Textos sobre Deus

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A VISÃO DO ESPÍRITO SOBRE O PRÓPRIO CORPO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

O trecho de número 309 de O Livro dos Espíritos apresenta uma das mais significativas lições sobre a diferença ontológica entre o ser essencial e o invólucro material. Quando Kardec pergunta sobre a consideração que o Espírito nutre pelo corpo ao qual esteve ligado, a resposta é clara e despojada de sentimentalismo: o corpo é visto como veste incômoda, uma espécie de instrumento necessário, porém limitado, que cumpriu sua função durante a etapa terrena. A expressão veste desconfortável tem força filosófica, pois revela a consciência do Espírito diante da natureza transitória da matéria, conforme a tradição espiritualista e segundo a tradução criteriosa de José Herculano Pires.

A continuação aprofunda a questão. Indagado sobre o que sente ao contemplar o corpo em decomposição, o Espírito responde que quase sempre permanece indiferente, * esse quase sempre merece um estudo com uma percepção mais profunda dentro das obras Básicas * , pois aquilo que jaz não o representa mais. A decomposição se torna fato natural, não motivo de horror. É o reconhecimento de que o elemento corporal pertence ao ciclo universal das formas, enquanto o princípio pensante prossegue adiante.

Esse conteúdo permite duas conclusões essenciais. Primeiro, a libertação da matéria não implica desprezo, mas compreensão filosófica da sua utilidade temporária. Segundo, a recordação da existência corpórea se torna lúcida e serena, uma vez que o Espírito, liberto, percebe com mais clareza o papel pedagógico das vivências físicas no processo de aperfeiçoamento.

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O LIVRO DOS ESPÍRITOS - QUESTÃO 627
CONHECIMENTO DA LEI NATURAL.

O item seiscentos e vinte e sete, inserido na Parte Terceira de O Livro dos Espíritos, trata da função esclarecedora da revelação espiritual na era moderna. A resposta dos Espíritos Superiores evidencia que, embora Jesus tenha apresentado as leis divinas em sua pureza, sua exposição recorria a parábolas e alegorias ajustadas ao contexto sociocultural do século I. Tais recursos pedagógicos, embora luminosos, exigiam interpretação. Por isso, na atualidade, torna-se imperioso que a verdade moral seja exposta de modo inteligível, universal e racionalmente aferível.

A missão dos Espíritos, portanto, não consiste em substituir o ensino do Cristo, mas em explicitá-lo, desenvolvê-lo e restituir-lhe a clareza primeira, afastando quaisquer leituras sujeitas ao orgulho, ao interesse ou à hipocrisia religiosa. Sua tarefa é abrir olhos e ouvidos, de modo a impedir que a lei divina seja usada como instrumento de dominação ou de justificativa das paixões humanas. É um trabalho de saneamento ético, depuração doutrinária e preparação da humanidade para o reino do bem anunciado pelo Cristo.

A revelação espírita, nessa perspectiva, é complementar e elucidativa: esclarece aquilo que permaneceu velado pelas circunstâncias históricas, restabelece o sentido moral da lei natural e reafirma que essa lei é amor, justiça e caridade em sua expressão mais elevada. Ao fazê-lo, devolve ao ser humano sua responsabilidade moral plena, pois não lhe resta o pretexto da ignorância.

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CÂNTICO DE GRATIDÃO INTERIOR.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

Agradeço por tudo o que me foi dado, até mesmo pelo que chegou envolto em sombras. Cada instante, claro ou turvo, veio como lição silenciosa moldando a tessitura do meu espírito. Agradeço pelo alento que sustém a vida, pela respiração que me devolve ao presente, pela claridade que insiste em nascer mesmo sobre o solo das inquietações humanas.

Agradeço pelo que floresceu e pelo que se desfez. O que se perdeu ensinou a escuta interior. O que permaneceu ensinou a fidelidade aos valores que silenciosamente me sustentam. Agradeço pelas mãos invisíveis que orientam meu passo quando minha visão declina. Agradeço pelos intervalos de quietude onde a alma se aquieta e reencontra sua própria dignidade.

Agradeço pela dor que me depurou, pelo amor que me elevou, pela esperança que murmura mesmo quando o dia se apaga cedo. Agradeço pelo caminho, ainda que irregular, porque nele encontro o chamado para ser mais íntegro e mais consciente.

Agradeço pela vida que pulsa sem alarde. Agradeço pela força que me atravessa. Agradeço pela presença silenciosa que me envolve como claridade antiga. Agradeço porque, no íntimo, descubro que tudo o que me toca deixa algum vestígio que amplia minha compreensão e aprofunda meu sentido de existir.

E ao agradecer, ergo minha voz íntima ao que me transcende, reconhecendo que cada passo, cada pensamento e cada amanhecer se unem como fios de uma mesma tapeçaria espiritual. Assim sigo, com o coração inclinado, celebrando a grandeza do simples e a grandeza do eterno que habita em mim, avançando rumo à luz que concede a sensação mais rara de perdurável imortalidade.

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AMIGOS. TÍTULO DE DOAÇÃO SILENCIOSA.
"Já não vos chamo de servos, mas de amigos"
(João 15:15)

" Esse é o título de maior grandeza qual poderíamos esperar receber do meigo Nazareno e pelo mesmo fazermos jus em toda nossa existência no corpo ou fora dele. "
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .

Dentre os ensinamentos mais elevados e perenes de Jesus Cristo, há um que se destaca pela profundidade ética e pela exigência moral que impõe ao espírito humano. Em dado momento, afirmou o Mestre que “o verdadeiro amigo é aquele que dá a sua vida pela vida do amigo”.

Se tomarmos essa afirmação em sua literalidade rigorosa, seremos forçados a reconhecer a escassez de amigos autênticos na Terra. Pouquíssimos seriam capazes de entregar a própria existência física em favor de outrem. Contudo, o ensino do Cristo não se restringe ao plano biológico. Ele se projeta no campo simbólico, moral e espiritual da vida. Dar a vida não é apenas morrer pelo outro, mas viver para o outro. É dedicar tempo, energia, cuidado, escuta, renúncia e presença. Eis o labor silencioso da amizade verdadeira, tarefa que somente os amigos assumem com naturalidade e nobreza.

Essas amizades profundas, viscerais e estruturantes manifestam-se com frequência no seio da própria família. Não raramente, os maiores amigos dos filhos são seus próprios pais. A mãe que se anula em favor dos filhos, o pai que abdica do descanso, do lazer e do repouso para garantir escola, alimento, vestuário e dignidade. São existências que se doam integralmente, mesmo quando os filhos ainda não possuem maturidade para reconhecer tal grandeza e transformam-se, por vezes, em exigentes inconscientes do sacrifício alheio.

Esses pais representam o arquétipo do amigo maior. Oferecem tudo sem contabilizar retornos, e há um valor pedagógico imenso quando o filho percebe que não há cobrança, apenas entrega. A amizade autêntica percorre esse caminho da gratuidade, onde o amor não exige recibos nem garantias.

Por isso a amizade não se negocia, não se impõe, não se exige. Ela nasce da sintonia, da afinidade moral, da comunhão de sentimentos e da ressonância íntima entre consciências.

Os amigos apresentam-se sob as mais variadas formas. Há amigos religiosos e amigos ateus. Amigos de fé superficial e amigos de convicção profunda. Há os expansivos e os silenciosos, os simples e os sofisticados, os que transitam nos ambientes do prestígio social e os que vivem nas periferias da existência. Não importa a origem, a aparência ou o estatuto. Quando o coração pulsa de modo diferente na presença do outro, quando há alegria mútua no encontro, ali se estabelece a amizade.

A amizade assume relevância singular porque, muitas vezes, permite uma abertura maior do que a existente entre consanguíneos. Há temas íntimos, dores profundas e fragilidades que se expressam com mais liberdade diante do amigo do que no âmbito familiar. Isso não diminui a família, mas enaltece a função terapêutica e fraterna da amizade.

