Um dia a Gente Aprende Mario Quintana

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Tive um déjà vu,a impressão, ou será que a esperança?, de que tudo não passou de um pesadelo, que não tinha realmente acontecido,que ele ainda seria meu, não dela, que quando eu o visse ele ainda me faria rir, me tomaria em seus braços e diria o quanto eu era sua. É o que teria acontecido em um livro, seria um pesadelo, um engano, um terrível engano, mas isso aqui é vida real. Tentei conter as lágrimas , mas a dor era tanta que transparecia,irrompia, explodia por mim. Não cabia em mim. Eu era pequena demais para tanta dor.

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Ele disse que precisava ir, que tinha um jogo de futebol ou qualquer coisa do tipo e deu um beijo no rosto das garotas presentes. No meu caso, não. Ele pegou minha mão e a beijou. Não sei porque ele fez isso; se foi porque me desprezava para dar um beijo no rosto ou se foi porque eu estava muito longe. Eu nunca vou saber o porquê. O fato é que ele beijou minha mão de forma cortês e saiu. Ele me beijou a mão, se fosse o rosto ou a boca eu não teria ficado tão vulnerável, tão frágil, tão fácil, tão dele...Por um segundo eu fui dele e ele nem percebeu.

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Eu danço na ponta dos pés, eu faço caretas para o espelho, eu passo um batom e saio e eu nem ao menos penso em você e isso é tão estranho...Eu reinvento meu próprio mundo, e ele é colorido, cheio de verbos, sentimentos, pessoas, risadas, momentos, e você não está em nenhuma parte desse meu mundo, e isso é diferente, mas é tão bom, porque há tanta paz! E de pouco em pouco, de dia em dia ,de hora em hora, essas coisas enterram você e você desaparece como um grão de areia levado pelo vento.

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É quarta- feira e estou elétrica, elétrica como se tivesse colocado o dedo na tomada e levado um choque, como se tivesse tomado 10 xícaras de café ou tivesse injetado adrenalina diretamente na veia. Mas eu só tomei uma xícara de café, e isso não é nem o suficiente para me deixar acordada pela manhã, então acho que esse estado de espírito se deve a mensagem que eu recebi daquele garoto. Isso fez eu ficar ligada no 220 e sair correndo pela casa e dar risada à toa, e isso é muito estranho. Eu fico tentando achar explicação para essa felicidade, dizendo para mim mesma que amanhã é feriado, que eu fui bem nas provas finais e que logo chega a pizza que eu encomendei, mas tudo isso não me convence, como se ele fosse o motivo do meu sorriso bobo, da minha distração constante e da minha agitação sem sentido, como se isso fosse resultado da paixão...

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Meu professor dizia que "a vida não é um croissant", e eu sei que não é mesmo, sendo sempre doce e saborosa, com os problemas se dissolvendo como areia, nada disso . A vida é mais semelhante a um sorvete, sendo maravilhosa, épica, mas passando rápido demais e derretendo nos momentos mais importantes, em que o coração é leve, as risadas altas e os compromissos quase não existem, como nas férias. Mas por ser efêmera e fugidia é que é bela e peculiar, e deve ser aproveitada, antes que passe num piscar de olhos.

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Eu sou um mar infinito de paranoia e não sei lidar com relacionamentos, acho que por isso estou solteira, eu não confio em ninguém e sempre acho que estão mentindo para mim ou me enganando porque na minha vida inteira só mentiram para mim, me enganaram ou me usaram. A verdade é que ninguém nunca me tratou como eu merecia ser tratada, o que faz como que eu me sinta como um cachorro de rua rejeitado que ninguém quer...

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Olhei para a fileira de poltronas ao lado e o avistei sentado em uma delas, rindo com um grupo de amigos, mas antes que ele me visse eu voltei minha atenção para meu conteúdo de Direito do Consumidor. Em algum momento, no entanto, ele me viu, pois quando peguei o celular, minutos depois brilhava na tela um "oi, sumida" e eu ri secretamente tendo o cuidado para não rir alto, para não sorrir de orelha a orelha, jogar a cabeça para trás toda boba, toda mola, toda dele. Tive o cuidado de guardar aquela emoção para mim mesma antes que ele visse e soubesse como me tem nas mãos nesses momentos e como uma simples mensagem dele adoçou minha noite, a minha semana e quem sabe meu mês?

