Textos sobre Tempo
As vezes a gente passa muito tempo no raso das nossas vidas, satisfeito com molhar os pés, sentar na areia. Sem perceber que existe um oceano inteiro abaixo de nós, para ser conhecido, explorado, admirado,"nadado". Então é hora de mergulhar em si mesmo. Transformar a gota em oceano. Não aceitar e não mergulhar em lugares rasos pois é impossível não se machucar.
Um mês mergulhado de verdade, na profundidade certa traz mais resultados que anos à beira. No raso. Assistindo da areia.
Choverá
Essa solidão que, há tanto tempo, venho preenchendo com histórias que já não fazem sentido.
Viver essa mentira de que “não estamos sozinhos” tirando todas essas crenças
Humanamente, somos todos assim: a ânsia, o medo do vazio, e o que ele faz com você.
Certa vez, eu estava sentado em uma praça.
E o que restou foi apenas o fim da tarde.
O sol estava prestes a ir embora, e eu pensava
“Como isso é doloroso. Já não tenho mais por que desviar o olhar do sol.”
As coisas aconteceram tão rápido,
que o tempo que passou já não importava.
Tornaram-se partes no tempo:
momentos, sonhos, esperança, desejo, apreço, culpa, decepções.
O sol, enfim, desapareceu.
Me levantei do banco.
E depois disso, só me restou voltar pra casa,
apreciando cada parte da rua:
o céu já escuro,
pessoas sorrindo,
pensando no outro dia.
E sem que eu percebesse… choveu.
Choveu tanto que precisei me esconder.
Naquele momento, enquanto chovia,
o que passava na minha cabeça é:
“Eu gostaria de ir pra casa.”
Uma vez, uma pessoa me disse:
"Você pode ignorar a realidade, mas não as consequências de ignorá-la."
E, de fato, ignorei.
Vivi na minha bolha de que “tudo bem, não vou ficar sozinho, independente dos meus atos”.
E agora…
lido com as consequências.
Mesmo que eu não queira sentir isso,
eu devo sentir.
E quando não suportar, eu sei que... vai chover
O tempo é a maior mentira, no qual alguém irá inventar que ele tudo pode resolver
Porque encontrar algo com que te faça acreditar que muito em breve tudo passará te faça sentir alívio
Mas o tempo vai passando e você continua ali no mesmo lugar, na mesma dor, no mesmo amor, o tempo só vai te passando pra trás portanto siga em frente
Lembra- te que são as suas atitudes de hoje que irão definir o seu amanhã,
E que vão decidir por quanto tempo mais irá sofrer, porém é hipocrisia dizer que só o tempo cura
A cura está dentro de você, o tempo corre enquanto tô voce continua aí parado (a)
EQUILÍBRIO
Quanto tempo a alma leva para entender?
Que todo coração entregue
Corre o risco de sofrer
Que nesse paraíso existem mais flores nuas
E espinhos descobertos com o tempo
O amor é o princípio que abre as portas do íntimo
O amor permite que seus valores no profundo sejam vistos
O insondável tocado
A verdade nos riscos da felicidade
E quem sabe que nada é impossivel
Que tudo tem um preço a pagar nesse invisível
O amor é sagrado em tudo que se pode ter
Em tudo que se pode entregar
O amor é um deserto de diamantes sobre a superfície do ego
E quando acaba não sabe o que se perde
O que vai entregar
O que um homem deve saber sobre o coração de uma mulher?
Qual a verdade no ouro dos seus compromissos
Uma canção sem medos
Olhos nos olhos
Brilho sem segredos
Como é triste um sonho perfeito destruído
Quando se busca luz e encontra o escuro
Quando o sentimento é enganado pelo vazio
♫
Quanto tempo a alma leva para entender?
Que amor na vida é mais que sorte
É a mais pura fé
E no calor das emoções um dever
Agora prosseguir e ser forte
Ter equilíbrio e não sofrer
O amor é sagrado em tudo que se pode ter
Em tudo que se pode entregar
O amor é um deserto de diamantes sobre a superfície do ego
E quando acaba não sabe o que se perde
O que vai entregar
Mas por toda vida existem amores intermináveis
● Carlos Alberto Blanc
® Circunstancial
Num dia frio,
o mundo pede silêncio.