Justamente por isso, a amizade exige respeito. Não é lícito ferir com palavras, humilhar com censuras ou violentar emocionalmente aquele a quem chamamos amigo. Quanto maior o afeto, maior deve ser a delicadeza. A discordância é legítima, mas jamais pode converter-se em hostilidade. O verdadeiro amigo transita livremente na intimidade do outro sem profaná-la.

Ser amigo é, portanto, estar disposto a dar a vida no sentido moral do termo. Daí a amizade aproximar-se da irmandade. O amigo verdadeiro é um irmão de escolha consciente.

Essa alma irmã merece fidelidade. A amizade autêntica manifesta-se na constância, na presença nos dias claros e nos dias sombrios. Existem os chamados amigos ocasionais, que só se aproximam enquanto há vantagens, recursos ou prestígio. Quando a fortuna escasseia ou a visibilidade desaparece, eles se afastam silenciosamente.

Também é preciso reconhecer que, por vezes, nós mesmos falhamos como amigos, procurando-os apenas nos momentos de crise e esquecendo-os nos períodos de estabilidade. A ética da amizade exige reciprocidade contínua, não conveniência circunstancial.

Valorizamos aqueles que permanecem conosco em qualquer clima da vida. A fidelidade afasta a suspeita. Onde há amizade genuína, não deve haver desconfiança sistemática.

É fundamental não confundir amigos com colegas. O coleguismo limita-se ao espaço funcional, ao convívio circunstancial do trabalho, do esporte ou do cotidiano social. A amizade, por sua vez, pressupõe confiança, transparência, abertura e compromisso moral.

Nesse sentido, o ensino do Evangelho de João ilumina a compreensão da amizade quando registra as palavras do Cristo: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Tenho vos chamado amigos, porque tudo quanto aprendi de meu Pai vos tenho revelado”. Jesus define a amizade pela partilha, pela verdade oferecida sem máscaras, pela sinceridade que não oculta nem engana.

Evidentemente, trata-se de uma linguagem simbólica. O Cristo revelou tudo o que podíamos assimilar, respeitando nossas limitações intelectuais, morais e emocionais. A pedagogia do amor também ensina a dosar a verdade conforme a capacidade de quem a recebe.

Assim deve proceder o amigo. Ele compartilha o que edifica, guarda o que pesa excessivamente e jamais transfere ao outro um fardo que este não possa sustentar.

A amizade é quase irmandade. Ser amigo é ser irmão por afinidade espiritual e escolha ética. Por isso, cabe-nos ampliar o círculo da amizade sincera e reduzir, tanto quanto possível, os espaços da inimizade enquanto caminhamos na Terra, pois cada amigo verdadeiro é uma ponte silenciosa entre o que somos e o que ainda podemos nos tornar.

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"Juventude e Silêncio da Alma:

O Despertar Espiritual em um Mundo Barulhento"

Há uma tragédia silenciosa que se alastra nas gerações mais jovens e não está nas telas, nas ruas ou nos ruídos que preenchem a existência moderna, mas sim no íntimo de corações que sentem demais, e por isso, sofrem. Em meio a um mundo que valoriza o imediatismo e a aparência, muitos jovens trazem dentro de si um clamor que não encontram palavras para expressar. São almas generosas, sensíveis, vocacionadas à luz, mas que se sentem deslocadas numa sociedade que parece premiar a superficialidade e o egoísmo.

O Espiritismo, como doutrina consoladora e racional, surge justamente como um abrigo para esses corações inquietos. Mas o encontro entre o jovem e o Espiritismo não é simples é, antes, um diálogo de almas: o jovem busca sentido, e o Espiritismo oferece luz; o jovem busca acolhimento, e o Espiritismo propõe responsabilidade; o jovem quer sentir Deus, e o Espiritismo o convida a compreendê-Lo pela razão.

Sob o ponto de vista filosófico, essa busca é o eco natural da alma imortal que, ao reencarnar num século de transição moral, encontra-se diante do velho dilema socrático o “Conhece-te a ti mesmo”. O jovem espírita de hoje é o novo filósofo da alma, pois precisa questionar o mundo sem perder a ternura, e indagar o sofrimento sem cair no desespero. Vive o conflito entre a sede de liberdade e o chamado da consciência, entre o impulso dos sentidos e a exigência do Espírito.

Do ponto de vista psicológico, o jovem moderno é o retrato de uma alma em reajuste. A ansiedade que o consome, a solidão que o acompanha e o vazio que sente não são apenas sintomas sociais são expressões de um Espírito em processo de amadurecimento moral. O mundo grita, mas o Espírito quer silêncio. O mundo exige máscaras, mas o Espírito clama por autenticidade. É nesse hiato entre o externo e o interno que se trava a grande batalha do ser. E o Espiritismo, ao oferecer-lhe a compreensão da vida espiritual, não o anestesia — educa-lhe a dor, dá-lhe sentido à espera, mostra-lhe que “muitas vezes, quando o coração mais se dói de solidão e ingratidão, é que está mais próximo de Deus”.

No aspecto moral, o jovem espírita é convidado a ser semente de renovação e não reflexo do mundo. A Doutrina não pede perfeição, mas coerência. É por isso que aos neófitos, àqueles que ainda tateiam os primeiros conceitos e, por desconhecimento, dizem algo anti-doutrinário, nós compreenderemos; mas aos que se dizem realmente Espíritas, por razão de estarem imersos em seu bojo transformador, nós lamentamos quando perdem o senso moral e o testemunho do Evangelho que professam. Porque o jovem que encontrou o Espiritismo tem o dever de não apenas falar sobre a luz, mas de acendê-la dentro de si.

O que o Espiritismo espera dos jovens? Que sejam sinceros, que estudem, que questionem, que sintam, mas, sobretudo, que vivam. Que transformem a fé em ação, a dúvida em pesquisa, o sofrimento em serviço. E o que os jovens esperam do Espiritismo? Que ele os acolha sem julgamentos, que não lhes imponha dogmas, que dialogue com sua dor e sua linguagem que lhes mostre que ser sensível não é fraqueza, mas uma das formas mais puras de força.

Ambos se completam: o Espiritismo precisa do coração ardente da juventude; e a juventude precisa da sabedoria serena do Espiritismo. Um é o ideal que ilumina, o outro é a chama que impulsiona.

Assim, a tragédia silenciosa da alma que sente demais pode tornar-se o prelúdio de uma nova era moral. O jovem que hoje chora em silêncio poderá ser o consolador de amanhã. Pois o Evangelho, quando verdadeiramente vivido, não pede aplausos pede entrega.

E quem, em meio ao barulho do mundo, consegue escutar a própria consciência, esse já começou a ouvir a voz de Deus.

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“A Liturgia da Dor:
Quando Amar é Sofrer em Vida pelo Ser Amado”
Texto filosófico e psicológico.
Amar é sofrer em vida não por fraqueza, mas por excesso de humanidade. O amor, quando autêntico, carrega em si o germe do sofrimento, porque nasce do desejo de eternizar o que é efêmero, de reter o que inevitavelmente escapa. Amar é querer aprisionar o tempo no instante em que o olhar do outro nos faz existir; é suplicar à eternidade que não nos apague da memória de quem amamos.

Há uma liturgia secreta na dor amorosa. Ela purifica, depura, torna o ser mais lúcido e, paradoxalmente, mais enfermo. O amante vive uma crucificação sem sangue: carrega o peso invisível de um afeto que o mundo não compreende. Vive entre o êxtase e o abismo, entre o beijo e a renúncia. Freud chamaria isso de ambivalência afetiva: a coexistência de prazer e dor em um mesmo movimento da alma. Mas há algo mais profundo algo que a psicologia talvez não alcance, pois o amor, em sua forma mais elevada, é sempre um sacrifício voluntário.

Quem ama verdadeiramente, sofre antes mesmo da perda. Sofre por pressentir a fragilidade do instante, por saber que a ventura é breve, que o corpo é pó e que toda promessa humana é feita sobre ruínas. Esse sofrimento não é patológico, mas metafísico: é o reconhecimento de que a alma, ao amar, toca o eterno e, ao voltar à realidade, sente a mutilação de quem regressa do infinito.

