Trova
Não sei se é trova ou esculacho,
escritos que risos provocam,
assim em pencas, bananas no cacho
daqueles que engraçados se arvoram
No planeta está faltando respeito,
de tudo desejam fazer gracejos,
chegam devagar e mesmo sem jeito
concedem-se direitos, mas vão para o brejo
Mesmo que seja por brincadeira,
não se deve a poesia esculachar,
é uma arte linda e alvissareira
que só os poetas sabem captar
20/08/2018
Foi-se um tempo
Que a gente escrevia diários...
Assim começava a trova:
"Diário meu querido diário!"
Eram tantos carinhos juntos, que em cada canto da página que se via,
ali continha e escondia um canto diferente.
Era legal, fala sério!
Homens muito fechados para o assunto e meninas se regalavam
em registrar cada passo de cada coisa, não deixando escapar nada.
Tinha de tudo: sentimentos, movimentos, paixões, ilusões, autógrafos, coisa e tal;
Muito estimados e à sete chaves guardados.
Entrar para o diário era entrar para a vida da autora e cair na boca do povo..rs
O diário era secreto, mas vai e vem alguma coisinha sempre escapava e para traduzir pouca coisa bastava.
Um olhar distraído, um ouvido atento era fatal.
Foi-se o tempo... As nuvens que o digam,
ultimamente andam carregadas, não apenas de chuva farta,
mas de muitos arquivos que para lá são enviados.
É comum hoje indagar:
_Onde você guarda seus arquivos?
_Nas nuvens!
Acredito que o povo anda mais com a cabeça nas nuvens do que tudo, né
"As nuvens que o digam!
Nem sempre uso a vírgula
ela numa trova falta não faz
o que vale é ter conteúdo
um pouco de alegria e ser da paz
TROVA I - João Nunes Ventura-01/2019
A sombra que anda comigo
É minha imagem mais linda,
E nas tardes de sol dourado
Juntinho a mim ela caminha,
Não reclama e não se cansa
Até parece ser jovem ainda.
TROVA
AMAR É TAL QUAL A ROSA
QUE VICEJA NOS CAMINHOS:
TEM AROMA, É GRACIOSA
MAS OSTENTA SEUS ESPINHOS!
TROVA
SE DE SAUDADES SE VIVE,
NO FARDO D'ALMA, NÃO NEGO,
DE ALGUNS AMORES QUE TIVE
NÃO SEI QUANTAS EU CARREGO!
TROVA: EM TEMPO DE SECA
Hoje o dia nasceu bastante feio,
De norte a sul, assaz ensolarado.
Queria que estivesse bem bonito,
Com o céu pródigo, todo nublado.
TROVA : DIZEM POR AÍ...
Que a escuridão - é só a ausência de luz.
Que o preto e branco - extrai o sal da cor.
Que a vida de pecado - é a falta de Jesus.
Que o ódio só chega - se termina o amor.
TROVA VERBAL
Quem estuda verbo malicia e nem bobeia.
Moça sabida se maquia e não se maqueia.
O bom vendedor negocia e não negoceia.
Pois nessa vida tudo varia, jamais vareia.
TROVA REAL
Discutir política, geralmente, causa insatisfação.
Um critica os políticos e outro demonstra apoio.
Ficam tão envolvidos na defesa que nem notam,
Que não há um só grão de trigo no meio do joio.
TROVA MAQUIAVÉLICA
Há um grande esforço por parte do Governo,
Que anseia retomar o caminho do Progresso.
Todavia se esqueceu do pacote anticorrupção,
E decidiu terceirizar tudo, fora o Congresso.
TROVA TEMPORAL
Saudade é uma vela que ilumina
As doces lembranças da gente.
Faz a anciã pensar que é menina,
Traz o passado para o presente.
TROVA CONSCIENTE
“Tudo” - é demais para se pedir ou ordenar.
“Nunca” - é arriscado, pois pode acontecer.
“Sempre” - há uma exceção para contrariar.
“Talvez” - um advérbio prudente a se dizer.
TROVA SIMPLES
Não quero lembrar o passado,
Tampouco falar do presente.
Eu só quero estar ao seu lado,
Fazendo o que o coração sente.
TROVA DEMO PRÁTICA
Na democracia funciona assim, não há o que discutir:
Cada eleitor é livre para votar no candidato que gosta.
Ninguém tem o direito criticar, muito menos interferir,
Mesmo que o candidato dele seja uma grande aposta.
TROVA DAS RIQUEZAS
Muitos propagam que Tempo é dinheiro;
Que a Palavra é prata e o Silêncio é ouro.
Se ninguém pôs preço na Paz e no Amor,
É porque valor algum supera esse tesouro.
TROVA LÚCIDA
Somos crentes fiéis na hora da aflição.
Somos ateus nos momentos de alegria.
Somos livres pecadores em contradição.
Somos vis escravos na busca da alforria.
TROVA DA CREDIBILIDADE
(Para quem reprova falsidade)
É bem preferível calar e ouvir
alguém que merece credibilidade.
Será impossível tentar mentir
para quem já conhece a verdade.
Paulo Marcelo Braga
Belém, 21.03.2015
(05 horas e 22 minutos)