E entre páginas abertas,
o tempo desacelera.
Lá fora, o vento atravessa ruas,
carrega pressas, distrações,
mas aqui dentro,
tudo encontra um ritmo mais lento,
quase como um segredo bem guardado.
E é nesse instante simples,
entre o frio e o abrigo,
que a vida se revela;
sem esforço:
como uma melodia suave ao fundo,
dessas que a gente nem percebe,
mas sente,
e sabe que é exatamente ali
que mora o sentido.
So de pensar, no espaço tempo;
Curto período de tempo;
Uma troca de olhar;
Uma troca de sorrisos;
Uma demonstração de carinho;
Um final de tarde juntos;
Um momento sem igual;
Se limpando ao fim do dia;
Como se fosse tudo tão natural;
Um momento sem igual;
Uma vontade natural;
E no final de tudo;
Um beijo surreal...
Nem sempre é sobre tempo,
nem sobre fazer dar certo dentro de padrões
Às vezes é sobre duas almas cansadas
se encontrando no meio do caos
e decidindo, mesmo com medo,
tentar mais uma vez.
É sobre dor acumulada,
cicatrizes que ainda ardem,
e ainda assim
um desejo absurdo de acreditar no amor.
E então você chega.
Sem aviso, sem cuidado,
invadindo tudo que eu levei tanto tempo pra tentar reconstruir.
E por falar em verdade
me diz
você me ama?
Porque eu não sei amar pouco.
Eu te amo no volume máximo,
com a força de um impacto que tira o ar…
mas também com a delicadeza de quem segura o seu rosto
como se você fosse a coisa mais preciosa que existe.
Eu te amo no caos e na calma,
na urgência e no silêncio,
no toque e na saudade que já nasce mesmo quando você ainda está aqui.
Você chegou com pincéis e tintas,
e sem perceber, devolveu cor pra uma vida
que já tinha aprendido a sobreviver em tons de cinza.
E é estranho
como a vida nos quebra, nos testa, nos esgota
pra só depois, quando a gente já não espera mais nada,
colocar alguém como você no nosso caminho.
Um amor que não só fica
mas que reconstrói.
Que me faz pensar em futuro de novo,
no mesmo futuro que eu já tinha desistido,
enterrado junto com tudo que um dia eu acreditei.
Minhas lágrimas já contaram histórias que ninguém leu,
mancharam palavras que ninguém ouviu
Eu já me perdi em noites longas,
já me refiz em manhãs vazias,
já fingi força em tantos entardeceres
que até esqueci como era sentir de verdade.
Até você.
E agora
não é só sobre amar.
É sobre não querer mais fugir.
Porque se for pra me perder
que seja em você.
𝙿𝙾𝙴𝙼𝙰: A Disparidade
Recorda-se do tempo bom
de um dia que sequer existiu
onde aqueles que partilhavam o bem
recebiam em troca aquilo que convém
Quando recorriamos à salvação
de grandes máquinas de punição
Na época em que eram imunes
a qualquer esquema de manipulação
Quem dera que isso realmente existisse
seria uma tolice acreditar afinal
em algum tipo de carma triunfal
para toda maldade que viesse.
Cabe a você, então,
abraçar sua singularidade
e aceitar, enfim,
A eterna disparidade:
De finais felizes
e dos destinos de elite,
aos que mentem sem limite
até aos que atacam com apetite.
Poesia pessimista escrito por César Hioli.
11/02/2026.
Entender o que dói parece uma estrada de difícil acesso, interditada há muito tempo. Muitos desviam do caminho, buscando se manter seguros, mas ainda carregam uma curiosidade silenciosa sobre o que existe ali.
É como um monte vazio e, ao mesmo tempo, singular, uma expressão doce e sutil da natureza que confunde e bagunça a mente de quem se aproxima.
A dor invade de forma brusca. Arranca o fôlego, distorce o que parecia normal, sufoca, atinge, paralisa. E, de repente, tudo perde o sentido.
"O Amor que Veio nos Amar"
O amor que veio nos amar
ultrapassa o tempo, o céu, o mar.