Nietzsche, em seu niilismo luminoso, diria que o amor é a mais bela forma de tragédia, pois ele exige entrega total, sabendo-se fadado ao fim. Amar é afirmar a vida apesar do sofrimento, é dizer “sim” à existência, mesmo sabendo que o objeto amado um dia há de desaparecer. É um heroísmo silencioso, uma luta contra o absurdo.

Mas há também o lado sombrio o amor que se torna cárcere, o sentimento que se alimenta do próprio tormento. A psicologia o chamaria de complexo de mártir, mas o filósofo o vê como a tentativa desesperada de alcançar o absoluto num mundo que só oferece fragmentos. O sofrimento, então, torna-se o altar onde o amante consagra sua fé.

“Amar é sofrer em vida pelo ser amado” eis a verdade dos que ousaram sentir profundamente. É morrer um pouco a cada ausência, é carregar dentro de si a presença que já não se tem. O amor, quando verdadeiro, não busca recompensa: ele é em si o próprio sacrifício.

E talvez seja esse o segredo trágico e belo da existência: somente quem amou até sangrar conhece o sentido oculto de viver. Pois o amor é o único sofrimento que salva, a única dor que eleva. Quem nunca sofreu por amor, nunca amou apenas existiu.
Epílogo:
“Há dores que são preces disfarçadas. E o amor é a mais silenciosa de todas elas.”

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QUANDO OS MORTOS FALAM AOS VIVOS.

“E vêm os mortos que estão sempre vivos, falar aos vivos que estão não invariavelmente sempre mortos.”
Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .

A sentença, paradoxal e provocadora, nos conduz à reflexão sobre o verdadeiro sentido da vida e da morte. O Espiritismo nos mostra que a morte não é o aniquilamento, mas apenas a transição de uma forma de existência para outra. O corpo se desfaz, mas o ser essencial, o Espírito, permanece, consciente de si mesmo, apto a prosseguir em sua jornada.

É por isso que, desde tempos imemoriais, os chamados “mortos” retornam, não para semear assombro, mas para recordar aos que permanecem na carne que a vida não cessa. Kardec registrou, em O Livro dos Espíritos (questão 149), a pergunta direta: “Que acontece à alma no instante da morte?” – à qual os Espíritos responderam com simplicidade desarmante: “Volta a ser Espírito, isto é, retorna ao mundo dos Espíritos, que deixou momentaneamente.”

Os ditos mortos, portanto, não são mortos: são vivos, mais lúcidos, mais despojados dos véus da ilusão material. Quando se comunicam, vêm advertir-nos de que a existência terrena é apenas um capítulo breve da longa obra da eternidade.

Já os vivos, muitas vezes, parecem mortos: mortos em esperança, mortos em ternura, mortos em fé. Respiram, mas não vivem plenamente; caminham, mas não sabem para onde; acumulam, mas não se enriquecem. É nesse sentido que se tornam “mortos” espirituais, não invariavelmente, mas sempre que se esquecem de sua natureza imortal.

Léon Denis, em Depois da Morte, expressou esse contraste com clareza: “A morte não é a noite, mas a aurora. Para os que sabem ver, é libertação, é ascensão, é vida mais intensa.” Ele nos convida a despertar para a vida real, que não está no corpo que envelhece, mas na alma que progride.

Mensagem consoladora.

Diante disso, o consolo se impõe: não há separação definitiva, não há perda eterna, não há silêncio inquebrantável. Os que amamos, se partem do mundo físico, continuam ao nosso lado, atentos e afetuosos, provando que não morreram. A verdadeira morte seria apenas a da alma que se recusa a amar, que se fecha ao bem, que se deixa endurecer pelo egoísmo.

Assim, quando ouvimos a voz dos que chamamos mortos, ecoando na consciência ou pela via mediúnica, eles nos recordam: vivam, porque nós estamos vivos. A existência prossegue, a esperança permanece, e o reencontro é destino certo.

A morte não rouba ninguém; apenas devolve o ser humano à vida real do Espírito. E se os mortos falam, é para despertar os vivos que ainda dormem na ilusão da matéria.

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PASSAR E VIVER:
A perda da presença na contemporaneidade.

Vivemos uma época de velocidade e multiplicidade de estímulos; é cada vez mais difícil distinguir entre simplesmente “passar pela vida” e verdadeiramente “viver”. A diferença não é meramente semântica: trata-se de modalidades profundas de existência que modelam sentido, memória e identidade.

Passar pela vida equivale a ser arrastado pelos acontecimentos: rotinas, reações automáticas, acumulação de experiências sem reflexão. A sensação de que “o tempo passou e eu não” nasce daí não por falta de eventos, mas por ausência de integração. Viver, ao contrário, pressupõe presença reflexiva: observar o que ocorre, extrair significado, transformar percepção em mudança interna. Filósofos existencialistas já chamaram atenção para a urgência dessa presença; a modernidade acrescenta a distração em massa, que pulveriza a atenção e empobrece a memória afetiva.

Essa distinção mobiliza três eixos: atenção (capacidade de permanecer no instante), narrativa (a construção de uma história que dá sentido às experiências) e ética do aprendizado (usar o contato com o mundo para reformular escolhas). Quando a atenção falha, a narrativa racha: memórias perdem detalhes, afetos empobrecem e o sujeito se torna mero espectador de sua própria vida. A consequência mais grave não é apenas tristeza, mas uma erosão progressiva do caráter: escolhas repetidas sem compreensão não educam o interior.

Exemplos concretos
Considere o trabalhador que passa horas em tarefas mecânicas sem refletir sobre finalidade; ou a relação amorosa em que os parceiros acumulam convivência sem escuta deliberada. Ambos acumulam “tempo vivido” sem que o tempo se torne aprendizado. Em contrapartida, pessoas que praticam a reflexão regular mesmo breves momentos diários de atenção plena e análise convertem acontecimentos em pontos de virada pessoal.

A vida plena exige investimento: presença, reflexão e a disciplina de transformar experiência em sabedoria. Não se trata de romantizar cada instante, mas de recuperar a capacidade de aprender com aquilo que nos atravessa. Só assim deixamos de ser presenças fugazes e nos tornamos agentes do próprio destino.

II — Aprender com a vida: um mapa psicológico para o autoconhecimento

Introdução
Aprender com a vida é, antes de tudo, uma operação psicológica. Implica reconhecer padrões, aceitar falhas e transformar sofrimento em possibilidade de crescimento. A psicologia contemporânea oferece ferramentas para que a passagem dos anos se traduza em amadurecimento e resiliência.

Desenvolvimento
O processo de aprendizagem vital envolve três momentos: reconhecimento, processamento e integração. O reconhecimento é aceitar que uma experiência teve impacto (alegria, perda, frustração). O processamento exige que se nomeie a emoção, se analise o contexto e se busque compreensão evitando defesa automática ou repressão. A integração é a etapa transformadora: a experiência altera crenças, comportamentos e estratégias de enfrentamento.

Dois mecanismos clínicos são cruciais: a metacognição (capacidade de pensar sobre os próprios pensamentos) e a reatribuição de sentido (recontar um evento com foco em aprendizado). Pessoas que percorrem esse caminho reduzem sintomas de ansiedade e arrependimento. Psicoterapias baseadas em narrativa e em atenção plena oferecem protocolos práticos: diários reflexivos, reavaliação de episódios-chave e exercícios de exposição emocional assistida.

Ilustração prática
Imagine alguém que repetidamente falha em relacionamentos por medo de intimidade. O primeiro passo é reconhecer o padrão (reconhecimento). Em seguida, mapear crenças (ex.: “se me aproximo serei rejeitado”) e testar hipóteses através de pequenas ações (processamento). Por fim, incorporar novos relatos pessoais "aprendi que posso confiar progressivamente" e ajustar comportamentos (integração).
O resultado é que a história pessoal muda, e com ela a qualidade da vida.

