Um Estranho Impar Poesia
LEGADO
Morre o poeta,
e suas estrelas ficarão...
Como palavras no jardim da vida
e como pétalas coloridas no coração.
Tornar-se-ão...
Alvos fincados no tempo
flechas projetadas ao futuro
versos tricotando alento
e acalanto de um manto seguro.
Morre o poeta...
E suas setas, petrificam os rumos
suas palavras, bordam o céu de arco-íres
e suas poesias, edificam os mundos.
Antonio Montes
DÁDIVA
Ser mãe e dona de casa...
Conselheira e sofredora
chorar, enxugar as lagrimas
mulher rendeira ou redentora.
Do sertão ou do agreste
da cidade ou pervertida
parceira do cabra da peste
mulher é símbolo da vida.
Mulher é dádiva divina
mãe do único redentor
por Deus, foi escolhida
pára sofrer a sua dor.
Antes que a vida se acabe
não tem ferias nem descanso
se a turbulência te invade
seu chorar ainda é manso.
Antonio Montes
Não espere ser notado entre as flores, num paletó de madeira.
Pergunte a si mesmo se está feliz ou se está valendo a pena.
Viver só por viver, não é vida não.
MENINO TRAQUINO
Quando pequeno
a mãe sempre com grilos,
sobre seu esguio menino...
Filho, filho, filho
filho meu,
meu filho!
Não faça isso,
não faça aquilo,
não faça aquilo...
Nem isso.
Isso é ridículo!
Aquilo dá enguiço,
filho não faça aquilo...
Filho não faça isso!
E o pequeno franzino...
Cheio de mimos esguio
em tino pelo seu caminho
torna-se, menino traquino.
Antonio Montes
O Mau de Amar
O mau de amar é estar sozinho
È fechar os olhos e viajar em seu sentimento;
O mau de amar é saber que o coração lhe condenou
A sofrer por uma pessoa
A cada dia, a cada momento.
É ver o mundo girar parado,
Dando voltas no pensamento
É ver que o seu amor é como sangue
Que jorra de um ferimento
O mau de amar não é querer
O mau de amar é não poder
O mau de amar é ter fraqueza
É sentir sem ter certeza
É destrancar os cadeados,
Pra alguém roubar sua riqueza
O mau de amar é olhar sempre pro mesmo céu
Sempre em noite de lua cheia
É ver que o seu amor é tão grande
Quanto a imensidão que a lua clareia
O mau de amar é ser o menor ser
E ser o seu maior medo
O mau de amar é deitar sem sono
é amar um sonho
Ver o mundo em seu retrato,
é amar a quem jamais estará ao seu lado,
O mau de amar é viver um sonho acordado.
PEDIDO MELEIRO
Garçom...
Eu quero uma mesa no canto
aonde calado eu possa chorar
... O encanto d'essa saudade.
Quero enxugar meu sentimento
em silencio com meu mundo
fundado em minas verdades.
Garçom...
Aquela mesa afastada
para lá eu esconder as lagrimas
perdidas pela minha amada.
Relembrar com recordação
do tempo em que meu amor
viveu intenção paixão.
Antonio Montes
NÃO E SIM
Desde, que o mundo é mundo
E falas que falam, são falas...
Os mudos podem falar
pelas falas que não fala.
Antonio Montes
MULHER E SEUS TREJEITOS
Mulher rir, mulher chora
mulher entristece quando vai embora.
... Toda mulher...
Já pegou no colo
acarinhou com jeito
amamentou no peito
já chorou por amor.
Toda mulher...
Tem a sua magia,
seu modo de fazer e acontecer
o amanhecer de seus dias.
... Tudo que a mulher faz
e bem feito, ela tem o...
Defeito de fazer direito
os jeitos dos seus trejeito.
Antonio Montes
LAGRIMAS D'ÁGUA
Eu choro as minhas lagrimas
que ninguém pode chorar
lagrimas atiradas aos ventos
para no chão se acabar.
São lagrimas desse meu eu,
imposto d'elas, não pagarei
se pagasse o mundo era breu
sem chorar, não sei, não sei.
Lagrimas que são empurradas
pelos sentimentos internos
elas aparecem do nada
movendo céus, e infernos.
Eu choro as minhas lagrimas
para aliviar a grande dor
lagrimas que sonhos afaga
lagrimas pelo grande amor.
Antonio Montes
Queria estar em seu abraço
E acabar com esse embaraço
Nesse nosso laço
Queria te dar uns amasso
Nessa noite em que tudo faço
E te satisfaço
Para terminar num cansaço
Depois, subir para o terraço
E ver esse estrelaço
Que faz nosso espaço
SEU MUNDO
Apeia do burro, e ele pasta
e passa a feia descabelada
apeia de rabo-de-tatu, tira casca
como imposto compulsivo e as tachas.
Descabelada, menina ao vento
passa pela infância a felicidade
logo vem os bicos de sentimentos
propondo ver o rumo da verdade.
Pasta o burro, passa a peia
morte desapeia...
Encandeia o homem , com a candeia
... Vento, de lua cheia.
Grito sob escuro
pulo através do muro,
ainda há ponto seguro...
No escuro do seu mundo?
Quanto ao fundo que espera
tudo é fundo...
Quanto ao mundo que lidera
você é tudo.
