Textos sobre a vida para encontrar beleza no caminho

Perfume das flores


As flores murcharam, o perfume se esvaiu,
A vida, outrora colorida, agora em tons de cinza e frio...
Olhares que se buscavam, hoje trazem tristeza e dor,
e os sonhos compartilhados se desfizeram em incertezas e desamor.
Mas na dor que persiste, há um brilho a resplandecer...
um lembrete sutil de que é preciso dia a dia... passo a passo... renascer e nunca se deixar vencer.
Seguir, mesmo com feridas abertas, abraçar a solidão,
Pois cada desamor ensina a força da renovação.

O significado da vida humana:


Viver sozinho é não querer dividir ou somar com alguém.


Já viver com alguém é querer somar e não dividir.


Se ambos somam juntos, o resultado é crescimento.


Somem juntos:
Deus, sonhos, parceria, objetivos, caráter, fidelidade, família...


🥰🤗🥰

Herança de Amor


A maior herança que já recebi na vida
não foi o dinheiro,
nem a fama, que nunca tive,
muito menos as conquistas que alcancei.


A maior herança que possuo até hoje
é a minha família,
as minhas amizades
e tudo o que Deus me concedeu ao longo da caminhada.


A herança do amor e do carinho
que recebi de cada familiar com quem convivo
e de cada amigo que não é apenas um amigo,
mas uma parte da minha vida.


Essa, sim, é a minha verdadeira herança.


Autor: David Pereira

Trabalhe. Viaje. Divirta-se. Brinque. Descanse, pois tudo isso faz parte da vida.

Mas jamais se esqueça de que, em todos os momentos, há um Ser muito sensível: o Espírito Santo.

Não o entristeça por coisas passageiras. Que cada escolha, palavra e atitude honrem a sua presença, pois Ele permanece com você em todos os momentos.

NÃO SE APAIXONE
A essência da vida é isso...
agora fique de quatro,
e de quatro em quatro segundo
se contenha e não diga que me ama,
não respire fundo,
não fale palavrão,
não mencione paixão,
não faça promessa,
não gema, não fungue, não peça por mais,
seja uma dama casada e fidedigna...
não trema, não de espasmo,
não peça que eu bata,
e se eu bater não se apaixone,
ame mas, não se derrame toda,
não diga que é foda...
não tenha tanta pressa...
não tenha tanta fome,não faça promessas
viva um momento de cada vez...

⁠Sei que pode se dizer que a vida é bela
literalmente bela, romanticamente bela, fantasticamente, fantasiosamente...
um dia nasceu sob o céu de Santo Amaro,
alguém que falaria da beleza
e a Bahia virou baía pras sereias...
alguém que inventaria palavras, palavras tão doces
que a dureza de São Paulo,
seus olhares frios, seus desvios, suas desnaturezas... nasceria Sampa, música e poesia do concreto reto e vertical que esconde horizontes
e a deselegância, a antipatia se perderiam nas estrofes
e esse povo forte aprendeu com o nordestino
o tino, o destino das coisas profundas que habitam a alma e ampliam os horizontes.