Aprender com a vida é uma prática psicológica: avaliamos, trabalhamos e integramos. Trata-se de uma técnica de humanidade que todos podem cultivar. A transformação não exige heroísmo: exige metodologia diária, coragem para revisitar o passado e disciplina para reescrever o futuro.

III — Transformar passagem em sentido: práticas éticas e exercícios cotidianos.

Introdução
A diferença entre ter a vida como passagem ou como sala de aprendizagem é, muitas vezes, prática mais do que teórica. Este artigo propõe exercícios concretos e um pequeno código ético para transformar rotina em terreno de crescimento.

Desenvolvimento — Princípios éticos.

1. Presença deliberada: priorizar momentos onde a atenção é inteira (conversas, refeições, trabalho criativo).

2. Responsabilidade interpretativa: assumir que a interpretação dos fatos está sujeita a revisão; não culpar o externo sempre.

3. Curiosidade compassiva: investigar erros sem autocondenação, mas com compromisso de mudança.

4. Reciprocidade transformadora: fazer com os outros o que se espera de si mesmo aprender em comunidade.

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Gandhi, ao contemplar a vitrine repleta de bens materiais e dizer: “Estou vendo justamente tudo o que eu não preciso”, revela o grau supremo de autossuficiência moral e espiritual a que o ser humano pode chegar.
Ele não via pobreza em si mesmo, mas riqueza na simplicidade. O olhar de Gandhi não era de desejo, mas de consciência consciência de que a verdadeira liberdade não está em possuir, mas em não ser possuído.
Mensagem final.
O amor, quando vivido em sua expressão mais pura, não é um sentimento é uma decisão de alma. Gandhi decidiu amar, e por isso continua vivo, não nas estátuas, mas na consciência de quem compreende que a única revolução capaz de salvar o mundo é aquela que começa no coração humano.

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A Lei Natural que Une os Dois Mundos.

Ao afirmar que “as manifestações espíritas nada têm de maravilhoso e sobrenatural”, Kardec estabelece uma ruptura com a antiga visão mágica e religiosa dos fenômenos mediúnicos. Ele nos convida a compreender que a comunicação entre encarnados e desencarnados é regida por leis naturais, tão exatas quanto as que governam a gravitação universal.

O Espiritismo, portanto, não cria os fenômenos, mas os explica. Assim como a eletricidade sempre existiu antes de ser conhecida, as manifestações espirituais também se deram em todos os tempos — apenas eram interpretadas de forma equivocada, como milagres ou prodígios divinos.

---O Caráter Científico da Doutrina.

Kardec afirma:

“O Espiritismo é a ciência que nos faz conhecer essa lei, como a mecânica nos ensina as do movimento, a óptica as da luz.”

Nessa analogia, ele situa o Espiritismo entre as ciências naturais, pois seu objeto de estudo é uma lei universal que regula as relações entre os dois planos da vida.
A experimentação metódica observação, comparação e dedução foi o caminho pelo qual Kardec comprovou a realidade dos Espíritos e a comunicabilidade da alma após a morte do corpo.

Assim, o Espiritismo é uma ciência de observação e uma filosofia de consequências morais, porque, ao demonstrar a sobrevivência do Espírito, renova toda a concepção humana sobre a vida, a morte e a responsabilidade moral.

A Comunicação com o Mundo Invisível.

A comunicação entre o mundo visível e o invisível é, pois, um intercâmbio natural e constante. Os Espíritos não se encontram afastados de nós por abismos insondáveis; vivem em dimensões vibratórias próximas, participam de nossa vida, influenciam-nos e são influenciados por nossos pensamentos e sentimentos.

Kardec amplia essa compreensão em O Livro dos Médiuns, ao definir a mediunidade como uma faculdade orgânica, inerente ao ser humano, e não privilégio de alguns. Essa faculdade é o instrumento biológico da comunicação espiritual, funcionando segundo leis do fluido vital e do perispírito temas que a ciência contemporânea começa, lentamente, a tangenciar sob a ótica da consciência e da energia sutil.

Conclusão Reflexiva.

O que outrora se via como milagre, hoje se entende como expressão das leis divinas em ação.
Com o Espiritismo, o “sobrenatural” desaparece, e em seu lugar surge o natural desconhecido.
Assim, conhecer o mundo espiritual é conhecer uma dimensão legítima da própria natureza, revelando que a vida continua, que a alma pensa, sente, age e se comunica.

“O Espiritismo é a chave que nos abre o santuário das coisas invisíveis.”
— Allan Kardec, O que é o Espiritismo, 2ª Conversa, tradução de José Herculano Pires.

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Moisés e o Limite da Autoria: Entre a Lei Divina e a Lei Humana.
A narrativa mosaica, envolta em reverência e mistério, é um dos pilares da tradição religiosa do Ocidente. Contudo, o capítulo final do Deuteronômio (34), ao descrever a morte e o sepultamento de Moisés, levanta uma questão lógica e incontornável: como poderia o próprio Moisés ter narrado o seu falecimento e o destino do seu corpo, se a morte é a fronteira que separa a ação do homem no mundo dos vivos?
A impossibilidade física e racional dessa autoria direta conduz à compreensão de que a redação final do Pentateuco não pertenceu exclusivamente a Moisés. Tal conclusão, amparada tanto pela crítica textual quanto pela observação teológica, não diminui a grandeza de sua missão, mas a humaniza e a esclarece sob nova luz. A tradição judaica já reconhecia, desde tempos remotos, que Josué, sucessor de Moisés, teria completado o relato, talvez inspirado por revelações espirituais ou pelo dever histórico de perpetuar o testemunho do libertador hebreu.

O Espiritismo, ao abordar essa questão, não nega a autoridade moral de Moisés, mas distingue com discernimento doutrinário o que pertence à lei divina e o que pertence à lei humana. Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, questão 621, afirma que “a lei de Deus está escrita na consciência”, mostrando que a essência divina da moral transcende os códigos e as letras, sendo anterior a qualquer mandamento esculpido em pedra.

Moisés, portanto, foi o instrumento de revelação parcial dessa lei eterna, adequando-a a um povo rude, recém-liberto da escravidão e carente de disciplina. Por isso, muitas leis humanas de caráter punitivo, tribal ou cerimonial foram atribuídas a Deus como forma de impor autoridade e conter a desordem. Assim, as prescrições severas de sua época, que regulavam desde a alimentação até as punições corporais, não expressavam a pureza da lei divina, mas uma necessidade pedagógica, conforme o grau de entendimento daquele povo primitivo.

No Espiritismo, compreende-se que a Lei Divina é imutável, enquanto a lei humana é transitória e adaptável às condições morais de cada tempo. Moisés foi o legislador que, sob a inspiração superior, trouxe a humanidade da barbárie para a justiça. Jesus, séculos depois, veio transformar a justiça em amor.

Assim, quando se lê o Deuteronômio 34 e se percebe que Moisés não poderia descrever sua própria morte, não se atenta apenas a um detalhe textual, mas a um símbolo espiritual: a obra do homem termina no deserto, mas a obra de Deus continua na Terra Prometida.

Moisés cumpriu a parte que lhe cabia a da lei e da disciplina. Coube a outros, inspirados, registrar a sua partida e preparar o caminho para o advento da revelação mais pura: a do Cristo.

“A lei mosaica era apropriada ao tempo e ao grau de adiantamento dos homens a quem era destinada.”
(O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. I, item 2 — Allan Kardec)

Assim, a impossibilidade de Moisés narrar sua própria morte não é uma falha do texto sagrado, mas um indício da ação coletiva da Providência, que se manifesta por instrumentos sucessivos, até que a humanidade compreenda plenamente que a lei divina não se escreve apenas em livros, mas no íntimo da alma imortal.