Antonio montes
MORTE DA HORA
Quando cheguei, era seis e seis
... Seis e seis do dia três do mês
gente por ali, encontrava-se de pé
fila se formando, já tinha seis... Seis
pacientes, impacientes na minha frente.
A medida que a fila aumentava
veio o tempo, veio as senhas
e com isso, apareceu as resenhas.
Barulho de alerta na parede,
marcador, números em ordem
paciências em desordens, eu ali
ficxando que o mundo é,
para quem pode.
Enquanto, Idoso, aleijados e grávidas,
tomavam a vez de todo mundo
aos olhos do certo, tudo era incerto
horas morriam em seus segundos
e o tempo ficava sem fundo.
Antonio Montes
QUANTOS ROSTOS
Tantos rostos, tantos corpos
mas, só o seu, eu escolhi
sem você, ficarei loco
não poderei, viver sem ti.
Antonio Montes
PARÁBOLA ESCLARECEDORA
(Para a classe trabalhadora)
“O pior cego é aquele que não quer ver”.
(Sabedoria Popular)
Com omissão, um funcionário viu,
sem adotar a boa providência,
o seu patrão sectário e sutil
abusar da pior maledicência.
A articulação maledicente,
feita pela chefia malvada,
teve a ação condizente
de quem fez que nem via nada.
O alienado funcionário
foi dando uma de “pata cega”
e deixou o odiado mandatário
ir tentando prejudicar um colega...
Justificando sentir muito medo
de tomar uma providência,
o omisso foi ratificando o enredo
da patronal maledicência.
Negou, na verdade, o idiota
funcionário tão conivente,
a solidariedade que importa
e se viu solitário no batente.
Depois, o malvado mandatário,
comprovando ter péssima intenção,
depôs o alienado funcionário,
negando-lhe a devida indenização.
Eis a moral da história: ser conivente
com a patronal escória é, futuramente,
sentir, na pele, a injustiça sentida,
por quem repele uma cobiça indevida.
Paulo Marcelo Braga
Belém, 15/02/2009
(09 horas)
OLHE O TOMBO
Se segurarmos a mão,
de quem não esta, nem ai
... Pelo riscos do coração,
podemos de cair.
Antonio Montes
Quem sabe minha fase poeta volte atrás e resolva encontrar flores e folhas pelo caminho do inverno, um pouco próximo.
Juntarei corações, fatias de bolo e balões coloridos, sentada em uma praça recheada de crianças e ouvindo o som da melodia alegórica de um coração que ainda insiste em crer em unicórnios e Saci Pererê...
BANCO DAS LEMBRANÇAS
Do que adianta agora,
pedir para juntar lagrimas caídas
depois que o vento levou-as,
agora que tudo acabou...
Do que adianta falar de amor.
Hoje, só...
Nesse banco, abaixo d'essa janela,
que ontem ainda era tão nossa...
Eu olho a lua do nossos sonhos
e não vejo mais as estrelas,
do nosso esplendor.
Sinto o desespero evadir o meu silencio
e meu coração dispara querendo
enxugar as lagrimas da minha cara.
Tudo entristece em minha volta?
em sonhos, eu tenho a sua imagem
e acordado, sou açoitado pela saudade,
e o desespero, torna-se agonia
diante do meu pesadelo.
Antonio Montes
CAÓTISMO DO MUNDO
Aqui, nesse apartamento,
... Do meu olhar eu vejo...
A lua com vidros
a rua com tiros
a paz, perambulando pela guerra
E os clamores, dos olhares de socorro
não são mais vistos, diante da clemência
... É pena, que todos querem amor
mas, nunca aprenderam a dá-lo.
Aqui desse meu olhar eu vejo...
A ganância todavia espojada
na cadeira do impero
a insaciável caneca dos desejos
do comando humano... Todavia seca
... Vejo lagrimas de sofrimentos,
escorridas pelos rostos dos inocentes
a esperança no caminho do mundo
a debater-se pelo suspiro do amanhã.
Aqui nesse apartamento
... Do meu olhar, eu vejo...
Os livros do mundo lidos, mas
seus ensinos, nunca foram seguidos
A coerência subjugada pelas correntes
da inconsequência,
a curiosidade sendo levada
pelos trilhos, dos perigos
as feiras dos ensinos vendendo
todo tipo de crença, e todas as
crenças, ludibriando a inocência.
Antonio Montes 13/03/17
VELHA CASA
A velha casa na beira da estrada
hoje sem cor, parede derrubada
nada, sobrou do existir...
Mas ali, em época passada
vidas foram projetas
e suas passadas fizeram sorrir.
A velha casa, teve suas glorias
que hoje faz parte da historia
que ninguém pode destruir...
Ali, nasceu filhos e filhas
projetou-se pela vida seguida
e vivem lembranças por ai.
A velha casa na beira da estrada
ainda protege vidas desgarradas
que voam pelo seu existir...
Uma vez e outra, vida cansada
calada com poucas palavras
em repouso, passa a noite ali.
A velha casa na beira da estrada
hoje quieta sem burburinho
guarda momentos em seu existir...
A noite, te gela calada
o sol te aquece o abandono
só as estrelas, arriscam-lhe um sorrir.
Antonio Montes
Como é que tu querias
que te desse o meu amor,
se tu lá no fundo
nunca me deste teu valor.
Tu nem presta-vas
atenção ão que fazia
e muito menos
as coisas que dizia.
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