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Eram cinco horas da manhã. Era sábado. Ouviam funk a um som excessivamente alto e irritante de modo que não havia como não sentir vergonha e constrangimento, mas isso não importava. Nada importava pois eu estava nos braços dele, ele me chamava de "anjo", acariciava meus cabelos e beijava minha testa, fazendo eu me aconchegar mais e mais nele. Para que cobertor se eu o tinha ali comigo? Para que paranoia se ele estava ali, me abraçando ao amanhecer? Para que drama se era carinho, se podia ser paixão?

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O sol nascia e os galos cantavam ao longe um "cocoricó" digno de aplausos, como uma sinfonia em uma orquestra às seis da manhã de um sábado. O dia nascia, eu tinha passado a noite em claro, no entanto, nunca estive tão acordada em toda minha vida e isso me chegava à consciência de um modo doce e misterioso. Sentei no sofá e fiquei olhando as flores do Ipê caírem e de repente percebi como o perfume dele ainda estava impregnado em minha pele e ele era como o paraíso, tanto que se me concentrasse até ouvia "The Cure" cantando: " You, soft and only, you lost and lonely, you, just like heaven"...

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Houve um momento em que ele subiu em uma árvore e ficou olhando para mim. Seus olhos castanhos se fixaram em mim como se quisessem me puxar para ele, como se ele fosse uma espécie de imã e eu de repente sentia que o frio em minha barriga aumentava a ponto de eu sufocar e não lembrar mais de como se respirava. Ele olhou bem para mim, só para mim, diário, eu tenho certeza disso porque virei para trás nessa hora para verificar se ele não estava olhando para outra pessoa, mas não havia ninguém ali. Ele vestia uma blusa rosa, eu acho, não lembro ao certo, talvez fosse branca, ou até azul, mas para mim pareceu cor-de-rosa, mas quem sabe nem fosse, e era somente eu que via tudo cor-de-rosa naquele momento de tontura.

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Então há poucos minutos eu larguei meu livro e me sentindo um tanto quanto sozinha, vim escrever em você, diário, pois toda vez que me sinto sozinha você consegue preencher essa solidão, ou eu mesma preencho minha solidão com palavras e algo de vazio em mim de repente torna-se cheio e não me sinto mais tão triste. Eu contive minha vontade de escrever ao Rick, também, pois toda vez que sinto a saudade apertar eu escrevo a ele, e isso faz com que eu me sinta melhor, mesmo que ele nunca vá ler essas cartas. No entanto, escrever a ele é amá-lo cada vez mais, é perpetuar esse amor em suas páginas, é me machucar profundamente e eu não quero mais isso. Basta! Tem que bastar de uma vez por todas! Agatha Christie menciona em “A Morte no Nilo” que: “ O que importa é o futuro, não o passado”. Eu sei que o passado faz parte de nós, que nos tornou quem somos hoje, mas o fato de ele ser importante não significa que devemos viver acorrentados a ele, não é mesmo? Eu estou acorrentada ao Rick por correntes invisíveis que eu mesma criei ao longo dos anos e isso não está certo, não é saudável para mim. (Anseios de uma jovem escritora)