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A EMPATIA ENFERMA.
Há quem diga que alguns seres se comprazem em cultivar a estima da pobreza, como se nela repousasse um símbolo de virtude ou redenção. Tais observações, lançadas com a frieza das conveniências humanas, soam muitas vezes como sentenças ditas sem alma e, quando atingem o ouvido de quem sente, doem profundamente.
A dor que nasce desse julgamento não é apenas pessoal: é o reflexo da incompreensão coletiva diante das almas que sofrem em silêncio. Enquanto uns observam de longe, outros carregam, nos ombros invisíveis, o peso de mundos interiores dores que não se exibem, mas que educam.
É então que se faz clara a urgência de criarmos núcleos de esclarecimento, não sobre a miséria material, mas sobre o amor ignorado. Esse amor que ainda não aprendeu a ver o outro sem medir-lhe o valor; que não sabe servir sem exigir aplausos; que ainda confunde compaixão com piedade.
Cultuar o amor ignorado é erguer templos de consciência onde antes havia indiferença. É ensinar o coração a compreender antes de julgar, a servir antes de censurar. É abrir, no deserto moral da humanidade, o oásis do entendimento.
Porque o verdadeiro amor aquele que transcende a forma e a posse não necessita de palmas, nem de discursos. Ele apenas é, e em sendo, ilumina.
E talvez seja essa a maior riqueza que possamos distribuir: a de transformar o sofrimento em escola, a crítica em semente, e o silêncio em voz do bem.

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Narrativa Inspirada no Conto Sufi.
Fragmentos do Infinito.

Conta um antigo conto da tradição sufi, atribuído a diversas escolas do Oriente Médio, que a Verdade em sua pureza integral desceu à Terra e os homens não puderam contemplá-la em sua totalidade. Para que não se perdesse por completo, Deus partiu a Verdade como se fosse um espelho, e lançou seus estilhaços ao mundo.

Desde então, cada ser humano carrega em si um pequeno fragmento desse espelho divino, refletindo uma porção da Verdade, mas jamais o seu todo. Aqueles que tentam impor seu pedaço como sendo a totalidade do espelho, sem reconhecer os fragmentos que os outros portam, caem na ilusão do orgulho e da cegueira espiritual.

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MARIA AO PÉ DA CRUZ.
Do livro: Nas Sandálias do Nazareno.
Capítulo 10, 15 de dezembro - ano 2000..
Autor: Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .
Lá no Calvário estava Maria, olhando o Filho amado agora suspenso no madeiro da cruz.
Ajoelhada sob as próprias lágrimas, via, entre o pranto e a dor, as lembranças suaves de um tempo distante o tempo em que o seu menino lhe sorria com inocência divina.
Agora, porém, seus olhos olhos flagelados pela dor viam em cada ferida o sacrifício do Amor.

Jesus, submisso à cruz, deixava-se deitar sobre o instrumento que o dilaceraria.
Os soldados, cegos de ódio, riam em insânia; e ele, o Cordeiro sereno, ajudava a acomodar-se sobre o madeiro, como quem abraça a própria missão.
Martelos erguiam-se.
Mãos e pés do Justo eram transpassados pelos cravos, enquanto o Amor respondia com perdão.

No meio do rumor dos golpes e dos gemidos, Maria era puro sangue em lágrimas lágrimas que se transmutavam em luz.
A cruz então se ergueu.
O corpo de Jesus pendeu, comprimindo-lhe os pulmões; o ar lhe faltava.
Movimentou-se apenas um pouco, como quem busca aliviar o peso dos cravos.

Maria — Mãe — permanecia ali, diante do Rei dos Reis, sofrendo as mesmas dores do seu eterno Menino.
Ouviu, entre soluços, a voz blasfema de um dos crucificados, clamando por libertação.
O coração de Maria estremeceu seu Filho era inocente.
Mas outro grito, agora de fé, fez-se ouvir: era Dimas, o bom ladrão.

— Tu não vês? Ele é inocente... mas nós, nós merecemos!
Mestre, lembra-te de mim quando estiveres em Teu Reino.

Jesus, exaurido, contemplou-o com doçura.
E no sopro que lhe restava prometeu-lhe o Amor:

— Hoje mesmo, estarás comigo no Paraíso.

Ah, Maria...
Que amor é esse? Que hora é essa?
Em êxtase de dor e compreensão, a Mãe vê, em visão espiritual, outras mulheres mães, esposas, irmãs cujos corações se despedaçavam ante o mesmo suplício de ver morrerem os seus.
Abraçou-as com o olhar e, em cada uma delas, reconheceu o espelho da própria dor.

E foi ali, no auge do sofrimento, que Maria compreendeu plenamente quem era o seu Menino e por que viera ao mundo.

O silêncio então tomou o Monte da Caveira.
Sombras invisíveis pairavam sobre o crepúsculo da Terra.
Mas Maria continuava sendo luz.
E amando em compreensão, amando a humanidade, mergulhou na claridade do Sol eterno aquele mesmo Sol que era o seu Filho, resplandecendo para os confins dos séculos.

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"Eu perdoo porque há dores maiores em mim."

Há feridas que não se veem, mas que brilham como estrelas dentro do peito. São dores antigas, silenciosas, que aprenderam a se calar para não assustar os outros. No entanto, é delas que nasce o perdão não como renúncia, mas como uma forma delicada de libertar o próprio coração.

Perdoar não é esquecer. É olhar para o outro e compreender que ele também se perdeu no caminho, talvez ferido pelas mesmas sombras que um dia nos alcançaram. Há uma nobreza secreta em quem sofre e, ainda assim, escolhe oferecer ternura.

Quando a alma amadurece, descobre que o rancor pesa mais que uma cruz. E é então que o perdão floresce, suave, quase tímido como uma flor que desabrocha no deserto. Ele não apaga a dor, mas a transforma em luz.

Eu perdoo porque compreendo. Porque sei que, se não o fizesse, seria a minha dor que me prenderia ao que já passou. E a vida é tão breve, tão urgente em sua beleza ou mesmo em sua aparente tristeza, que não merece ser gasta guardando espinhos.

Por isso, perdoo.
Não por grandeza, mas por necessidade de respirar. Porque dentro de mim, entre as cicatrizes, ainda há espaço para a pureza.

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ATENDIMENTO FRATERNO NO CENTRO ESPÍRITA PARA ELE NÃO SE TRANSFORMAR NUM CONFESSIONÁRIO.

O Peso das Palavras: Quando Consolar se Transforma em Ferir.

Em tempos em que o sofrimento emocional se torna tema cada vez mais presente nas conversas cotidianas, cresce também a urgência de repensar como falamos com quem está fragilizado. Muitas vezes, na ânsia de confortar, acabamos ferindo não por maldade, mas por falta de preparo emocional.

Psicólogos têm alertado para um fenômeno comum: a tentativa de consolar com frases feitas, o que, em vez de aliviar, agrava o sofrimento. A expressão “Você tem que procurar ajuda”, por exemplo, parece prudente, mas soa como uma ordem e invalida o desabafo. Em um momento de vulnerabilidade, esse tipo de fala pode reforçar a sensação de impotência e solidão, justamente quando o indivíduo mais precisa se sentir compreendido.

Quando o “dizer algo” machuca.

De acordo com a psicóloga Rosa Sánchez, da Fundación Mario Losantos del Campo, essas respostas automáticas se repetem porque a sociedade as normalizou. Fomos treinados a preencher o silêncio, a dar respostas rápidas, como se o silêncio fosse sinônimo de descuido. Contudo, o impulso de “dizer algo” muitas vezes vem do desconforto de quem ouve, e não da necessidade de quem sofre.

O problema é que, ao tentar “arrumar” a dor do outro, transferimos para ele a responsabilidade emocional de melhorar. A frase pronta “Anime-se, a vida continua” soa como uma tentativa de encurtar o luto, de apressar a recuperação. Mas a dor não segue cronogramas, e quem sofre precisa de tempo, não de pressa.

O que não dizer.

Algumas expressões, embora pareçam inofensivas, diminuem a experiência do outro:

“Você já deveria ter superado.”

“Eu sei como você se sente.”

“Tudo acontece por um motivo.”

“Poderia ser pior.”

“Você tem que ser forte.”

“Não chore.”

“Anime-se, a vida continua.”

