Um Estranho Impar Poesia
Todas às vezes que houver um otário ou uma otária querendo chamar os meus poemas de textos poéticos na tentativa de reduzir o meu talento como poetisa, farei à mim mesma e aos meus poemas elogios narcísicos e exacerbados só para deixar a pessoa sem graça.
Ao ler um livro, o leitor descobrirá a verdadeira essência poética enraizada nas veias de quem o escreveu, despertando assim, a poesia esquecida nas veias de quem está nesta viagem.
Noite fria, aqui estou sem um amor e a casa vazia. Mas, a distância que desfaz o nó seria capaz de unir quem cá está com quem lá está, me faz enxergar que estou no meio do caos na cidade cinza, me convida a querer estar lá, por querer algo mais belo que nessa foto vejo com tanto amor e esmero.
O que justifica o ímpio, e o que condena o justo, tanto um como o outro são abomináveis ao Senhor.
Crepúsculo
A Lua já esta exausta
As horas correm tudo corre ao seu redor.
Embriagada tudo o que vê parece rodar.
Será loucura? Será pintura? Ou invenção da criança?
Só sei que ela se cansa, mas não se importa em esperar.
Fez-se dona da madrugada
Princesa noturna
Dadiva do dia
E hoje embriagada, chora...
E descem com as lagrimas que escorrem pela sua face
Um leve toque de sua maquiagem,
E aos poucos se revelam suas olheiras
Marcas de um cansaço
Excesso de trabalho, talvez.
Uma bela atriz, que não decora um papel.
E por apenas aparecer na cena
Que de fato vive e não encena. Tudo se completa
Não se precipita, e não perde a hora.
Nada lhe atrapalha, e não me atrevo a dizer que erra.
Mas se sente só, pois seu amante trabalha dou outro lado da Terra.
E agora o que dizer se nada mais me convém?
Diz a mim crepúsculo. Aonde está a jovem aurora que não vem?
Atada em teus olhos a minha desordem.
O meu devido querer.
O silêncio fazendo ordem.
Atada em meus olhos para não te perder
Mas sem te deter, prendo-me em
Ideal ilusão sem nada saber
Arquitetando meus sonhos
Buscando o que ter.
Crescendo um lago
Por gota a gota.
Querendo-te ao meu lado
Nobre garota.
Calado querer
Dor de vaidade
O silêncio me traz
O prazer da verdade
Atado no querer
Da jovem idade
Ideal encanto
Querendo-te tanto
Tê-la em um canto
E provocar minha vontade.
Eu sou
O nascer do Sol
Enquanto a Terra estertora.
E quando o engenho da vida vai embora
Eu sou o crescer da Lua no intimo de um céu que chora.
Todavia, encontro a arte da vida vagando pelo ar.
Vejo deliberadamente o abstrato a se formar.
Faço-me de Sol e Lua
Enquanto a Terra aflige
Faço-me eclipsar.
O amor não se vai
É momento sem tempo
Ele não se decai
É fogo que se espalha
Quando sopra o vento
É chuva que cai
Em um solo sedento
Água viva
Ar puro
Casto pensamento.
Tu
Se o céu pudesse
Nesta noite escura e triste
Isolar-me uma estrela
Para que tu então viste
Não pediria mais nada
Pois do céu vem meu sossego
E das primaveras mais lindas
Não tive tanto apego
O que quero na madrugada
É sonhar como antes fazia
Quando as estrelas acordavam
E eu com elas dormia
Mas tu acalmas-te logo
E não se apresse por entender
Eu mesma queria encontrar a paz
Em que acostumávamos adormecer.
(28/12/2008)
MINHA ESSÊNCIA
(21.10.2018).
Envolvo-me com os teus olhos,
E confirmo o sentido da busque sua,
No qual tenta andar conforme o mar,
Parar para ouvir o tempo passar...
És a fonte a não se explicar por si,
Mas pela dimensão do coração,
A emanar luz como o sol,
Pois tu vens a ser: MINHA ESSÊNCIA!
VELHO GOIÁS
Olha os ipês no cerrado, mais belos
Do que as da estação da chuvarada
Tão antigos, tanto mais belos, nada
mais magnificante... e tão singelos!
Os brancos, os rosas e os amarelos
Nos galhos, a cantiga da passarada
E o frágil das flores no chão arriada
É o velho Goiás nos seus paralelos
Toca o berrante, boiadeiro e boiada
Carro de boi, os seus causos e viola
Assim, assim vão todos pela estrada
No suor da terra a mão do capataz
Cidade grande e também a aldeola
É o espírito do chão do velho Goiás...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Outubro de 2018
Cerrado goiano
Te amar foi muito fácil...
Difícil foi te esquecer...
Foi por teu sorriso grácil
que me deixei envolver...
Por feitiço, ao teu olhar
me ví assim, cativada...
Nele eu me deixei estar
e não pensei mais em nada...
Agora não sei voltar...
Eu perdi a direção...
Tento a tua imagem apagar...
Mas ai de mim, perdição.
Raios e trovões
Ondas agitadas
Arraias e tubarões
Portas ainda seladas
Redemoinhos e tufões
Embarcações atracadas
O mar começava a falar
E eu o queria escutar
Sua voz tão bela e serena
Fez-me lembrar de quando ainda pequena
"Ele irá te guiar
Não importa aonde fores
Irá te fazer sorri
Dividirás com ele todas as tuas dores
Quando desamparada estiveres
A ele deves consultar
Pois ele é gentil e bondoso
Melhor lar que ele não há"
O mar
Nada mais faz
Do que te acolher, cuidar, e soltar
Não olhes para trás
A não ser que à terra queiras voltar
Lembre-se que a terra nada mais faz
Do que teu último exaurir.
