Um dia a Gente se Conheceu

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A lama de um, suja os dois.⁠

O ego e o orgulho não são ruins por natureza.
Um busca se proteger, o outro se afirmar.
O problema surge quando um fica muito inflado e o outro, frágil demais.

Já que existe a tristeza, vamos receber a alegria com um tapete multicolorido e fazer com que ela se perpetue, sem deixar vazar o mínimo de melancolia.

⁠A mudança parece difícil e chega um momento em que fica fácil,
quando a falta da mudança ficar mais difícil que mudar.

Um grita para Deus ouvir,
outro silencia para ouvir Deus.

Outrora dizia-se:


"Um por todos e todos por um"


Porém; a matrix não gostou e criou:


Cada um por si e todos por ninguém.

Deus fez mentes evoluíveis com livres arbítrios em diferentes tempos para cada um, sendo necessário sempre filtrar o entendimento da escuta ou do próprio pensamento, tentando perceber e enxergar o que é da mente e o que é de Deus.

Um tem dó do outro por não ter casa, veículo, emprego e família e o outro tem dó de um por ter tudo isso e nada disso adiantar.

Com humildade diante de um gato, a arrogância que parecia estar no gato, passa a ser admiração mútua.

Por vezes, falar é doença e não falar adoece.


A natureza exige equilíbrio (um pouco de cada) e a mentalidade social exige diplomacia (jeito adequado).


A vida oferece a manha da arte para seguir em paz interna.


Onde para parecer normal é necessário se fazer de louco.

Quando crianças, um viveu na normalidade e o outro na sobrevivência.


Agora adultos certamente discutem e dificilmente chegam a um censo comum realmente com satisfação.


A consciência universal já está cada vez mais perto, independentemente de qualquer coisa.


Vai dar tudo certo.

A solidão é um laboratório de experiências.

O nosso silêncio é um espaço onde tudo o que não foi dito ainda insiste em existir.

O sábio faz do tempo um instrumento;
o imprudente reduz-se a contemplar sua passagem.

Que a nossa posologia diária seja um equilíbrio entre conformidade, paz e fé em Deus.

O alívio do próximo é um caminho florido que conduz ao verdadeiro
código das leis da compaixão.

Sinfonia Inversa

Feche a porta invisível,
abra a janela já aberta.

Cavalgue um unicórnio lobuno,
voe numa libélula dourada.

Desça a serra de vidro,
suba num trampolim estático.

Nade no rio de lágrimas,
corra pela rua de cera.

Grite em barítono agudo,
cale-se em alto volume.

Leia o pergaminho ágrafo,
escreva com a pena de Roc.

Coma a fruta-bolacha,
beba o drink que evapora.

Durma com o sol na moringa,
acorde com os pés nas nuvens.

Mime um gato alado,
dome uma fera urbana.

Reze com evangelho apócrifo,
peque com um terço ao peito.

Conte uma estória verídica,
narre um crime perfeito.

Dance o tango inglês,
cante a ópera baiana.

Palavras colocadas no tempo certo
geram um efeito grandioso.
Palavras ditas no tempo errado,
geram consequências estrondosas.
Já palavras soltas não geram
absolutamente nada.

Desamparo

Eu só queria
alguém que cuidasse de mim.

Um colo.
Um abrigo contra o mundo
que me expõe
como pele sem defesa.

A solidão chega sem ruído,
instala-se aos poucos,
ocupa os vazios,
faz morada no peito
— e dói.

Dói como peso contido,
como um aperto
que não encontra saída.

O ar falta.
Afundo devagar,
sem resistência,
como quem desce ao fundo do mar
em silêncio.

Ainda assim,
há em mim uma consciência:
preciso voltar à superfície.

Retorno.
E nada mudou.

A solidão permanece.

Então pergunto,
não em voz alta,
mas por dentro:
vale a pena?

Se vale,
revela-me o porquê.

O silêncio se estende
como um vento que uiva
sem me tocar.
Há um vidro invisível
entre mim e o mundo:
vejo o movimento,
a correnteza,
mas não posso atravessar.

Estou presa
num espaço estreito,
insonoro,
onde a ausência de saída
me torna cativa.

Desperto.

E ao me reconhecer desperta,
compreendo:

ainda estou só.

R. Cunha

Insuficiente

Dizes-te presente —
mas permaneces?

Há um vazio que não se cala.
E ele pergunta
com a voz que não tens.

Se te ofereces,
por que não te revelas?
Se te dizes suficiente,
por que te ausentas
no gesto?

Não peço excesso.
Peço constância.
Um corpo que fique.
Uma presença que não oscile.

Alguém capaz de preencher
o espaço vasto
que se abriu em mim
e aprendeu a chamar-se morada.

Se és esse alguém,
não tardes.
O tempo aqui é lâmina.
Age.
Socorre-me.

Estou à beira
de um abismo que não promete retorno.

E se não vens,
se não és,
se não ficas —

Adeus.

R. Cunha