Ficou aquele olhar... algo interpelando as razões da vida; o que nos conduz, o que nos acorda, o que nos levanta, o que nos faz respirar; sonhos e paixões. A eternidade em poucos segundos. As estrelas explodem criando supernovas; fatos, criações e a cultura secular de uma civilização tornam se a história, mas eternidade é algo bem subjetivo: primaveras, outonos, invernos e verões... momentos felizes ou agruras superadas; cicatrizes, cumplicidades e boas lembranças que fazem valer o parasempre. Teremos outras manhãs, só não olhe pelo retrovisor, não procure eclipses não faça promessas; e o meteoro que vem em nossa direção... não ouça tudo o que dizem, não acredite em tudo que falam, não peça que eu bata, que eu enforque, não se entregue tanto a esse vício chamado paixão... dentro de mim tem um vem-vem que pode voar bem longe, mas que faz valer seu nome. As grades não podem conter esse pássaro que há em mim. Ficou aquele olhar inquisitivo... um cheiro de pólvora, o cano do “Smith’’ fumegando... então eu volto como se pudesse refazer tardes tépidas dos sábados inesquecíveis, noites brilhantes quando contemplávamos constelações e eu tentava entender o enigma de capricórnio, ou noites chuvosas e incitantes ao prazer; então há um bloqueio, e eu me encontro aqui: olhares estranhos, palavras inquietantes, pessoas abstratas. O homem com a toga jamais entenderia que nenhuma sentença me condenaria mais que aquele olhar, o corpo sem vida, olhos arregalados incapazes de compreender de como a paixão pode ser letal. Jamais compreenderia que antes do homicídio eu já tinha sido assassinado.
O tempo parece que parou, aqui se perde noção de hora ou dia, mas nada me faz esquecer as nossas sextas-feiras ali na lagoa. Petra, a garota do açaí, já tinha me falado da ruiva que circulava ali numa Caloi; e quando nos conhecemos confesso que aquela intimidade me perturbava; mas as mulheres compartilham seus segredos, coisa que só outra mulher compreende, mas aquela cumplicidade me incomodava; mensagens no whatsapp, chamadas longas, sussurros... na manhã daquele sábado passei no ” pinga fogo” revi velhos conhecidos meus e seus, ouvi comentários indesejáveis, risos sarcásticos e talvez tenha bebido além da conta; quando ia saindo, uma prima sua ainda veio me provocar: ”o que a Iranir viu em você” -o que você não viu nem vai ver nunca, respondi. Mara, Liana, Nilde... tento comparar, repovoar, detalhar; agora era diferente, os momentos difíceis eram compartilhados assim como as alegrias. A forma de como tudo aconteceu não foi por um sentimento de posse, foi o cuidado excessivo de preservar algo precioso.
As manhãs de domingo ali na Lagoa... a garota na Caloi já fazia parte da paisagem; o Cristo Redentor lá de cima parecia uma sentinela para que tudo corresse dentro da normalidade.
Dez anos passados, a Lagoa continua acolhedora, a moça do açaí agora é uma afrodescendente: Dina tem um sorriso encantador, veste a camisa do fluminense e me confessou que leu AMORAMORA; e que não compreendia como alguém com tanta sensibilidade... tudo vai muito além dos bloqueios que nos afligem a alma; e as coisas acontecem exatamente pela sensibilidade, mas o redentor nos acolhe misericordioso como aquele que nos permite caminhar na tênue linha entre a paixão e a razão.

​A vida é uma dança constante entre o que planejamos e o que o destino nos impõe de repente.


Entre o silêncio da calmaria e o estrondo da pressa, o tempo veste diferentes máscaras.


Há o tempo que pede calma, o tempo que apenas flui e, claro, as urgências que não negociam com o relógio.


​Abaixo, exploramos três momentos distintos da urgência, o que pode esperar, o que exige atenção imediata e aquilo que transborda o próprio conceito de tempo.


Evangelista Araújo leite


30/07/2026 ✍️

⁠A vida no campo.
Da janela do meu quarto, vejo a luz do dia, o sol radiante me passa energia, os pássaros cantando, o estresse alivia, a chuva quando aparece, a plantação e o solo agradecem, o ar, as plantas umidificam e purificam, pelas minhas narinas, ar puro respiro todos os dias. A natureza é rica, pois, é uma obra divina. Gratidão! Sempre, meu Deus.

Cresça em todos os sentidos de sua vida até que chegue ao ponto de alguém te chamar de gigante.
E quando te chamarem de gigante, que não seja só pelo tamanho das suas conquistas.
Que seja pela profundidade da sua mente, pela largura do seu coração, pela força da sua coragem e pela altura da sua generosidade.

Entre as uvas da vida, encontrei em você o melhor vinho.

Intensa, leve, suave, doce, viciante...

Daquelas raridades que o tempo não estraga, apenas aperfeiçoa. Quanto mais conheço você, mais descubro novos sabores, novas razões para admirar sua essência.

Você não embriaga os sentidos, embriaga a alma.

Tia Luíza!
Agradeço-lhe por entrar na minha vida,
Agradeço-lhe pelas inúmeras vezes que a senhora me enxergou melhor do que eu sou,
Agradeço-lhe por ensinar-me o preço verdadeiro dos bens úteis à vida,
Agradeço-lhe por todas as coisas boas que vivemos,
Agradeço-lhe por seus carinhos, sua ternura e sua compreensão
Agradeço-lhe pela paciência, pela confiança e pela dedicação de seu tempo a mim,
Agradeço-lhe por todas as dificuldades que enfrentei; não fosse por elas, eu não teria saído do lugar,
Agradeço-lhe pela sua capacidade de me olhar devagar, acreditando que a pressa poderia atrapalhar a minha vida,
Agradeço-lhe por cada olhar carrancudo, por cada palavra má, por sempre me falar a verdade,
Agradeço-lhe por me ensinar com seu jeito coerente e otimista a enfrentar a vida,
E se por acaso faltou agradecimento, perdoe-me!
Oh meu Deus! Se eu tiver crédito com o Senhor ainda, por favor dê à tia Luíza, paz, saúde e alegria de viver!
Obrigado meu Deus!
Obrigado Tia Luíza!

