Um Amor Amigo Companheiro
Deus é Socorro bem presente
Ele é Amigo em todo tempo
Não tem como dar errado Deus dará ordem aos Seus anjos
Para livrar e guardar teus passos
O inimigo ético, por pior que seja, é sempre uma dor de cabeça, mas o amigo antiético, esse é sempre um câncer descoberto tarde demais. (Walter Sasso - Autor do livro "Soca Pisada")
Eu acordo na manhã fria e luto com os meus pensamentos que são dirigidos a você, meu amigo. Faço-me de forte. Não devo correr pro meu canto. Você me envolve nesse meu mais novo sentimento. Eu estremeço!
Emprestar dinheiro não quer dizer que você é amigo, eu mesmo já emprestei, já perdoei dividas, já até dei dinheiro. Ser amigo é muito mais que isso. É estar lá quando um precisar do outro, é se preocupar, saber se outro está bem, fazer questão da grandiosa presença no dia a dia, é ficar na torcida de uma conquista, corrigir quando tem que corrigir, só não seja de mentira, seja de verdade.
Juarez, pronuncie como se começasse com “R”, ele sempre fez questão disso; amigo de infância que eu não via há tempos, apareceu repentinamente aqui em casa; Sempre foi um cara “cabeça”, um bom papo, só um pouco, “Maria- vai- com as outras” conversamos muito falamos do passado depois ele me segredou: Tadeu eu tô no pó”; fiquei pasmo, Juarez não era disso, era aquele tipo de cara: “mente sã corpo são...” “No pó Tadeu, tô no pó”, ratificou me entregando uma cédula de cem reais; “ sei que aqui consegue-se com facilidade; compra lá pra gente...” saí e voltei com um pacote, preparei algumas gramas pra ele, ele cheirou, aspirou ávido depois começou a pular, a falar a sorrir e gargalhar: cara eu tô legal! Eu tô legal Tadeu! Me levantou lá em cima: “você é o cara!” Prepara outra aí! Preparei ele aspirou, ficou mais entusiasmado ainda: “cara essa é da pura! Arde bem pouquinho nas narinas...” pulava e cantava: “everybody want you..” do fundo do baú... no final da tarde se despediu me agradecendo penhoradamente; devolvi seu dinheiro; ele reagiu surpreso:” faço questão de pagar Tadeu”. “Não precisa, é um presente pela nossa amizade”, respondi. Saiu cantando feliz: “Euclides, fala pra mãe...” não tive coragem de dizer que o que ele tinha consumido, era goma...
AMIGO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Amigo não é coisa. Nem é pra se guardar. Muito menos debaixo de sete chaves. Amigo é um ser especial, com o direito de ir e vir... e ter sempre abertas as portas do nosso coração.
FRUSTRAÇÃO
Só queria lhe dar meu dorso amigo;
ter do seu a resposta natural;
partilhar o perigo; a segurança;
qualquer bem, todo mal que nos rodeia...
Dar meu sonho, amansar a realidade
no seu riso, na sua confiança,
ter a sua saudade junto à minha
quando não estivéssemos por perto...
E queria lhe dar meu corpo amigo,
sem a gasta versão de propriedade
como artigo de compra e possessão...
Quis doar o melhor do não doer,
não roer uma corda social
nem fazer uma bolha pra estourar...
DISLEXIA SOCIAL
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Muitas vezes o amigo oculto em fim de ano, revelado como alguém especial cujas virtudes sublimam os eventuais defeitos, é exatamente o desafeto suportado no decorrer do ano. Aquele sujeito indesejado, cujos defeitos inaceitáveis enterram as eventuais, escassas e questionáveis virtudes.
Não é uma crítica. É um elogio sincero à insondável capacidade humana de assumir a cor do ambiente, o ritmo da música e a filosofia da ocasião. Saber exatamente onde ganha, perde ou empata o que tem para investir no campo das relações humanas, muitas vezes com vistas a um futuro bem próximo.
Mais do que um elogio, é uma inveja de quem nasceu aleijado neste aspecto. Sem esse dom natural e obrigatório à sobrevivência de seres sociais. Alguém que tentou, fez o curso, mas nunca teve sucesso nas provas de única escolha que o mundo aplica nessas horas cruciais.
