Um Estranho Impar Poesia
SONETO DO AMOR EM COLISÃO
Criatura de intensa inquietação
é amor que se apresenta em colisão:
pintor que na pintura tem prisão,
potro que não teme a fúria do peão.
Encontro nos teus olhos minh’alma
que roubaste com consenso e calma,
para ser indômito e imenso
caso, enlouquecido e intenso.
Secretamente corro teu corpo
como quem tange arisco rebanho,
sob a planície de um céu tamanho.
Aceita-me com pose desfeita
– aí está a suplica de socorro –
onde nasço e noutro dia morro.
Todos somos frios e categóricos ao afirmarmos:
"O amor não tem explicação!";
aí...vem um caloroso carinho categórico,
e nos dá várias explicações.
Profanos são esses delírios
Que alegram o meu ser
Corrompem minha alma
E me enchem de prazer
Numerados como os dias da semana
Encher-me de agonia eles vêm
a agonia de saber que são errados
os quais, são chamados capitais
delírios de codinome pecados.
Meu conselheiro é o vento
Com ele ando à conversar
Ainda que nada fale
Está sempre à me alcançar
Sempre me faz refletir
Em minhas lembranças imergir
Este mesmo vento sempre sopra
Trazendo consigo amargura
De tal forma, vai e volta
Sendo para mim, ares de tortura.
Acreditar ou não no futuro do país,
Gasta a mesma quantidade de energia.
Por que não acreditar!?
Se acreditamos e somente uma vez acertamos…
Gastaremos a mesma energia que desistindo.
Só que quem desiste não tem a chance de às vezes perder.
Quem desiste não tem a chance de às vezes errar,
Quem desiste nunca terá a chance de acertar.
O amor é essa falta do que se tem
É a presença daquela que não vem
É o que se vê quando os olhos não veem.
No picadeiro cheio de luz
Há muito o que se ver
Senhoras e senhores!!!
Grita o palhaço da entrada, todo listrado de cores
Entrai! pois não custa nada, na saída é que se paga!
Entra o palhaço em cena, explode a multidão!!! \o/\o/\o/
Ri palhaço! corpo de borracha e de aço! Rebola como uma bola, tem dentro não sei que mola, que grune, emperra, geme, zuni e faz Sorrir.
É tarde
meu sono não me acompanha
escuto por entre os grilos da noite
o seu acinte resfolegar da solidão
O tempo perpassou por entre nós
e não nos demos conta do fugaz desejo que embebia nossos corpos
Nossa mente fora devassada por solilóquios assombrosos
que insistiam em negar o óbvio
Minha trêmula carne desvaneceu
perante a frustrante incerteza
de não ter certeza que um dia seríamos só nós
E assim
desejosos da comunhão carnal
desejo esse alimentado pelos alambiques soturnos
embaralhado pelas confissões ao pé do ouvido
fomos nos deixando à deriva no horizonte
Enganados pelas correntes
nossos corpos tomaram distâncias náuticas
Hoje, meus olhos se perdem de vistas
e não encontram os seus
Bravejo cânticos
Provoco estampidos
Procuro nos meus dedos o toque das suas mãos
mas já não te vejo
Não te sinto
Não me ouço
Não te entrego
Nem me redimo
Fica à mercê das coisas mundanas
Procuro em cada escaninho da noite
o som dos seus passos
Mas o silêncio encerra a madrugada
Quando dou por mim
o sol rompe minha retina
mais um dia se afiança no meu destino
Sigo meu caminho na vastidão desértica
desse oceano amoroso
que a falta de seus braços
comprimindo meu corpo
me faz
O pescador e a sereia!
Pescador saiu pro mar
a procura de peixe bom
encontrou foi com serei
acabou encantado com o som
pescador não volta pra casa
serei leva mais um homem bom!
Os dias passam devagar
Não chego em nenhum lugar
Nessa vida entediante
Vivo tentando me encontrar...
À MERCÊ DA VIDA...
Ando tão perdida pela vida...
Não sinto vontades de ir
Muito menos de ficar!
Estou estagnada no tempo
Nem mesmo me move o vento
Desalento
Melancolia
Nem agonia!
Uma indiferença passiva
Um cansar na alma
Calma sem paz
Ausência de risos
Choro , ou histeria!
Como se o mundo tivesse parado
para embalar a minha nostalgia...
Uma folha seca voa pela rua,
esboço um pequeno pensamento
preguiçoso;
Quisera ser como ela
Velejar à mercê da brisa
Sem dor
Sem impulso
Sem sentimentos...
MEUS FILHOS, OS POEMAS...
Deus, quantos filhos já gerei!
Os gero o tempo todo!
Nas nuvens que passam
Na chuva que cai
No sol que queima a pele
No enlaçar das mãos
Na dor de um sonho morto
No barranco à beira da estrada...
Gero versos do nada!
Da essência de tudo!
Da tristeza velada, delatada no olhar,
ou no sorriso dúbio, sem fé no amanhã...