Toda Caminhada Começa por um Primeiro Passo
Na caminhada da vida, sempre existirão desafios, surpresas, tristezas e alegrias. A vida é feita dessa mistura de momentos, e comigo não poderia ser diferente.
Já enfrentei situações que me fizeram sentir fraco e profundamente abalado. Houve momentos em que as lágrimas pareciam falar mais alto que as palavras. Mesmo assim, a minha fé em Deus nunca me abandonou. Sempre acreditei que cada lágrima, cada sorriso e cada passo da minha história já estavam escritos no diário de Deus.
Por isso, permita-me lhe dizer: não desista dos seus projetos nem dos seus sonhos. Antes mesmo de nascerem em seu coração, eles já eram conhecidos por Deus. Tudo o que vivemos faz parte da preparação para nos tornarmos quem realmente somos.
Há muitos anos, vivi uma experiência que jamais imaginei enfrentar. Pensei que tudo estivesse terminando. Cheguei a cogitar desistir e abandonar os meus sonhos.
Hoje entendo que isso aconteceu porque eu ainda conhecia muito pouco sobre a vida. Foi justamente essa dor que me levou a buscar conhecimento, fortalecer a minha fé e descobrir uma força que eu nem sabia que possuía.
Desde então, cada caminhada deixou de ser apenas um percurso. Tornou-se uma escola de vida. A cada passo, fui abandonando uma pessoa medrosa e desacreditada para me transformar em alguém fortalecido pela fé, pela esperança e pelo desejo de viver intensamente as belezas que Deus nos oferece.
Hoje já não encontro motivos para desistir. Pelo contrário, tenho experiências para compartilhar com aqueles que também enfrentam suas batalhas. Antes, eu oferecia os ombros aos meus amigos. Hoje, ofereço os meus braços para ajudá-los a se levantar.
Aprendi que cada dia é uma página em branco esperando por uma nova história.
Por fim, nunca se esqueça: durante a caminhada da vida haverá muitas quedas. Elas são inevitáveis. O importante é ter coragem, e determinação para levantar-se todas as vezes.
Grandes caminhadas não começam com quilômetros; começam com a decisão de dar o primeiro passo.
Peregrino Nino Carneiro

26 - ABENÇOA E AUXILIA
A vida oferece infalível receita em favor de nossa paz. Se a incompreensão nos aflige, abençoa e auxilia.
Se a discórdia ameaça, abençoa e auxilia.
Se a dificuldade aparece, abençoa e auxilia.
Se a crítica nos vergasta, abençoa e auxilia.
Se a maldade nos bate à porta, abençoa e auxilia.
Se a irritação nos procura, abençoa e auxilia.
Se o problema se agrava, abençoa e auxilia.
Se o desânimo intenta arrasar-nos, abençoa e auxilia. Se a injúria nos visita, abençoa e auxilia.
Se a provação surge mais exigente, abençoa e auxilia. Se o afeto de alguém nos abandona, abençoa e auxilia.
Ainda mesmo nos dias em que a lágrima seja a única presença em nosso coração para o trabalho a fazer, abençoa e auxilia sempre, porque abençoando e auxiliando estaremos, em toda a parte, com o auxílio e com a benção de Deus.
Extraído do livro Coragem - Chico Xavier

Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores

Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho
Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho

Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim

O pacato tem vida longa.

Para viver, deixe viver. As pessoas pacíficas não vivem apenas, reinam. Ouça e veja, mas mantenha-se calado. Um dia sem tensões significa uma noite repousante. Viver muito e com gosto é viver duplamente: é fruto da paz. Tem tudo aquele que não se preocupa com aquilo que não importa. Não há bobagem maior do que levar tudo muito à sério. Manter-se aberto àquilo que não interessa é tão tolo quanto não se envolver com aquilo que interessa.

