Tiago de Melo Poesia

Cerca de 110160 frases e pensamentos: Tiago de Melo Poesia

Caminhamos para um futuro incerto, vindos de um passado que não nos pertencia, a vida oferece-nos não escolhas, mas estradas traçadas, onde o impossível e o inevitável se entrelaçam a cada passo.

O que me quebrou virou mosaico feroz, estilhaços convertidos em muralha, a alma costurada com coragem e cicatrizes.

Resistir é semear verde no deserto, fé que sangra na terra árida, milagre brutal da esperança que não morre.

Superar é ato feroz de amor-próprio, pacto diário de sangue e coragem, aliança sagrada com o próprio ser.

O fim não existe, é apenas o instante em que a dor vira recomeço, quando a queda se converte em força.

A fragilidade é útero da força, do coração quebrado nasce o poder, beleza brutal do vulnerável.

Cada cicatriz é escritura da guerra, marcas talhadas na carne, poemas de sangue e vitória. Superar é escrever com lágrimas ardentes, um livro em que a dor e o riso se fundem, tinta eterna da vida.

Minha alma ergue muralhas invisíveis, mais forte que qualquer dor, abrigo que nenhuma sombra destrói.

Limites são grades ilusórias, fronteiras rasgadas pelo passo, o impossível, despedaçado pela coragem.

O passado não me arrasta, me arma, não é peso, mas fundação, é raiz indestrutível da árvore que sou.

Fui forjado no colapso, moldado pela queda que destruiu tudo em mim. O aprendizado foi a única trilha que restou, e nada além importava. Hoje, ao olhar para trás, choro, não pela queda em si, mas por nunca ter acreditado que eu poderia me erguer.

Meses atrás voltei, depois de tantos anos, àquela cachoeira onde tudo aconteceu. As águas pareciam sussurrar minha história, e meus olhos se encheram de lágrimas ao perceber como Deus, em sua infinita bondade, me concedeu uma segunda chance, eu, que jamais me senti digno de algo tão grandioso.

Nos doamos, nos sacrificamos, amores, empresas, amigos, entregamos partes inteiras de nós a quem raramente as merece. Muda o cenário, mas a indiferença tem sempre o mesmo rosto.

Nos desdobramos, renunciamos, por quem mal nota o valor do gesto. Seja amor, família, ou profissão, a recompensa costuma ser o mesmo vazio.

Caminhamos entre doações de afeto, suor e esperança, como quem deposita moedas num cofre alheio sem chave. Não cabe esperar reciprocidade, pois o coração humano é falho em devolver o que recebe. E quase sempre, como um reflexo cruel, a decepção retorna com o mesmo peso daquilo que oferecemos.

Sou ausência tão presente que domina o espaço e pesa no ar. Quanto mais me apago, mais insisto em permanecer, pois até no último suspiro o fogo se lembra de arder em si.

O mal não é uma falha ocasional da humanidade, mas um traço indelével de sua essência, irreversível como o tempo.

O regresso é miragem, um delírio da memória, a farsa de que ainda existe um ontem em nossas mãos.

O passado é um cadáver intocado pelo tempo; regressar a ele é deitar-se na podridão, aspirar a decomposição de ossos que jamais voltarão à vida. Ainda assim, minha mente enferma cava covas dentro de mim, arrancando memórias que nem sempre são minhas, mas que me invadem como larvas famintas. Eu as vivo em carne exposta, como se fossem chagas abertas, sangrando uma dor que não me pertence, mas que me consome como se fosse a única verdade que restou.

No breve tempo que me ausentei, ao regressar, percebi que já não era o mesmo. Os sentimentos haviam se esvaído como água entre as mãos, e em meu peito apenas o silêncio se aninhava. Aquele eu que um dia partira, morreu no exílio do tempo e jamais retornaria. Em seu lugar, restou apenas uma sombra errante, um eco de mim mesmo, condenado a habitar a casa, mas nunca mais a pertencer a ela.