Desatinos do Tempo
O tempo mata da mesma forma que cura e nos traz a vida. O tempo ama, o tempo odeia. O tempo dá, exatamente da mesma forma que tira. O tempo anseia e desdenha. O tempo é o cheio, o tempo é o vazio. O tempo traz o tempo leva. O tempo é glória, o tempo é fracasso. O tempo é parceiro e inimigo. O tempo é longo, o tempo é curto. O tempo engorda o tempo emagrece. O tempo para o tempo não para. O tempo é para. O tempo não é para. O tempo enaltece, o tempo deprecia. O tempo nos deixa felizes e o tempo nos deixa tristes. O tempo é visível. O tempo é invisível. O tempo e seus desatinos...
O tempo vem o tempo vai. O tempo é tudo o tempo é nada. O tempo sobra, o tempo falta. O tempo deseja, o tempo ojeriza. O tempo é e o tempo não é. O tempo é Deus, ateu, gnóstico, agnóstico. O tempo é branco, preto e colorido. O tempo tem cheiro e o tempo fede. Perdemos tempo pensando, ganhamos tempo pensando. Nós perdemos tempo, mas o tempo não nos perde. Nós esquecemos o tempo, mas o tempo nunca, nunca nos esquece. O tempo e seus desatinos. O tempo é rei para uns e súdito para outros(que pensam que são monarcas). O tempo é luz e escuridão, é amor, é paixão, é lascívia é um não. É um sim é um talvez. O tempo é tudo. Não temos mais tempo para pensar sobre o tempo, no entanto o tempo está sempre a pensar em nós. O tempo é macho e fêmea, união e desunião. Somos caprichos, devaneios, desatinos do tempo...
Luciano Calazans. Salvador, 12/11/2012.
Vento
Sinto a respiração aliviada da noite
O sussurro do vento e seu timbre aveludado
a falar das vidas, de nortes, do pecado
Enquanto fito um sono digno das fadas
Numa mistura de lençóis brancos e pernas,
Viçosas, fortes, bem torneadas
Arquitetura em carne, osso e cheiro
Morros, montes e vales ocultos
As vezes não, pelo vento
Que revela os cheiros e fragrâncias
De Vênus, das suas, dos seus...
Como sou grato ao olfato e a visão
O tato, paladar e audição
Para que mesmo em obscenos pensamentos,
Possa tocar furtivamente o vento
Cheirar em um sussurro os montes
Degustar o sono das fadas
Ouvir a melodia do desejo ....
Meu
Do vento...
Luciano Calazans. Salvador, Bahia. 17/03/2015
A ROSA MISTERIOSA
(24.11.2018)
Vou adentrando o meu mundo interno,
Com tanta beleza que vem a ser a rosa.
A rosa misteriosa dos meus dias e,
Seu cheiro traz um pouco de sorriso.
Os meus lábios sentem o gosto!
Uma doçura dos sentimentos,
No qual transborda minh'alma,
Explodindo o meu peito inteiro...
As vozes dos vivos
Os gritos dos mortos
O silencio dos inocentes
A dor dos perdidos
A morte dos nos corações
A dor dos vivos
Dos abandonados
Dos perdidos
E o silencio dos encontrados
Mesmo todo o amor possível
Nunca será falado
Apenas o silencio dos perdidos
Nunca será quebrado.
Positividade
Positividade é muito importante na vida de alguém,
Transmitir carinho, reciprocar e demonstrar amor.
Rir dos momentos difíceis também,
Até porque a vida não é um filme de terror.
Está mais pra um filme de aventura, certo?
Aonde o personagem protagonista é você.
Deixe sempre a felicidade ficar por perto,
Pois esse é o jeito certo de viver.
Tudo de ruim vai passar,
Positividade ajuda a entender isso.
Mas, a felicidade vai ficar!
Nosso sorriso alheio é especialista nisso.
Recorda-te de mim quando eu embora
For para o chão silente e desolado;
Quando não te tiver mais a meu lado
E sombra vã chorar por quem me chora.
Quando não mais puderes, hora a hora,
Falar-me no futuro que hás sonhado,
Ah de mim te recorda e do passado,
Delícia do presente por agora.
No entanto, se algum dia me olvidares
E depois te lembrares novamente,
Não chores: que se em meio aos meus pesares
Um resto houver do afeto que em mim viste,
– Melhor é me esqueceres, mas contente,
Que me lembrares e ficares triste.
a mulher de burca
entrou no metrô
atrás do marido
a mulher de burca
precisou apenas
chegar para ser
espetacular
a mulher de burca
me espanta me espanta
que se estabeleça
que uma mulher
deva usar a burca.
*
tentei decorar
um poema para
a mulher de burca
que me veio à mente
enquanto tentava
não observá-la
essa é afinal
a função da burca
e como ela deve
ser considerada
a burca tornou-se
maior que a mulher.
*
acontecem muitas
coisas no metrô
acontecem muitas
coisas na alemanha
mas ninguém se olha
nem na alemanha
e nem no metrô
pra mulher de burca
todo mundo olhou
mas ninguém a viu
ninguém julga ter
algo a ver com isso.
*
a mulher de burca
estragou meu sono
estragou meu sono
o brochinho azul
feito de miçangas
ostentado pela
burca da mulher
terrível enfeite
revolução muda
da mulher na burca.
*
embaixo da burca
há uma mulher.
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