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⁠Querido Josh, eu primeiramente queria dizer que eu odeio, odeio você! Eu pensei, por um breve momento de felicidade, que você de fato gostasse de mim- sim, eu acreditei nisso! Eu pensei que poderíamos ser como Baby e Johnny em Dirty Dancing, apesar de eu não saber dançar, mas você poderia me ensinar! Eu pensei que você me lançaria diversos olhares, como estava fazendo, e certo dia diria algo como “ninguém deixa Baby de lado” e me puxaria para uma dança, para um beijo e tudo ficaria bem entre a gente. Eu...eu realmente acreditei em você e isso me dói. A consciência clara me liberta da cegueira do amor, da ilusão que eu acreditei ser verdade. Por alguns dias eu cri que você estivesse sendo verdadeiro comigo. Eu cri que você fosse verdadeiro, mas agora vejo como é falso como bijuteria e isso me dói. A consciência de que fui enganada me dói como uma faca cravada nas costelas e me arde com a fúria do sol do meio dia. Eu odeio! Meu Deus, como eu o odeio, Josh! Eu o odeio por ter me beijado e tirado minha inocência, como se eu fosse uma donzela que tivesse perdido sua virtude e estivesse destraçada e perdida para sempre! Você foi quem me deixou à mercê da ruína e eu odeio por isso! Eu o odiarei para sempre! Meu Deus, como eu o odeio! Odeio mais do que posso suportar escrever! Eu odeio o fato de eu ter gostado de ter te beijado, odeio o fato de eu ainda te amar e desejar beijá-lo de novo. Eu odeio a mim mesmo de modo que quero vomitar! O pior é que eu quis, eu realmente insisti nessa história e eu achei que tudo seria diferente quando a gente ficasse. Eu achei...eu prefiro vomitar do que ver sua cara novamente! Eu o odeio por ter estragado Dirty Dancing e Blck Eyed Peas para mim para sempre e ter feito com que minha mente associasse a música a você de algum modo e não sei se algum dia vou poder ouvir “the time” sem me lembrar de você! Arg, eu o odeio mais do que suporto escrever Adeus!

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⁠Eu tive um sobressalto ao ouvir a música pois ela parecia ter sido feita para mim. Parecia ter sido feita para mim pois durante as aulas eu me sentia queimar e parecia que eu estava em brasa, em fogo e ardia e me consumia em mim mesma e Josh... Josh só estava lá no canto dele olhando para mim como se nada tivesse acontecido nunca, como se ele nunca tivesse me beijado, como se nunca tivesse causado uma erupção dentro de mim, uma explosão que destruiria continentes com a intensidade que é o meu amor por ele. O pior era que eu gostava de tudo isso como se eu fosse uma espécie de pessoa doente e masoquista que gostasse da dor que ele me causava pois se eu nunca tivesse o beijado eu jamais teria sentido a intensidade avassaladora do amor. Por isso eu não, não me arrependendo nenhum pouco de ter ficado com ele, mesmo que isso estivesse me destruindo agora. Ele tinha me visto chorar aquele dia e nem tinha se abalado como se para ele estivesse tudo bem, como se ele gostasse de me ver chorar e sangrar por ele constantemente com o se eu fosse uma espécie de diversão para ele, um ratinho que ele pudesse torturar. Meu Deus, a música era tão minha, tão minha e nada da Rihanna no final das contas pois eu o amava, amava o jeito que ele mentiu que me amava para ficar comigo, pois se ele tivesse sido sincero desde o início eu teria me sentido ofendida e não teria ficado com ele. Eu amo o jeito que ele mentiu para mim e que me deixou tão vulnerável a ele. Eu gostava do jeito que o amor dele doía em mim como um corte aberto ainda sangrando. Gostava de toda dor que acompanhava o amor como se eu soubesse que o amor nunca vem só, sendo sempre acompanhado da dor, sendo grata pela dor pois sem ela não haveria o amor.

