Textos sobre Tempo

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Porque as vezes é viver


Ele senta no escuro
como quem conversa com o próprio tempo,
a lua não responde,
mas também não vai embora.


O violão descansa no colo
sem pressa de ser tocado,
há noites em que o som é pensamento
e o pensamento já basta.


O céu espalha estrelas
como lembranças soltas,
nem doem, nem alegram,
apenas existem.


E ali, sem promessas ou pedidos,
ele fica mais leve,
porque às vezes viver
é só estar.

Eu sou como um livro


Eu sou como um livro esquecido na estante do tempo, com páginas amareladas pelo que senti demais.
Nem todos leem a capa, poucos chegam ao índice, mas cada palavra minha carrega um silêncio que só o coração atento consegue decifrar.


Há capítulos escritos à lápis, cheios de dúvidas, outros gravados à tinta forte da paixão.
Entre linhas tortas, guardei nomes, promessas, e um amor que virou poesia quando não coube mais no peito.


Algumas páginas estão rasgadas pela ausência, marcadas por lágrimas que borraram o sentido.
Mas até os erros têm sua narrativa,
pois é no conflito que a história respira e aprende a continuar.


Nem todo parágrafo é alegria,
há noites inteiras escritas em prosa escura.
Ainda assim, sigo aberto, página por página, porque quem ama de verdade não pula os trechos difíceis.


E se um dia alguém me ler até o fim,
vai entender que não sou só palavras.
Sou memória, sou estrada, sou entrega.
Um livro que não termina na última página, mas recomeça em cada amor que ousa me ler.

Quando sonhamos morremos?
E quando morremos somos sonhos...
Num estante que vivemos não há tempo para sonhar...
E quando dormindo cansado não espaço para sonhar....
Em um pisca de olhos atravessamos o tempo sonhando ou acordados.
Seres magnicos de mundo mágico...
Vivemos eras numa paradoxo de existência para fazemos parte das estrelas que tanto contemplamos.

O suficiente


Te procurava no inconsciente,
nas entrelinhas do universo,
nas dobras do tempo,
em um passado bem distante.


No futuro, além do infinito,
mas estava aqui mesmo, no presente.
Poderia passar a vida inteira
te olhando em silêncio,
e já seria o suficiente.


Não se trata de posse
ou desejo;
é algo mais intenso,
que transborda em meu peito.


Não vejo complexidade
na ausência,
não clamo os seus beijos;
minha alma apenas sente saudade,
mas se acalma quando o vejo.


Não preciso tocar
ou me satisfazer;
o silêncio é meu segredo.
Estar por perto
é o que anseio.


Estará aqui para sempre...
Mesmo sem palavras,
mesmo sem nada,
não diminui o que sinto;
a sua existência,
para mim, já é suficiente.

Hoje
Sem saber por quê
Fui lembrar
De um tempo que ficou pra trás
E vi alguém
Alguém que eu já não sou mais
Porquanto,
A despedida é uma constância
Só que quase que despercebida
E as fases da vida, tem prazo de validade
De vez em quando
Quase vemos isso, qual criança
A se rir de um medo bobo que não finda
Pra no fim da vida ter segredo
A saber-se o mesmo ainda... e ninguém vê
Pois, se conhecimento é uma conquista
A lista do que não sabemos permanece vasta
E é preciso ser um grande tolo pra pensar vencer
Vida, doce vida
Passa tão depressa
Quanto um lindo verso de lua cheia
O dia vem, pouca gente viu a lua
e o luar... ninguém
A gente segue, abandonando
Um medo ou outro ao longo do caminho
Como quem se despede de velha amizade
Mas que ainda existirão
Um dia após o fim da eternidade
Há um tempo a despir-se também
De todo e qualquer orgulho
Como espelho que se parte
Agora partimos
Sem fazer barulho, alarde ou ruido
Nem querer se fazer ouvido
Pois, quanto mais a gente cresce
Mais a gente se apequena
de tanto pensar, se pensa
E vê que não vale a pena.

Edson Ricardo Paiva.

A Mulher Que Ficou Apenas na Memória

No primeiro dia de novembro,
o tempo escreveu o teu nome
na página mais bonita da minha vida.

E eu, sem saber,
entreguei-te o coração
como quem entrega uma casa
a alguém que promete nunca partir.

Em março,
vestimos o amor de eternidade.
Diante do mundo jurámos permanecer,
ignorando que até as promessas
podem sangrar em silêncio.

Vivemos instantes
que hoje parecem pertencer
a outra existência.

Havia poesia no teu olhar,
calma nas tuas mãos,
abrigo no teu abraço
e esperança no sabor do teu beijo.

Tu caminhavas com a elegância
de quem fazia da ternura
a sua mais bela linguagem.

Então a vida,
cruel sem pedir licença,
arrancou-nos um filho
antes que ele pudesse conhecer
o calor dos nossos braços.

Naquele dia,
não morreu apenas um sonho.

Morreu um pedaço de nós.