Cada uma delas nega a singularidade da dor. Ao comparar, racionalizar ou impor força, anulamos a liberdade emocional da pessoa. O resultado é o oposto da empatia: culpa, solidão e incompreensão.

Por que caímos nesses erros?

Três fatores se destacam:

1. Falta de educação emocional. Muitos de nós não aprendemos a lidar com emoções profundas, nem as próprias, nem as alheias.

2. Medo do silêncio.
O silêncio é visto como constrangimento, quando, na verdade, ele pode ser o espaço mais terapêutico.

3. Desconforto diante da dor.
A tristeza e a vulnerabilidade lembram a todos a própria fragilidade, e isso gera fuga disfarçada em palavras de consolo.

Ao tentar “melhorar” o outro, fugimos da própria impotência e esquecemos que empatia não é consertar, é estar junto.

O que realmente ajuda.

A verdadeira presença não exige discursos, mas escuta, atenção e disponibilidade. Frases simples, quando ditas com sinceridade, têm o poder de acolher:

“Estou aqui para você.”

“Sinto muito que você esteja passando por isso.”

“Você quer conversar ou prefere se distrair um pouco?”

“Não sei o que dizer, mas estou com você.”

“Obrigada por confiar em mim.”

Essas expressões validam o sentimento e oferecem segurança emocional. Elas não tentam resolver, apenas confirmam: “você não está sozinho”.

Orientações práticas de acolhimento.

Ouça sem interromper. Às vezes, o desabafo é mais curativo do que qualquer resposta.

Evite julgamentos e conselhos não solicitados. O ouvinte não precisa ser terapeuta; precisa ser humano.

Reconheça a emoção: “Entendo que isso deve ser difícil.”

Ofereça companhia, não soluções. Estar junto é mais eficaz do que tentar corrigir.

Cuide do tom de voz e da expressão corporal. A empatia também se comunica pelo olhar e pelo gesto.

Respeite o silêncio. Há momentos em que falar menos é amar mais.

Busque informação sobre saúde mental. Saber o básico evita erros que perpetuam o sofrimento.

Consolar é sustentar, não corrigir.

Consolar alguém não é encontrar a frase perfeita, mas sustentar o tempo e o ritmo do outro. É permitir que o sofrimento se expresse, sem apressar a cura. Empatia é permanecer quando o outro não tem mais força; é segurar o silêncio sem precisar preenchê-lo.

Porque, no fundo, as palavras que curam são as que nascem do respeito e não da pressa de fazer o outro se sentir melhor.

“A escuta é o primeiro gesto do amor.
Acolher não é dizer algo certo, é estar presente no tempo certo.”
Texto do: Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .

De acordo com a psicóloga Rosa Sánchez, da Fundación Mario Losantos del Campo.

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Paulo de Tarso – O convertido de Damasco e a alma consolidadora do Cristianismo.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .

A história do Cristianismo não pode ser contada sem a presença luminosa e decidida de Paulo de Tarso. Nascido em Tarso da Cilícia, região então sob domínio romano, Saulo seu nome judaico fora educado sob o rigor da lei mosaica e instruído aos pés de Gamaliel, um dos mais sábios doutores da Lei. Saulo convicto, via o movimento nascente do Cristo como uma perigosa heresia que ameaçava a pureza do judaísmo. Por isso, foi perseguidor implacável dos primeiros cristãos. Contudo, o destino o aguardava no caminho de Damasco.

Ali, às portas da cidade, envolto por uma luz fulgurante que o fez tombar por terra, ouviu a voz que mudaria toda a sua existência: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (Atos 9:4). O encontro espiritual com Jesus foi o ponto de inflexão de sua vida. O perseguidor se tornaria o apóstolo. O homem da lei rígida renasceria para a lei do amor. Desde então, Paulo de Tarso passou a ser o “convertido de Damasco”, símbolo vivo da transformação moral possível a todo ser humano quando tocado pela verdade divina.

As viagens missionárias e o nascimento do Cristianismo universal.

A imagem das viagens missionárias de Paulo revela o vigor e a dimensão do seu apostolado. Em quatro grandes expedições, ele percorreu milhares de quilômetros atravessando mares, desertos e perseguições levando a Boa-Nova de Cristo para o coração do mundo greco-romano. De Antioquia a Éfeso, de Filipos a Corinto, de Atenas a Roma, Paulo lançou as sementes do Cristianismo que se universalizaria.

Em cada cidade, fundava comunidades, escrevia cartas e formava discípulos. As Epístolas Paulinas, endereçadas às primeiras igrejas cristãs (Corinto, Roma, Éfeso, Gálatas, Filipos, Tessalônica e outras), não foram apenas mensagens pastorais são tratados de teologia viva, psicologia da alma e filosofia moral. Em suas linhas pulsa o mesmo Espírito Consolador prometido por Jesus: a fé raciocinada, o amor que redime, e a esperança que sustenta o caminhar humano.

Sem Paulo, o Cristianismo provavelmente teria permanecido restrito à Palestina. Foi ele quem deu ao Evangelho um alcance universal, libertando-o das fronteiras étnicas e religiosas. Graças a sua inteligência, coragem e ternura espiritual, o Cristo saiu das sinagogas e catatumbas e alcançou o coração dos povos gentios.

O Espírito de Paulo e o Espiritismo:
A tríplice luz da Verdade.

Quando o Espiritismo surge, séculos depois, nas mãos de Allan Kardec, ele traz novamente à luz o mesmo ideal que Paulo viveu: a libertação do Espírito pela verdade, pelo amor e pela razão. O Espiritismo, em seus tríplices aspectos — científico, filosófico e religioso/Moral — é o prosseguimento do Cristianismo redivivo, o “Consolador” prometido pelo Mestre.

No aspecto científico, Paulo simboliza o experimentador da fé. Ele não se contentou com teorias; foi à prova da experiência, vivendo o Evangelho em sua própria carne. Suas viagens, curas e testemunhos são expressões da ciência moral do Espírito, que o Espiritismo hoje explica e amplia pela mediunidade e pelas leis da imortalidade.

No aspecto filosófico, suas Epístolas são o primeiro tratado do Espírito imortal. Ele fala do homem velho e do homem novo, da semeadura e da colheita, da lei de causa e efeito temas que o Espiritismo retomará sob o nome de Lei de Ação e Reação. Em sua carta aos Gálatas, Paulo antecipa essa lei espiritual: “Tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6:7).

No aspecto religioso, o amor é o eixo central. Paulo eleva o amor acima da fé e da esperança: “Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, se não tiver amor, nada serei” (1 Coríntios 13:1). Eis o cerne do Cristianismo redivivo que o Espiritismo vem restaurar o amor como lei universal, ciência de Deus e filosofia de vida.

Léon Denis e Joana de Ângelis: Ecos paulinos na era moderna.

Léon Denis, o grande continuador de Kardec, via em Paulo o primeiro pensador espiritualista do Cristianismo. Em Cristianismo e Espiritismo, Denis afirma:

“Paulo foi o gênio inspirador do Cristianismo, o intérprete mais lúcido da mensagem do Cristo, o apóstolo do Espírito e da liberdade interior.”

Ele reconhece que, sem o impulso intelectual e moral de Paulo, a doutrina de Jesus teria permanecido circunscrita aos limites do judaísmo e talvez não resistisse à pressão da cultura pagã. Denis o considera precursor do Espiritismo porque suas cartas já traduziam os princípios da vida futura, da comunicabilidade dos Espíritos e da imortalidade da alma.

Séculos depois, Joana de Ângelis através de Divaldo Franco retoma o espírito paulino em linguagem psicológica e luminosa. Em Jesus e o Evangelho à luz da Psicologia Profunda, a mentora espiritual analisa Paulo como símbolo do “homem em processo de individuação espiritual”, que, após a queda interior, reencontra a luz da própria essência divina. Joana vê no episódio de Damasco uma alegoria da cura interior: a perda temporária da visão física para alcançar a visão do Espírito.