Não há barreira, dor ou pesar
que consiga esse amor apagar.
Deus olhou o mundo e, em Seu olhar,
viu corações prontos a se quebrar.
Então, enviou Seu Filho a nos tocar,
para que a vida pudéssemos abraçar.
Porque Deus amou de forma sem fim,
que entregou Jesus, Seu próprio Filho, por mim.
Para que todo aquele que nele crer
não pereça, mas venha a viver.
É um amor que atravessa a dor,
que dá esperança, que traz calor.
Que toca a alma, que faz renascer,
que nos convida a simplesmente crer.
O amor que veio nos amar
não espera o mundo mudar.
Ele nos encontra onde estamos,
nos cura, nos guia, nos levanta mesmo no esquecimento.
Não se mede, não se explica,
mas transforma, consola e edifica.
E mesmo que a vida queira nos separar,
o amor que veio nos amar nunca vai falhar.
Olhe para o céu, ouça o vento a passar,
sinta no peito: Ele veio nos salvar.
Porque a eternidade começa ao crer,
no amor que Deus quis nos oferecer.
O amor que veio nos amar
é presente, é luz, é eterno luar.
É promessa cumprida, é vida a pulsar,
é João 3:16 a nos ensinar:
que crer em Cristo é nunca mais se perder,
é viver para sempre, no amor que veio nos amar.
"Carrego um chamado"
Carrego marcas que o tempo não levou,
feridas que a infância deixou sem cura,
silêncios que o mundo nunca escutou,
e um coração que aprendeu a ser forte na dor mais dura.
Não sou culpado das sombras que caminham comigo,
sou apenas alguém que tentou ser luz no meio delas.
E mesmo tropeçando no mesmo antigo perigo,
Deus insistiu em me levantar,
como quem recolhe estrelas.
Faltou pai… faltou mãe… faltou abraço.
Mas sobrou presença divina nos espaços vazios,
sobrou Cristo nos cantos do meu cansaço,
sobrou fogo no meio dos meus dias frios.
E quando eu penso que sou nada,
que não mereço, que não carrego talento,
Deus sopra em mim aquela voz calada:
“Filho, Eu faço morada no teu sofrimento.”
Porque o chamado é maior do que o peso que sinto,
é maior do que o erro que insiste em voltar.
E quando Ele me usa, eu só pressinto
que o céu inteiro começa a respirar.
Eu não sou grande,
não sou forte,
não sou perfeito.
Sou só barro nas mãos do Rei.
Mas mesmo assim Ele escolheu meu peito
pra acender um fogo que eu nunca acendi.
E hoje entendo:
não sou culpado,
sou escolhido.
Não por mérito…
mas por graça.
E onde o mundo me feriu,
Deus construiu estrada.
"Entre Ondas, Conversas e Silêncios"
Houve um tempo
em que nossas conversas não tinham fim,
como o mar diante de nós,
como o vento que passava
enquanto a gente falava da vida.
Na praia,
entre risadas e pensamentos profundos,
você foi me ensinando sem perceber.
Não só sobre a vida…
mas sobre a fé,
sobre esperança,
sobre continuar quando tudo parecia pesado demais.
Tudo que eu entendia sobre caminhar com Deus,
nasceu em muitas daquelas conversas.
Sem púlpito,
sem formalidade,
só amizade…
e palavras sinceras.
Você me ensinou a enxergar além,
a acreditar quando eu não via saída,
a encontrar paz quando tudo dentro de mim
era confusão.
E teve aquele momento…
em que minha mente escureceu,
em que pensei na dona morte,
em que parecia existir apenas um túnel,
frio, silencioso, sem volta.
Mas você estava ali.
Com palavras simples,
com presença,
com amizade verdadeira.
Você me puxou de volta.
Me fez ir para longe daquele túnel.
Me trouxe paz,
me trouxe alegria,
me trouxe de volta para a vida.
E talvez você nunca saiba
o tamanho disso.
Talvez nunca imagine
o quanto foi importante.
Porque não foi só amizade…
foi cuidado,
foi luz,
foi vida.