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⁠Eu esperei. Eu imaginei uma música que não veio. Eu aguardei um frio na barriga, uma facada no peito ou algo que me fizesse desmoronar, mas eu não desmoronei. Na verdade, meus pés nunca estiveram tão lindos em um scarpin preto e minhas unhas nunca estiveram tão bonitas e eu nunca fui tão bem-sucedida. Na verdade, eu não perdi nada e só ganhei um aumento na minha autoestima, um admirador na minha vida, uma conquista na minha lista, mas eu não seria um prêmio para ele pôr na estante. Porque eu sou maravilhosa demais para ele e ele não é nada além de um rostinho bonito e um beijo bom. Eu sou inteligente, bem-sucedida, independente, poderosa e ele já não é nada. O fato é que ele não tem nada que eu admire e eu acho que é por isso que eu jamais me apaixonaria por ele. Não que eu não flerte, pois ele para mim é um flerte e como já dizia uma mulher foda, “até que eu quero amor, mas meus olhos estão no game” e ele faz parte do game, mas é apenas isso e não mais que isso e acabou, pois, eu mereço mais. Eu mereço alguém que me venere e que lamba o chão que eu piso e não alguém que esteja no game comigo e com mais quatro mulheres porque eu realmente sou uma mulher extraordinária e não mereço nada menos que o extraordinário e a devoção. Eu sinto pena. Pena das quatro mulheres mendigando o afeto dele como se ele fosse muitíssimo especial a ponto de suprir todo amor e carência delas. Eu sinto pena porque eu já sofri também por outro homem que me fez comer o pão que o diabo amassou e me transformou da rainha das flores para rainha do gelo. Eu queria abraça-las. Queria dizer que vai ficar tudo bem e que elas valem muito e são diamantes sendo jogadas a um porco. Eu queria dizer que eu nem as conheço, mas que as compreendo e que elas são incríveis, maravilhosas, poderosas e capazes de conquistar o mundo, embora elas não saibam disso ainda, mas um dia vão saber. Eu não preciso aprender isso porque eu já aprendi, porque eu sofri e sofri tanto que o sofrimento me valeu por uma encarnação e hoje eu consigo falar disso e rir. Falar do meu antigo amor enquanto degusto o melhor vinho de uma vinícola famosa sentindo o clima da serra. Hoje eu dou as cartas e tenho minha independência profissional e financeira. Hoje eu sou a minha melhor versão.

Inserida por audreyponganborteze

⁠Sei que faz tempo que eu não escrevo- mais de um mês!- é que eu estava devastada, desanimada demais para escrever. Parecia que eu havia secado! Eu me sentia uma árvore seca pelo inverno, maltratada pela geada e com receio e nunca mais florescer. Uma árvore seca ainda como ser considerada uma árvore? Uma escritora que não escreve ainda pode ser considerada uma escritora? Eu não sei responder. Achei que tivesse perdido a poesia. Achei que nunca mais conseguiria parar de chorar. Achei que ficaria paralisada para sempre como alguém que leva um choque e fica em estado catatônico. Mas adivinhe só? Eu não fiquei. Eu sinto que uma parte minha morreu e doeu mais do que cabe em palavras. Nos sete primeiros dias eu vesti-me de luto, nos quinze primeiros e só chorei, mas eu tive uma espécie de epifania e sinto que renasci. Eu renasci, tal qual Perséfone e eu me sinto tão diferente...

Inserida por audreyponganborteze

⁠Há um tipo de solidão que só os que pensam demais conseguem reconhecer — ela mora entre uma pergunta e outra.

Inserida por MariaLuizaGrochvicz

⁠Às vezes, o vilão se disfarça de salvador, só pra ter um lugar privilegiado na sua queda.

Inserida por MariaLuizaGrochvicz

⁠A vida me escapa entre os dedos enquanto eu busco um significado que talvez nunca tenha existido. No fim, só a morte é real — ela é o ponto final que ninguém contesta.

Inserida por MariaLuizaGrochvicz

Naquele último ano, o xadrez se tornou nossa pequena revolução. Começamos sozinhos, diante de uma mesa que ninguém tocava, e pouco a pouco ela se encheu de alunos, professores, partidas e risadas. O que antes era esquecido passou a reunir pessoas em todos os recreios. Talvez tenha sido simples para quem olhava de fora, mas para nós era muito mais: era um pedaço daquele último ano ganhando vida. E, sem perceber, deixamos naquela mesa uma pequena marca no último capítulo da nossa vida escolar.

Inserida por MariaLuizaGrochvicz

⁠Menti em expurgo coração devastado ainda resta penas um para lutar ao meu lado menino desgraça perdido no passado mente entupida de palavras não ditadas mais disparadas por aquele que está ao seu lado, sua mente quer amarrá-lo mais não consegue segura lo vazio inexplicável que nunca dito e nem falo.

screams in the dark of my past

Inserida por Alboneti704