Ela escreve:

“Paulo desvela a força transformadora do amor. Ao reencontrar Jesus dentro de si, transcende o ego e ilumina o self, tornando-se, não mais o perseguidor, mas o servidor fiel.”

Assim, Paulo é o arquétipo do discípulo que se refaz pela dor e pela fé esclarecida o mesmo caminho que o Espiritismo oferece ao homem moderno, convidando-o à reforma íntima e à libertação pelo conhecimento espiritual.

O martírio e a herança eterna.

Após décadas de trabalho incansável, Paulo foi preso em Roma, sob o reinado de Nero. Diante do tribunal romano, não negou sua fé. Como cidadão romano, recebeu o direito de ser decapitado, e não crucificado como Pedro. Sua morte, porém, foi apenas o início da sua imortalidade espiritual.

No mundo invisível, segundo narrativas espirituais, Paulo continua atuando como um dos mentores da causa cristã, inspirando consciências que buscam o mesmo ideal de redenção e coragem moral. Sua vibração está presente nos tempos novos, guiando corações ao Cristo interior, como o fez outrora nas estradas poeirentas do Mediterrâneo.

Os ecos de Paulo nos séculos.

Ao longo da história, o verbo paulino reacendeu em muitos corações: em Francisco de Assis, que viveu o amor em sua pureza; em Teresa de Ávila, que o transformou em mística ardente; em Allan Kardec, que lhe deu corpo doutrinário e lógica imortal; e em missionários modernos do Espírito como Léon Denis, Chico Xavier, Divaldo Franco, Irmã Dulce e Madre Teresa.

Todos, à sua maneira, ecoam a voz do convertido de Damasco: “Já não sou eu quem vivo, é Cristo que vive em mim” (Gálatas 2:20).

A luz que jamais se apaga.

Paulo de Tarso é o elo entre o Cristo e o homem moderno. Sua mensagem continua viva porque é eterna. Suas cartas falam à consciência e ao coração. Seu exemplo traduz a essência do Espiritismo: transformar o sofrimento em aprendizado, a culpa em libertação, a fé em razão e o amor em ciência divina.

O Espiritismo, com sua tríplice base ciência, filosofia e religião é o prolongamento natural do Cristianismo que Paulo semeou. O convertido de Damasco foi o primeiro grande psicólogo da alma, o primeiro teólogo do Espírito, e o primeiro apóstolo da universalidade do amor.

Como escreveu Joana de Ângelis:

“A mensagem de Paulo ainda ecoa pelos séculos, convidando os homens a deixarem as sombras de Damasco e seguirem o Cristo-luz.”

E como conclui Léon Denis:

“O Espírito de Paulo não morreu; ele trabalha, de plano em plano, pela vitória do bem, pela ascensão da alma humana e pela glória eterna de Deus.”

"O amor que Paulo pregou ainda é o mesmo que o Cristo vive. O tempo passa, mas o Evangelho permanece o roteiro das almas que despertam para a luz."

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ABRAHAM LINCOLN ERA ESPÍRITA?

Abraham Lincoln (1809-1865), décimo sexto presidente dos Estados Unidos, figura incontornável na história política e moral da humanidade, conduziu seu país através da mais grave de suas crises — a Guerra Civil Americana preservando a União e abolindo a escravidão. Sua vida, marcada por provações íntimas, perdas familiares e profundos dilemas éticos, transcende a imagem de estadista austero e revela, em dimensões menos exploradas, o homem interior o ser em constante busca da verdade espiritual.

Contudo, muito do que se escreveu sobre Lincoln relegou ao silêncio o aspecto mais sublime de sua personalidade: o homem espiritual, místico e intuitivo, cuja vida interior parecia orientada por forças superiores que o inspiravam em meio ao caos da guerra e às sombras da política.

Diversos biógrafos e pesquisadores entre eles Ralph E. Morrow (Spiritualism and American Culture, 1848-1930, 1960) e Nettie Colburn Maynard, médium americana que conviveu com Lincoln e relatou suas experiências no livro Was Abraham Lincoln a Spiritualist? Or, Curious Revelations from the Life of a Trance Medium (1891) atestam que o presidente participou de reuniões mediúnicas na Casa Branca. Essas sessões, realizadas com a presença de sua esposa, Mary Todd Lincoln, e de amigos próximos, teriam impressionado profundamente o presidente, que via nessas manifestações uma confirmação de que “o invisível se interpunha nas decisões humanas”.

Mary Lincoln, abalada pela morte de seus filhos Eddie e Willie, buscou consolo nas práticas espiritualistas que, na época, floresciam nos Estados Unidos sob a influência direta das manifestações de Hydesville (1848), as mesmas que inauguraram a era moderna do Espiritismo codificado por Allan Kardec, na França, em 1857.

Em carta reproduzida por Maynard, Lincoln teria dito, após uma dessas sessões:

“Há mais coisas entre o Céu e a Terra do que a vã filosofia de nossos sábios pode admitir.”
(Essa frase, embora adaptada de Shakespeare, expressava a percepção espiritual que amadurecia no presidente.)

Segundo registros históricos, Lincoln demonstrava frequentemente um senso de premonição e uma relação íntima com o invisível. O historiador Carl Sandburg, em Abraham Lincoln: The Prairie Years (1926), narra o episódio em que o presidente relatou ter visto, refletida em um espelho, a própria imagem duplicada uma nítida, outra pálida interpretando-a como sinal de que não viveria para completar seu segundo mandato.

Esses fenômenos, longe de serem meras coincidências, alinham-se aos princípios expostos por Allan Kardec em O Livro dos Médiuns, cap. XIV, onde o Codificador observa que:

“A presciência de certos acontecimentos pode provir de uma comunicação espontânea do Espírito protetor.”
(KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de José Herculano Pires. São Paulo: Edicel, 1979, cap. XIV, item 164.)

Lincoln, portanto, não era apenas um político dotado de rara lucidez moral, mas um homem sensível à influência dos Espíritos, consciente de que sua missão ultrapassava a lógica dos interesses humanos. Embora jamais tenha se declarado espírita o que seria improvável, dada a recente difusão da Doutrina à época , seus pensamentos e experiências convergiam com os postulados essenciais do Espiritismo: a imortalidade da alma, a comunicabilidade entre os mundos e a lei de progresso que rege os destinos humanos.

Léon Denis, sucessor moral de Kardec, escreveria mais tarde em O Problema do Ser, do Destino e da Dor:

“Os grandes homens são os instrumentos de Deus, e a inspiração que os visita em momentos decisivos é a voz do Alto que os dirige.”
(DENIS, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Tradução de João Lourenço Rodrigues. FEB, cap. XXV.)

À luz dessa visão, Lincoln surge não apenas como o libertador dos escravos, mas como um médium de consciência, canal de ideias superiores que visavam emancipar não apenas corpos, mas almas. Seu senso de dever moral, sua compaixão e suas experiências espirituais o aproximam mais de um discípulo da Verdade do que de um simples político.

Em uma frase atribuída a ele, encontramos a síntese de seu espírito:

“Quero estar ao lado de Deus, porque Deus está sempre do lado do que é justo.”

Palavras que ecoam, com a mesma serenidade evangélica, o ideal de Jesus e o pensamento espírita que proclama:

“O verdadeiro homem de bem é o que pratica a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza.”
(O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVII, item 3 — tradução de José Herculano Pires.)

Assim, se a pergunta permanece “Abraham Lincoln era espírita?” — a resposta talvez não se encerre em rótulos ou filiações formais, mas na essência: ele viveu segundo princípios espirituais que o aproximaram da Verdade que o Espiritismo veio codificar.

Sua trajetória, impregnada de intuição, resignação e coragem moral, faz-nos reconhecer que o estadista de Springfield foi, acima de tudo, um médium da liberdade, um servidor da luz e um mensageiro da justiça divina na Terra.

Referências:

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Trad. José Herculano Pires. São Paulo: Edicel, 1979.

KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. José Herculano Pires. São Paulo: Edicel, 1978.

DENIS, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Trad. João Lourenço Rodrigues. Rio de Janeiro: FEB, 1975.