Hoje,
o mar ainda existe,
as praias ainda estão lá,
mas nossas conversas ficaram no tempo.
E eu sei…
assim como eu guardo cada memória,
você também guarda.
As risadas,
as caminhadas,
as conversas incessantes,
os dias que pareciam simples
mas que hoje carregam tanto significado.
Eu sei que você também lembra…
só escolhe não lembrar.
E isso dói,
porque algumas histórias
não deveriam virar silêncio.
Mas mesmo assim,
tudo que você me ensinou
continua vivo em mim.
Cada passo em paz,
cada momento de alegria,
cada vez que escolho viver…
carrega um pouco
da amizade que tivemos,
das conversas à beira do mar,
e de alguém que,
sem perceber,
me ajudou a voltar para a luz.
Entre o Tempo e o Silêncio
Ninguém percebeu quando começou. Talvez tenha sido no instante em que o relógio parou, ou quando o último som se dissolveu no ar como névoa. A cidade, antes pulsante, agora parecia suspensa, como se aguardasse algo que ninguém ousava nomear.
As ruas estavam intactas, mas havia uma ausência que doía. Não era medo. Era expectativa. Como se o mundo tivesse prendido a respiração.
E então, veio o sussurro.
Não pelas bocas, mas pelas paredes. Pelos espelhos. Pelos sonhos. Uma mensagem codificada em memórias esquecidas, em gestos repetidos, em olhares desviados. Algo estava voltando. Ou talvez nunca tivesse ido embora.
A pergunta não era "o que é isso?", mas "por que agora?"
Evans Araújo.
O Apito, a Matemática e o Óbvio
Em Natividade, vive-se um tempo curioso: discute-se muito, posta-se muito, argumenta-se muito — mas o trânsito continua falando a língua bruta da imprudência.
Em tempos de abusos no volante, não é o grito que organiza.
Não é a live que corrige.
Não é o discurso inflamado que reduz colisões.
As armas mais poderosas continuam sendo as mais simples:
o apito e a vigilância institucional.
O apito não é autoritarismo — é sinal.
A vigilância não é perseguição — é presença do Estado.
A matemática é elementar, quase primária:
Ausência de fiscalização + sensação de impunidade = abuso.
Presença constante + regra aplicada = redução do excesso.
Não requer hermenêutica. Não exige tese de doutorado. Não depende de narrativa ideológica.
É conta de soma.
Quando não há quem observe, alguns avançam o sinal.
Quando não há quem registre, alguns estacionam sobre a faixa.
Quando não há consequência, multiplica-se o descuido.
E a cidade paga em risco o preço da omissão.
Enquanto isso, ali perto, em Porciúncula, formam-se agentes, treinam-se procedimentos, aguarda-se homologação. Pode parecer burocrático. Mas é método. E método é a base da ordem.
Em Natividade, o debate muitas vezes se perde entre versões e justificativas. Porém, a rua não entende versões — entende presença. A rua não interpreta intenções — reage a ações.
O apito não é barulho.
É lembrança de limite.
A vigilância institucional não é espetáculo.
É aviso silencioso de que alguém está cuidando.
E quando o poder público hesita em assumir esse papel, a equação se resolve sozinha — e nunca a favor da coletividade.
No fim, a matemática do trânsito é cruelmente simples:
Onde o Estado não ocupa, o abuso ocupa.
Onde a regra não se impõe, o improviso reina.
Não é questão de opinião.
É questão de soma.
De mim pra VOCÊ. (Um pronome quase definido).
Tudo começou há um tempo atrás, Um tempo em que pensei finalmente estar em paz.
Foi quando percebi que tudo era uma ilusão, Ilusão que aos poucos só féria o meu coração.
Foi quando decidi, parar de acreditar no que mais queria crer mesmo sem encontrar VOCÊ.
Foi aí que VOCÊ apareceu em meu viver.
Pude então perceber que VOCÊ já estava aqui, Aqui dentro do meu coração.
Quase me enganei, Quase que não percebi, que o meu coração precisa só de ti.
Foi quando percebi, que tudo era uma ilusão, Ilusão que aos poucos só féria o meu coração.