Depois desse vazio,
vieram os silêncios.

Quem me chamava “amor”
passou a pronunciar apenas o meu nome,
como se cada letra apagasse
a história que juntos escrevemos.

O eterno começou a desfazer-se
sem ruído.

Como um castelo de areia
que o mar leva,
grão por grão,
até nada restar.

Tentámos regressar.

Houve pontes reconstruídas,
palavras ensaiadas,
esperanças teimosas.

Mas nunca faltou amor.

Faltou coragem.

A coragem de reconhecer,
de pedir perdão,
de olhar para as próprias sombras
sem fugir delas.

Hoje encontro diante de mim
uma mulher que tem o teu rosto,
a tua voz
e o teu nome…

Mas já não tem a alma
por quem um dia me apaixonei.

Onde havia princípios,
ergueram-se muralhas.

Onde existia admiração,
cresceu a indiferença.

Onde florescia a verdade,
restou apenas o eco
das promessas que o vento levou.

E então compreendi
a mais amarga das verdades:

às vezes,
a pessoa que perdemos
não parte.

Ela transforma-se
numa estranha
enquanto ainda respira.

Não sei se mudaste.

Ou se apenas deixaste cair
a máscara que o amor,
cego e generoso,
nunca me permitiu ver.

Hoje não choro
porque a nossa história terminou.

Choro porque continuo à procura
da mulher
que conheci naquele novembro.

Da mulher
que me olhava como destino.

Da mulher
que me abraçava como lar.

Da mulher
que um dia prometeu eternidade…

e que agora vive apenas
no lugar onde ninguém consegue morrer:

a memória
de um coração
que amou
até ao último pedaço de si.

Hassamo Abdurrahimo

CARLA
​Olhe nos olhos dele e deixe o tempo sangrar
Diga ao Bruno que o amor mais verdadeiro não é o que se revela mas o que se imola no silêncio
​CARLA diga que a entrega que ele planeja é um incêndio em campo de vidro
Inocentes não têm pele para esse calor
​O que existe entre vocês o que é real habita esse vazio fértil
É uma anatomia de segredos que nunca precisará de voz
Fazer amor com a realidade é aceitar que o nada é a substância mais densa que existe
​Diga a ele BRUNO seja o frio que preserva
A água que cai não é chuva é a destilação de tudo o que não precisamos dizer para sermos inteiros
​CARLA mostre a ele que a maior prova de existência é a coragem de ser invisível
Nada de mãos dadas com o perigo
Nada de entregas ao abismo
​O mistério é o nosso útero
Se ele nascer agora ele morre
Deixe o submerso
Deixe o sagrado
​Simplesmente permaneça


DeBrunoParaCarla

O tempo em Itaipuaçu tinha um pacto com a gente e todo dia às 18:18 o universo pedia licença para o desfile começar. O barulho das ondas era a única música que interessava e a escuridão da praia era o nosso cobertor mais quente porque ali nada de ruim nos achava. Carla era o brilho que competia com o céu e a gente ficava ali horas a fio dividindo o vinho e o silêncio enquanto as estrelas cruzavam o alto de um lado para o outro. A luz delas era a única lanterna permitida e o resto do mundo sumia no horizonte como se nunca tivesse existido. Ela era o meu alívio no meio do nada e a salvação de qualquer cansaço porque naquele quadrado de areia o perigo não tinha vez e o amor era a única regra. Sinto o cheiro da fogueira toda vez que fecho os olhos e o 18:18 ainda bate no meu pulso como se o desfile nunca tivesse terminado.


DeBrunoParaCarla

A.Q.N.S.M. é o meu porto seguro, onde o carinho não cabe em nenhuma fita métrica e o tempo parece que resolveu caminhar mais devagar. A.Q.N.S.P. é o segredo que a gente guarda no peito, um amor que é dado de graça, sem cobrar nada em troca, leve como uma brisa de verão. São as nossas marcas na pele, os versos que a alma não cansa de cantar.


DeBrunoParaCarla

Passei tanto tempo colocando a dor no bolso, escondendo meus próprios problemas, porque os meus nunca pareciam prioridade. As circunstâncias sempre faziam da necessidade do outro algo maior, mais urgente, mais digno de atenção.


Até que veio o acúmulo. E com ele, a implosão
silenciosa, mas devastadora, causando danos profundos.


Agora estou aprendendo qual é o meu lugar de prioridade dentro da minha própria vida. Aprendendo a dar passos que antes nunca me foram permitidos.


Mas hoje surge um novo dilema nas circunstâncias da vida: minha dor já não cabe mais no bolso. Ela transborda, aparece até no silêncio. Tento guardá-la em uma gaveta, mas até essa gaveta está quebrada. E, ainda assim, a prioridade segue sendo cuidar de uma dor física, visível, aquela que todos conseguem enxergar.


E a que ficou em mim?
A que implodiu por dentro?