Neste exato momento, se o livro da vida me concedesse um único desejo, eu não hesitaria: pediria para me transformar em um pequeno passarinho — discreto, de asas firmes e coração leve. Voaria pelos céus em silêncio, guiado apenas pelo desejo de pousar suavemente em sua janela. Ali, por breves segundos, eu te observaria com ternura, sem perturbar tua paz, apenas existindo na tua presença.

Mas não seria um pássaro qualquer. Carregaria comigo uma fragrância singular, sutil e envolvente — um aroma que ninguém mais poderia perceber, exceto você. Ao senti-lo, teu coração reconheceria, sem dúvida, que aquele instante, aquele voo, aquele perfume... era meu. Leoni T. Steil

A Vida do Viajante

Minha vida é andar
Por esse país
Pra ver se um dia
Descanso feliz
Guardando as recordações
Das terras por onde passei
Andando pelos sertões
E dos amigos que lá deixei.

Chuva e sol
Poeira e carvão
Longe de casa
Sigo o roteiro
Mais uma estação
E alegria no coração.

Minha vida é andar...

Mar e terra
Inverno e verão
Mostra o sorriso
Mostra a alegria
Mas eu mesmo não
E a saudade no coração

O que existe do outro lado da vida?

O que acontece quando atravessamos a última fronteira e encontramos a Deusa da Luz Imaginária? Será que ela nos recebe como quem reconhece uma alma antiga? Será que, depois do silêncio, existe uma luz capaz de explicar tudo aquilo que aqui permaneceu sem resposta?

Ninguém sabe, com certeza, o que existe depois da morte. Talvez haja um lugar. Talvez uma nova forma de existir. Talvez sejamos acolhidos por uma luz que não fere os olhos, mas acalma o coração. Talvez a morte não seja o fim, mas uma passagem para um mistério maior do que a nossa compreensão.

E eu me pergunto: haverá, do outro lado, aqueles que amamos?

Será que, quando chegar a minha hora, encontrarei novamente os rostos que a vida levou? Será que poderei abraçar quem hoje só consigo tocar pela memória? Será que a voz que se calou voltará a chamar meu nome? Ou será que o amor, de algum modo que ainda não entendemos, nunca deixou de existir?

Porque a morte é um mistério, mas a saudade é uma certeza.

Ela chega sem pedir licença. Às vezes, se esconde em uma música, em um cheiro, em uma fotografia, em um lugar vazio à mesa. Às vezes, aparece de repente e aperta o peito, como se o coração tentasse alcançar alguém que já não pode ser alcançado pelas mãos.

Talvez a saudade doa tanto porque o amor não aceita desaparecer. Talvez ela seja a prova de que algumas presenças continuam vivendo dentro de nós, mesmo quando já não caminham ao nosso lado. E talvez amar alguém seja aprender a carregá-lo para além do tempo, para além da ausência e, quem sabe, para além da própria morte.

Eu queria ter a certeza de que existe algo lindo depois daqui. Queria saber que, quando a minha caminhada terminar, não encontrarei apenas o vazio, mas uma luz. Queria acreditar que haverá reencontros, abraços interrompidos que finalmente se completarão e lágrimas que, um dia, serão transformadas em paz.

Talvez não possamos provar que existe um outro lado. Mas também não podemos provar que o amor termina quando o corpo se despede.

Então, enquanto a resposta permanece escondida no mistério, escolho guardar uma esperança: a de que ninguém que amamos desaparece por inteiro. Que, de alguma forma, aqueles que partiram continuam em nós — nas lembranças, nos gestos que herdamos, nas palavras que ainda ouvimos em silêncio e no amor que permanece, mesmo diante da ausência.

E talvez, quando eu encontrar a Deusa da Luz Imaginária, ela não me entregue todas as respostas. Talvez apenas sorria, abra os braços e me mostre que o amor nunca esteve perdido.

Talvez, do outro lado da vida, eu encontre novamente quem amo.

E talvez a saudade, finalmente, se transforme em reencontro.

benta

Existe um tipo de pessoa que não entra na vida dos outros.

Ela inaugura uma estação.

Antes dela, os dias acontecem como um inverno comprido. As árvores continuam de pé, os carros continuam passando, o relógio continua cumprindo sua obrigação de girar. Mas existe uma diferença silenciosa entre viver e apenas sobreviver. Quase ninguém percebe até encontrar alguém capaz de acender as luzes de uma casa que sempre esteve habitada por sombras.

Foi assim que conheci Benta.

