alarido e silêncio em disputa
O poeta cala e fala e a alma escuta
21/10/2015, 21’22”
(Horário de verão)
Cerrado goiano
Poeta
O poeta fala e a alma escuta
Teus versos de palavra bruta
Facetados na rima absoluta
Que no poema a vida tributa
A inspiração quimera e labuta
No alarido e silêncio em disputa
O poeta cala e a alma executa
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
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