Existe forma de impedir que os danos ultrapassem os limites do aceitável, quando se viveu tanto tempo sem saber se colocar no próprio lugar?

⁠Quando era criança, eu não via a hora de estar com Henry. Cada visita era um acontecimento. Agora, cada ausência é um não acontecimento, uma subtração, uma aventura sobre a qual vou ouvir quando meu aventureiro se materializar aos meus pés, sangrando ou assobiando, sorrindo ou tremendo. Agora tenho medo quando ele some.

⁠Um líder precisa olhar para o povo. Ele precisa ser um representante do povo, a voz de Deus na terra... O principal dever de um líder é pensar nos outros, não excluindo, mas ajudando-os como um irmão. O atual problema de nossa nação é que ela não tem um líder forte representando nosso povo. Eu já vi grandes repúblicas caírem, por simplesmente, seu líder não ter forças para guiar seu rebanho para os campos. O poder não é tudo que temos, o poder não é nada comparado a força e a soberania de um povo, o líder mandar, o povo decide se obedece a seu líder!

Inserida por PazMundial

Enfrentar as tempestades
Nas esquinas, onde a coragem se faz presente, para que possamos enfrentar todas as tempestades, sejam com
trovões, ou não...
Temos, então, a capacidade de nos reerguermos
e enfrentarmos as arestas da vida com toda a intrepidez, que, a nós, é doada...
esquinas, onde a coragem se faz presente, para que
possamos enfrentar todas as tempestades, sejam com
trovões, ou não...
Temos, então, a capacidade de nos reerguermos
e enfrentarmos as arestas da vida com toda a intrepidez, que, a nós, é doada...
Marilina Baccarat de Almeida Leão, escritora brasileira, no livro
"Vértices do Tempo"

Inserida por MarilinaBaccarat

Nós vivemos querendo que o tempo passe mais rápido, contando cada segundo, queremos que os segundos virem minutos e que os minutos virem horas, isso quando queremos alguma coisa...mas e quando queremos aproveitar algo?, aí o tempo passa cada vez mais rápido, e você implora pro tempo passar devagar,as horas viram minutos e os minutos viram segun⁠dos, e aí tudo se vai, eu entendo que quando queremos algo, o tempo demora e que quando queremos aproveitar algo o tempo não para, ha se pudessemos ousar pensar em voltar no tempo , quando você está em algo chato, quer que acabe, quer que o tempo passe, mas quando cresce, quer voltar no passado para poder aproveitar o que não aproveitou direito.

Inserida por agarotadoabismo

Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê. E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória, alívio, enquanto agora sou uma planta carnívora exigindo a cada dia uma gota de sangue para manter-se viva. Você rasga devagar o seu pulso com as unhas para que eu possa beber. Mas um dia será demasiado esforço, excessiva dor, e você esquecerá como se esquece um compromisso sem muita importância. Uma fruta mordida apodrecendo em silêncio no quarto.

Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também.

É tempo de ver o sol, ainda que seja noite, pois sabemos "racionalmente" que o sol não sumiu, apenas se escondeu para que a lua se exiba no céu. Então, deixar-se aquecer pela certeza de que a felicidade não sumiu, apenas deu um tempo para que a tristeza se exibisse, mostrasse para você que o melhor de tudo é ser feliz, e que se perdeu um amor, não perdeu a capacidade de amar, se perdeu um dente, a boca ainda está no lugar, se perdeu um emprego, a experiência ainda está lá, se perdeu...

Inserida por jeanrosana

Porque se você não vem, é como se o tempo fosse passado em branco, como se as coisas não chegassem a se cumprir porque você não soube delas (...) E se você vem, fica tudo maior, mais amplo, sei lá, mas é como se eu existisse dum jeito mais completo, compreende? Talvez eu tenha chegado a humildade máxima que um ser humano pode atingir: confessar a outro ser humano que precisa dele para existir.

Inserida por kalinyfuchs

Desaprender a autocomiseração: enquanto perdemos tempo tendo pena da gente mesmo, os demais seguiram em frente.A solução é voltar ao marco zero. Desaprender para aprender. Deletar para escrever em cima.Houve um tempo em que eu pensava que, para isso, seria preciso nascer de novo, mas hoje sei que dá pra renascer várias vezes nesta mesma vida. Basta desaprender o receio de mudar.

Inserida por analuisabq

❝ Se fosse uma comédia-romântica-americana, a gente se encontraria daqui a um tempo e eu diria a ele, que mesmo depois de ter conhecido homens que não se irritavam com as minhas ironias, não me seguravam com tanta força a ponto de me esmagar, não amavam os amigos acima de tudo, não tinham respostas pra tudo de forma tão irritante. Não eram tão orgulhosos como eu, não tinham humor tão negro. Não eram convencidos demais, não gostam de flash backs com ex. Não tiravam sarro do meu time, não ligavam se eu confundisse nomes de capitais, movimentos artísticos, ruas e bairros, era ele que eu gostava, era ele que eu queria.

Inserida por maynarafonseca