Os olhos mais sinceros que já presenciei em 26 anos de vida.

Bonitas eram as coisas que aconteciam perto dela.

O café parecia mais quente.

As ruas pareciam menores.

Os silêncios deixavam de ser um lugar de abandono para se tornarem um idioma que duas pessoas podiam dividir sem medo.

Ela carregava uma estranha habilidade de fazer o mundo perder o excesso. Como se passasse as mãos sobre a realidade e retirasse todo o ruído que sobrava entre um coração e outro.

Algumas pessoas chegam oferecendo promessas.

Benta oferecia paz.

E isso era infinitamente mais perigoso.

Porque promessas quebram.

Paz vicia.

Passei tempo demais acreditando que anjos tinham asas.

Depois percebi que talvez eles apenas saibam permanecer quando ninguém mais consegue.

Ela nunca precisou salvar ninguém de incêndios, tempestades ou guerras.

Bastou existir.

Há pessoas que nos dão conselhos.

Outras nos dão coragem.

Ela me devolveu uma versão de mim que eu desconhecia.

Na presença dela, eu não precisava fingir ser forte. Não precisava vencer discussões imaginárias, provar inteligência, esconder as rachaduras ou construir personagens. Pela primeira vez, existir parecia suficiente.

E isso me assustava.

Porque quando alguém nos enxerga sem as armaduras, sobra apenas a responsabilidade de não ferir aquilo que finalmente encontrou descanso.

Nem sempre consegui.

É estranho perceber que o amor também pode carregar culpa.

Não aquela culpa dramática dos romances.

Uma culpa silenciosa.

A de olhar para trás e pensar que algumas mãos aparecem apenas uma vez na vida para nos tirar da água.

E nós, ainda aprendendo a respirar, acabamos soltando exatamente a mão que nos mantinha na superfície.

Às vezes imagino que Deus distribui milagres de maneira discreta.

Não em igrejas.

Não em profecias.

Mas em pessoas.

Pessoas que aparecem sem anunciar a própria importância.

Que entram pela porta como qualquer outra.

Que riem de coisas pequenas.

Que bagunçam os cabelos com o vento.

E só depois de irem embora revelam que sustentavam um universo inteiro sem nunca terem dito uma palavra sobre isso.

Benta era assim.

Nunca precisou dizer que era luz.

A escuridão fazia esse trabalho por comparação.

Existe uma rua dentro da memória onde ela continua caminhando.

Não envelhece.

Não se despede.

Não pede que eu a siga.

Apenas continua andando, enquanto tudo ao redor floresce com a delicadeza de quem nunca soube que estava realizando um milagre.

Talvez seja por isso que algumas lembranças doam tanto.

Não sentimos falta apenas de uma pessoa.

Sentimos falta daquilo que éramos quando alguém nos fazia acreditar que o mundo ainda tinha um lugar reservado para a esperança.

Benta nunca foi uma casa.

Casas podem ser reconstruídas.

Ela foi horizonte.

Você pode atravessar continentes inteiros, aprender novos idiomas, dormir em outras camas, conhecer outros rostos.

Ainda assim, em algum momento do dia, seus olhos procuram exatamente aquela linha distante onde o céu parecia tocar a terra.

E então você entende.

Existem pessoas que passam pela nossa vida para serem amadas.

Outras, para serem esquecidas.

Mas há uma categoria infinitamente mais rara.

Aquelas que nos libertam de nós mesmos.

Que chegam quando tudo dentro parece um labirinto sem saída e, sem perceber, derrubam uma única parede.

Não mostram o caminho.

Elas se tornam o caminho.

E mesmo quando já não estão mais ali, seguimos andando por causa da direção que deixaram.

É por isso que nunca consegui pensar em Benta como uma ausência.

Ausências pertencem ao tempo.

Ela pertence ao que existe antes das palavras.

Àquela sensação inexplicável de encontrar abrigo sem precisar entrar em lugar algum.

Se algum dia me perguntarem qual foi o melhor sentimento que experimentei, não responderei com felicidade.

Felicidade é breve.

Direi que, por um instante impossível da vida, conheci alguém cuja simples existência fazia o mundo parecer menos pesado.

E desde então passei a desconfiar que certos anjos aceitam viver entre os homens apenas para lembrá-los de que a salvação, às vezes, não desce dos céus.

Às vezes ela sorri.

E atende por um nome que ninguém mais compreenderá.

Benta.