Um Estranho Impar Poesia
Escutei um barulhinho
é o Pica-pau-branco
fazendo o seu ninho,
É um recado da Natureza que
em breve você estará vindo.
Uma Maria-leque-do-sudeste
pouco no galho,
Um poema da manhã cheio
de orvalho,
Em breve ocuparei espaço
no coração do meu amado.
Um casalzinho de Corocochós
voando no meu jardim,
Acabei de passar um café
fresquinho e poético,
Algo me diz que você nasceu
para mim e você virá pleno
e se agarrará neste amor sem fim.
Coloquei no meu poema
as asas de um Sabiá-laranjeira
para fazer com que me queira,
o quê por acaso você queira,
um pelo outro de encontre e se perca
(o tempo todo se derreta
e a história de amor
pelas nossas mãos se escreva).
Com a mesma paciência
de uma Saíra-ferrugem
construindo um ninho,
Todo o dia tenho escrito
um poema para te colocar
com amor no meu caminho.
Ouvi um barulho e encontrei
um bonito Caburé-Acanelado
em cima do telhado,
Com o coração é preciso
tomar sempre cuidado,
Por isso preciso esperar
por quem realmente me quer
com amor e paixão ao nosso lado.
Um par ligeiro
de Caburés-da-Amazônia
cruza o céu poente,
O importante é viver
o quê a gente sente,
e ignorar profundamente
o quê falam da gente.
Quando se coloca
carinho no poema
e dentro do ninho
ele acaba virando
por neologismo
um lindo "poeninho",
você goste ou não:
(Todo poema dentro
do ninho sempre
será um "poeninho").
Um Jacurutu
com asas abertas,
Um poemário
bom e amoroso,
Uma ideia gentil
para tocar e afinar
o seu coração com
o meu para alcançar
juntos as estrelas.
No horizonte eu vi
uma Coruja-listrada,
Um poema escrevi,
É verdade que por ti
estou apaixonada
de um jeito que nunca
antes na vida senti.
Mergulhei profundamente
rumo ao desconhecido,
Encontrei um Recife mesa
que vale muito mais
do que muito poema,
Não perdi essa minha mania
de querer na vida ser sereia.
Por força do destino
encontrei um Jaú
bonito na minha rede,
E tenho nele o meu
amor único e infinito.
Há um misterioso Acará-disco
rondando o meu destino,
Nestas águas sou Iara
que todas às vezes que me vê
o seu coração sempre dispara.
Um Jundiá ligeiro
passou por nós,
A vida é um poema
de muitos versos,
Embora tenha alguns nós,
Só penso naquilo
que mantém acesos
os mais potentes desejos.
Um Capapari
iluminado pela Lua
no canal do rio
próximo a praia,
Um doce desafio
sob o testemunho
das estrelas:
(Lançar poemas
para quem sabe se
o teu amor capturo),
E nas tuas mãos
talvez vire Iara
e nas minhas quem sabe
tu se entregará em disparada.
Um poema de vez
em quando é mole
e também é duro,
(Um poema
também sabe nadar),
Tenho certeza
de que um dia
do Cascudo você ouviu falar.
Um Saguiru se juntou
ao cardume prateado,
E seguiram cintilando
as águas nesta noite,
Não consigo parar
de mergulhar no rio
profundo dos teus olhos,
E a cada novo poema
te proclamo o dono
dos meus amorosos sonhos.
Jurupensém ondulante
brilhando como um
lindo e perfeito diamante
passando diante de mim,
Neste rio apaixonante
não sei na verdade
quem é a pesca e quem
há de ser pescador
desta bonita História,
Só sei que estamos
vivendo um romance.
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