Tiago de Melo Poesia
Já fui uma ovelha que se perdeu dos cuidados do Senhor, vaguei pelos montes ferido e cansado, mas Cristo, com amor, veio me buscar. Hoje, transformado, reconheço, meu Pastor jamais me abandonou.
Já caminhei pelos abismos cobertos de pedregais, já senti a dor dos espinhos de arbustos insensíveis, com seus galhos já sem vida a muito tempo. Afundei na lama até o pescoço, lutando para respirar e, por um instante, só pude ouvir as batidas lentas e vacilantes do coração... se é que ainda o tinha.
Nunca tive infância. Fui lançado à pressa do mundo, obrigado a crescer antes de compreender a vida, envelheci de dentro para fora. Sonhei com uma infância que nunca existiu, um abrigo inventado para suportar a ausência do que jamais vivi. Cresci depressa demais, e no lugar dos risos ficaram apenas os ecos de um tempo que nunca foi meu.
Já desisti tantas vezes que aprendi o gosto amargo do fim, até perceber que, no fundo, eu já havia desistido até de desistir.
Com o tempo, nos tornamos exatamente o que temíamos, reflexos distorcidos dos sonhos que um dia tivemos.
Ao digitar meu nome na internet, quando for apenas um registro perdido na rede, o que restará serão minhas frases, vestígios de uma alma que tentou se explicar através das palavras, que nunca chegaram a lugar algum.
Minhas batalhas internas são as mais árduas da vida, invisíveis aos olhos alheios, mas profundamente sentidas por mim. Só eu as conheço, só eu as enfrento, só eu posso vencê-las.
O amor é a mais doce forma de negligência, onde a lucidez se despede, as dúvidas se calam e a alma, cega e entregue, se lança no abismo acreditando no que se resume em incertezas. Amar é desconhecer o significado das dúvidas, é o sentimento mais transcendental que existe e só o compreende quem, um dia, amou verdadeiramente.
Meu passado foi um pedregal que feriu meus pés a cada passo. O terreno era árduo, coberto de espinhos e tropeços, e por vezes pensei em desistir. Mas hoje entendo, cada pedra teve um propósito. As dores que antes me faziam parar, agora me ensinam o valor do caminho. Nem todo sofrimento foi castigo, alguns foram lições disfarçadas de quedas, preparando-me para o chão firme que piso hoje.
Até aqui, minha existência tem sido uma verdadeira odisseia. Sobrevivi a provações que desafiaram os limites do possível, aprendi a domar o ímpeto do coração e a pronunciar um “te amo” somente quando a alma reconheceu a verdade do sentimento. Vivi realizações tão grandiosas que reduziram meus antigos sonhos à mera sombra do que a realidade me concedeu.
Foi nas perdas que aprendi o real valor da presença, porque só a ausência revela quem realmente ficou por amor.
Deus me quebrou com ternura, como quem entende que certas dores são o único caminho para não nos perdermos dentro de nós.
Mesmo o silêncio das orações ecoa no céu, há preces que não precisam de voz para serem compreendidas por Deus.
Já vivi o fim tantas vezes que aprendi a recomeçar sem medo, a transformar minhas quedas em lições, minhas cicatrizes em histórias, e cada despedida em impulso para seguir. Hoje, sei que todo fim carrega em si a semente de um novo começo e meu coração, embora marcado, continua a se lançar na vida com coragem.
A paz chegou no instante em que deixei de justificar minha dor, e aprendi que nem tudo precisa ser entendido para ser superado.
O tempo é o remédio que insiste em fazer efeito apenas quando abandonamos a urgência e acolhemos a paciência como aliada da cura.
Fui ferido, marcado pelas dores da vida, mas nunca abandonei a fé na cura, cada cicatriz se tornou lembrete de que é possível renascer.
As lágrimas de ontem, silenciosas e amargas, prepararam o solo da serenidade que hoje habita meu coração.
Foi no deserto que Deus me ensinou a enxergar flores, pequenas alegrias, esperanças discretas que brotam mesmo onde parece impossível.
Mesmo cansado de tentar, a vida me mostrou que persistir é a única forma de transformar feridas em aprendizado e tropeços em passos firmes.
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