O Arquiteto de Sombras As engrenagens do... Reinaldo Hilario
O Arquiteto de Sombras
As engrenagens do tempo não rangem,
elas deslizam em fios de seda e silício,
enquanto os homens, no cansaço, abrangem
o que é destino e o que é só artifício.
Plantei um jardim em solo de vento,
onde as palavras são sementes de luz;
colhi o silêncio de cada momento,
que às vezes liberta, que às vezes conduz.
O mundo lá fora corre em linhas retas,
geometria fria de pressa e metal,
mas o peito insiste em rotas inquietas,
buscando a curva do que é visceral.
Não sou o mármore, nem a mão que o corta,
sou o espaço vazio que a forma contém.
Bato de leve na sua própria porta:
há alguém em casa, ou não resta ninguém?