EXTREMADO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Quem me tem como amigo, tenha boa fé;
olhe bem nos meus olhos e creia no mundo;
venha fundo nos flancos; descasque meu todo,
tire o pé desse freio de conter afetos...
Para ter meu carinho desarmado e pleno,
que não deixo esfriar nos desvãos de quem sou,
tenha sempre o que dou, sem reparar na casca;
não invente veneno em minhas beberagens...
Sou amigo invasivo e deploro evasão,
tenho mais coração do que noção de quando;
consciência de como; até que ponto estou...
Vou além do sensato e meu afeto assusta,
se me tens como amigo não te custa nada
o melhor de minh´alma, do forro e da napa...
SANTO AMIGO DO PODER
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Apoie leis trabalhistas
de matar trabalhador.
Também o fim das florestas,
dos ativistas
que ainda pedem amor.
O assassinato dos índios,
dos irmãos negros
e próximos mais...
Cultue a perseguição;
inquisição religiosa;
o mundo triste, sem artes,
um Pedro Malasartes
que aterroriza o país,
mas engambela você.
Apoie povo com arma,
bebida livre no asfalto,
criança em clube de tiro,
tesouros nossos vendidos
e professor humilhado.
Apoie, seja esse gado
que dá chifrada em si mesmo,
que vira pele, torresmo
e grita glórias a Deus.
Enalteça ditadura,
depois negue a dita mole
herdada por sua prole.
O seio seco de medo
e de tanta obediência
às injustiças da lei.
Cultue sempre seu deus
eleito pelo consenso
do seu profundo "não penso,
mas vivo pelo meu rei".
Apoie todo machismo
e desrespeito pro mundo;
o xingamento diário
a mulheres e crianças;
a cidadãos mais pensantes.
O elogio do crime
contra bairro excluído.
Os contextos espúrios
que decidem por classe
quem é bandido.
Defenda ódio racista,
ideológico, de fé,
que tudo está muito bom,
pois muitos são dizimados,
mas você não é.
Tortura, pena de morte,
povo com sela e rédea,
tantos séculos depois,
o Brasil de volta
à idade média.
Apoie cada medida
contra o mais pobre,
defenda seu privilégio
e sua vida,
independente das mais.
Ou sua tola ilusão
de povoar uma elite
que lhe deixa pra trás.
Defenda patrões verdugos
que nos dão sabugos
dos milhões que usurpam
por dom presidencial.
Dê graças a Deus por tudo.
Pelo bem dos poderes
e pelo nosso mal.
Seja bem desumano;
Só lhe peço no fim...
Em nome do inominável,
por tudo quanto é profano...
não pregue pra mim.
SOBRE TODOS NÓS
Demétrio Sena - Magé
Sou amigo de fulano e cicrano, que são muito amigos de bertano, pessoa muito bem sucedida e influente no bairro em que nós residimos. Bertano tem um problema comigo, por preconceitos que ele nutre porque não tenho religião e sou eleitor da esquerda. Em razão disso, percebo que fulano e cicrano evitam qualquer proximidade comigo em ambientes físicos e virtuais onde bertano esteja (ou não, mas perceba essa proximidade). Em outras palavras; só são próximos a mim, com ele ausente ou distante.
Dia desses fulano e cicrano, que estão sempre juntos, vieram conversar comigo, meio sorrateiros. Olhavam muito em volta: quem sabe, verificando se não passava ninguém que depois pudesse contar para bertano que o viram comigo. Quando eu lhes disse, com muita franqueza, que sabia o que vinha ocorrendo nos últimos dias, eles bem que tentaram se explicar. Disseram que só não queriam aborrecimentos e, pelo que depreendi, havia uns interesses envolvidos, etc. Segundo eles, eu devia entender. Explicações esdrúxulas.
Não entendo. Não entendo escravidão social, afetiva, ideológica, de classe nem qualquer outra... também não entendo "sinsenhorismo" e vocação para camuflagem. Se não entendo, é porque sei lidar com a diversidade... separar quem de quê... ser fiel às amizades opostas entre si... nunca julgar ou deixar que julguem por mim ou me orientem sobre quem é quem. Eu jamais entenderia esse rastejar nas sombras; esse viver de modo a dar satisfações de como vivo, com quem lido e de minhas verdades existenciais.
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Respeite autorias. É lei
Amicus certus in re incerta cernitur.
O amigo certo se manifesta na hora incerta.
Viverei em ti....