Foi quando decidi, parar de acreditar, no que mais queria crer mesmo sem encontrar VOCÊ.
Foi aí que VOCÊ apareceu em meu viver.
Pude então perceber que VOCÊ já estava aqui, Aqui dentro do meu coração.
A vida segue sua linha do tempo, e vamos seguindo em frente construindo as nossas memórias, em cada sorriso e em cada lágrima fica um pedacinho de saudades.
Com sorrisos aprendemos como é bom ter e sentir a beleza da presença física, com lágrimas aprendemos como reflete a ideia de que a verdadeira beleza não reside apenas em características físicas imutáveis, mas na energia, no carisma, na conexão acolhedora e nos momentos agradáveis e inesquecíveis.
di matioli
“O tempo não apenas passa — ele ensina, cobra e revela. Ao longo da vida, acumulamos decepções: no amor, no trabalho, nas pessoas… e até em nós mesmos.
Mas é na dor que nasce o verdadeiro despertar — o autoconhecimento que nos obriga a enxergar quem realmente somos.
E então entendemos uma verdade inevitável: nada do que fazemos ao outro se perde. O mal que plantamos, cedo ou tarde, volta para nos ensinar da forma mais dura.”
Se o tempo esquecesse meu nome, eu continuaria anônima, fumando um cigarro de hortelã dentro de uma caverna onde constelações respiram entre morcegos e uma estrela cadente cai lentamente sem fazer barulho, lembrando que o belo é breve como a vida das borboletas que vivem apenas o suficiente para ensinar o amarelo ao girassol e o azul ao céu.
No meio do mar existe uma porta aberta, e eu entro nela como Alice atrás do coelho, atravessando algas coloridas e peixes alienígenas que guardam civilizações antigas, onde talvez eu me afogue e minha alma se dissolva na fórmula da água cintilante que colore o invisível e abriga um pássaro que nunca nasceu.
A estrela que caiu antes de nascer germina como um vaga-lume verde piscando na galáxia com altivez silenciosa, porque dois elefantes não fazem uma girafa e dois e dois são quatro apenas quando a vida vale a pena e o humor permite respirar dentro do absurdo; então guardo essa estrela no frasco do perfume da minha alma sinuosa.
Se uma palavra pudesse sangrar, eu protegeria a palavra vida para que as sementes continuassem sonhando em brotar entre arranha-céus de vidro impecável nas cidades cinzentas onde as línguas mastigam fel e o silêncio dos poetas transfunde sangue nas bocas numerosas que esqueceram como se conter diante do abismo.
Antes de eu nascer, um espelho já lembrava a avidez fatal do óvulo e do espermatozoide que decidiram minha existência no deserto concorrido dos poetas, onde a escravidão mata a racionalidade enquanto o azul permanece celeste e os pássaros planam com a tranquilidade de um homem que se debate entre o amor e a embriaguez.
E assim continuo atravessando portas abertas no oceano invisível, carregando estrelas em frascos de perfume, protegendo palavras feridas, enquanto um pássaro que nunca nasceu aprende lentamente a respirar dentro da água que lembra meu nome antes do tempo existir.
O Arquiteto de Sombras
As engrenagens do tempo não rangem,
elas deslizam em fios de seda e silício,
enquanto os homens, no cansaço, abrangem
o que é destino e o que é só artifício.
Plantei um jardim em solo de vento,
onde as palavras são sementes de luz;
colhi o silêncio de cada momento,
que às vezes liberta, que às vezes conduz.
O mundo lá fora corre em linhas retas,
geometria fria de pressa e metal,
mas o peito insiste em rotas inquietas,
buscando a curva do que é visceral.
Não sou o mármore, nem a mão que o corta,
sou o espaço vazio que a forma contém.
Bato de leve na sua própria porta:
há alguém em casa, ou não resta ninguém?
Amor que Transcende
"Existe um amor que não cabe nas regras,
não entende de tempo nem de distância.
É alma que reconhece, coração que insiste,
desejo que não se apaga.
Mesmo no silêncio, ele fala.
Mesmo na ausência, ele arde.
É conexão que desafia a lógica
e insiste em ser eterno."
— Naldha Alves
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