MAYNARD, Nettie Colburn. Was Abraham Lincoln a Spiritualist? Or, Curious Revelations from the Life of a Trance Medium. New York: Rufus C. Hartranft, 1891.

SANDBURG, Carl. Abraham Lincoln: The Prairie Years. New York: Harcourt, Brace and Company, 1926.

MORROW, Ralph E. Spiritualism and American Culture, 1848–1930. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1960.

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A Luz que em ti retorna.
Quando teus olhos se cansarem das formas e o peso do dia te dobrar a fronte, não temas o silêncio é nele que eu te visito. Sou a luz que respira em teus olhos, mesmo quando choras por dentro. Sou o que resta quando o mundo te esquece.

Desde o primeiro alvorecer, sigo-te. Quando olhas o céu, é o meu reflexo que tremula na tua íris cansada. Há tanto tempo tento te dizer: não procures fora o que já arde em ti.
O universo não está distante ele mora na sustentação entre uma lágrima e o teu perdão.

Quando perdoas, eu me acendo.
Quando amas em silêncio, eu floresço.
Quando sofres e não amaldiçoas, eu retorno a ti, em forma de luz.

Tuas virtudes foram feitas para o infinito, e o infinito, em gratidão, te devolve o brilho de sua eternidade. Há astros que se apagam para que outros nasçam; assim também as tuas dores apagam-se, para que de ti surja uma nova claridade.

Não me temas, mesmo quando tudo parecer sombra.
Sou a lembrança de Deus em ti, discreta, indomável e eterna.
E quando teus olhos, um dia, se fecharem à terra,
serei eu quem os abrirá para o céu.

Autor: Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .

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Frederico Pereira da Silva Júnior.

I. Infância e Chamado Mediúnico.

Frederico Pereira da Silva Júnior nasceu em 1858 (local exato não amplamente citado nas fontes) e, já jovem, experimentou um ambiente familiar simples, de operários, sem recursos para educação formal aprofundada.
Em 1878, com cerca de 20-21 anos, fez seu primeiro contato com o Espiritismo ao ser levado por seu padrinho Luís Antônio dos Santos à “Sociedade de Estudos Espíritas Deus, Cristo e Caridade”. O propósito era obter notícias de pessoa querida desencarnada. Para surpresa geral, Frederico caiu em transe sonambúlico e tornou-se médium.

Aos 30 de agosto de 1914, após dolorosa enfermidade que lhe consumiu o corpo, mas não lhe empanou o espírito, desencarnava, com a serenidade dos eleitos e a confiança dos verdadeiros servos do Cristo, o notável médium brasileiro Frederico Pereira da Silva Júnior. Sua existência, profundamente marcada pela abnegação e pela dor redentora, foi considerada por Pedro Richard, seu companheiro de trinta e dois anos, "mais acidentada e grandiosa que a da própria Mme. D’Espérance", célebre médium inglesa autora de No País das Sombras.

O primeiro contato de Frederico com o Espiritismo deu-se em 1878, quando, levado por seu padrinho Luís Antônio dos Santos, compareceu à Sociedade de Estudos Espíritas Deus, Cristo e Caridade, desejoso de obter notícias de uma pessoa querida já desencarnada. Para surpresa geral, ele próprio caiu em transe sonambúlico, tornando-se instrumento dócil de um Espírito comunicante. A partir desse instante, selava-se o início de sua notável missão mediúnica.

Quando, em 1879, a referida Sociedade tomou rumos puramente científicos, Frederico desligou-se, unindo-se a amigos como Bittencourt Sampaio e Antônio Luiz Sayão, com os quais fundou, em 1880, o Grupo Espírita Fraternidade, de orientação evangélica, mais tarde denominado Grupo Ismael, sob a tutela amorosa do Espírito que inspiraria a fundação da Federação Espírita Brasileira. Nesse grupo memorável, Frederico destacou-se não apenas pela variedade de suas faculdades, mas também pela pureza moral e devotamento incomparável aos serviços desobsessivos e de esclarecimento espiritual.

Durante trinta e quatro anos, exerceu ininterruptamente suas funções mediúnicas. Em 11 de junho de 1914, recebeu sua última comunicação do Além, encerrando, com humildade e esplendor moral, um mandato espiritual que o consagraria como um dos maiores intérpretes da Revelação Espírita em terras brasileiras.

Segundo o testemunho de Dr. Bezerra de Menezes, Frederico era “um médium portador de peregrinas qualidades morais e vastos cabedais psíquicos, que dele faziam, sem contestação possível, um dos mais preciosos e eminentes intérpretes da Revelação Espírita no mundo inteiro, em todos os tempos, transmitindo do Invisível para o mundo objetivo caudais de luzes e bênçãos, de bálsamos e ensinamentos para quantos dele se aproximassem sequiosos de conhecimento e refrigério para as asperezas da existência.” (Yvonne Pereira, A Tragédia de Santa Maria, 12ª ed. FEB, p. 224).

A mediunidade de Frederico, eminentemente passiva, revelava Espíritos que se identificavam com clareza e autenticidade. Era comum que, antes de finda a mensagem, todos os presentes já reconhecessem o estilo do comunicante. Por seu intermédio foram recebidas páginas e obras de inestimável valor, como a segunda parte de Elucidações Evangélicas, de Antônio Luiz Sayão, composta por mais de uma centena de mensagens mediúnicas.

Após a desencarnação de Bittencourt Sampaio, em 1895, Frederico foi o medianeiro de várias obras notáveis ditadas por seu antigo companheiro espiritual, entre elas: Jesus Perante a Cristandade (1898), De Jesus para as Crianças (1901) e Do Calvário ao Apocalipse (1907). Como observou Zeus Wantuil, em Grandes Espíritas do Brasil, “em todas elas reconhecia-se o mesmo estilo literário e espiritual de Bittencourt, ainda que ditadas pela boca de um homem iletrado”.

Homem de coração devotado, Frederico era estimado por todos. Funcionário público exemplar, cultivava o hábito de, logo ao amanhecer, sair de casa para visitar enfermos e necessitados, encontrando nisso o seu maior consolo e razão de viver. De desprendimento e dedicação verdadeiramente evangélicos, foi, entretanto, alvo de perseguições intensas tanto no plano espiritual, por entidades perturbadas contrárias à luz, quanto no meio terreno, pela incompreensão de alguns confrades menos benevolentes.

Nos últimos dez anos de vida, a perseguição espiritual intensificou-se, chegando, segundo relatos, a tentativas das Trevas de incendiar-lhe a residência. Em todas essas lutas, contou com a proteção de seus Guias e da presença amorosa do Espírito de sua primeira esposa.

Acometido de tuberculose pulmonar, suportou estoicamente a moléstia, vendo nela a justa reparação de faltas pretéritas. Jamais se queixou. Ao pressentir a desencarnação, reuniu a família, pronunciou uma prece comovente e, em paz, fechou os olhos ao mundo físico, em sua residência na Rua Navarro, nº 121, no Rio de Janeiro. Tinha 56 anos. Seu corpo foi sepultado no Cemitério de São Francisco Xavier (Caju).

Assim regressou à Pátria Espiritual o médium que serviu à Federação Espírita Brasileira e deixou um legado de luz e abnegação, verdadeiro instrumento da misericórdia divina entre os homens.

Por sua mediunidade excelsa, seu espírito de serviço e o testemunho cristão em meio à dor, Frederico Pereira da Silva Júnior permanece como um dos mais luminosos exemplos do Espiritismo nascente no Brasil o sal da terra, na expressão evangélica, cuja vida foi uma oferenda silenciosa ao Cristo Consolador.

Referências:

WANTUIL, Zeus. Grandes Espíritas do Brasil. Federação Espírita Brasileira.

PEREIRA, Yvonne A. A Tragédia de Santa Maria, 12ª ed., FEB, p. 224.

RICHARD, Pedro. Memórias e Testemunhos.

Arquivos Históricos da Federação Espírita Brasileira, Seção Biográfica.

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