Gero palavras as vezes sem sentido...
E que sentido devem ter as palavras
antes de serem interpretadas por alguma
alma sedenta de beleza?
Gero. Procrio noite e dia!
E ai de mim, se me tornar infértil,
e me negar à trazer à luz a poesia!!
Agora...
Amanhã?
O que farei amanhã?
Ora, que pergunta!
Não existe o " Amanhã" !
O amanhã ainda é sonho
Fruto ainda em flor
Flor por desabrochar
Fotografia não revelada
Carta fora do baralho
Mistério...
Sim!
Amanhã é apenas um conto.
Ainda...
Não me perguntes sobre o amanhã.
Me pergunte do agora!
Agora sou contemplação
Sou pensamento
Sou a loucura abstrata,
na tentativa de extrair do ontem
vivido, os versos insípidos
de um poema.
DEVANEIOS
Sou a poetisa triste e sombria
A vida imensa de loucura me fez assim
Mas os sonhos que tenho são cores ao vento
fantasias cheias de uma felicidade sem fim!
Sou aquela que sonha com amores queridos
Beijos cheios de paixão e ternuras em flores
Dá-me Deus, peço, um pouco de acalento
Permita-me versos de docilidade e amores!
Porque estou condenada aos versos malditos?
E esta dor que dilacera meu peito em agonia?
Não sou tal qual as demais filhas da mundo?
E teimo em sonhar além da minha realidade!
Céus azuis e sóis reluzentes sobre minha amargura!
Minha poesia é nua!__ Mas meus devaneios são profundos!
NOSSO RISO LOUCO...
Celebremos o riso.
O riso puro e gentil
O riso que lava a alma
Que proclama a vida
em versos
música
e poesia!
Que o riso se sobressaia em meio à dor
Que abuse da mediocridade, gentilmente,
sem escárnio e sem maldade...
Que nos leve aos nossos infinitos
Que sustente nossa eternidade
em meio às nossas limitações,
à nossa frágil humanidade...
Que nosso riso seja nossa canção.
A nossa verdade
Que contrarie toda a noção de pranto
Que sorrindo sejamos tidos como loucos
diante da louca sanidade deste mundo torto!
E de riso em riso
vamos levando a vida,
que mesmo sofrida
a cada amanhecer suscita em nós
um sabor de " Querer Mais"...!
O CANTO DE DEUS
Borboletas são a voz de Deus...
Imaginem Deus cantando
Anjos silenciosos
em perfeita reverência
para ouvir o criador
em sua mais íntima expressão!
Alegria e amor
Num momento como este
surgiram as borboletas
Deus, cheio de inspiração,
explodindo de vida eterna o coração,
bradou: Haja Beleza!
E assim, maviosas mariposas
em todas as formas, cores
tamanhos...Brilho sem igual
saíram a revoar__Dança magistral...!
E enquanto Deus cantava,
o céu silenciava,
borboletas bailavam
colorindo a natureza,
enfeitando os quintais,concedendo
cor à vida.
Expressão terna do amor de Deus
Presente imerecido aos filhos seus...
Amo o revoar das borboletas
Adoro o canto de Deus...!
Menina Primavera
Eis que surge a primavera!
Vem vestida de linho puro, belo e
adornado de todas as flores que há...
Ela vem com os pés descalços...
Sob eles o revoar de borboletas mil
levemente a arrastam, brisa e cor,
Não pisa o chão!
Seus olhos são carícias de ternura!
Sua voz tilintar de amor e carinho
Traz nas mãos esperanças de jasmim
De sua boca, mel e versos.
És menina que brinca de florir
Balançar nas gérberas dos jardins
És o primor das estações
O acalentar da poesia
És sonho para mim...!
Tarde fria
...E tu eras apenas uma lembrança.
Uma velha carta desbotada
Mas tão pouco era tanto,
que eu parava todo o desencanto das saudades tuas...
Detinha o tempo só para vislumbrar tua letra no velho papel amarelado.
Estranho, eu poderia jurar que sentira o toque dos teus dedos
A força que usara para escrever as palavras
A pausa entre uma frase e outra
Tua cabeça pendendo para o lado,
á espera de um novo pensamento...
A tarde está fria
Mas a carta queima em minhas mãos
...Minha solidão se torna menos vívida
Esboço um sorriso.
Guardo o velho papel no seio.
BELEZA
A beleza verdadeira
é aquela em que não se percebe de imediato.
É profunda...Enraizada no solo da alma.
A entrevemos através de olhos brilhantes,
mesmo que não estejam em belos rostos...
Está contida na ternura de um gesto de carinho
Num pedido de perdão...Ou no ato de perdoar!
A beleza nem sempre é tão óbvia_ Tão patente!
É um dom reconhece-la.
Rete-la, um privilégio!
Mas a verdade é que a beleza foge à vaidade
É simples, duradoura e maravilhosa!
Não é somente um atrativo aos olhos
é uma virtude que poucos possuem!
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